Arquivo de Fevereiro, 2009
Nesta altura em que decorre o CONGRESSO DO PS, que de Congresso só tem o nome, pois, é um Comício/Plebiscito para entronizar o chefe Sócrates, em que a oposição é quase nula, porque o partido está no bolso ou à trela do “filósofo”, como se um animal doméstico fosse, é oportuno falar da “campanha negra”, já que a oposição interna existe mal ou está ausente.
( Manuel Alegre faz bem em não aparecer naquela fantochada, bem encenada, para televisão vender, de acordo com o guião que o aparelho socrático montou e Fonseca Ferreira, com quem, no PS, noutra “encarnação” trabalhei, devia de compreender que a sua luta é por demais quixotesca e nem sequer pelo aparelho do partido, dito das “liberdades”, tolerada; e, finalmente o, também meu amigo, Professor António Brotas, não se devia prestar a uma pseudo intervenção, que por não ter expressão mínima, no interior do partido, cai no ridículo; ambas, todavia, provam que a pluralidade no PS é neste momento inexistente; o PS tem uma liderança ditatorial, não formal, mas informal, até por ter uns Estatutos que, já no meu tempo tinha, com os seus pesadíssimos procedimentos regulamentares, que foram feitos para negar, na prática, a democracia de funcionamento. )
Mas vamos à “campanha negra“:
NEGRA, NEGRA, com ou sem “CAMPANHA” (e “com” é preciso que Sócrates e os seus “boys” digam como ?) é toda esta história. Uma história deplorável, que por mais que queiramos acreditar na inocência dos principais suspeitos do caso Freeport (com Sócrates bem incluído), cheira a esturro, que, por sinal, também é negro. História que se junta a um imenso rol de histórias, onde, quer se queira, quer não, este Primeiro Ministro sai mal, em todas as fotografias.
A mais recentemente badalada, com alguns novos detalhes, divulgados na TVI, é a história do tratamento dos lixos, na Cova da Beira. Nessa história, o meu conhecido António José Morais (conhecido da tal outra “encarnação”, quando passei pelo PS) e que é, também, o “catedrático”, que ensinou e facilitou quatro cadeiras ao “Engenheiro Sócrates”, é (o Morais) o testa de ferro e vai, agora, a julgamento. Nesta história Sócrates não é mero figurante e, então, impõe-se uma pergunta:
Sendo o “facilitador” do “negócio” (de pagamentos com irregularidades) o Ministério do Ambiente, do tempo de Sócrates, será, este caso, mais um episódio da dita cuja “campanha negra” ? Ou está é tudo muito escuro (NEGRO ou cinzento), desejando-se que ficasse claro ?
O País queria (impõe) um carácter e um perfil claro, limpo, para o actual inquilino do Palácio de S. Bento, que tem apenas nome de filósofo, mas que no entender do Professor Marcelo R. de Sousa, é, no mínimo, um “Chico esperto”, que (digo eu) chegou, também, com esse “mérito” a Primeiro Ministro.
Fernando A. C. Rocha
28 Fevereiro 2009
O sítio onde trabalhei mais tempo foi no Tribunal Tributário de Lisboa, na Rua Braancamp, ao Marquês. Tenho muitas memórias desse sítio e desse local de trabalho, pelas mais variadas razões, das quais destacarei o convívio com os colegas dos vários Juízos desse Tribunal e, também, a importância estratégica, em termos de aparelho de Estado e de receitas, para este, daquele serviço. Ainda fazendo jus a essa importância estratégica, registo que a manchete do jornal “Público” de ontem (dia 25 de Fevereiro deste ano da graça e da desgraça, da crise) diz que “CADA JUÍZ DOS TRIBUNAIS FISCAIS TEM 1300 PROCESSOS PARA RESOLVER” e que “o valor dos 38 mil processos pendentes será superior a 13 mil milhões de euros”.
Já agora que falo do Tribunal, antes de ir à história da “Picha”, propriamente dita, permita-se-me que diga que o serviço do Tribunal Tributário e dos antigos Tribunais Auxiliares que funcionam nas Repartições de Finanças (agora chamadas de Serviços de Finanças), compreendendo e dependendo ambos de um necessário serviço externo e de funcionários que deveriam ter uma especialização nesse tipo de serviços, sempre foram (e devem continuar a ser) o “parente pobre” dos serviços fiscais, por razões que a minha razão poderia não conhecer, mas com o calo no dito cujo (ao fim das costas) que tenho, verdadeiramente, julga conhecer. A razão do desprezo a que estes serviços sempre foram votados prende-se com alguns “negócios” (leia-se ilícitos) que alguns funcionários (sobretudo dirigentes) queriam e, certamente (ainda que menos, admito) querem, à conta daqueles processos, fazer. Se quizerem, um dia explico tudo isto tim tim por tim tim, por ora façamos ponto final parágrafo.
Mas vamos às “estórias” e à da PICHA, em particular. Começarei por dizer que se as paredes do velho BAR, no 6º. andar, daquele velho edifício, falassem, teriam muitas histórias para contar, porque era sobretudo lá que, à volta de uma bica ou de uma “bjeca” (leia-se cerveja), com ou sem acompanhamento, se faziam os diversos pontos das diversíssimas situações, de um edifício, onde, nos anos setenta a noventa, do outro século, trabalhavam cerca de trezentos “melros” (machos e fêmeas, comigo incluído). Jamais poderei esquecer o castiço Juízo do Guedes, que também foi do sr. Rede e que tinha como mais emblemático funcionário o Mesquita, um homem que errou a vocação pois daria um excelente comediante, por demais cómico e fabuloso a fazer fitas, não de cinema, mas do seu quotidiano e dos que tinham o privilégio de com ele conviver. Não resisto a contar uma história em que o Mesquita, integrando a equipa de futebol do Tribunal (que entrava nos campeonatos com outros serviços de Finanças de todo o País), dando-lhe, num certo jogo, vontade de fazer có-có (para ser leve no substantivo) substantivou a coisa, a situação, em pleno campo, com a partida a decorrer, perante um misto de pasmo e de risota de jogadores e bancadas. Se não é exactamente assim (eu a esta não tive o privilégio de assistir) corrijam-me, nos comentários que a este artigo poderão ser feitos.
Mas vamos à “Picha” (com letra grande reparem, que nestas coisas, até porque vivo e sou das Caldas, a capital do c……., sou muito preciso).
Como alguns dos que lerem estas linhas saberão, eu trabalhava no 6º Juizo, que tinha como senhora da limpeza, uma senhora que era natural (ou ela ou o marido) de uma aldeia do concelho de Pedrógão Grande, que tinha e tem o curioso e hilariante nome de “PICHA”. E então ela, a D. Rosa (isto pelos idos anos oitenta do passado século), contava, que quando (ela e outros “emigrados”, para Lisboa, sobretudo) se deslocava à terra comentava ou os outros comentavam com ela: ”ai vizinho(a) a nossa “Picha” está tão grande”, desenvolvida e alguns respondiam que a tendência era para continuar a crescer.
Esta história veio-me à lembrança porque, por mero acaso, há pouco, fui à “net”, através do google, ver “histórias” (juro que não fui ver “picha(s)”) e lá apareceu-me uma história, da rádio TSF, da “Picha”. Nessa “história” soube que, talvez por via da crise, a “Picha” não continua a crescer. Agora tem só 24 habitantes, mas que tem ainda uma associação, que se denomina “Associação de Melhoramentos da Picha” e que há tempos um habitante um pouco farto com o nome jocoso da sua terra, lhe quiz mudar o nome para “PÉNIS”. Nessa reportagem, também, se pode ouvir, que dada a falta de população, a terra está com muita falta de animação, ”já ninguém quer fazer festas na ‘Picha’ “.
Fernando A. C. Rocha
26 Fevereiro 2009
Em artigo(s) anteriore(s) pode consultar um GUIA DE LEITURA, onde se enunciam e anunciam os artigos imediatamente anteriores. Boas leituras
Fernando Rocha
25 Fevereiro 2009
Vendo o importante artigo (que recomendo) de FONSECA FERREIRA, no “Público” de 25-2-09, sob o título “PS: OS PERIGOS DO UNANIMISMO OU O MEDO DE EXISTIR”, lembrei-me dos meus tempos no PS e de algumas “estórias”, que lá vivi, de 1991 a 1999, algumas das quais ilustram bem o que é, não a força do PS (dito no passado partido das liberdades), mas antes a sua fraqueza ou sejam os seus pés de barro e que, na actualidade, dito rimando poderá ser:
Com Sócrates a liberdade / No dito “socialista” PS / É uma realidade / Que dia a dia apodrece !
Poderia considerar-se, que eu, que abandonei o PS, em 1999, quando integrava a sua Comissão Política Concelhia de Lisboa, eleito numa lista precisamente de Fonseca Ferreira, não teria “moral” para fazer qualquer crítica à sua vida política interna. De facto, não teria se o PS fosse algo que não importasse na vida do meu País e dos seus cidadãos, mas, como é o contrário disso que se passa, tenho (e até tenho essa obrigação, por razões de pedagogia cívico-política). O PS é hoje, como no meu tempo já era, o principal sustentáculo do nosso sistema político e o partido que nos governa e, por conseguinte, a minha crítica faz todo o sentido, na exacta medida em que a sua influência, no presente e no futuro, para Portugal e para os portugueses, é decisiva.
Num artigo que escrevi recentemente, com o título “O PAÍS FREEPORT”, faço um pequeno retrato das malfeitorias do “sistema”, de que o PS é um dos fundadores, no pior dos sentidos, ou seja no de contribuir para coveiro da democracia. O PS reproduz, como o seu irmão gêmeo soube, também, fazer, nos tempos do ESTADO LARANJA, de CAVACO, a casta de “boys” e “girls”, de que Guterres se queixava e que com os “ESTADOS GERAIS”, quiz contornar ( trata-se de espécimes que, sobretudo, estão na política para dela se servirem e não para, com nobreza, dedicação e ideais, a servirem; a política, para essa gente, ou é emprego bem pago e com muita mordomia ou é negócio, ponto final ).
No PS trabalhei, a tempos espaçados, com dois grandes militantes, muito generosos, que (lamento dizê-lo) continuam como que a tentar fazer passar um elefante pelo buraco de uma agulha. São eles ANTÓNIO BROTAS e FONSECA FERREIRA, precisamente aqueles, que, com grande coerência (há que o reconhecer) continuam a tentar dar ao PS, em termos de vida interna, algum sentido de pluralidade, contra o unanimismo socrático, por demais balofo e de certo modo bacoco.
Com o meu amigo, Professor António Brotas (ilustríssimo ex-catedrático do Instituto Superior Técnico), candidatei-me à FAUL (Federação da Área Urbana de Lisboa) e passo a contar uma bem demonstrativa história do que é o “amor” à pluralidade e à própria liberdade, dos senhores donos do “aparelho”. Depois de apresentada a candidatura, o meu camarada e Professor António Brotas, resolveu pedir na sede da Federação, para os lados do Jardim de S. Pedro de Alcântara, uma sala para que a candidatura pudesse funcionar. Assim um belo dia, como resposta à solicitação do Professor, eu e um grupo de militantes, nessa causa empenhados, deixámos o grande salão, meio abarracado, da Secção da Almirante Reis e dirigimo-nos para a FAUL. Depois de lá termos perguntado qual a sala que nos havia sido destinada, somos confrontados com a insólita situação de que jamais me esquecerei e que consistiu em nos ter sido destinada uma sala sem um único móvel. Nem uma estante ou mesmo uma simples cadeira. Ficámos perplexos.
O Professor Brotas, todavia, bem tarimbado nestas afrontas dos “donos” do partido, não se mostrou surpreendido e, com toda a naturalidade proclamou: - Não há problema ! - Primeiro tirou o casaco e pô-lo no chão, já que estava calor e depois, ripando da enorme pilha de folhas de papel que transpotávamos em sacos de plástico e que eram as fotocópias do nosso programa para distribuir aos militantes, nas diversas Secções, que vinham agrupados pelas mais de 20 folhas, que, pelo professor, foram espalhadas no chão, junto à parede e, mais uma vez, proclamou, como se nada de anormal se passasse: – Vamos ao trabalho que se faz tarde ! – E de imediato, seguindo-o, todos, de rabo quase para o ar, lá começámos a fazer os cadernos, para, depois, os agrafarmos, também, no chão !
Por hoje fico-me por aqui, mas conto em breve voltar a análogas “SOCIALISTAS” HISTÓRIAS !…
Fernando António da Costa Rocha
25 Fevereiro 2009
“A minha alma está parva”, um corrupto foi condenado, no País dos corruptos !…
Falo como é evidente do desiderato do caso BRAGAPARQUES, de Domingos Névoa (não sei se é com um “o” ou um “u”, o que para o caso não importa, e seja a névoa com uma ou outra letra, o nome diz mesmo com a personagem, bem nebulosa), que tentou corromper JOSÉ SÁ FERNANDES, o vereador da Câmara Municipal de Lisboa. Mas a “minha alma está parva” de facto e de direito ! FEZ-SE JUSTIÇA: O corrupto criminoso foi condenado a pagar a fabulosa quantia de 5.000 Euros, uma fortuna ! …
Dispenso-me de grandes considerações para justificar, tudo o que anteriormente escrevi, como ironia. Ironia magoada de quem começa a ter dúvidas se o nosso Estado é, de facto, formado por uma maioria de pessoas de bem. Com este tipo de atitudes o Estado (pessoa colectiva) não é pessoa de bem, nem de Direito, porque o Direito, em Portugal, aparenta estar torto. No caso em apreço é certo que houve uma condenação, mas essa é ridícula ou talvez seja brincadeira de Carnaval, porque é parida na segunda-feira de entrudo.
A treta da diferença enrtre corrupção para acto ilícito ou lícito, parece mesmo uma treta !
Estou, como não poderia deixar de ser, bem acompanhado pela Drª. Maria José Morgado, quando no “Correio da Manhã”, de 23/2/09, diz que a distinção entre acto lícito e ilícito “não faz sentido”, num artigo com o título, que a tudo isto assenta como uma luva, quando diz que “AS LEIS FAVORECEM A CORRUPÇÃO”.
Ao colocar-se a dúvida, no caso Freeport, se o acto de corromper foi para acto lícito ou ilícito, advinha-se o que vai dar, tanto mais que o prazo de prescrição para acto ilícito é até 10 anos e para lícito o prazo é metade. Dizer mais (?), para quê ? Está tudo dito e bendito. BENDITA CORRUPÇÃO E CORRUPTOS (TODOS) AO PODER, PARA NÃO HAVER MAIS EQUÍVOCOS !…
Fernando António da Costa Rocha
24 Fevereiro 2009
Artigo Anterior