Arquivo de Novembro, 2009

GUIA CIRCUNSTANCIAL DE LEITURA

Leia em artigos anteriores:

- Para além do Chefe de S. João da Madeira será que outros funcionários também receberam “brindes” … (?)

- A “FACE OCULTA” E A CRÓNICA DOENÇA DAS CADUCIDADES FISCAIS;

- DGCI NOVA SOCIEDADE SECRETA ?

- DA FARSA DA JUSTIÇA À “FACE OCULTA” DO PODER

       Boas leituras são os votos do escriba – Fernando Rocha

Adicionar comentário 30 Novembro 2009

NOTAS DE UM PORTUGAL EM AGONIA (com histórias que provocam angústia ou vómitos)

PRINCÍPIOS E VALORES – UM CULTO QUE SE VAI PERDENDO

Na vida política, como em qualquer outra, mesmo na vida privada, de quem se preze, esta, deve orientar-se por princípios e valores.  E tal como o indivíduo, por si, também as sociedades humanas (a portuguesa como qualquer outra) devem ter essa perspectiva, de princípios e valores.

Infelizmente na portuguesa e penso que em muitas outras, com diferenças, é certo, esse culto está-se perdendo. Também não é menos certo que o bem e o mal são valores algo subjectivos, que, em termos de noção, evoluem, em função da própria evolução da sociedade.  Mas há (ou teria de haver) um quadro de consenso de princípios éticos, que deveríamos respeitar e cultivar.                Falo como é óbvio no âmbito da civilização judaico-cristã, porque há outros quadros civilizacionais, de um modo geral subordinados ou influenciados por outras crenças, o que não vem ao caso, por serem outras realidades, que não conheço ou conheço mal e que por isso não abordarei.    Vem isto a propósito de muitas minhas variadas observações, nos mais diversos aspectos da nossa vida social ou política.

1.  Alguns crimes (passionais), poderosos sinais deste nosso tempo

Sem pretender ser moralista, puritano (no mau sentido ou castrador), sem pretender ser saudosista (e muito menos de um passado de bafio-salazarento), vou focalizar a minha observação em recentes crimes passionais, em que o quase impensável, há dezenas de anos, aconteceu. Falo de dois casos, bem recentes ocorridos, em que dois jovens, rapazes universitários,  mataram as suas namoradas, também estudantes, com uma enorme e quase absurda brutalidade; uma assassina violência,  ao que parece evidente motivada pelo ciúme.

Em ambas as situações o cenário de estudo era a Universidade de Coimbra, salvo erro.  Num primeiro caso o rapaz veio, sozinho, de Coimbra de propósito, para ir à terra da ex-namorada matá-la à porta de sua casa (Castelo Branco, salvo erro), degolando-a com uma faca;  sendo agarrado, até à chegada da polícia, pelo pai da rapariga, que ouvindo gritos a veio,  já em vão, socorrer. Tenebrosamente curioso é que este recente crime repete, quase a papel químico (fotocópia) um outro, de há tempos, também perpetrado (friamente executado) por um outro universitário de Coimbra.

No mais recente caso o rapaz simulou um acidente, mas na realidade acabou por confessar ter morto a sua namorada Joana, agredindo-a, com extrema violência com um objecto metálico.

Entre muitas outras coisas impressionou-me que em ambos os casos as raparigas (a primeira mais velha e salvo erro já com o mestrado) eram filhas de pessoas relativamente humildes, muito provavelmente muito orgulhosas de suas filhas, que viram assim desaparecer, em crimes de uma terrível violência. No primeiro caso o pai (que agarrou o rapaz homicida) era um ex-agente da GNR, se não estou em erro. No segundo caso a mãe da moça  muito jovem assassinada, fazia limpezas (teria naquela filha a “vingança” da  vida difícil que teve e tem). O rapaz, pelo contrário, é filho de boas famílias. Neste segundo caso impressionou-me muito a criatividade para a escrita e a reflexão da jovem assassinada, que escrevia sobretudo sobre o seu amor (algo doentio, mas compreeensível numa jovem de 18 anos), pelo rapaz, que tão cruelmente a matou.

O que é de pasmar nestes dois casos é que se apresente o ciúme, como móbil de crime, em Portugal,  no século XXI e em extractos populacionais mais cultos, como são os estudantes universitários. Este tipo de crime era, sem dúvida (e penso sê-lo ainda) mais frequente em camadas mais populares, sem um índice elevado de escolaridade ou cultura.

 Para um homem da minha geração, que viveu intensamente os anos “sessenta/setenta”, do Século passado, que assistiu às grandes mudanças de mentalidades, com o advento do amor livre (em extractos mais intelectuais), com o próprio “25 de Abril”, com a libertação da mulher, para quem a libertação dos tabús conservadores sobre o sexo femenino, instilados por uma sociedade arcaica (beata)  fechada (do tempo do salazarismo), que começaram a ser vencidos, pela modernidade que, felizmente, importámos, sobretudo, da Europa;     estes dois casos focados, que poderão constituir um certo paradigma de um regresso ao passado, de má memória (de uma Escola actual que funciona mal, porque ensina pouco e educa ainda menos);   isto soa-me, de facto, a algo de estranho, para não dizer absurdo.

 Então não fomos, como sociedade democrática,  capazes de ensinar aos nossos jovens que qualquer ser humano é dono dos seus sentimentos e do seu corpo (?), que isso também é um património de liberdade, contra a tirania do machismo, mais exacerbado ?!…

Talvez nos antípodas destes crimes, por ciúme, esteja o caso do jovem padre que mandou a hierarquia da Igreja às urtigas e “fugiu” com a jovem catequista e sua assistente paroquiana, por amor, espetando,  assim, uma seta de liberdade, no bafio de uma Igreja, que com João Paulo II e com o actual Papa, regrediu, fazendo por esquecer João XXIII,  Paulo VI e o Concílio Vaticano II.  Bem-hajam o jovem Padre e a moça pela sua sã rebeldia !…

 

2.  Sócrates o seu Poder arrogante, a “FACE OCULTA” e outras perplexidades “socráticas”, num País com muitos colapsos, a caminho do abismo ético/político, social e financeiro

Antes de entrar na minha análise, permita-se-me que transcreva do “Público” de hoje (29 de Novembro deste ano de 2009), as também habituais transcrições de outra imprensa, por demais significativas, na rubrica “Frases de ontem”:

“Nestes trinta dias de ‘governação à Penélope’, parece que ainda ninguém se deu conta dos avisos que chegam de todo o lado de que o país caminha para a bancarrota. (…) Foi assim que caiu a Monarquia, há cem anos, foi assim que caiu a República, às mãos de Salazar.”   (Miguel Sousa Tavares, “Expresso”)

“Portugal está à beira de iniciar um percurso para a irrelevância, talvez o desaparecimento, a pobreza certamente.” (António Barreto, “i”)

“As contas do Estado estão de rastos e o país é um arremedo de qualquer coisa que não chega a ser um país. Não existe a menor esperança ou optimismo. E a verdade é que não há razões para haver.” (Ricardo Costa, “Expresso”)

Comecemos, então, a análise referindo, também do “Público” de hoje a crónica de Vasco Pulido Valente, com que nem sempre concordamos, mas que, por vezes, como hoje, sob o título “O PROBLEMA É SÓCRATES”, acerta na muge. Para ele (V.Q.P.) e também, para mim, um dos maiores problemas com que Portugal, neste momento se defronta chama-se Sócrates e estou inteiramente de acordo com o cronista quando diz: “Sócrates conseguiu juntar à animosidade política da esquerda e da direita, em princípio lógica e normal, uma execração pessoal sem precedentes” ;                    sobre esta personagem cimeira da nossa política actual e, infelizmente, ainda Primeiro Ministro de Portugal,  permito-me, eu (Fernando Rocha), acrescentar o seguinte:

Aquilo que de princípio foi tido, por alguns, como a sua maior qualidade – a determinação – depressa se tornou claro ser,  afinal, sectarismo e arrogância. Sócrates é para o País (e o próprio PS), pela sua postura (que cada vez mais cansa), convencida e arrogante, não uma mais-valia, mas um grande problema. Para o País, por lhe recusar uma verdadeira e eficaz estratégia, para sair da crise. Para o PS, porque ocupa nele um espaço de liderança, que como os eucaliptos seca tudo à volta e que, em boa verdade, impede o partido de, como grande partido da esquerda, de facto o tentar ser   (como no passado, de algum modo foi, com menos arrogância e mais pluralidade;  as chamadas sensibilidades que deixavam o partido ter mais respiração). Sócrates, para nosso mal, sem uma verdadeira estratégia para o País (que nunca teve, não obstante o seu markting político o iludir) é o nosso grande problema, embora por parte do outro braço da alternância do “centrão” melhor se não espere, o que avoluma a nossa desgraça.

Em cima de todos os casos que envolviam este Primeiro Ministro, em indícios de escândalos ou faltas de carácter, o caso “FACE OCULTA” tornou Sócrates e este PS socrático, ainda mais prisioneiros das teias que montaram.   Delas dificilmente se libertarão e, porque governo são, nos arrastarão, nesse seu embuste e desvario. Se a tudo isto (que não é pouco) somarmos uma Justiça, que não funciona e que, por conseguinte, não existe, uma escola que prepara os nossos filhos e netos mal para o futuro, uma dívida pública que cresce, cresce, aprisionando o nosso futuro e dos nossos descendentes, a mais dificuldades, uma verdadeira cultura portuguesa que o Poder sufoca, dando-lhe ínfimas migalhas do Orçamento, temos um cada vez mais negro cenário de futuro, no horizonte.

Tenho assistido triste, muito triste (por ser um trágico retrato deste nosso Portugal do presente), às várias edições do programa “PLANO INCLINADO”, da SIC NOTÍCIAS, moderado por Mário Crespo (cujo noticiário das 21, nessa mesma estação televisiva, pela sua qualidade, geralmente, não perco e que aconselho. Ontem o programa foi temático, sobre a Educação, sendo convidada para se juntar ao painel, de convidados residentes, a pedagoga Maria do Carmo Vieira.  Acompanhando Nuno Crato e Medina Carreira, esta senhora, traçou um terrível panorama da nossa Educação. Já conhecia alguns aspectos deste cenário, mas fiquei ainda, para pior, mais esclarecido. Os programas do ensino são maus e conduzem em linha directa os alunos para uma cultura e um ensino medíocre.

Falou-se de cargas horárias excessivas (diria disparatadas), que fazem da nossa Escola, para além de medíocre, um espaço que retira aos alunos tempo para estudar e tempo para si (como adolescentes que deveriam ser ensinados, também, à reflexão, à leitura, etc.). Falou-se de uma matemática que é mal ensinada, procurando dispensar a memória, de uma forma disparatada (dispensando que se fixe, por exemplo, que 7+7 são igual a 14 e levando o aluno a pensar, por exemplo, que 5+5 são igual a 10 e que se 2+2, por sua vez, são igual a 4, então chegar-se-á a 14; em suma um disparate, para evitar a memorização da indispensável tabuada. Falou-se em programas em que os nossos grandes escritores são misturados, nos programas, com os medíocres, deixando ao critério do professor a sua selecção. Quer dizer, pode não se ensinar a ler (interpretar) Camões ou Pessoa. Falou-se que se recomenda aos professores que devem respeitar a cultura que os alunos trazem de casa, o que face à, infelizmente,  iliteracia de muitos pais, pode  conduzir os seus filhos à sua continuidade. Sobre isto Medina Carreira disse (e muito bem) que “o bom professor é o que faz o aluno subir de nivel”. Enfim é o País que temos, fruto de Governos oportunistas e medíocres e de elites de igual quilate.

Em suma este texto já vai demasiado longo e há que terminar, com a promessa de, sob este título, fazer um esforço para voltar, ainda que doa, sobre estas desgraças escrever.

                                                                                                      Fernando Rocha

                                   

 

Adicionar comentário 30 Novembro 2009

Para além do Chefe de Finanças de S. João da Madeira será que outros funcionários fiscais também receberam “brindes” do indiciado e detido Manuel Godinho ?

O caso “FACE OCULTA” é um autêntico maná de dúvidas e inquietações. Para além de bastantes gestores militantes ou próximos do partido do Governo indiciados no “esquema” do sucateiro, este procurava “comprar” tudo e todos (e sabemos já, que muitas vezes com sucesso).

Lendo o “Jornal de Negócios”, de dia 4 deste mês de Novembro, ficamos a saber:  “O empresário de Ovar entregava presentes e dinheiro a funcionários e chefias dos impostos para conseguir parar processos em curso contra as suas empresas. Na lista constam também agentes da GNR e funcionários camarários.”

A seguir a este sub-título a notícia continua:  ” Funcionários e chefias dos serviços de Finanças das áreas onde actuam as empresas de Manuel Godinho terão recebido, entre 2002 e 2007, presentes vários, como forma de assim deixarem de exercer os seus deveres funcionais e de fiscalização. Quem o garante é o Ministério Público … O documento, a que o “Negócios” teve acesso, não especifica quais os presentes … mas sublinha que alguns tiveram  valor considerável.”

Depreende-se, pois, muito claramente,  por esta notícia que estas referências a funcionários da DGCI, estão para além do caso do Chefe da Repartição de Finanças de S. João da Madeira, já arguido no processo, por estar indiciado na recepção de elevadas quantias e, consequentemente, suspenso de funções, pelo Tribunal.

Sobre tudo isto parece-me, no meu modesto entender, que as superiores chefias dirigentes da DGCI teriam uma palavra a dizer.  A haverem provas ou fortes indícios de que outros funcionários dos impostos estão envolvidos nos “esquemas” do sucateiro é grave; muito grave.

Tudo isto lança uma grave suspeição (uma nódoa)  sobre os Serviços Fiscais e exige-se que seja, por quem de direito, devidamente esclarecido e que, daí, se tirem as devidas consequências.

                                                                                                                             Fernando Rocha

Adicionar comentário 24 Novembro 2009

Será a democracia “socrática” uma variante de democracia e de Justiça?!…

Por mais que procure entender os traços democráticos deste Poder, tenho cada vez maior dificuldade em os identificar como democráticos. Sócrates com a sua arrogância (agora mais dessimulada pela ausência da absoluta maioria de outrora) colocou, de certo modo, a democracia entre, comas (aspas), transformando-a, em grande medida, numa caricatura.

Os escândalos (as histórias mal contadas ou mal explicadas) em que Sócrates aparece, desde a licenciatura de engenharia de favor, na “Indepedente” e certificada ao Domingo, passando pelos casinhotos de sua traça, até a esta última do “novelo” do “face oculta” são um nunca mais acabar de “histórias”, em que a personagem fica mal, muito mal, na fotografia…

É certo, todavia, que a outra face da mesma moeda, deste Poder, deste “centrão”, também, não tem muito de recomendável (veja-se o exemplar caso BPN, em que o “cavaquismo” se enterrou até ao pescoço).  E nem mesmo o mais pequenote PP (do Paulinho das Feiras), que de vez em quando de muleta serve, para maioria fazer, escapa ao regabofe das negociatas mal explicadas (submarinos, sobreiros, etc.).

Mas se de políticos de poder (ou alternantes aspirantes a tal) estamos mais ou menos conversados, esta Justiça que não temos ou que temos (felizmente) em  bastantes ou alguns Juízes e Procuradores, que, nas suas comarcas, resistem à chantagem, não está muito melhor;  por força de hierarquias com o Poder algo cúmplices, de Leis incorrectas ou de falta de meios. Defenitivamente não podemos dizer que temos um verdadeiro Estado de Direito.

 Temos, defenitivamente, uma justiça para pobres (cara por demais, negando ao humilde geralmente a defesa) e outra  justiça para ricos, que com dinheiro e bons advogados, na prática, os poupa, através de um quadro legal demasiado garantístico (passível de toda a sorte de manobras dilatórias, que eternizam os processos e os julgamentos). Daí que os corruptos, os grandes corruptos e corruptores, gozem da maior impunidade. O castigo, a prisão, em Portugal é para os pobres. A grande gatunagem, de colarinho branco, só por engano e por curtos períodos, a “frequenta”!…

O  (a) “FACE OCULTA”, mais do que um processo, que segue o seu curso, a caminho da costumeira eternização no Tribunal, é todo um sistema, cada vez mais parecido com um icebergue, que tem muito mais de escondido do que visível, à superfície do mar!…

                                                                                                            Fernando Rocha

Adicionar comentário 23 Novembro 2009

REUNIÃO (Assembleia Magna) do Conselho de Cidade das Caldas da Rainha – hoje 6ª. Fª. dia 20 de Novembro

 

Caros Amigo(a)s
Assim é. Hoje no Quartel dos Bombeiros (na sala de reuniões) reune o Conselho de Cidade.
Trata-se de uma Associação que é, por natureza, um espaço de intervenção cívica, vocacionada para democracia participativa. Numa altura em que por força de um total descrédito porque a política passa, no País e nas Caldas (pelas mais variadas “faces ocultas” de muitos pseudo democratas), consequentemente, era importante que os cidadãos mais conscientes não votassem ao abandono  (e muito menos ao ostracismo) associações como esta, que são um espaço privilegiado para a defesa e a prática da democracia participativa (a mais genuína das espécies de democracia), que muitos proclamamos defender, mas que, quando chamados somos (como é hoje o caso, com esta reunião do Cons. da Cidade), em vez de dizermos presente, dizemos ausente ou, pior, indiferente.
Por força de ter sido eleito deputado Municipal, aqui nas Caldas, vou ter de abandonar (por imposição estatutária) as funções de Presidente do Conselho Fiscal. Também a Presidente da Comissão Executiva ( a Fátima) o vai ter que fazer, por idênticas razões.
Eu pessoalmente, independentemente do lugar que deixo, vou continuar, como simples associado, a apoiar a estrutura e estimaria, que, um conjunto de homens e mulheres de boa vontade, dessem um novo fôlego a esta nossa associação de cidadania. Aqui fica o registo deste meu apelo, um repto que vos lanço.
                                                                            Um abraço solidário do Fernando Rocha
PS- Se não és associado e apoias a democracia participativa, porque esperas (?), tornate sócio do Cons. de Cidade.

Adicionar comentário 20 Novembro 2009

Artigo Anterior


Calendário

Novembro 2009
S T Q Q S S D
« Out   Dez »
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
30  

Artigo por Mês

Artigo por Categoria