AS MÁSCARAS E A “VERA” FACE DO “SUPREMO MESTRE” – Uma Comédia ou “paródia” que, para o sindicalismo, é uma tragédia (TENDO O STI, COMO CENÁRIO DE FUNDO)
Notas prévias
- Este texto não é nem uma ficção completa, nem uma verdade objectiva e absoluta (que desconfio não haver em lado nenhum, nem em nenhuma circunstância). Limita-se a ser uma visão, uma observação, tendo em atenção, que quem a escreve apenas observa e como todo e qualquer observador, uma observação nunca é totalmente isenta, bacteriologicamente pura.
- “Supremo Mestre” porquê ?
- Porque a personagem que vou tentar retratar, neste modesto escrito, para que peço às transcendências algum engenho e arte e paciência, é um verdadeiro e notável artista, da nossa praça, especialista de primeira água na arte do disfarce e nas máscaras, de que usa e abusa, que põe e tira, como quem de camisa muda. Maquiavel, ao “Supremo Mestre” comparado, é um simples aprendiz de feiticeiro, que aos seus calcanhares não chega. Também é dotado de uma “lata” sem limite e só mais longe ainda não foi, na política e no sindicalismo, porque, como diz o dito, ”tudo o que é demais é moléstia” e, nele, o excesso excede-se ao seu próprio significado.
- Este texto vai ser mais comprido que os habituais, mas para um retrato mais próximo do real, do “Supremo Mestre”, não me resta alternativa e a figura é, de um ponto de vista da narrativa, para um “escriba” (que se distancie das “mordeduras”), deveras aliciante. Espero que os leitores gostem e gostarão, certamente, todos aqueles que coleccionam “retatos” de invulgares personagens, para não dizer uma quase genuína “abencerragem” !…
Conheci o “Supremo Mestre”, já la vão bastantes anos (infelizmente, porque isto significa estar a envelhecer e envelhecer só é bom porque se acumula experiência/memória, que se pode adicionar à inteligência; porque, quanto a tudo o resto, envelhecer é mau; está-se mais próximo do fim e o fim de uma vida é sempre uma tragédia, ainda que seja uma condenação, a todos nós, seres vivos, comum).
Conheci o “Supremo Mestre” no pré-histórico Congresso de Troia, do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos (STI), que propriamente Congresso ainda não foi. Tinha saído do Sindicato da Função Pública, onde era delegado sindical estatutário, pela DGCI e fui directamente para Troia, designado pelo saudoso Eduardo Belo, pelo José Rosa e, salvo erro, pelo Carita Farto (todos membros da Direcção Nacional, do então Sindicato dos Trabalhadores da Direcção-Geral das Contribuições e Impostos), para Vice-Presidente da Mesa que presidiu aos trabalhos.
Ter tido essa responsabilidade num agitado Congresso em que alguns congressistas, depois do almoço e do jantar, estavam muitíssimo animados, por umas boas litradas, foi, para mim, das missões político-sindicais mais duras ou espinhosas. Foi “o Diabo a sete”. Havia gritos de oradores, que não respeitando a mesa, se atropelavam, geralmente também aos gritos, uns aos outros. Ninguém tinha mão naquilo. Por fim um dos Secretários da Mesa ao segundo dia, farto, sem nenhuma explicação dar, limitou-se a desaparecer ou melhor dito, a fugir, porque estar ali, naquela alhada, não era uma honra, mas um suplício, a que não faltavam alguns “mimos” saídos de algumas bocas, para nos “brindar”, a nós que era suposto dirigirmos os trabalhos.
Ora foi nesse louco contexto que eu travei conhecimento com o “Supremo Mestre” um dos oradores mais interventivos e truculentos. Passados alguns anos, Sua Excelência, foi indicado e aceite para um modesto lugar numa lista de Direcção Nacional do STI, de que eu também fiz parte. Não o conhecendo bem ainda, embora tal inclusão não fosse do meu total agrado, tanto mais que não gostei do pretexto alegado, que era “para abrir portas” – leiam-se portas do Poder e, mais concrectamente, do Poder do GovernoPS/PSD, o famoso Governo do Bloco (não o meu) mas o do Bloco Central, em que era Primeiro Ministro Mário Soares e Vice-Primeiro Ministro o malogrado Professor Mota Pinto, líder, de então, do PSD.
Foi nesse contexto de colega da Direcção que um dia, através de uma ida ao Parlamento, para que a personagem retratada se voluntariou, resolvemos acompanhá-lo na demanda do seu líder Professor Mota Pinto, para desbloquear uma reestruturação de carreiras ( salvo erro), que reivindicávamos. Entrados como visitantes na Assembleia da República, em plenos e famosos “passos perdidos”, o dito cujo, vendo ainda longe o seu líder, no meio de deputados, a personagem, começando a caminhar, apressadamente, ao encontro do notável Vice-Primeiro Ministro, gritou: - Companheiro Mota Pinto !
Naquele momento, envoltos pela estupefacção, toda a gente para ele (personagem) e Prof. M. Pinto olharam. Eu se tivesse um buraco no soalho nele me tinha enfiado. Já me não recordo se a cena resultou ou não totalmente, mas tenho a ideia que contribuiu para acalmar o um Secretário de Estado da Administração Pública, que estava reticente às nossas reivindicações. Recordo-me, também, que, quase imediatamente a seguir à cena, quando jantávamos, lhe perguntei se ele tinha assim tanta confiança, com o governante, para o abordar daquela maneira, ao que a personagem me respondeu, qualquer coisa como: – Não te rales; ele precisa do meu voto nos Conselhos Nacionais do partido. (Para alguns este episódio pode ser tido como um elogio, dizendo que a personagem, que diabo (!), foi útil. Esquecem, todavia, que este é o tipo de sindicalismo, que, mais que a razão que lhe deve estar inerente, se faz por “cunha” e que essa tem, por sua vez, geralmente, um preço. Verdadeiramente, essas práticas não são sindicais e as suas conquistas, são em muitos casos provisórias, dependentes do inquilino do Poder, que as concedeu e, em bastas vezes, só existentes enquanto aquele o cargo ocupa. “Colam-se com cuspo”, que, uma vez seco, ao menor golpe de vento descola.)
De outra vez o STI realizou uma reunião na Repartição Central do Imposto Complementar de Lisboa, edifício da Rua Braancamp, em Lisboa, onde funcionavam também a maioria dos Juízos do Tribunal Tributário de 1ª. Instância de Lisboa. Estávamos no início da época dos telemóveis, cujos antepassados pré-históricos dos pequeninos e modernos celulares, eram uns tijolos enormes, que pesavam quilos e que custavam uma pipa de massa, não acessível a qualquer bolsa, dum comum mortal, trabalhador por conta de outrem, ainda que razoavelmente remunerado.
Ora na altura o STI tinha transferido a sede nacional de Setúbal para Lisboa, para a Rua Quirino da Fonseca, não se tendo conseguido logo, da PT, a instalação de telefone fixo, razão pela qual resolveu a DN (por exigência de Sua Exª.) adquirir um dinossáurico telemóvel (comparativamente aos sofiticadíssimos, destes tempos), que ajudou a estragar, provavelmente, o Orçamento do Sindicato naquele ano. É óbvio que, antes disso, a personagem deste resumido “retrato” escrito, já tinha, num processo algo conturbado (com um Congresso pelo meio), sido escolhido, pela Direcção Nacional cessante, com a minha firme discordância, para passar a candidato a maioral… E, com todos aqueles apoios (embora com muitos “mas”), sequentemente obtido uma vitória no sufrágio.
Foi, pois, já nessa qualidade, que S. Exª., foi a uma sessão de esclarecimento à lisboeta Rua Braancamp, onde eu, depois de ter abandonado as funções de Secretário da Direcção (por imposição estatutária de apenas permitir a repetência de mandato de um membro) era delegado sindical, pelo Tribunal Tributário e, consequentemente, fazia as honras da casa, recebendo o novel supremo dirigente.
Apresentei o palestrante, que patenteava mais o porte de um Director de Finanças do que de um dirigente sindical e o pagode foi-se juntando, para saber novidades e para ver em que aquilo dava, muitos movidos pelo pasmo, que se dividia, entre a invulgaridade daquele “sindicalista” e a máquina infernal que o acompanhava.
Fui, pois, testemunha privilegiada de uma cena de antologia, em que foram portagonistas o, ao tempo, extraordinário e raríssimo objecto, que dava pelo termo (na altura um neologismo) de telemóvel, com um aspecto de objecto criado, algo experimentalmente, por um cientista, de meados do século passado e a minha retratada ”abencerragem”, bem dentro da sua pele, de fanfarrão, perito em basófias, ufano de ser detentor do último grito da técnica comunicacional. A cena real ou ficcionada, foi a de, a meio da reunião aquela máquina (enorme, que quase mais que a arenga, do “sindicalista” convidado, retinha quase todos os olhares, por curiosidade e até cobiça) começar, pasme-se, sucesso dos sucessos, a retinir, indiciando chamada telefónica.
Por respeito e por grande curiosidade, do maralhal, fez-se um silêncio profundo na sala, que albergava perto de cem ou mais almas. E eis que senão quando, para ainda maior pasmo geral, a voz de “Sua Exª.”, num tom determinado, bem ao jeito e aos modos de um agente de vendas sofisticado, alto e bom som, ia respondendo ao interlocutor, do outro lado da linha, que para aquela falante máquina não existia, coisas como: - ”Sim”, “não” ou “pois Sr. Secretário de Estado”. Perante um ou outro sussurro, que ainda, “de quando em vez”, sobrevivia na sala ouvia-se, impunha-se, de imediato, um coro de “chios”, acompanhados do sinal, com o dedo indicador direito, no nariz, ordenando, “silêncio absoluto e imediato”. Ainda hoje estou, estamos, eu e alguns dos circunstantes, mais prevenidos, para saber, o que naquilo foi realidade ou ficção, mas adiante, nunca ou talvez nunca o saberemos, que o segredo é, para os “artistas” desta estirpe uma, senão a principal, das bases do “negócio” …
Abreviando esta “fotografia” escrita, que já vai longa, depois disso, ao fim de muitas traquinices e prepotências, sua Exª., perdeu o pé no Sindicato (ou seja o lugar), por variadíssimas cenas de indecente e má figura. Poucos anos depois do seu afastamento, empurrado pelos seus próprios excessos em quase tudo (só em matéria de despesas, num só ano em almoços jantares, deslocações, estadias, a personagem apresentou recibos/facturas de milhares de contos, ultrapassando pela direita e pela esquerda o “activismo”, que naquelas circunstâncias dele se exigia), a coisa foi mais longe, do que o seu afastamento de dirigente sindical e até a qualidade de sócio lhe foi retirada, num célebre e “animado” Congresso, por toda essa casta de actos menos próprios, inerentes a um sindicalista, abreviando e aligeirando, para não ser fastidioso no detalhe. Reconheçamos que alguns empolados, por adversários figadais do dito, embora alguns destes, por sua vez, também, algo deixassem a desejar, mas que, justiça lhes seja feita, nem de perto, nem de longe, igualavam o “Supremo Mestre”, em petulância, prepotência (etc.), que até dá pudor de mais detalhadamente descrever.
Mas ei-lo, há pouco mais de um ano de regresso à casa, fruto de habilidades várias e de uma asneira de quem, que depois o quiz combater, mas que se esqueceu do velho ditado de que “QUEM O INIMIGO POUPA ÀS MÃOS LHE MORRE”. Que é um ditado terrível, pela sua crueza, mas que no caso se aplicou que nem uma luva, aquele amigo, que agora “torce a orelha, mas …”
Abreviando, mais ainda, recentemente, quase sem querer (como diria o outro, “sem saber ler nem escrever”, o que me esperava) fui vítima de toda uma série de intrigas e calúnias da personagem e de alguns dos seus mais fieis acólitos, que chegaram por via cibernética a milhares de pessoas, muitas que me conhecem e outras que não, dado já estar bastante afastado das lides há anos (fazendo sem pressa, nem horário, coisas como esta, que agora faço, escrevendo o que me dá na real gana).
Pensei, na altura, porque provas tinha e a coisa foi de enorme gravidade (pelo extremamente calunioso), mover um processo a “Sua Exª.” e comparsas, mas dado o estado a que a nossa justiça chegou e à sua caristia, hesitei e ainda hesito. Fica, todavia o solene aviso. Se sua “Exª.” voltar a passar as marcas …
E, assim sendo e porque há escritas mais motivadoras, por aqui me fico; mas assegurando-lhe (ao descrito), que não o temo e que nem ódio lhe tenho, porque mais que esse sentimento, a criatura, desprezo merece; como, também, porque a sua verdadeira face ser por demais repelente; embora por mera curiosidade, dos vários traços psicológicos e filosóficos do tipo humano, das máscaras, que o dito cujo, usa e abusa, algumas das suas histórias, nos sirvam para melhor conhecer o bicho homem, espécie a que, também pertencemos; no caso em apreço relatado e agora encerrado, na sua versão a um tempo por de mais descarada e a outro prepotente, até dizer chega, etc., etc….
Fernando Rocha
PS (não do dito cujo partido, que não é o do Supremo Mestre, o seu termina em D; mas de post scriptum) - Mas vamos ao PS que se faz tarde: Soube que sua Exª., para além de ser Supremo presidenciável na casa dos cobradores dos Impostos ( taxas e derramas) e ainda Chefe na capital da cerâmica, do c…… , do coiso, bem entendido, frequenta também a Academia e, muito brevemente, provavelmente, será jurisconsulto; tal como o outro que era Director de Finanças, na principal cidade banhada pelo Tejo, e, paralelamente, tirava uma licenciatura (por isso não “viu” algumas caducidades e os “malandrins” que o rodeavam) , sendo agora autarca Chefe numa velha cidade, com castelo e tudo (brevemente ser-lhe-á atribuído o título de alcaide). Esta gente tem tempo e lata para tudo e ainda algo sobra. Mas o Mundo está para eles (os “Chicos espertos”). Para mim e para muitos outros, os seus “escravos”, como aquele que se assinou por “escravo das Caldas”, sobrou-nos sempre apenas trabalho, mas também honra, que é coisa , que neste tempo anda muito arredia, de muito figurão. Falo, igualmente, por mim, que apenas frequentei a Academia depois de reformado, mas que uma avaria no “relógio”, distribuidor e comandante da circulação sanguínia, me fez há dois anos interromper. Mas o País está entregue a esta gente, mesmo ao mais alto nível, que havemos de fazer (se é tão difícil de corrê-los) ?!…
Dos parvos, como nós, não reza a História. Restam-me, a mim, apenas, estas histórias (ao longo da vida coleccionei biografias de figurões, no disco rígido) e de vez em quando …
PS nº. 2 – Leia uma ÚLTIMA HORA, de 27/12/09, aposta no artigo (já em artigos anteriores) “ÚLTIMAS DA DGCI DE LISBOA: “REVOLUÇÃO” OU MELHOR, XEQUE MATE AO REGENTE”
A TODOS BOAS FESTAS, QUE A ÉPOCA É DE PAZ E AMOR !…
Adicionar comentário 26 Dezembro 2009