PRECISAMOS DE M… SR. SOISA…..
Maio 7th, 2008
“PRECISAMOS DE M… SENHOR SOUSA / POIS NUNCA PRECISÁMOS DE OUTRA COUSA”
Naquele tempo eu era um jovem de 18/20 anos cuja principal ocupação era beber copos. Ou melhor, durante o dia frequentava cafés e bebia a bebida do mesmo nome; durante a noite e sobretudo ao fim de semana, bebia, de facto, muitos copos; e nos intervalos, para desgosto de meus pais, fingia que estudava. Tudo isto se passava na cidade termal que, na altura, ainda o era; coisa que hoje quase apenas subsiste por memória e tradição, por culpa sobretudo de um duplo poder que Caldas da Rainha mal a governa (o poder municipal e a Administração do Hospital que gere, para além deste e do Termal, o parque e a mata) à “boa maneira” dos ´”ÁGUAS MORNAS”.
Nesses finais dos anos “sessenta”, do passado Século, Caldas tinha duas “boites” (uma coisa do outro mundo, para aquele tempo), que eram a perdição de noctívagos e jovens bebedolas, como eu. Essas boites eram o “INFERNO DA AZENHA”, que era particular (ou seja: não tinha a porta aberta ao público, sendo o acesso por convite) e o “FERRO VELHO”, que sendo “a pagantes”, estava sujeita a Contribuição Industrial, ao Imposto se Transacções e ainda ao Imposto de Luxo (uma taxa, salvo erro, para custear a guerra, do império Salazarento). Nesses tempos “época de ouro” dos anos sessenta, sob o signo dos Beatles (que já tinham deixado a sua Liverpool e o anonimato, depois de principal e inicialmente divulgados pela famosa estação pirata – RÁDIO CAROLINE – que se bem me lembro, era um barco com uma rádio a bordo, que “incendiava” a juventude súbdita de Sua Magestade Isabel II e punha os “cabelos em pé” aos dirigentes da conservadora BBC), bem como do celebrado “quarentão” MAIO DE 68, EM FRANÇA, para além do nascente MOVIMENTO HIPPIE, todos esses ecos a Portugal chegados, levavam a nossa juventude à “MÁXIMA REBELDIA”, de então, de deixar crescer os cabelos, em clara imitação dos membros do famoso conjunto (a que agora se chamaria banda), liderada pelo saudoso JOHN LENNON (ainda que o felizmente vivo PAUL MAC CARTNEY essa liderança disputasse e que, também, integrava os não menos famosos George Harrison, também, lamentavelmente, falecido e o rei dos bateristas, de seu nome RINGO STARR). Era a moda do cabelo grande, à Beatle ou BITOLEMANIA. Claro que o regime não gostava e muitos de nós sabíamos bem e usávamos os cabelos tão compridos, quanto a tolerância dos pais deixava, porque era uma forma, também, de mostrar a nossa rejeição a Salazar ou a Caetano.
Na vida política portuguesa, mais concretamente, Salazar ainda “reinava” (“reinava”, sobretudo, com o pagode, oprimia-o, no “rectângulo” e mandava os jovens do sexo masculino para a GUERRA COLONIAL, nas três frentes de Angola, Moçambique e Guiné).
SPÍNOLA, o homem do monóloco, era o Comandante Militar e Governador da Guiné. O famoso General (que mais tarde, após o “25 de Abril”, viria a ser Presidente da República), para além da fama de grande estratega militar, começava a distinguir-se pelas suas teses políticas, algo diferentes das oficiais. Eram teses, que não sendo semelhantes às do passado, do General Nortn de Matos, por diferentes das oficiais do regime, representavam uma saída, uma esperança, para o beco sem saída, em termos de política, em que o País se encontrava. Contrariamente a Marcelo Caetano (que substitui Salazar em Setembro de 1968), que apesar da chamada ”primavera marcelista”, não abre mão da solução militar para o problema colonial, na altura dito ultramarino, Spínola defende uma solução política, a meio caminho entre a dependência das colónias do Governo de Lisboa e a total independência, como ficou claro, em Janeiro de 1974, com o seu então escandaloso livro (para as gentes do regime) “PORTUGAL QUE FUTURO ?”
Dando um pouco mais de cor ao panorama político, de então, quando Salazar estava prestes a cair da cadeira (da do poder e ao que parece da de praia, na sua residência, salvo erro, em Cascais ou no Estoril), na Suécia, cujos Reis agora nos visitaram, representava-se a peça teatral intitulada “O CANTO DO ESPANTALHO LUSITANO” (entenda-se “espantalho” como sendo Salazar, que era ridicularizado como ditador e como detentor de um império obsoleto), em que Portugal era a maior vergonha da Europa. Por cá embora a oposição estivesse em crescendo, com esta a alargar-se à Igreja, que até aí, com o Cardeal Cerejeira, tinha sido um dos pilares que sustentava o regime, formava-se, no interior deste, a famosa ALA LIBERAL (que mais tarde seria o embrião do PPD/PSD) da União Naconal, partido único do regime, que Marcelo Caetano, entretanto, rebaptizara de ANP (Acção Nacional Popular), para dar uma aparência de mudança, quando, verdadeiramente, pouco ou nada mudava. Mas se o regime tentava dar uma aparência de mudança, para que tudo na mesma continuasse (ainda que se possa questionar o desejo de alguma, ainda que ténue, mudança de Marcelo, travado pelos ultras, onde se destacava o reaccionaríssimo CASAL RIBEIRO, na Assembleia Nacional, sob a batuta do “CABEÇA DE ABÓBORA”, TAMBÉM CONHECIDO PELO “PAPA AÇORDA” (por, como o verdadeiro Papa, trajar de branco e andar sempre nas comezainas e ter a fama de ser muito bom “garfo”, sempre “à conta do urso”, que é como quem diz “o bom povo português”, no dizer do “HOMEM DO MONÓCULO”, quando se dirigia ao pagode). Claro que o nosso “PAPA”, a que aludo, era o Presidente da República o Almirante AMÉRICO TOMÁS, que no tempo de Salazar era uma figura decorativa, do regime, mas que com Marcelo começa a querer-se impôr, o que com a sua fama de burro, potenciava a desgraça nacional e o mau-estar.
Estando o texto a ficar denso, pesado, vamos aligeirá-lo com uma hilariante anedota, que então se contava: Estando as principais figuras da ditadura vivas, perguntava-se a uma pessoa qual seria, em seu entender, o dia mais feliz da Nação? Respondendo o circunstante que não sabia, explicava-se-lhe, então, QUE O DIA MAIS FELIZ DE PORTUGAL SERIA QUANDO A VIÚVA DO AMERICO TOMÁS, FOSSE À CAMPA (TÚMULO) DO CEREJEIRA REZAR PELA ALMA DO SALAZAR. Claro que a história era contada com o máximo recato, que as “paredes tinham ouvidos” e esses ouvidos eram os da PIDE (e esses filhos da p….. não eram meigos). E Claro, também é, que hoje embora nos possamos considerar não felizes , reina SÓCRATES e a sua “reinação” não nos dá felicidade, não somos, todavia, tão tristes, quanto naqueles tempos éramos!…
Portugal, naquele tempo, era, apesar de tudo, já um Portugal de transição, não porque o regime o desejasse, mas porque o povo já o era. Já não era propriamente o Portugal dos três ”F” (efes) : “Fátima, futebol e fado”. O Benfica já decaía (tinha sido campeão europeu em 1962 e 1963 e depois disso já desgostava os adeptos). Apenas a glória do MUNDIAL DE 1966 ainda marcava. O Matateu do Belenenses envelhecia e sucedia-lhe como rei o EUSÉBIO. Em Portugal, nesse tempo, a canção de protesto pontificava, o programa ZIP ZIP, de Raul Solnado, Carlos Cruz e Fialho Gouveia, arejava o ambiente e a lenda viva ZECA AFONSO, COM AS SUAS MEIAS OU COMPLETAMENTE PROIBIDAS BALADAS, bem acompanhado pelos SEUS MAIS DILECTOS SEGUIDORES (Sérgio Godinho, Adriano Correia de Oliveira, José Mário Branco, etc.) começavam a fazer tremer o regime. De Moscovo tínhamos a rádio do mesmo nome, que nos falava da União Soviética e do proibidíssimo PCP (jamais me esquecerei que, de uma vez, essa lendária rádio denunciara 60 Pides, só nas Caldas) e que de Argel vinha a mais clara e bela Voz da resistência, que ainda agora nos encanta, essa LENDA VIVA, QUE DÁ PELO NOME DE MANUEL ALEGRE!
Ora eu, nesse tempo, em Caldas, já me alinhava com a oposição democrática, que tinha como local de frequência e encontro o famoso CAFÉ CENTRAL, que ao tempo era propriedade da família MALDONADO FREITAS, que liderava a oposição caldense (hoje o Central felizmente ainda existe, sendo o CAFÉ, talvez, mais chique de Caldas, depois de um complicado processo, relativamente recente, em que, por último, correu o risco de se transformar numa loja chinesa, o que um movimento de opinião pública, que teve eco na presidência da Câmara, evitou, depois de muita luta). Para além dos copos (que funcinavam como “escape” contra a falta de liberdade, a repressão e a “condenação à ida para a “guerra”), eu , dizia e escrevia POEMAS. Ora de uma vez puseram-me nas mãos um poema fabuloso, escatológico, quanto baste que eu em convívios copofónicos declamava, sacando da carteira um papelinho, já quase a desfazer-se, onde inscritos estavam esses hilariantes versos, em forma de EXPOSIÇÃO AO MINISTRO DA AGRICULTURA E, BEM ENTENDIDO, ALGO SUBREPTICIAMENTE, AO SALAZAR.
A história, tanto quanto me lembro, tinha um introito, explicando-se que era um APELO DE LAVRADORES ALENTEJANOS AO EXCELENTÍSSIMO MINISTRO DA AGRICULTURA, como já disse e tinha um estribilho onde se fazia referência ao “Sr. Sousa” ou “Soisa”, alternadamente, rimando com “cousa” ou “coisa”; sendo que se desconfiava que o “SOUSA” ou “Soisa” fosse o sacripanta do “BOTAS”, salazarento; e o apelo ao Ministro da Agricultura tinha como motivação as áridas terras alentejanas, cuja aridez só podia ser vencida com um bom adubo e como o adubo, mais comum, era caro o peticinante, poeta, VISLUMBRAVA UMA BARATA E ORIGINAL SOLUÇÃO, QUE MAIS NÃO ERA QUE A COMUM E BARATA TRAMPA, QUE, DE TODO O PAÍS, SERIA “EXPORTADA” PARA O ALENTEJO.
Ora um belo dia em que eu, em casa, “ressacava” das GINJAS, DOS BAGAÇOS, DO BRANCO E DO TINTO, MEU PAI, PROVAVELMENTE AVISADO, DESTAS MINHAS “INCURSÕES POÉTICAS” À BOA MANEIRA DO BOCAGE, “BORRADO DE MEDO”, QUE A PIDE NÃO ERA PARA BRINCADEIRAS, MESMO QUE ESTAS TIVESSEM POR MOTE A INOFENSIVA TRAMPA, SACOU-ME O POEMA E REZOU-ME UM RESPONSO, DE SE LHE TIRAR O CHAPÉU. FOI UMA “MISSA” DE MAIS DE MEIA-HORA, DE MEU PAI (cheio de razão, reconheça-se), dizendo-me que por muito menos havia gente em Peniche ou em Caxias ”hospedado”, com pensão completa e com direito a “sopa de urso” (leia-se porrada à fartazana). Ainda lhe supliquei que se escondesse o poema em casa, em sítio seguro, que não o voltaria a levar para a rua, que eu tinha estimação nele, mas a súplica caíu em saco roto. Ora, eu, embora da “obra prima” expoliado, tantas vezes dissera e o lera o poema, que, praticamente, o fixara.
Não foi esta a única vez que meu pai se viu aflito comigo por apoiar o “reviralho”. Mais tarde houve uma coisa mais séria, em que estive à beira de “ir dentro”. Já estava empregado, como “provisório”, nas Finanças, em Alcobaça, quando depois de ter assistido a uma sessão musical, com o saudoso ZECA AFONSO, completamente clandestina, nos pavilhões do Parque, salvo erro nas instalações do extinto e saudoso CCC (Conjunto Cénico Caldense) fui chamado à polícia. Meu Pai era lº Sargento do exército, no RI5 (actual Escola de Sargentos do Exército), a funcionar nas Caldas e o Comandante da Polícia era um Tenente, também do Exército, oriundo de Sargento, este servindo-se daquela espécie de empatia, com meu Pai, notificou este para me levar à sua presença, no seu gabinete. Tanto quanto sei, o Tenente era o responsável, também da PIDE, nas Caldas. Resultado estive três horas a ser apertado e mais problemas não tive em troca de juízo futuro e a promessa (que meu pai por mim fez) de futura “colaboração”. Como a coisa era séria e eu e meu próprio pai tínhamos uma grande consideração pelo prestigiado oposicionista, o saudoso Dr. Custódio Maldonado Freitas, que era, aliás, meu médico e que me havia curado, recentemente, uma complicada infecção renal, fui no maior dos segredos, no dia anterior ao da aprazada entrevista, com o Tenente, pedir conselho sobre o que podia dizer. Fui pelo Dr. Custódio alertado para não falar, dizendo que não sabia, se estava alguém de Lisboa. Recordo-me que lá havia estado o então capitão Aventino Teixeira. Conforme pude lá me safei daquela enrascada, não denuncindo ninguém, para além de, de acordo com o combinado com o médico oposicionista, na presença do Sr. Luís Barreto, ter falado nos nomes de Caldas, que eram supostos estar naquela sessão musical clandestina. Depois disso, todavia, como não “colaborasse” fui seguido e quando me preparava para concluir o Curso Comercial, chamado para a tropa e, posterirmente, com notas bastante boas nas disciplinas, do curso para escriturário, “puxado para baixo”, em termos de nota final e, consequentemente, mobilizado para a GERRA, EM ANGOLA. Tudo isto,contudo, são “contas de outro rosário”; retomemos, pois, a minha hitória com o poema.
CLANDESTINO COMO O POEMA ERA, DESCONHEÇO O SEU AUTOR, PRESUMINDO QUE FOSSE UM FAMILIAR DE AGRICULTOR ALENTEJANO PROGRESSISTA. SE ESSE AUTOR VIVO FÔR QUE SE “ACUSE” , QUE EU BEM GOSTAVA DE O CONHECER. NÃO O CONHECENDO, NÃO POSSO DEIXAR DE LHE DEDICAR, A ELE OU À SUA MEMÓRIA, ESTAS LINHAS QUE O POEMA ANTECEDEM. E POSTO QUE ESTÁ O INTROITO, QUE LONGO JÁ VAI, COM “VERDADEIRA POMPA E CIRCUNSTÂNCIA” , TENHO A HONRA DE DIVULGAR, SAÍDO DIRECTAMENTE DO BAÚ CLANDESTINO DO ANTI-FASCISMO PORTUGUÊS, O “MEU” (PERMITA-SE-ME A APROPRIAÇÃO) POEMA DOS POEMAS , CONTRA O CADUCO FANTASMA DO “ESPANTALHO LUSITANO” E O SEU REGIME, SIMULTANEAMENTE DE TERROR E DE OPERETA BUFA, ESCRITO NUM TEMPO EM QUE O TIRANO DIZIA AOS PORTUGUESES QUE “O MOMENTO É DE SACRIFÍCIO” (leia-se apertem o cinto), o que agora tem outras formulações democráticas, COMO POR EXEMPLO :”CORRECÇÃO DO DÉFICE” . MAS , IRONIA DAS IRONIAS, SE NAQUELE TEMPO E POEMA O PROBLEMA ERA O DAS DIFICULDADES DA AGRICULTURA, TAMBÉM, AGORA, COM A CRISE DA CARISTIA E DEPENDÊNCIA ,FACE AO EXTERIOR, DOS CEREAIS, O NOSSO PROBLEMA, TAMBÉM AGRÍCOLA, VOLTA A SER; E SE O ADUBO ESCASSO FÔR…
SIGA-SE, POIS, COM POSSÍVEIS LAPSOS DE MEMÓRIA O DITO CUJO POEMA, DE AUTOR DESCONHECIDO E ESCRITO, MUITO POSSIVELMENTE NOS ANOS SESSENTA SÉCULO PASSADO:
EXPOSIÇÃO ENVIADA AO EXMº SR. MINISTRO DA AGRICULTURA POR UM GRUPO DE AGRICULTORES DA MUI NOBRE TERRA ALENTEJANA
: Excelência:
PORQUE JULGAMOS DIGNA DE REGISTO
A NOSSA EXPOSIÇÃO, SENHOR MINISTRO
ERGUEMOS ATÉ VÓS, HUMILDEMENTE,
UMA TOA UNÍSSONA E PLANGENTE
EM QUE EVITAMOS O MENOR DESLIZE
E EM QUE DAMOS RAZÃO À NOSSA CRISE.
SENHOR, EM VÃO ESTA PROVÍNCIA INTEIRA
AÇOITA, LAVRA, ATALHA A SEMENTEIRA
QUANDO MESMO À FRALDA DA CAMISA
FALTA A MATÉRIA ORGÂNICA, PRECISA;
NESTA TERRA QUE É POBRE E SEMPRE FRACA
A MATÉRIA EM QUESTÃO CHAMA-SE CACA.
PRECISAMOS DE MERDA, SR. SOISA
POIS NUNCA PRECISÁMOS DE OUTRA COISA!
E SE OS MEMBROS DESSE ILUSTRE MINISTÉRIO,
QUISEREM TOMAR O NOSSO CASO A SÉRIO,
SE É NOBRE O SENTIMENTO QUE OS ANIMA,
MANDEM CAGAR TODA A GENTE EM CIMA
DOS MANINHOS TORRÕES DE CADA HERDADE
E MIJEM-NOS, TAMBÉM, POR CARIDADE!
PRECISAMOS DE MERDA, SR. SOUSA
POIS NUNCA PRECISÁMOS DE OUTRA COUSA
E O SENHOR DOUTOR OLIVEIRA SALAZAR,
QUANDO TIVER VONTADE DE CAGAR,
VENHA ATÉ NÓS, SOLÍCITO E CALADO,
ESCOLHA UM TERRENO QUE ESTEJA BEM LAVRADO
E COMO É PRESIDENTE DO CONSELHO
ESPREMA-SE ATÉ FICAR VERMELHO.
A NAÇÃO CONFIA-LHE OS SEUS DESTINOS!
ENTÃO PORQUE ESPERA, COMPRIMA, APERTE OS INTESTINOS,
E SE LHE ESCAPAR ALGUM TRAQUE, NÃO SE IMPORTE!…
QUEM SABE SE CHEIRÁ-LO NOS DARÁ SORTE ? !…
QUANTOS NÃO PORÃO AS SUAS ESPERANÇAS
NUM PEIDO DO SENHOR MINISTRO DAS FINANÇAS !
PRECISAMOS DE MERDA, SR. SOISA
POIS NUNCA PRECISÁMOS DE OUTRA COISA!
E QUEM VIVE AFLITO E SEM RECURSOS
E JÁ NÃO DISTINGUE OS TRAQUES DOS DISCURSOS …
NÃO PRECISA DE FALAR, TENHA A CERTEZA
QUE A NOSSA MAIOR FONTE DE RIQUEZA
DESCE DOS GRANDES MONTES ÀS COURELAS
E PROVEM DA MERDA QUE DEITAMOS NELAS.
PRECISAMOS DE MERDA , SR. SOUSA
POIS NUNCA PRECISÁMOS DE OUTRA COUSA
OH TERRAS ALENTEJANAS, TERRAS NUAS !
DESESPERO DOS ARADOS E DAS CHARRUAS !
QUEM AS COMPRA, AS ARRENDA OU AS HERDA,
SENTE A PAIXÃO NOSTALGICA DA MERDA !
VENHAM TODAS AS MERDAS À VONTADE,
NÃO FAREMOS QUESTÃO DA QUALIDADE;
E DE TODOS OS PENICOS PORTUGUESES
DURANTE PELO MENOS UNS SEIS MESES.
DESDE O CAGALHÃO À CAGANITA,
DESDE A GRANDE POIA À GRANDE BOSTA
DE TUDO O QUE VIER A GENTE GOSTA !
A) D. TRANQUEDO, “O LAVRADOR”
Entry Filed under: Dossier Humor,Geral
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