Arquivo de Setembro, 2009
Que dia é hoje ?
Hoje é um dia esquisito. Esquisito não pelo número que o marca como dia, do dia da semana ou do mês, que lhe saiu no calendário, mas porque a Lei ou um anacrónico costume, determinou que, no sábado anterior a qualquer acto eleitoral, sessado que foi à sexta o período de campanha, o sábado anterior ao grande dia do veredicto dos cidadãos, é dia de meditação, sendo impedidas quaisquer actividades de apelo ao voto.
Trata-se de um anacronismo legal que, para além da proibição de actvidades de campanha, promovidas pelos partidos políticos, coloca como que uma rolha na boca dos cidadãos. Sendo esta, como já disse, uma norma algo absurda, que apenas fará algum sentido ser aplicada às forças políticas, não faz sentido nenhum que seja aplicada aos cidadãos.
Hoje é, pois, o dia dos meditabundos. Um dia em que, politicamente, podemos, segundo a Lei, pensar (pois ainda não há meios tecnológicos de espiar e policiar o pensamento), mas estamos proibidos de expressar, oralmente, esse mesmo pensamento, se fôr dirigido a uma determinada força política, concorrente ao próximo acto eleitoral.
Acontece, todavia, que, segundo li, a Comissão Nacional de Eleições, embora proibindo a imprensa escrita de publicitar actividades políticas, violadoras do espírito desta espécie de quaresma política, exceptua dessa proibição, dessa Lei da rolha, os meios cibernéticos, como este site/blog, por exemplo. Assim sendo, para ajudar (quem o necessite) numa meditação, mais assistida, termino dizendo:
- Caro cidadão meditabundo, algo indeciso, medite, medite bem, na hipótese de, amanhã, na solidão da cabine de voto, dar à sua esferográfica, a ordem, para votar BLOCO !
Fernando Rocha
26 Setembro 2009
O feito, que vou passar a relatar, é, a todos os títulos, notável; pois, viajar na Linha do Oeste é, em pleno século XXI, um acto misto de grande heroicidade e de masoquismo. Castiga-se o corpo e a paciência, por causa de uma CP, liderada pelo “centrão” político, que, em termos de transporte ferroviário, condenou a região oestina portuguesa, a um quase ostracismo.
Assim, no Domingo, dia 20 de Setembro, deste ano da graça (e da desgraça para o Oeste e Portugal e para todos os que identificam a palavra viagem, com a palavra comboio), um grupo de activistas do Bloco de Esquerda, vindos de Leiria, Marinha Grande, Alcobaça, Nazaré, Caldas e Bombarral, bem cedo, rumou a Lisboa (Entrecampos) para, na capital do “Império” apanharem o comboio com destino a Leiria – o “rápido” das 10H34, saído da Estação de Entrecampos (Poente).
Durante a viagem, já que a CP e o “centrão”, do PS e do PSD, andam há anos (mais de trinta) a “dar música” ao povo do Oeste, amante dos comboios, um vilionista animou as hostes, destes combatentes, pela remodelação e modernização da Linha, que, no seu entender, se exige que seja (para ontem) duplicada e electrificada, com troços de traçado novo, de modo a dar aos utentes mais conforto e velocidade normal, compatível com este tempo e não a manutenção da de há quase dois séculos, dos idos tempos do Fontes Pereira de Melo.
Chegados a Caldas da Rainha (onde a CP resolveu “partir” a Linha) às 12H18, quase duas horas depois, para fazer cerca de 80 ou menos quilómetros, eu, o Nico (um lindo cão) e uns poucos curiosos, aguadávamos os viajantes daquela grande aventura, por terras do Oeste. Ora, precisamente nas Caldas, a Dona CP, sabendo bem quão tormentosa é a viagem, de Lisboa a Caldas, obrigou (por força dos seus “magníficos” horários e serviço) os aventurosos passageiros a esperarem pelo novo comboio para Leiria, com partida às 13H22 e chegada a Leiria, às 14H22, precisamente uma hora após o início da segunda etapa da Odisseia (“brindados” com o castigo da paragem em todas as Estações e apeadeiros, neste último troço do itinerário).
Sãos e salvos chegaram a Leiria e confraternizaram comendo e bebendo, dando graças a todas as divinas transcendências, por um regresso às suas gentes e à terra que só vê passar comboios (poucos), mas que neles já quase desistiu de andar, para não castigar o corpo e a paciência.
Fernando Rocha – Activista do BE, candidato à Ass. da República e cabeça de lista à Assembleia Municipal de Caldas da Rainha
Nota: Esta Odisseia foi liderada por Heitor de Sousa, cabeça de Lista à Assembleia da República, pelo círculo de Leiria, pelo BE (Este candidato a primeiro deputado do Bloco, por Leiria, tem 56 anos, é Professor universitário e consultor na área de transportes, designadamente na empresa CARRIS).
20 Setembro 2009
Em democracia todas as escolhas são possíveis, só em ditadura é que não. Por isso dizia, salvo erro, Winston Churchil (uma das maiores figuras políticasdo Sec. XX), que “a DEMOCRACIA é o pior dos sistemas, com excepção de todos os outros”. Não posso estar mais de acordo. Todos os sistemas não democráticos, ao cercearem a liberdade, cometem um dos maiores crimes, contra a Humanidade, pois retiram ao Homem o bem mais precioso que a nossa civilização (sobretudo a ocidental), ao longo de séculos, foi, como valor, adquirindo, consolidando e melhorando.
Perguntarão alguns: Mas para se falar de Francisco Louçã a que propósito vem isto ?
Responderei que vem para tentar desmistificar uma ideia errada que, a Francisco Louçã (e ao partido/movimento que lidera) alguns querem “colar”, procurando negar-lhe a qualidade de democrata. Depois a democracia é um sistema, não sendo uma ideologia. E, tal como Louçã, há muitos democratas que perfilham uma ideologia socialista. Compreender bem esta autêntica “marca” distintiva de Francisco Louçã, relativamente a outros políticos, é indispensável, para o definir como alguém que, na ideologia, como na política, do dia a dia, recusa essa visão redutora, da política do mal menor.
É por isso que Francisco Louçã e o Bloco de Esquerda, recusam, sem hesitações, regimes como o regime chinês, que por de baixo da capa do socialismo escondem, mais ou menos dessimuladamente, sociedades humanas reféns de terríveis ditaduras.
Esclarecida esta diferença fundamental, importa dizer que Francisco Louçã e o Bloco de Esquerda estão na política portuguesa com uma perspectiva autenticamente socialista, que não faz cedências, como o PS, mesmo o PS tido como mais à esquerda (como o de Manuel Alegre), ao, também, mal menor de políticas que têm traços de direita.
A necessária ESQUERDA GRANDE, que em Portugal se tem de encontrar, para dar ao País políticas de mais solidariedade e justiça social, de que Louçã e o Bloco falam, não pode ceder a princípios e a valores, como este PS, de Sócrates, que enterrou por completo o socialismo, implementando políticas de ataque aos direitos e às justas expectativas dos mais desfavorecidos e da classe média baixa, ainda por cima com uma postura de grande arrogância, recusando o indispensável diálogo, que é característico da democracia.
Francisco Louçã é já para este País desiludido e cansado de políticas e políticos, vendidos aos favores dos grandes interesses financeiros, uma grande referência, uma esperança, de que há uma alternativa à direita e às políticas e políticos do mal menor. Há já quem diga que Francisco Louçã é um novo Cunhal, pela sua postura de seriedade e exigência. Direi que é um Cunhal ainda melhor, porque para Louçã a Liberdade, o pluralismo democrático, são valores inquestionáveis.
É por isso que nesta luta e desde há mais de dez anos, estou com Francisco Louçã e o Bloco deEsquerda. Para ele e para mim a Liberdade, a democracia, são indissociáveis do socialismo e este e os seus valores não se confundem com os do liberalismo e muito menos com os de neoliberalismo, que é, autenticamente, uma nova escravidão para a Humanidade.
Fernando Rocha
20 Setembro 2009
A história é só mais uma, de uma personagem que há muito que se transformou no campeão do populismo e da demagogia, na cena política portuguesa. Desta vez foi no debate com Francisco Louçã, com a tirada dos telemóveis, como poderia ter acontecido noutras circunstâncias, já que S. Exª. usa e abusa da demagogia e do populismo, para obter efeitos mediáticos.
Mas vamos por partes: Na página 106, do livro da Editora Bertrand, que edita o programa do Bloco de Esquerda, no seu ponto 4. UMA REFORMA PROFUNDA PARA CRIAR JUSTIÇA FISCAL, coloca-se como última proposta, no início da página 107, o seguinte: “Os pagamentos em espécie devem ser tributados (como o usufruto de viaturas de serviço e o uso livre de telemóveis).
Só a quem nunca trabalhou nas Finanças ou nunca lidou com a contabilidade das empresas, esta questão pode fazer confusão e aceitar-se como errada a proposta do Bloco de Esquerda e, consequentemente, dar razão à “irónica crítica” de Paulo Portas, que é uma tirada da mais descarada demagogia; uma vez que muitas empresas, desde sempre, para fugirem a um rendimento colectável mais elevado (o correcto e justo), usam esta forma de pagamentos em espécie, que se aplicam sobretudo a Administradores e Gerentes (a maioria sócios das empresas), para iludirem o fisco e, por sua vez, darem benesses remuneratórias, ocultas, aos seus mais próximos.
(e, também, só quem não sabe os montantes em que isto pode importar, pode ir nesta “tanga” do nosso conhecido campeão da demagogia, já que o vulgar trabalhador, de um modo geral, não beneficia destas mordomias e, para além de adquirir o seu próprio telemóvel, paga as chamadas que faz, que, por vezes, representam uma boa fatia num orçamento pessoal.)
Mas há mais:
S. Exª. que já foi Ministro sabe bem, mas, coitado, “esqueceu-se”, do regabofe que vai por todos os gabinetes governamentais e outros, como por exemplo os camarários (em muitos municípios) e outros departamentos Estatais, com o uso e abuso destas remunerações indirectas, que chegam ao cúmulo de se atribuírem, a estas pardacentas figuras de adjuntos e Chefes de Gabinete, cartões de crédito para despesas de representação ( o caso da Câmara Municipal de Lisboa e, sobretudo, com as suas empresas municipais, no tempo de Santana Lopes e Carmona, são um “bom” paradigma desse abuso, já a contas com a Justiça).
Caro colega dos Impostos, conhece(s) esta questão; bem poderás desmascarar, com toda a propriedade, este nosso “Paulinho das Feiras”, que neste caso, desceu à categoria de charlatão, da “banha da cobra” ou a vender, seja cobertores ou gato por lebre!…
Fernando Rocha – Ex-sindicalista do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos
14 Setembro 2009
Manuela Ferreira Leite apresenta-se ao respeitável público (eleitoral) como rigorosa e amante da verdade, mas a sua história ou melhor as suas histórias, enquanto governante, desmentem, em grande parte, essas etiquetas que à personagem pretendem colar. Neste site/blog tenho já bastante informação sobre esses lados bem escuros desta pretensa “Salvadora da Pátria” e heroína da direita
(os “disponiveis” na Função Pública e na DGCI, em particular; a venda ao desbarato, por um sexto do valor, já no Governo de Durão Barroso, das nossas execuções fiscais, ao “homem das Arábias”, líder de um grupo bancário internacional; e, finalmente, uma mais antiga história, como a dos “disponíveis”, do maior despedimento colectivo de que há memória, em Portugal, quiçá no Mundo, podendo, talvez, esta “salvadora” e “heroína”, candidatar-se ao “Ginness”, pela dimensão do “feito”).
Ora eu conhecia desde há muito estes factos em termos genéricos. Acontece, todavia, que, em conversa recente, com a ex-sindicalista Maria do Carmo Carboila, da Federação dos Sindicatos da Função Pública, que ao tempo (1994) protagonizou essa luta contra a, então, Ministra da Educação, revisitei com maior pormenor esse grande conflito social, que levou a miséria a muitos humildes trabalhadores(as) e um enorme caos à maioria das escolas do nosso País; tudo em virtude da insensata e arrogante prepotência, de Manuela Ferreira Leite, bem reveladora da sua completa falta de princípios de humanismo e de sensibilidade social.
Sucintamente os factos são os seguintes:
Em 1993 a nossa ex-governante Manuela Ferreira Leite era Secretária de Estado Adjunta e do Orçamento e nessa qualidade foi um(a) dos governantes que firmou um protocolo de acordo para a integração dos trabalhadores não docentes das Escolas, que trabalhavam há vários anos com contratos de vínculo precário ou na ausência de qualquer contrato de trabalho, o que constituía, por parte do nosso Estado, como entidade patronal, um enorme escândalo. Entraram nesse protocolo de acordo, para além de Manuela Ferreira Leite, por parte do Ministério das Finanças, o, então, Secretário de Estado da Educação, Dr. Bracinha Vieira e a Federação dos Sindicatos da Função Pública, representada pela minha amiga Maria do Carmo Carboila.
Acontece, porém, que em virtude de uma remodelação governamental, do Governo de maioria absoluta de Cavaco Silva (em fim de mandato e de ciclo), Manuela Ferreira Leite, transita para Ministra da Educação. Então em Junho de1994, nessa qualidade, chama ao Ministéria a minha amiga, dirigente sindical da Função Pública, para lhe comunicar que resolvera rasgar o protocolo de acordo que ela própria firmara e mandar para a rua esses cerca de 10.000 humildes trabalhadores, do Ministério da Educação. Era de facto gente muito humilde e indefesa; eram auxiliares de acção educativa, ajudantes de cozinha, guardas nocturnos, escriturários-dactilógrafos, etc.
Guardo desse tempo imagens que jamais esquecerei, de uma reportagem que vi na RTP, num telejornal à hora de almoço, no Porto (onde me desloquei em trabalho sindical), em casa de um camarada, também sindicalista, o Hermínio Silva. Aquela reportagem valeu por mil palavras, pois, mostrava uma imensidade de trabalhadores, no seu enorme desespero, face à enorme violência que representa para alguém, que mais nada tem para vender, do que a sua força de trabalho, muitos de lágrimas nos olhos, pedindo um pouco de piedade e compaixão. Ficámos, eu e o meu amigo sindicalista, imensamente comovidos e chocados.
Soube que houve uma imensidade de diligências e de lutas para tentar demover Manuela Ferreira Leite daquela enorme patifaria, com o estafado argumento da recuperação do défice. Mas esta senhora, que agora chora lágrimas de crocodilo, pela crise social que vivemos, para caçar votos incautos, foi, perante aquela tragédia, inflexível.
A história, todavia, não acaba aqui. Os Sindicatos da Função Pública, através dos seus advogados e secções de contencioso, interpuzeram recurso daqueles despedimentos, por estarem feridos de ilegalidade e, a pouco e pouco, ao longo de anos o Estado Português foi condenado, em imensas sentenças, a pagar indemnizações àqueles trabalhadores e a reintegrá-los nas suas funções. Dirá quem é crente que Deus escreveu direito por linhas tortas.
Para além daquela inaudita violência, que como governante, Manuela Ferreira Leite, sem dó nem piedade, subscreveu, importa dizer que, para levar a sua malfeitoria avante, violou um acordo e com aquele ou aqueles despachos feriu levianamente a legalidade. Nem humana, nem rigorosa, nem amante da verdade foi. Toda esa trágica história verídica retira-lhe, por completo as máscaras que agora usa, na caça ao voto a ”distraídos” e incautos.
Fernando Rocha – cabeça de Lista à Assembleia Municipal de Caldas da Rainha e candidato nº. 8 nas listas do Círculo de Leiria, à Assembleia da República, em ambos os casos pelo Bloco de Esquerda
PS – Ainda neste site/blog o havia comunicado; transitei do programa “Conversas Cruzadas”, na Rádio Litoral Oeste (91FM), para o programa “PARTINDO A LOIÇA”, na mesma Rádio local, que vai para o ar, em directo, todas as quintas-feiras, das 19 às 21H e que é retransmitido, nessa mesma antena, todos os domingos nesse mesmo horário (partindoaloiça@litoraloeste.net).
12 Setembro 2009
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