Arquivo de Dezembro, 2009

AS MÁSCARAS E A “VERA” FACE DO “SUPREMO MESTRE” – Uma Comédia ou “paródia” que, para o sindicalismo, é uma tragédia (TENDO O STI, COMO CENÁRIO DE FUNDO)

Notas prévias

- Este texto não é nem uma ficção completa, nem uma verdade objectiva e absoluta (que desconfio não haver em lado nenhum, nem em nenhuma circunstância). Limita-se a ser uma visão, uma observação, tendo em atenção, que quem a escreve apenas observa e como todo e qualquer observador, uma observação nunca é totalmente isenta, bacteriologicamente pura.

- “Supremo Mestre” porquê ?

- Porque a personagem  que vou tentar retratar, neste modesto escrito, para que peço às transcendências algum engenho e arte e paciência, é um verdadeiro e notável artista, da nossa praça, especialista de primeira água na arte do disfarce e nas máscaras, de que usa e abusa, que põe e tira, como quem de camisa muda. Maquiavel, ao “Supremo Mestre” comparado, é um simples aprendiz de feiticeiro, que aos seus calcanhares não chega. Também é dotado de uma “lata” sem limite e só mais longe ainda não foi, na política e no sindicalismo, porque, como diz o dito, ”tudo o que é demais é moléstia” e, nele, o excesso excede-se ao seu próprio significado.

- Este texto vai ser mais comprido que os habituais, mas para um retrato mais próximo do real, do “Supremo Mestre”, não me resta alternativa e a figura é, de um ponto de vista da narrativa, para um “escriba” (que se distancie das “mordeduras”), deveras aliciante.  Espero que os leitores gostem e gostarão, certamente, todos aqueles que coleccionam “retatos” de invulgares personagens, para não dizer uma quase genuína “abencerragem” !…

 

Conheci o “Supremo Mestre”, já la vão bastantes anos  (infelizmente, porque isto significa estar a envelhecer e envelhecer só é bom porque se acumula experiência/memória, que se pode adicionar à inteligência; porque, quanto a tudo o resto, envelhecer é mau; está-se mais próximo do fim e o fim de uma vida é sempre uma tragédia, ainda que seja uma condenação, a todos nós, seres vivos,  comum).

Conheci o “Supremo Mestre” no pré-histórico Congresso de Troia, do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos (STI), que propriamente Congresso ainda não foi. Tinha saído do Sindicato da Função Pública, onde era delegado sindical estatutário, pela DGCI e fui directamente para Troia, designado pelo saudoso Eduardo Belo, pelo José Rosa e, salvo erro, pelo Carita Farto (todos membros da Direcção Nacional, do então Sindicato dos Trabalhadores da Direcção-Geral das Contribuições e Impostos),  para Vice-Presidente da Mesa que presidiu aos trabalhos.

 Ter tido essa responsabilidade num agitado Congresso em que alguns congressistas, depois do almoço e do jantar, estavam muitíssimo animados, por umas boas litradas, foi, para mim, das missões político-sindicais mais duras ou espinhosas. Foi “o Diabo a sete”. Havia gritos de oradores, que não respeitando a mesa, se atropelavam, geralmente também aos gritos, uns aos outros. Ninguém tinha mão naquilo. Por fim um dos Secretários da Mesa ao segundo dia, farto, sem nenhuma explicação dar, limitou-se a desaparecer ou melhor dito, a fugir, porque estar ali, naquela alhada, não era uma honra, mas um suplício, a que não faltavam alguns “mimos” saídos de algumas bocas, para nos “brindar”, a nós que era suposto dirigirmos os trabalhos.

Ora foi nesse louco contexto que eu travei conhecimento com o “Supremo Mestre” um dos oradores mais interventivos e truculentos.  Passados alguns anos, Sua Excelência, foi indicado e aceite para um modesto lugar numa lista de Direcção Nacional do STI, de que eu também fiz parte.  Não o conhecendo bem ainda, embora tal inclusão não fosse do meu total agrado, tanto mais que não gostei do pretexto alegado, que era “para abrir portas” – leiam-se portas do Poder e, mais concrectamente, do Poder do GovernoPS/PSD, o famoso Governo do Bloco (não o meu) mas o do Bloco Central, em que era Primeiro Ministro Mário Soares e Vice-Primeiro Ministro o malogrado Professor Mota Pinto, líder, de então, do PSD.

Foi nesse contexto de colega da Direcção que um dia, através de uma ida ao Parlamento, para que a personagem retratada se voluntariou, resolvemos acompanhá-lo na demanda do seu líder Professor Mota Pinto, para desbloquear uma reestruturação de carreiras ( salvo erro),  que reivindicávamos.  Entrados como visitantes na Assembleia da  República, em plenos e famosos “passos perdidos”, o dito cujo, vendo ainda longe o seu líder, no meio de deputados, a personagem, começando a caminhar, apressadamente, ao encontro do notável Vice-Primeiro Ministro, gritou:              - Companheiro Mota Pinto !

Naquele momento, envoltos pela estupefacção, toda a gente para ele (personagem) e Prof. M. Pinto olharam. Eu se tivesse um buraco no soalho nele me tinha enfiado. Já me não recordo se a cena resultou ou não totalmente, mas tenho a ideia que contribuiu para acalmar o um Secretário de Estado da Administração Pública, que estava reticente às nossas reivindicações. Recordo-me, também, que, quase imediatamente a seguir  à cena, quando jantávamos, lhe perguntei se ele tinha assim tanta confiança, com o governante, para o abordar daquela maneira, ao que a personagem me respondeu, qualquer coisa como: – Não te rales;  ele precisa do meu voto nos Conselhos Nacionais do partido.                                                                                                                                                                                                                          (Para alguns este episódio pode ser tido como um elogio, dizendo que a personagem, que diabo (!), foi útil.  Esquecem, todavia,  que este é o tipo de sindicalismo, que, mais que a razão que lhe deve estar inerente, se faz por “cunha” e que essa tem,  por sua vez, geralmente, um preço.  Verdadeiramente, essas práticas não são sindicais e as suas conquistas, são em muitos casos provisórias, dependentes do inquilino do Poder, que as concedeu e, em bastas vezes, só existentes enquanto aquele o cargo ocupa.  “Colam-se com cuspo”, que, uma vez seco, ao menor golpe de vento descola.) 

De outra vez o STI realizou uma reunião na Repartição Central do Imposto Complementar de Lisboa, edifício da Rua Braancamp, em Lisboa, onde funcionavam também a maioria dos Juízos do Tribunal Tributário de 1ª. Instância de Lisboa. Estávamos no início da época dos telemóveis, cujos antepassados pré-históricos dos pequeninos e modernos celulares, eram uns tijolos enormes, que pesavam quilos e que custavam uma pipa de massa, não acessível a qualquer bolsa, dum comum mortal, trabalhador por conta de outrem, ainda que razoavelmente remunerado.  

Ora na altura o STI tinha transferido a sede nacional de Setúbal para Lisboa,  para a Rua Quirino da Fonseca, não se tendo conseguido logo, da PT, a instalação de telefone fixo, razão pela qual resolveu a DN  (por exigência de Sua Exª.) adquirir um dinossáurico telemóvel (comparativamente aos sofiticadíssimos, destes tempos), que ajudou a estragar, provavelmente, o Orçamento do Sindicato naquele ano.   É óbvio que, antes disso, a personagem deste resumido “retrato” escrito, já tinha, num processo algo conturbado (com um Congresso pelo meio), sido escolhido, pela Direcção Nacional cessante, com a minha firme discordância, para passar a candidato a maioral…                              E, com todos aqueles apoios  (embora com muitos “mas”), sequentemente obtido uma vitória no sufrágio.

Foi, pois, já nessa qualidade, que S. Exª., foi a uma sessão de esclarecimento à lisboeta Rua Braancamp, onde eu, depois de ter abandonado as funções de Secretário da Direcção (por imposição estatutária de apenas permitir a repetência de mandato de um membro) era delegado sindical, pelo Tribunal Tributário e, consequentemente, fazia as honras da casa, recebendo o novel supremo dirigente.

Apresentei o palestrante, que patenteava mais o porte de um Director de Finanças do que de um dirigente sindical e o pagode foi-se juntando,  para  saber novidades e para ver em que aquilo dava, muitos movidos pelo  pasmo, que se dividia, entre a invulgaridade daquele “sindicalista” e a máquina infernal que o acompanhava.

Fui, pois, testemunha privilegiada de uma cena de antologia, em que foram portagonistas o, ao tempo, extraordinário e raríssimo objecto, que dava pelo termo (na altura um neologismo) de telemóvel, com um aspecto de objecto criado, algo experimentalmente, por um cientista, de meados do século passado e a minha retratada ”abencerragem”, bem dentro da sua pele, de fanfarrão, perito em basófias, ufano de ser detentor do último grito da técnica comunicacional. A cena real ou ficcionada, foi a de, a meio da reunião aquela máquina (enorme, que quase mais que a arenga, do “sindicalista” convidado, retinha quase todos os olhares, por curiosidade e até cobiça) começar, pasme-se, sucesso dos sucessos, a retinir, indiciando chamada telefónica.

Por respeito e por grande curiosidade, do maralhal, fez-se um silêncio profundo na sala, que albergava perto de cem ou mais almas. E eis que senão quando, para ainda maior pasmo geral, a voz de “Sua Exª.”, num tom determinado, bem ao jeito e aos modos de um agente de vendas sofisticado, alto e bom som, ia respondendo  ao interlocutor, do outro lado da linha, que para aquela falante máquina não existia, coisas como: - ”Sim”, “não” ou “pois Sr. Secretário de Estado”.  Perante um ou outro sussurro, que ainda, “de quando em vez”, sobrevivia na sala ouvia-se, impunha-se, de imediato, um coro de “chios”, acompanhados do sinal, com o dedo indicador direito, no nariz, ordenando, “silêncio absoluto e imediato”.   Ainda hoje estou, estamos, eu e alguns dos circunstantes, mais prevenidos, para saber, o que naquilo foi realidade ou ficção, mas adiante, nunca ou talvez nunca o saberemos, que o segredo é, para os “artistas” desta estirpe uma, senão a principal, das bases do “negócio” … 

Abreviando esta “fotografia” escrita, que já vai longa, depois disso, ao fim de muitas traquinices e prepotências, sua Exª., perdeu o pé no Sindicato (ou seja o lugar), por variadíssimas cenas de indecente e má figura. Poucos anos depois do seu afastamento, empurrado pelos seus próprios excessos em quase tudo        (só em matéria de despesas, num só ano em almoços jantares, deslocações, estadias, a personagem apresentou recibos/facturas de milhares de contos, ultrapassando pela direita e pela esquerda  o “activismo”, que naquelas circunstâncias dele se exigia),    a coisa foi mais longe, do que o seu afastamento de dirigente sindical e até a qualidade de sócio lhe foi retirada, num célebre e “animado” Congresso, por toda essa casta de actos menos próprios, inerentes a um sindicalista, abreviando e aligeirando, para não ser fastidioso no detalhe.  Reconheçamos que alguns empolados, por adversários figadais do dito, embora alguns destes, por sua vez,  também, algo deixassem a desejar, mas que,  justiça lhes seja feita, nem de perto, nem de longe, igualavam o “Supremo Mestre”, em petulância, prepotência (etc.),  que até dá pudor de mais detalhadamente descrever.

Mas ei-lo, há pouco mais de um ano de regresso à casa, fruto de  habilidades várias e de uma asneira de quem, que depois o quiz combater, mas que se esqueceu do velho ditado de que “QUEM O INIMIGO POUPA ÀS MÃOS LHE MORRE”.   Que é um ditado terrível, pela sua crueza, mas que no caso se aplicou que nem uma luva, aquele amigo, que agora “torce a orelha, mas …”

Abreviando, mais ainda, recentemente, quase sem querer (como diria o outro, “sem saber ler nem escrever”, o que me esperava)  fui vítima de toda uma série de intrigas e calúnias da personagem e de alguns dos seus mais fieis acólitos, que chegaram por via cibernética a milhares de pessoas, muitas que me conhecem e outras que não, dado já estar bastante afastado das lides há anos (fazendo sem pressa, nem horário, coisas como esta, que agora faço, escrevendo o que me dá na real gana).

Pensei, na altura, porque provas tinha e a coisa foi de enorme gravidade (pelo extremamente calunioso), mover um processo a “Sua Exª.” e comparsas, mas dado o estado a que a nossa justiça chegou e à sua caristia, hesitei e ainda hesito. Fica, todavia o solene aviso. Se sua “Exª.” voltar a passar as marcas …

E, assim sendo e porque há escritas mais motivadoras, por aqui me fico;    mas assegurando-lhe (ao descrito), que não o temo e que nem ódio lhe tenho, porque mais que esse sentimento, a criatura,  desprezo merece;    como, também, porque a sua verdadeira face ser por demais repelente;   embora por mera curiosidade, dos vários traços psicológicos e filosóficos do tipo humano,  das máscaras, que o dito cujo, usa e abusa, algumas das suas histórias, nos sirvam para melhor conhecer o bicho homem, espécie a que, também pertencemos;  no caso em apreço relatado e agora encerrado, na sua versão a um tempo por de mais descarada e a outro prepotente, até dizer chega, etc., etc….

                                                                                                  Fernando Rocha

PS (não do dito cujo partido, que não é o do Supremo Mestre, o seu termina em D;  mas de post scriptum) -  Mas vamos ao PS que se faz tarde:   Soube que sua Exª.,  para além de ser Supremo presidenciável na casa dos cobradores dos Impostos  ( taxas e derramas) e ainda Chefe na capital da cerâmica,  do c…… , do coiso, bem entendido,  frequenta também a Academia e, muito brevemente, provavelmente, será jurisconsulto;    tal como o outro que era Director de Finanças, na principal cidade banhada pelo Tejo, e, paralelamente, tirava uma licenciatura (por isso não “viu” algumas caducidades e os “malandrins” que o rodeavam) , sendo agora autarca Chefe numa velha cidade, com castelo e tudo (brevemente ser-lhe-á atribuído o título de alcaide).    Esta gente tem tempo e lata para tudo e ainda algo sobra.  Mas o Mundo está para eles (os “Chicos espertos”).  Para mim e para muitos outros, os seus “escravos”, como aquele que se assinou por “escravo das Caldas”, sobrou-nos sempre apenas trabalho, mas também honra, que é coisa , que neste tempo anda muito arredia, de muito figurão.   Falo, igualmente,  por mim, que apenas frequentei a Academia depois de reformado, mas que uma avaria no “relógio”, distribuidor e comandante da circulação sanguínia, me fez há dois anos interromper.   Mas o País está entregue a esta gente, mesmo ao mais alto nível, que havemos de fazer (se é tão difícil de corrê-los) ?!…  

 Dos parvos, como nós, não reza a História.  Restam-me, a mim, apenas, estas histórias (ao longo da vida coleccionei biografias de figurões, no disco rígido)  e de vez em quando …

 

PS nº. 2 – Leia uma ÚLTIMA HORA, de 27/12/09, aposta no artigo (já em artigos anteriores) “ÚLTIMAS DA DGCI DE LISBOA: “REVOLUÇÃO” OU MELHOR, XEQUE MATE AO REGENTE”  

                                                                    A TODOS BOAS FESTAS, QUE A ÉPOCA É DE PAZ E AMOR !…

Adicionar comentário 26 Dezembro 2009

GUERRA DE ANGOLA “VENCEREI” (B. CAC. Nº. 2910) / Vale do Loge, Toto e Faz. Tentativa (Caxito) – Texto I

NOTA PRÉVIA

O “Vencerei” está entre aspas por duas razões. Primeira porque era o lema do meu Batalhão;   segunda porque este “vencerei”, também, poderia ser, mais significativamente escrito, ”PERDI”.  Perdi (perdemos) vinte e seis meses da nossa jovem vida, numa guerra inglória, sem sentido, determinada pela ditadura de Salazar, um ditador meio alienado, mas cruel e terrivelmente cínico, que fora do seu/nosso tempo, resolveu impôr a Portugal e aos portugueses (sobretudo à sua juventude), para além de uma odienta ditadura, a guerra, que a partir do célebre discurso do “PARA ANGOLA E EM FORÇA” (1961), já depois do desastre de Goa, na Índia, depauperou o País e o isolou;  e, que tal, como se veio a verificar, só poderia ter tido o desastre que teve;  que só não foi maior e mais trágico, por força da gesta revolucionária dos “CAPITÃES DE ABRIL”.    De facto e, felizmente,  já morto o “Botas” (nome por que Salazar era conhecido, depreciativamente, por bastantes portugueses, sobretudo pelos da oposição, por ser um antiquado “botas de elástico”) e estando já no Poder Marcelo Caetano, ainda no regime ditatorial, da dita União Nacional, rebaptizada, por este, como ANP (Acção Nacional Popular), o Movimento das Forças Armadas, o “25 de Abril”, derrubou a ditadura e pôs fim à Guerra, que travávamos, em três frentes, a saber: Angola, Moçambique e Guiné.    E,  para além de de tudo, o ” MOVIMENTO CAPITÃES” deu-nos a LIBERDADE,  devolvendo-nos a almejada democracia;  um bem tão grande, mas tão ignorado/esquecido, como tal, que, ao mesmo, só se dá o devido valor quando se perde.

Já que falei no desastre de Goa  (Goa, Damão e Diu - todos estes territórios enclaves, no Estado da União Indiana), interrogo-me quão diferente poderia ter sido a nossa História e, muito provavelmente, a sorte ou azar da ditadura salazarista, se, tal como o tirano ao General Vassalo e Silva (Comandante, ao tempo e derradeiro, da chamada Índia Portuguesa) ordenara, este sensato General, em vez de resolver render-se, perante o Primeiro-Ministro da União Indiana – Nehru – tem resistido, cumprindo a cruel decisão do ditador, de aguentar até ao último homem o combate, contra uma força militar, imensamente superior e muito melhor equipada.    Teria sido, certamente uma carnificina, com consequências políticas imprevisíveis, mas que bem poderia ter apressado o fim do regime, do chamado Estado Novo.

Conta-se que o General Vassalo e Silva demorou agum tempo a decidir a rendição e que, perante essa sua indecisão, o Cardeal Católico, dignatário, lá residente, ao tempo, da Igreja, se ajoelhou aos seus pés, implorando-lhe a decisão de se render, para evitar um mais que previsível banho de sangue.

Por outro lado, a tragédia maior, que acabou por ser o retorno abrupto de muitos portugueses residentes nas Colónias, depois da Revolução de Abril de 1974,  foi, surpreendentemente (perante um regresso estimado em quase um milhão de portugueses) , uma questão que fomos capazes de superar relativamente bem, absorvendo-os, na nossa sociedade continental europeia.  Mas, também, neste caso, a nossa História outra poderia ter sido, se não fosse aquele maciço regresso de colonos africanos.

Estou convencido que foram eles, com o seu activismo, com um pendor maioritariamente de direita (quando não de extrema-direita), que acabaram por decidir a sorte da própria Revolução de Abril, que balanceava, em 1975, entre uma esquerda mais radical e uma direita a que se juntou o Partido Socialista de Mário Soares.  Sem eles (os chamados retornados) a direita teria tido muito menos força e o próprio Partido Socialista ou à direita não se teria colado, no famoso “Verão quente” de 1975  ou, certamente, teria sido vencido.

I - O MEU CONTEXTO ANTECEDENTE À IDA PARA ANGOLA 

Já  escrevi alguns textos soltos sobre este trágico acontecimento que vivi.  Trágico em vários aspectos, porque para além da tragédia que aquela guerra era, fosse em que circunstância fosse, pessoalmente, ela representou, para mim, independentemente de não ter uma especialidade de propriamente soldado combatente, um enorme trauma e sacrifício.  Trauma, porque, como a todos quantos, como eu, “voluntários” à força, por lá passaram, presenciaram, ainda que uns mais outros menos, cenas arrepiantes, sempre presentes num contexto de guerra    (Jamais esquecerei a agonia do meu companheiro “Splach”, morto na sequência de um disparo acidental, uma “bricadeira”, de um colega nosso que diparou a G-3, sem carregador, mas esquecendo-se que tinha uma bala na câmara,  bem como, escassos meses após termos chegado ao Vale do Loge, a cena terrível e altamente traumática, do levantamento dos caixões, quase vinte, para também quase vinte militares, vítimas de uma eficiente emboscada do célebre Pedro Afamado, um grande tacticista militar guerrilheiro).  Trauma porque perdemos lá, dolorosamente, uma boa parte do melhor da nossa juventude.

Tudo isto implicou um sacrifício enorme, numa terra estranha, com um clima muito hostil  e em condições muito más.  Ser tropa e ainda por cima soldado sem patente ou de patente, mas da classe dos soldados, piora as coisas. Bastará dizer que Oficiais e Sargentos tinham, na minha CCS (Companhia de Comando e Serviços),  messe e nós, soldados, comíamos do chamado rancho geral, que, por vezes, era intragável. Para mim a melhor e a refeição em que melhor me defendia era a do pequeno almoço, constituída por meio casqueiro com marmelada, goiabada ou manteiga e umas boas canecas de café com leite   (num clima tropical, com um calor abrasador, quem come mal está mais susceptível de adoecer).

  Aliás nunca passei tanta fome na minha vida. Quando por qualquer razão comia mal ou me atrasava e já não podia tomar o pequeno almoço, a fome tornava-se altamente dolorosa.   Não comer bem, logo de manhã, era um dos piores castigos que aquela vida me podia dar.   E, como eu, todos os outros camaradas, passavam o mesmo tormento. Para combater a “galga” servia quase tudo;   sobretudo, depois do jantar (a última refeição que o Caetano nos dava).

Servia, de facto, quase tudo.  ”Namorar” ou o padeiro, dando-lhe treta, enquanto este cozia o pão, longos minutos, esperando ansiosamente pela suprema delícia de um casqueiro quente, ou “namorando”, também, o faxina da messe, na esperança de algumas sobras do manjar dos graduados.  Todos os expedientes eram hábil e pacientemente explorados, para aconchegar melhor a noite quente,  tropical, que exigia estômagos mais cheios.

(Agora ficarei por aqui, porque uma escrita, nesta cibenética e original versão, já está demasiado longa;    mas no decorrer do texto voltarei, muito provavelmente, a escrever sobre esta vital necessidade do comer,  da fome e de outros engenhosos expedientes, para a matar.  A história continuará, pois, assim que, para ela, a cabeça me empurrar e o corpo, já meio velho, o permitir.)

                                                                                                    Fernando Rocha

1 comentário 25 Dezembro 2009

Não podendo a Leiria ir / Para manjar e conviver / Segue via email / Uma mensagem para ler

                               ( A propósito de um Jantar de convívio do Bloco de Esquerda do Distrito de Leiria )

A TODOS UM BOM JANTAR,
COMO DEVE E TEM DE SER,
COM O ANO NOVO A ESPREITAR
E NOVA VIDA PARA VIVER !
 
COM NOVAS LUTAS PARA TRAVAR,
NOVAS BATALHAS PARA VENCER,
COM O POVO A CLAMAR
E O BLOCO A BEM CRESCER !
 
DEPOIS, NO DOCE LAR,
DE COMER BOM E FARTO,
A TODOS UM BOM JANTAR,
NA DOCE NOITE DO PARTO !
 
PARTO DO MENINO SALVADOR
POR ALGUNS DITO DEUS,
A TODOS UM BOM MANJAR
PARA CRENTES E ATEUS !
 
E COM NATAL A PASSAR
E O CALENDÁRIO A SUMIR,
VENHA UM BOM ANO A CHEGAR,
UM ANO TODO PARA SORRIR !
 
SÃO DE CALDAS ESTES DESEJOS,
DO ROCHA E DO CALDENSE MARALHAL,
PARA TODOS MUITOS ABREIJOS,
BOM ANO E EXCELENTE NATAL !
 
QUE EU POR CALDAS FICO
COM A FAMÍLIA, MAIS CHEGADA,
BEIJINHOS TAMBÉM DO NICO
E DO RESTO DA CANZOADA !
 
                  (Nota: O “Nico” é o patriarca da minha família canina)
 
 
                                         Fernando Rocha

Adicionar comentário 21 Dezembro 2009

“O CASAMENTO HOMOSSEXUAL E OUTROS MAIS” / e outros textos

               Caro Amigo Brás T.
Muito embora não dê o meu apoio ao referendo, a propósito do casamento homossexual, tenho uma posição aberta, muito pouco ortodoxa, sobre o assunto, que está expressa, com humor, num artigo constante no meu  site/blog www.misturagrossa.net. Recomendo a sua leitura e, nos termos em que o defino, não me oponho a que seja referendado, pois amplia a questão, dando mais liberdade aos futuros cônjuges, multiplicando-os.
O referido artigo, um exclusivo “MISTURAGROSSA” , chama-se, como em epígrafe se indica, “O CASAMENTO HOMOSSEXUAL E OUTROS MAIS” (não deixe(m) de ler, pois, é uma “misturagrossista” sobre o assunto).
                                                                  Com votos de Bom Natal e Feliz Novo Ano
                                     (Ano com um “o” e não com um “u” e sem “s”, pois, se assim fosse, outra leitura teria)
                                            

                                                                                             Fernando Rocha

x+x+x+x+x+x+x+x+x+x+x+x+x+x+x+x+x+x+x+x+x+x+x+x+x+x+x+x+x+x+x+x+x+x+x+x+x+x+x+x+x+x+x+

 

                                                    GUIA PARA OUTRAS  LEITURAS

 

- o texto “O CASAMENTO HOMOSSEXUAL E OUTROS MAIS”  é um texto já escrito há bastante tempo, pelo que para o encontrar é preferível escrever o título (que antecede) no google;

- Outro que recomendo chama-se “OPERAÇÃO PEIDO ENGARRAFADO …”  e, por ser antigo, deve ser procurado pelo mesmo método.

 

                            TEXTOS RECENTES MAS FORA DA PRIMEIRA PÁGINA

                                                               (em artigos anteriores)

- ÚLTIMAS DA DGCI DE LISBOA: “REVOLUÇÃO”, OU MELHOR, “XEQUE MATE” AO REGENTE,

             C/ uma Nota de “ÚLTIMA HORA”, de DOMINGO (27-12-09)

-  VARIAÇÕES EM SOL E DÓ DE CORRUPÇÃO AGUDA OU SUSTENIDA  (poema)

- AI CORRUPÇÃO (!), NO SEU DIA E NO DEBATE NO PARLAMENTO !…

- “DESAGRAVO DE FERNANDO ROCHA A GRAVES INSINUAÇÕES DO PRESIDENTE FERRNANDO COSTA, PROFERIDAS NA ASSEMB. MUNICIPAL DAS CALDAS DA RAINHA”;

- “RESTAURAÇÃO E INDEPENDÊNCIA (?), DECÊNCIA, SENHORES, DECÊNCIA !”

- “PARA ALÉM DO CHEFE DE S. JOÃO DA MADEIRA SERÁ QUE OUTROS FUNCIONÁRIOS … ?”

                                                                                  BOAS LEITURAS E BOM ANO

 

Adicionar comentário 20 Dezembro 2009

SE SE INTERESSA PELA LUTA CONTRA A CORRUPÇÃO NÃO DEIXE DE LER UMA HISTÓRIA BEM TRÁGICA, MAS REAL, QUE ME CHEGOU DO OUTRO LADO DO ATLÂNTICO, pela mão de um ilustre advogado brasileiro

São crimes e mais crimes de toda a natureza e feitio (que vão desde os ambientais à grande corrupção),  cometidos por uma grande empresa (penso que brasileira), que usando do seu poder, bem como se servindo da lentidão da justiça (também, tal como cá, na nossa querida pátria irmã), do tráfico de influências e da cúmplice corrupção de agentes do Poder, à Justiça e às suas vítimas pretende e vai conseguindo fugir. O seu negócio era e parece ainda ser o letal e cancerígeno amianto, que ceifou vidas e destruíu a saúde de muitos cidadãos.

Toda esta história ou melhor, tragédia, intitulada “O DRAMA/AGONIA IRREVERSÍVEL DO GRUPO SAMA/ETERNIT” é-me enviada e contada, com pedido de publicação neste site, pelo Dr. Júlio Fortes, distinto advogado criminalista brasileiro e, para já, está  editada como comentário ao meu artigo “A EXIGÊNCIA CIDADÃ DA LUTA CONTRA A CORRUPÇÃO” (só tem, pois que procurá-lo, neste site/blog e clicar no comentário, onde está toda esta história). Não deixe de ler. 

 Para mim, responsável por este site/blog, constitui uma honra a escolha pelo ilustre advogado brasileiro, Dr. Júlio Fortes, para contar todo este drama, que vitimou cidadãos indefesos e que constitui um gravíssimo crime, ao que parece impune, por força de cumplicidades várias, dos corruptos e poderosos do costume.

 No Brasil, como em Portugal, o crime dos colarinhos brancos, a grande corrupção, consegue o “milagre” de escapar à Justiça. Lá como cá, há uma Justiça para o pobre (geralmente bem pesada) e outra para o rico, que a ela quase sempre escapa, como  se possível fosse, milagre dos milagres, sair seco de uma chuvada, utilizando o método de passar por entre os pingos da chuva.  Ai Poder e dinheiro (!), quanto ainda valem neste nosso Mundo !…

                                                                                                   Fernando Rocha

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