Arquivo de Junho, 2009
A crise que sofremos não é fruto do acaso. Ela veio e está para durar porque o grande capitalismo tem cada vez a “boca maior”. Abocanha tudo o que mexe e que mais dinheiro pode dar para sacar, desprezando estes cavalheiros, donos do dinheiro, de um modo quase sem excepção, quaisquer valores humanos e éticos.
Contrariamente ao dizem os arautos das virtudes do mercado totalmente liberalizado e com regras estatais mínimas, para o regular (adeptos da ditadura do mercado sobre a vida dos seres humanos, chegando a chamar a esta selva a democracia do mercado) o maior “pecado” destes predadores do planeta não foi só a ganância. Foi antes um crime bem mais amplo e profundo, que é o completo desprezo pela humanidade, nas pessoas dos mais fracos e humildes, ou seja a esmadadora maioria dos seres humanos. Como dizia o nosso cantor-maior, do passado século – o Zeca Afonso -, eles são os “VAMPIROS”, “são os mordomos do universo inteiro” e “mandadores sem Lei”.
A crise que na pele sofremos deve-se única e exclusivamente a estas vampirescas figuras, de que são cúmplices, quando não meros lacaios, muitos dos governos deste nosso mundo, como é o caso do governo português (este e quase todos os outros que o antecederam, de que foi exemplo o governo PSD/CDS, com Durão ou Santana, Portas, Manuela F. Leite & compª.).
Mas se no resto do mundo dito desenvolvido isto é uma verdade, tal como em Portugal, nós por cá, paradoxalmente com uma revolução, de que saíu o actual regime democrático, que nos governa e uma Lei fundamental (a Constituição da República de 1976), que embora alterada continua a ser um normativo muito progressista e humanista; temos, todavia, uma Justiça que não funciona e um quadro jurídico brandíssimo para os crimes de colarinho branco. Temos então que as defecientes leis que nos regem, nos crimes económicos e financeiros, são tardiamente ou quase nunca aplicadas porque o sistema garantístico jurídico que temos favorece quem dinheiro tem, para deste quadro legal se servir ou para o entupir o sistema, garantindo-lhe, na prática, a ineficácia – quer seja por prescrição pura e simples dos processos, que se arrastam penosamente nos Tribunais ou, também, por dificuldades do Ministério Público (também ele com meios escassos, em muitos casos) para formular uma correcta e justa acusação, quer seja, ainda, pela brandura das leis ou mesmo pela ausência delas, como é o caso da não criminalização do enriquecimento ilícito.
Para interromper, por ora, este artigo que já vai longo (ao qual voltarei com mais ideias e uma conclusão), diria que a justiça que temos não é filha da Constituição de “Abril”, muito antes pelo contrário, o sistema de justiça que temos perverte a letra e o espírito da Constituição de 1976, é anti- democrático, diria mesmo reaccionário e construído pelos partidos do “centrão” (PS e PSD) para só ser aplicado contra os humildes, favorecendo os poderosos e consequentemente os senhores do dinheiro e as suas mafias financeiras. É assim que, por exemplo, prisão do homem do BPN (o Oliveira e Costa) surge, apenas, como uma simples árvore, no interior de uma grande floresta de vigarice (no BPN ou seja o “banco do PSD”, no BPP, no BCP e no mais que nunca completamente se verá, com a tal “Operação Furacão”, que eu já vaticinei só irá “dar numa aragem”, pois envolve uma parte muito significativa do nosso tecido financeiro e empresarial, que praticando enormes e inúmeros crimes, certamente, impune ficará) !…
(CONTINUA) Fernando Rocha
30 Junho 2009
De facto (comentando o título) assim é. O criador esqueceu-se de pouco; pensou em quase tudo para que alguma ordem reinasse neste grão de areia cósmico, que dá pelo nome de Terra !
Se assim não fosse a incerteza dos actos mais simples, da nossa vida, poderiam estar subordinados a circunstâncias ou regras pré-estabelecidas caóticas e absurdas.
Vejamos um clássico exemplo da justeza, do acerto, da criação, obra que, para além de conjecturas, do domínio das crenças, não enchergamos, com certezas, o porquê(?) e por quem(?). É assim e talvez por essa razão, que as vacas, os cavalos, os burros e, no limite, os elefantes (bem como os respectivos cônjuges) não têm asas e não voam. Pois, se tal acontecesse estaríamos sujeitos aos acasos dos seus “apetites” intestinais, apanhando com as respectivas poias, à laia de prendas ao contrário, acertando, aleatoriamente, nos “sortudos” passantes, com “prémios” de valor quantitativo diferenciado, como acontece no euromilhões (sendo o do elefante o “jackpot”). Também não terá sido, talvez, obra do acaso, por essa mesma razão, que sendo a avestruz sem dúvida uma ave, esta apenas corre, mas não cruza os céus terrestres voando e, consequente e arbirtariamente, obrando.
Cá por mim, bem me recordo, quando, criança era, indo em passeio com meu saudoso pai e de ser atingido por um “míssil”, na cara, proveniente de um pombo ou de uma ave de idêntico porte; e de meu pai, não tendo identificado a proveniência da “prenda”, ter-lhe sacado, com o dedo, um naco para, através do sentido do olfato, claramente a identificar. Sentenciando, de seguida, que era caca de pombo. Recordo-me, igualmente, de haver, a quando, também, da minha meninice e juventude, o hábito de ir toda a cidade, de Caldas, passear, ao Domingo, para o parque; e de haver um jovem cavalheiro, muito charmoso, envergando o seu impecável casaco de linho branco e que, calcorreando o principal picadeiro de cima abaixo, na tentativa de se agradar às catraias, ser “presenteado”, bem no centro dos alvos costados, com um tal “míssil” columbófilo; e de (pasme o leitor), em vez de agradecer a “oferta”, ter rogado à avezinha pragas e coriscos, bem como à família da dita; logicamente daquele incidente, de todo, inocente.
Mas deixemo-nos de irónicas conclusões, quanto à reacção dos passantes, objecto das “prendas” e vamos ao essencial do que com os leitores quero partilhar. Estando, agora, a passar por um mau momento da minha vida particular, pelo facto de ter duas jovens cadelas com o cio e de os dois cães, comigo também residentes, estarem desertinhos por usufruírem das delícias do amor, mas eu, forçosamente, o ter de evitar, por causa do aumento da “família” (nem sequer beneficiando do abono que, dessa natureza, para humanos há), dei comigo a pensar no caso do fenómeno do cio poder ser humano também.
O leitor mais desprevenido não imagina, certamente, as terríveis consequências que um tal facto teria no nosso viver social. A estrutura social humana seria outra, completamente diferente. E nem sequer sei se a civilização, neste seu grau de desenvolvimento, teria existido. Mas vamos imaginar que não seria assim tão diferente. Teríamos, então e, por exemplo, num edifício com vários a andares, a seguinte situação:
- Olhem (diria um dos homens para os outros) a vizinha do 8º. Esquerdo está com o cio !
Imagine, pois, o leitor o corrupio, escada abaixo, escada acima ou quando ela à rua saísse a confusão que não seria!…
De facto, reconheçamos, que seja lá a criação obra de quem quer que seja, mais transcendência, menos transcendência, esta obra tem alguma qualidade e limadas estão algumas arestas, mais ásperas e bicudas !…
Fernando António da Costa Rocha
P.S. – Não se veja na última ficção (relativa ao cio) um intuito ofensivo machista. O ser MULHER merece-me o máximo respeito. Pretendi apenas fazer humor, criando uma situação inverosímil e absurda.
26 Junho 2009
Sócrates está de rastos e bem o merece. Como “socialista” foi (é) uma falácia. A sua determinação foi só jogada contra os pobres e os humildes (não poderosos), porque contra os grandes interesses, Sócrates e todos os seus ministros, foram mais macios que a manteiga, ao Sol, num dia de Verão.
Como alternativa, os grandes interesses, que até aqui apoiavam Sócrates, viram-se de armas e bagagens para o regaço de Manuela Ferreira Leite (a “SANTA VIRGEM PADROEIRA DOS FALIDOS”, como em tempos lhe chamei.
Quem acompanha os meus escritos neste site/blog (e não só) sabe bem que não é de agora que tenho esta Senhora “debaixo de olho” porque, politicamente, bem conheço. Conheço-a, como sindicalista e dirigente local de Finanças, desde os seus tempos de Secretária de Estado do Orçamento, onde praticou uma arrogante política de desastre (tal como Sócrates contra os mais humildes) e em que ia, se a estrela do Cavaquismo não empalidecesse, colocando a Direcção-Geral de Impostos e as Tesourarias da Fazenda Pública à beira da insolvência, com os célebres “disponíveis” (cerca de 3500 na DGCI e mais de 1000 nas Tesourarias).
(De resto, tal como Rodrigues Porto, o maior desastre de todos os tempos, como Director-Geral dos Impostos (um quadro do PSD), esta Senhora bem pode “limpar a mão à parede”, com a herança que como Sec. Est. do Orçamento deixou. Que o digam os funcionários dos Impostos e muitos dos mais categorizados especialistas em assuntos fiscais; a não ser que já se tenham “esquecido” do que, na altura (1992/93), dela disseram.)
Depois, como Ministra da Educação, ainda pela mão de Cavaco Silva, foi outro desastre. Que o digam os professores e outros especialistas em Educação. E foi nessa qualidade que esta senhora mais puxou dos seus galões como DAMA DE FERRO, pois sem dó nem piedade, com os mais humildes trabalhadores das Escolas, operou o maior despedimento colectivo de que há memória em Portugal (cerca de 10.000 trabalhadores auxiliares).
Finalmente, como Ministra das Finanças do “Cherne” (Durão Barroso, foragido por indecente e má figura, como primeiro ministro, para o seu gabinete dourado de Bruxelas, na UE), ostenta no seu currículo a célebre operação da titularização dos créditos fiscais (venda ao desbarato de milhões, que valiam milhões, de execuções fiscais, a um banqueiro árabe, dono de um poderoso grupo bancário e a quem chamei o banqueiro das Arábias, que mais enriqueceu, com o negócio ruinoso, para o Estado e o povo português, que a “Manelinha” e o “Cherne” lhe ofereceram.
Se o “bom povo português” a M. Ferreira Leite, lá para o Outono, desse a maioria, bem poderíamos dizer, com toda a propriedade:
De Sócrates à Manuela
Ai Portugal, Portugal !
Com ele e com ela
De desastre em desastre
Até ao desastre final !…
“Vade retro Satana(!)”,
Que nos poupem tão triste sorte
Valha-nos o Francisco Louçã
Para nos safar da negra morte !
Fernando António da Costa Rocha
24 Junho 2009
Desde Abril deste ano que participo no programa “CONVERSAS CRUZADAS”, da Rádio Litoral Oeste, sediada em Óbidos. Foi o seu Director José Manuel Paz, que me convidou para, na qualidade de activista do Bloco de Esquerda, participar neste programa, em conjunto com outros quatro comentadores dos restantes partidos representados na Assembleia da República. São eles o Engº. Capinha, do PSD, deputado municipal em Óbidos; O Engº. José Machado, vereador daquele município, pelo PS; O Sr. Eugénio activista, em óbidos, da CDU/PCP; o Braz Teixeira, activista do CDS/PP, igualmente activista neste concelho; e claro, eu próprio, pelo BE. A moderação do programa cabe ao radialista Sr. João Paulo, penso que natural e residente no Bombarral, que, para além de ser um homem de uma grande simpatia, é um excelente profissional, que sabe tirar partido do melhor que todos temos para transmitir aos ouvintes.
O programa na banda 91 FM, que, em directo, vai para o ar aos sábados (com repetição às Segundas-feiras das 22 às 24 e que pode ser escutado, também, na net e ouvido, em qualquer altura, também por esse meio) tem sido, para mim, uma experiência única e muito gratificante. Permitiu-me inclusivé conhecer melhor o Engº. José Machado, que é já um amigo e que tem feito o favor de me levar até Óbidos, todos os sábados, uma vez que só penso tirar a carta de condução automóvel para a “próxima encarnação” (ou seja morrer, voltar a nascer e quando deixar de ser menino e passar a mancebo, então, tirar a dita cuja, que, na altura, poderá ter mais valências e potencialidades, como seja, por exemplo, a de um foguete alojado nos costados, para fugir às bichas, com o devido respeito e bem entendido, de trânsito). Mas mesmo com todos os outros participantes tenho tido um convívio muito gratificante e amistoso.
Independentemente das ideias que cada um defende e das “picardias”, benévolas, que são inerentes a um debate, tratamo-nos cordialmente e até com estima. As conversas que por vezes cruzo com o Braz Teixeira (CDS), pela diferença de posturas que temos, são por vezes mais azedas (mas sempre com respeito) e são, para mim, até muito estimulantes. Permitem-me confrontar-me com quem diverge, em muitos conceitos e filosofias, de mim e obrigam-me (essas conversas cruzadas) a afirmar, precisando melhor, as minhas crenças e convicções. Nalgumas ocasiões, até, dão-me ensejo para usar alguma ironia e humor.
Só não escrevi há mais tempo sobre esta experiência, com algo de fascinante, que têm sido estas “conversas cruzadas” e toda a sua envolvência, porque tenho andado super ocupado com a candidatura do Bloco à Câmara das Caldas. Tal facto tem, quanto à minha participação no programa, vantagens e inconvenientes. As vantagens são que sendo – Caldas e Óbidos – dois municípios demasiado vizinhos, muitos do seu problemas são comuns. Partilhando, ambos, por exemplo, uma das melhores joias do nosso petrimónio natural, que é a Lagoa de Óbidos, que é um pequeno mundo, muito específico, frágil e complexo, mas fascinante, por tudo o que nela e dela vive, para além das suas imensas potencialidades por explorar, sem estragar, bem entendido, o que nem sempre ou poucas vezes tem, infelizmente, acontecido. Os inconvenientes de estar muito envolvido politicamente, nas Caldas, são a deficiente preparação nalguns temas, em que gostaria de estar melhor preparado, por uma questão de exigência, muito minha. Mas penso que se, para mim, a participação, no programa, tem sido muito positiva, porque enriquecedora, para o auditório, passe a imodéstia, não terei sido uma decepcção.
Provavelmente voltarei, em posteriores artigos ao “CONVERSAS CRUZADAS”. Por ora fico-me por aqui, saudando participantes, ouvintes e a Rádio Litoral Oeste, que já me tornou, como homem e activista cívico-político, mais rico.
Fernando Rocha
22 Junho 2009
Num recente debate Parlamentar, o deputado bloquista, Luís Fazenda, com um enorme sentido de humor, “encheu-me as medidas”, ao chamar ao debate sobre o TGV, num despique que já cansa, dizendo que o “duelo verbal entre PS e PSD parece que é o DEBATE ENTRE A ALTA VELOCIDADE E O GRANDE VAGAR”.
Ora nós por cá pelo Oeste (com um dos seus centros nesta minha terra de Caldas) somos o máximo paradigma desse “grande vagar”, que se move sobre carris e que cruza de uma ponta a outra a região oestina. Das Caldas a Lisboa ou vice-versa demoramos mais de duas horas de cansativa e incómoda viagem (em comboios à boa maneira do terceiro mundo); isto quando azares não há e os horários se cumprem. Assim sendo, em vez do antigo “lá vai água”, anterior, em Portugal, aos esgotos enterrados no subsolo, lá vai poema:
Bom companheiro, amigo e camarada
Deputado Luís Fazenda de tua graça
Os nossos parabéns pela descoberta
Que nada tem de charada
E que às mil maneiras na nossa linha
se encaixa.
Com o grande vagar que por cá se usa
Nesta ferrovia bem oestina
Nesta nossa Linha por demais Lusa;
Em que tal como a lâmpada estaria
para a lamparina,
E o comboio se orquestra seria
Pouco mais soaria que uma semifusa.
E com esta velocidade do grande vagar
Que cá pelo Oeste se pratica
Queremos que o “centrão” se vá catar
Porque responsável é e não se retrata !…
Perante um povo farto e cansado
Em luta pela modernização da Linha
E de promessa e jura tanta,
Deste comboio do vagar passado,
Que faz que anda mas não anda,
Recebe parabéns pelo mote dado
Caro camarada Fazenda.
Fernando Rocha
20 Junho 2009
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