Arquivo de Janeiro, 2010

GUERRA DE ANGOLA “VENCEREI” (B.C. 2910) / Vale do Loge, Toto e Faz. Tentativa – Texto IX

Tirada a especialidade de escriturário, conforme referi no texto anterior, fui colocado no Regimento de Engenharia nº.1, na Pontinha e deste destacado para o Quartel General, em Lisboa, que está sediado num lindo e conhecido Palacete, em S. Sebastião da Pedreira. Foi a melhor tropa que tive, na minha vida militar.  A comida era excelente.  Para quem conhece o normal rancho da tropa, aquele (naqueles primeiros meses de 1970, pelo menos nessa altura) era um autêntico “luxo asiático”.

Eu que tinha algumas condições económicas, cheguei a não querer pagar o serviço de sentinela, nas lindas guaritas do palacete, só para ter o prazer de jantar;  sobretudo, quando sabendo da ementa, esta tinha uma das especialidades da casa,  como era a divinal sopa de feijão, que eu procurava repetir sempre. Depois, éramos uma guarnição de soldados relativamente pequena, a disciplina não era muito rígida e à noite, invariavelmente, havia “jogatana”, a célebre “lepra”, que é um jogo de cartas, a dinheiro, bastante conhecido, muito praticado nas casernas militares e que faz as delícias de quem, como eu, tem um fraquinho pelo jogo. O seu sucesso, a sua popularidade, como jogo de cartas, deve ter a ver com a sua simplicidade de regras, que são as da “bisca” ou da “sueca”, genericamente.

A propósito desses tempos e dessas “jogatanas” de há quarenta anos, precisamente, gostaria de vos contar uma história, vivida na primeira pessoa, destes textos, algo ou mesmo bastante autobiográficos:

Antes do serviço, do “reforço”  (que correspondia a quatro horas,  salvo erro,  de sentinela,  quase sempre depois da meia noite),  eu,  logo a seguir ao jantar,  procurava o sítio e os parceiros de “jogatina”. Invariavelmente, o local de jogo era a caserna e a mesa era uma das camas, militares,  de primeiro andar, impecavelmente feitas  (a isso obrigava a disciplina militar, sob pena de castigo do  “locatário” da dita).  As camas tinham uma espécie de coberta  e as cartas “batiam-se” na cama de cima, não tendo os jogadores o conforto do jogo sentado, pois,  àquela altura, as cartas tinham de ser jogadas em pé, dispondo-se os jogadores em volta da cama.    Ora,  havendo uma cama de baixo, a coberta, da cama de cima, quase a tapava.

A  certa altura, depois de algumas sessões, em que perdia quase sempre,  eu e os outros parceiros,  para um sujeito baixinho, com um ar algo “reguila” (como se diz na linguagem militar), detive uma atenção, mais cuidada, no modo de jogar do cavalheiro, colocando-me a seu lado, para melhor o observar;  estando  já muito desconfiado que algo de  estranho se passava.    Reparei, então, que o sujeito, de vez em quando,  baixava  as suas três cartas de jogo, ao nível da cama de baixo;   e, observando melhor, verifiquei que as trocava por outras,  que escondidas,  já lá estavam.  O esquema estava, pois, por mim descoberto.

O “artista” sempre que se lhe deparava um Ás, que numa jogada não fosse de trunfo, mandava-o para a cama de baixo.  Quando numa outra jogada o naipe de trunfo era o do Ás escondido, o espertalhão, trocava uma das cartas que lhe tinha sido distribuída, nessa jogada, com o referido Ás, que seria, então, o trunfo-mor.  Outras vezes eram mesmo as três ou quatro cartas mais valiosas de um naipe e de uma jogada, que ele escondia, para, depois, oportunamente utilizar.

Ora, como é sabido por quem na tropa esteve, lá é mal visto denunciar um espertalhão, por um lado;  e por outro na tropa usa-se a regra, a máxima, do “salve-se quem puder”. Tendo já consciência disso, pisquei o olho ao “reguila”, quando ele percebeu, que eu o tinha topado;  e, querendo, também, arrecadar umas “massas”, passei a usar a sua “táctica”.  E a partir daí, comecei a ganhar, não abusando demasiado do “esquema”. Durante o resto da vida militar, em Angola, joguei sempre, mas de todos os comparsas de jogo, este “reguila” e esta sua criativa habilidade, exercida com uma inigualável perícia, é a personagem e a história que melhor recordo.

Mas voltando à vida militar, mais propriamente dita e ao Quartel General de S. Sebastião da Pedreira, recordo, de ocasionalmente, me distrair,  para aliviar o frete, de quando estava nessa função, na guarita, fazendo o maldito “reforço”, em noites frias de Inverno/inícios da Primavera, desse distante ano de 1970, de observar alguns “engates” de clientes, por prostitutas, que exerciam ali, aquela que é tida como a mais velha profissão do mundo. Para um rapaz novo, oriundo de Caldas e conhecendo mal aquelas vidas, da grande cidade de Lisboa, aquilo era algo de muito excitante, ainda por cima, porque estando as guaritas de pedra nos terraços do primeiro andar do edifício, estava só, sem ser observado, espreitando pela pequena fresta,  daquela espécie de pequenino torreão, do palacete, que tem parecenças com um castelo.

Durante o dia eu exercia as funções de escriturário, numa Secção da Polícia Judiciária Militar e secretariava velhos Coronéis e Tenentes-Coronéis,  já na situação de reserva (ou seja na situação que é ainda de serviço,  mas muito próxima da reforma, dos Oficiais do Exército e que , geralmente, é uma função de serviço voluntária). Havia um que jamais esquecerei, que era muito simpático, mesmo muito afável, que simpatizava comigo e eu com ele.  Era o Coronel Antonino da Cruz, um velhinho, para um moço, como eu, que ostentava uma pequena barbicha branca e bigode muito bem cuidados.  Recordo-me, ainda, de ele me contar que adorava palavras cruzadas e que as fazia, para os leitores, do  já extinto jornal “A CAPITAL”.

Foi aí nessa tropa bem leve, que estando a dias, de escapar à mobilização, para a Guerra,  nas colónias, pois falava-se que faltavam dias para serem os escriturários,  do curso a seguir ao meu, de onde passariam a sair as próximas mobilizações, que recebo a triste notícia que tinha sido mobilizado para Angola.

Fernando Rocha

Adicionar comentário 31 Janeiro 2010

SERÁ O PRIMEIRO MINISTRO JOSÉ SÓCRATES UM CHANTAGISTA ?

Os factos foram revelados há algum tempo, mas vale a pena recordá-los para sabermos bem em que “Estado de Direito” vivemos e por pedagogia e higiene democrática.

A ser verdade o que abaixo se transcreve e nada o permite que duvidemos, já que José António Saraiva, ilustre Director do “Sol” , é uma personalidade tida como séria, esta dupla,  de SÓCRATES E VARA, eticamente, são mesmo uma vergonha nacional.  Tanto mais que  se nos dermos ao trabalho de somar as histórias  (“Face Oculta, Freeport, etc., etc.)  em que estão indiciados, não chegarão os dedos das mãos para as enumerar.

Será que quase trinta e seis anos depois do “25 de Abril” não merecemos melhor do que estes governantes que temos ? Que choldra é esta ?…

Vejamos, pois, com muita atenção esta entrevista de José António Saraiva e se é possível que num Estado democrático uma escandaleira como esta fique “em águas de bacalhau” ou em “banho Maria”, aguardando que, com a Justiça que (não) temos, daqui por uma dezena de anos ou mais um mínimo de justiça se faça ?

Será que somos mesmo uma democracia e um Estado de Direito ?!…

Que aconteceria num outro qualquer País democrático, da Europa e, sobretudo, nos Estados Unidos da América, a um governante que se comportasse como um reles chantagista ?!…

Ora vejam:

Vara – Pinto de Sousadupla da vergonha

Jornalista sério no panorama jornalístico português. Fala sem papas na língua.
A não perder.

Duarte Roriz José António Saraiva, director do ‘Sol’
José António Saraiva, director do ‘Sol’

22  Novembro 2009

Entrevista: José António Saraiva

“Não falimos por um milagre”

José António Saraiva, director do semanário ‘Sol’, revela ao CM que o Governo o pressionou para não publicar notícias do Freeport e que depois passou aos investidores.

Correio da Manhã – O ‘Sol’ foi coagido pelo Governo para não publicar notícias do Freeport?
José António Saraiva – Recebemos dois telefonemas, por parte de pessoas próximas do primeiro-ministro, dizendo que se não publicássemos notícias sobre o Freeport os nossos problemas se resolviam.
– Que problemas?
– Estávamos em ruptura de tesouraria, e o BCP, que era nosso sócio, já tinha dito que não metia lá mais um tostão. Estávamos em risco de não pagar ordenados. Mas dissemos que não, e publicámos as notícias do Freeport. Efectivamente uma linha de crédito que tínhamos no BCP foi interrompida.
– Depois houve mais alguma pressão política?
– Sim. Entretanto tivemos propostas de investimentos angolanos, e quando tentámos que tudo se resolvesse, o BCP levantou problemas.
– Travou o negócio?
– Quando os angolanos fizeram uma proposta, dificultaram. Inclusive perguntaram o que é que nós quatro – eu, José António Lima, Mário Ramirez e Vítor Rainho – queríamos pa-ra deixar a direcção. E é quando a nossa advogada, Paula Teixeira da Cruz, ameaça fazer uma queixa à CMVM, porque achava que já havia uma pressão por parte do banco que era totalmente ilegítima.
– E as pressões acabaram?
– Não. Aí eles passaram a fazer pressão ao outro sócio, que era o José Paulo Fernandes. E ainda ao Joaquim Coimbra. Não falimos por um milagre. E, finalmente, quando os angolanos fizeram uma proposta irrecusável e encostaram o BCP à parede, eles desistiram.
– Foi um processo longo…
– Foi um processo que se prolongou por três ou quatro meses. O BCP, quase ironicamente, perguntava: “Então como é que tiveram dinheiro para pagar os salários?” Eles quase que tinham vontade que entrássemos em ruptura financeira. Na altura quem tinha o dossiê do ‘Sol’ era o Armando Vara, e nós tínhamos a noção de que ele estava em contacto com o primeiro-ministro. Portanto, eram ordens directas.
– Do primeiro-ministro?
– Não temos dúvida. Aliás, neste processo ‘Face Oculta’ deve haver conversas entre alguns dos nossos sócios, designadamente entre Joaquim Coimbra e Armando Vara.
– Houve então uma tentativa de ataque à liberdade de imprensa?
– Houve uma tentativa óbvia de estrangulamento financeiro. Repare–se que a Controlinveste tem uma grande dívida do BCP, e portanto aí o controlo é fácil. À TVI sabemos o que aconteceu e ao ‘Diário Económico’ quando foi comprado pela Ongoing – houve uma mudança de orientação. Há de facto uma estratégia do Governo no sentido de condicionar a informação. Já não é especulação, é puramente objectiva. E no processo ‘Face Oculta’, tanto quanto sabemos, as conversas entre o engº Sócrates e Vara são bastante elucidativas sobre disso.
– Os partidos já reagiram e a ERC vai ter de se pronunciar. Qual é a sua posição?
– Estou disponível para colaborar.

Adicionar comentário 30 Janeiro 2010

FIM DO MARTÍRIO SUPREMO QUE É HOJE A VIAGEM DE COMBOIO NO OESTE

O Abaixo-assinado sobre a Linha do Oeste é uma preciosa mais-valia para o Oeste e os Oestinos

Estando em curso um abaixo-assinado de cidadãos que já envolve personalidades de todos os partidos, representados na Ass. da República, como caldense e oestino e apaixonado pelo transporte ferroviário e, particularmente empenhado na revitalização da Linha do Oeste,  estou muito esperançado que desta vai ou melhor, tem de ir, porque vamos mobilizar todo o Oeste, pela defesa e modernização da sua emblemática Linha.
Permitam-se-me algumas ironias, porque é por vezes a brincar que se dizem as coisas mais sérias:

A manter-se a Linha do Oeste, tal qual está, ofereço à CP UM NOVO SLOGAN, CONTRA A OBESIDADE:

- Você está a ficar obeso ?
- Nós CP temos a solução:
- No oestino comboio perde peso
- Esqueça o carro e o avião !

Verdade, verdade vos digo, que este slogan faz todo o sentido, porque viajar, actualmente, por exemplo, de Caldas a Lisboa, é um suplício, um martírio, para o corpo ou uma penitência para expiar pecados (e dos mortais);  custa quase tanto como ir a Fátima, em cumprimento de promessa, a pé e ainda por cima o preço é superior ao da viagem em autocarro. Quem assim vos fala, sabe o que diz, pois, muitas vezes, por militância e para castigar o corpo, viaja neste comboio do Oeste, que tem semelhanças com os do Oeste Americano, de há dois séculos, no desconforto, porque, em velocidade, penso que fica a perder.

A CP diz que a Linha vem perdendo passageiros. Esta afirmação é verdade, só que a Senhora Dona CP, que o Governo tutela (ou tem à trela), esquece-se de dizer que, nestas condições, passageiro que ainda resiste, merece um medalha, por dura resistência ao desconforto, à carestia, aos péssimos horários e à lentidão do transporte, que a CP proporciona.
A questão da falta de passageiros, saiba Dona CP, é uma “pescadinha de rabo na boca”. Piores condições = (igual) a menos passageiros e menos passageiros = a piores condições (em horários, em mais transbordos absurdos, em falta de comodidade, etc., etc.).

É preciso dizer ao Governo (este e todos os outros) que há mais de trinta anos vem “matando” a Linha, a nossa madrinha de nome, como Região Oeste, que não abdicaremos desta reivindicação, de tornar a linha viável, razoavelmente moderna, ao serviço das populações, do turismo e do desenvolvimento, em geral, do Oeste. É preciso dizer ao Governo, que se quer criar emprego, para já, é começar as obras na nossa ferrovia. É preciso dizer ao Governo que já chega de auto-estradas e que no Oeste a prioridade tem de ser o comboio, que se ligue à Linha do Norte, também, para a descongestionar.  É preciso dizer ao Governo que muitos dos milhares de carros, que do Oeste entram em Lisboa, aumentando o tráfego e a poluição, deixarão de lá entrar, se a CP nos der uma alternativa, melhor em rapidez, custos e comodidade.
Esta é a grande luta e a grande obra, que o Oeste, em peso, quer, neste início do século XXI, para que, aqui, deixemos de viajar, sobre os carris, ao ritmo dos princípios do século passado.
Fernando Rocha – Deputado Municipal do BE, nas Caldas da Rainha

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PS/SÓCRATES – CADA CAVADELA, CADA MINHOCA (Ou o farsante deputado Ricardo Rodrigues)

É extraordinário. Este PS de Sócrates é um espanto !…

Então não é que Ricardo Rodrigues, uma das novas estrelas do PS no debate parlamentar, tem uma folha de “serviços” notável em corrupção ! Bem vistas as coisas é um “artista”, que até pode escrever um tratado sobre o assunto !…

Apresento-vos, pois, esta estrela, que afinal é cadente ou mais precisamente, em termos de seriedade,  decadente. Leiam com atenção:

Snap2.jpg

Mais palavras, para quê ?!…

Estamos perante um grande, polivalente “artista” nacional, fluente na oratória e especialista em bastas áreas, entre elas a corrú , corrú, como fazem os inocentes pombinhos, que até se assemelham com a sua branca poupa, como símbolo da sua distinção e “candura” !…

Fernando  Rocha

Adicionar comentário 28 Janeiro 2010

Escritas “misturagrossa” que pretendem ser finas (inteligentes)

Caros Amigos(as)
Em www.misturagrossa.net procuro inscrever impressões, memórias e, com ambas, dar-me como sou e como desejo ser. Como qualquer mortal que escreve, pretendo,  com a escrita, com o que faço, adiar, transcender a minha (nossa) condição de ser mortal, condenado a um inexorável esquecimento. Se o consigo fazer, melhor ou pior, não me cabe a mim julgar, mas antes a vós, leitores do que escrevo. Dirão alguns que isto, para além de muito filosófico, poderá ser tido como presunção. Mas, vejam bem, que bem mais importante do que eu, um genial filósofo e escritor do nosso tempo, felizmente ainda entre nós – Edgar Morin, em “O Homem e a morte”, diz, mais ou menos, isso mesmo. Mesmo assim, dirão outros que estes pensamentos são bastante egocentristas. Talvez, mas quem não um é um pouco (?); a quem não resta, por pouco que seja, algum amor próprio ou seja gostar de si próprio, da sua pele, que é, também, uma condição, para gostar da vida e dos outros ?
Os meus últimos textos são quase todos marcados por memórias ou sejam vivências, que conto e analiso (melhor ou pior), simultaneamente. Estão nesta linha os textos sob o título “A Guerra de Angola …….. ” de que já lá vão oito, sem a ela ainda, propriamente, ter chegado,mas a que conto chegar, revelando, dores, angústias, mas, também, alegrias, de uma vivência, extrema, quase no limite do que um ser (ainda por cima jovem) pode suportar. Mas estão, também, nesta linha, de memórias, o conjunto de textos subordinados ao título “Os meus Presidentes”. Todas estas escritas, da memória e outras de mera análise e crítica político/social, aí estão, combinadas com alguma modesta poesia, que é, talvez, a arte suprema da palavra escrita.
Termino pedindo-vos que, sempre que considerem oportuno, escrevam os vossos comentários, sem coibições, interagindo, comigo e com a minha escrita.

Antecipadamente grato pela atenção, cordiais saudações do “escriba” – Fernando Rocha

Adicionar comentário 25 Janeiro 2010

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