Arquivo de Dezembro, 2008

As faianças BORDALO PINHEIRO, as Caldas, este Mundo e este tempo

Se o encerramento da SECLA, para além da desgraça que é o fecho de uma unidade fabril (com todas as suas consequências, sobretudo as laborais), foi um grande trauma para as Caldas da Rainha, pela história e pujança de outrora daquela fábrica, o caso que, analogamente, acontece, agora, com a “Bordalo Pinheiro” é, do ponto de vista simbólico, bem mais grave. E isto porque o encerramento destas faianças constitui um profundo golpe na identidade caldense, que, também, atinge um dos mais fortes traços da identidade nacional.

Não é por acaso que o jornal “24 Horas”, de hoje, faz manchete com o tema, dizendo que nem o nosso simbólico “Zé Povinho” escapa à voragem do mercantilismo neo-liberal.  E anote-se que, o “Zé Povinho”, não é só uma marca de Caldas, sendo, bem mais do que isso, talvez mesmo, a nossa mais importante marca nacional, contendo todo o simbolismo da nossa identidade popular.

De facto, com a morte anunciada das Faianças Bordalo Pinheiro, o nosso “Zé Povinho, fica gravemente enfermo e, como caldenses e portugueses, não o podemos deixar morrer, tornando as peças existentes uma raridade artística e histórica; e isto, também, sob pena de morrer um bocado de nós, com a morte dele.

Numa altura em que, sem uma boa justificação, se salva um Banco, destinado a gerir fortunas, é obsceno não salvar a “Bordalo” e, não a salvando, trair e “matar” o “Zé Povinho”.

As leis do mercado não podem sobrepôr-se ao Homem, aos seus princípios e valores.  Esta degenerescência civilizacional, em que a economia (mais ou menos macro) faz, paradoxalmente, da política uma sua disciplina, é uma colossal subversão de valores, que, para além de condenar uma grande parte da Humanidade à carência e à miséria, a faz quase regredir à lei da selva, à época troglodita, tornando-nos apenas (quiçá) alguns poucos graus acima dos hominídeos  (uns cavernícolas algo pensantes, mas desprovidos de sentido humanista). 

O “ZÉ POVINHO”, COMO FIGURA VIVA, POR BORDALO IDEALIZADA, FAZ UM GRANDE “TOMA” A ESTA “MODERNIDADE” MERCANTIL, CRUEL E DESMIOLADA.

                                                              FERNANDO ROCHA

Adicionar comentário 24 Dezembro 2008

CALDAS GLOSADA PELO FALO

Caldas é Rainha
Com toda a propriedade,
Caldas é terra minha
Caldas é minha cidade
E foi nas Caldas que nasceu
Aquilo que por excelência é seu.

Por isso mais que famosa
  Por esse Mundo além,
Porque Caldas é dele capital
Porque Caldas é que detem
Essa carência de Portugal 
Que outra terra não tem.

E embora fazendo rir
E no murcho estado não preste
Não deixa a Previdência falir
Embora só bem hirto lhe baste

Não sendo nossa divisa
E muito menos emblema
É um nosso genuíno trabalho
E fabricá-lo é muita honra
Para a capital do c……….

Sendo de Caldas produto
É mais-valia de Portugal
É um salvo-conduto
É um produto imortal

Viva esta cidade
Que à luz o deu
E a mão da liberdade
Que com amor o pariu

F.Rocha

Adicionar comentário 24 Dezembro 2008

A CORRUPÇÃO É A “MÃE”/MADRASTA DE TODOS OS NOSSOS MALES (Para o País, para o povo e para a democracia)

Já o disse variadíssimas vezes e não me canso de o repetir. A corrupção é, sem dúvida, o nosso maior “calcanhar de Aquiles” e razão principal do nosso regresso ao subdesenvolvimento.  Quase se poderia dizer, que, esta autêntica desgraça Lusa, manda mais que quem manda, quando não se confunde com o mando. A resistência do Poder (há cerca de um ano) às propostas de Cravinho (um dos nossos “D. Quixotes” na luta contra a corrupção) significa isso mesmo ou seja, a pura e simples recusa do Poder a esse combate.

Pouco ou nada do que em Portugal acontece, em termos de decisão política ou macro financeiro-económica, escapa aos tentáculos do “polvo”.

Se no Mundo (no Mundo capitalista, que temos) o cheiro a podridão é enorme, essa podridão, em Portugal, em termos de corrupção, empesta.  E os quase infindáveis exemplos aí estão, a gritar-nos essa realidade:

- “Operação Furacão”, que eu já disse, que tirando o “caso BPN”, se irá transformar numa aragem;

O “caso BPN”, de que neste blog abundantemente falo e que bem mostra a promiscuidade da política (do Poder) com os negócios e vice-versa;   Onde o “maestro” das vigarices (o O. Costa) foi o homem do Governo e do Cavaco nos “Impostos” e por lá “fez escola”, como bem se vê (que o diga a Drª. Mª. José Morgado !…) ;

- Os impunes casos do Fisco de 2000/2001 (ou quase, tirando o Canas e o Lima, de categoria profissional menor), em que “melros” Directores do Fisco, com todas as superiores cumplicidades, “roubaram à fartazana” e a rir se ficaram (veja-se os casos “Beltrónica”, “Pão de Açúcar, os “amanhanços” feitos à sociedade com as leiloeiras, etc., etc.);

- Os indícios de forte “manhoseira” no caso do alargamento do Porto de Lisboa, com bónus”, por via governamental, à Mota Engil, do “Coelhone”;

- Etc., etc. (para vos poupar a paciência, a náusea e a tinta).

Mais recentemente anotámos, através do “Correio da manhã” que foi descoberto mais um buraco de 55 milhões no BPN, porque “uma cerâmica de Aveiro de instalações abarracadas estava destinada a exportar para o mundo árabe um tipo de mosaico especial, com revestimento a ouro, platina e pedras preciosas”. Com razão, o jornalista Eduardo Dâmaso pergunta se o buraco no BPN não irá chegar aos 2000 milhões de euros ?    Que, digo-vos eu, nos será facturado, através de mais”apertos no cinto” e impostos.

Enquanto isto os Jornais dizem-nos que o Sindicalista dos Magistradosdo Ministério Público – António Cluny – disse que a nossa justiça não está preparada para perseguir infractores poderosos (já disso há muito desconfiávamos !…). 

Dizem-nos, também, os meios de Comunicação Social que o advogado de Manuel Abrantes estranha que Catalina Pestana    (a antiga Provedora da Casa Pia, que há muitos anos conheci na UDP, onde já tinha aquela característica voz forte, mas que funcionava, como bem se vê, “noutro comprimento deonda”)   guardou e não revelou um documento, com origem no braço direito do “Bibi”, da Casa Pia, que inculpava gente da direita, designadamente um ex-Ministro do CDS.   Já sabíamos que o caso “Casa Pia”, tinha contornos muito nebulosos e que, em parte, alegadamente, foi montado para “arrumar” o Ferro Rodrigues e que, de Justiça, muito deixa e deixará a desejar.    Queríamos justiça, não só para os pedófilos, mas também para quem o processo  manipulou,  mas aí,  já sabemos, que por muito que o desejemos, muito provavelmente, “a  ver navios a passar” ficaremos …

Hoje no mesmo “CM” um insuspeito “apóstolo” anti “polvo”, Paulo Morais, que foi, por apóstolo desta desgraça ser, afastado da Vice-Presidência da Câmara do Porto, pelo PSD (não é um radical “esquerdista” como eu),  disse: “O PÂNTANO COMEÇOU COM CAVACO SILVA, CONTINUOU COM GUTERRES E OS ESTILHAÇOS ESTÃO A SURGIR” !…

         E pronto, por hoje chega, que o “estômago” começa a não aguentar tanta porcaria !…

                                                    Fernando Rocha

Adicionar comentário 22 Dezembro 2008

RENASCE A ESPERANÇA EM PORTUGAL !

Fixe-se o dia histórico de 14 de Dezembro de 2008, indo, também, ao encontro do político comunicador-mor do reino – Marcelo, que na RTP, ao Domingo, mesmo que nem sempre com ele concordando, não deixamos de ter gosto em ouvir.

O dia 14 de Dezembro, mesmo que a sua mais optimista promessa se não cumpra, é o dia que enceta um tempo novo, num Portugal cansado de ser maltratado, por políticos oportunistas e charlatães.  Foi no dia 14 de Dezembro, no Fórum das Esquerdas, que o nosso príncipe da poesia e da política encheu os nossos corações de esperança, com o seu coração de ouro. No essencial do seu discurso, Manuel Alegre disse estar disposto a ir mais além dos já muitos “avisos à navegação”, cheia de pirataria na costa, concrectizando que é urgente que surja uma alternativa de esquerda, concordante com as promessas de um Abril já distante, que os políticos trapaceiros hipotecaram à gula dos larápios de “cartola e colarinho branco”;  para quem até as crises são uma mais-valia, que lhes dá para encherem os seus alforges, à conta e por conta do povo, a quem, de forma vampiresca, sempre sugaram o sangue.

Alegre,  com Carvalho da Silva e Louçã, por perto, disse basta de aldrabice e regabofe e que a esperança a si própria se poderá ultrapassar, numa realidade a cumprir, para que Portugal não permaneça olhando manhãs de nevoeiro, à espera do fantasma de D. Sebastião, esperando, também, em vão, por um mítico Quinto Império de que, entre outros, falavam messianicamente o Pe. António Vieira e, mais modernamente, Fernando Pessoa e o Prof. Agostinho da Silva.  Ou, pior do que isso, ruminando desesperança, tédio e raiva, num futuro sem futuro para Portugal e para a maioria dos portugueses.

 Desde o 25 de Abril, nunca tão claro se viu, que este Poder é o Poder dos corruptos e oportunistas, que de direita ou de esquerda mascarados, desacreditam a democracia e se alinham sempre do lado de quem oprime e explora a maioria dos portugueses. A democracia, a social-democracia e o socialismo, da maioria desta gente, do centrão e adjacências, são como as postiças (ainda que lindas) cabeleiras, que, ao mais inofensivo golpe de vento, se levantam ou voam, deixando ao léu uma feia, quando não medonha, careca.

Mais do que nunca para que, em Portugal,  futuro haja, é precisa uma alternativa genuinamente de esquerda, para derrotar os seus travestis (socráticos e quejandos) que à direita serviram e servem.

                                                                Fernando Rocha

Adicionar comentário 20 Dezembro 2008

ASSEMBLEIA-GERAL DO “COFRE” OU A “DEMOCRACIA” DOS CACIQUES ?!…

Tal como previamente previsto e sem que a comunicação tenha chegado à casa da maioria dos associados (para possivelmente evitar votações indesejadas para o “patronato”), no passado dia 15 ocorreu a Assembleia-Geral do Cofre de Previdência dos Funcionários e Agentes do Estado (vulgo Cofre de Prev. do Ministério das Finanças), que, assim, sem surpresas, como a do passado ano ( que por duas vezes se regeitou o Orçamento, pela Direcção proposto, para 2008) aprovou-se o desconhecido, por quase todos, Orçamento, para o próximo ano de 2009. 

 A manhosa Direcção, liderada por Empina Moscas e acolitada pela Mesa, sob a liderança do Dr. Novais (Director Distrital de Finanças da mui nobre cidade Invicta e Distrito do Porto) resolveu, assim, não correr riscos de “chumbo” e, não fosse o “Diabo tecê-las”, não enviar a revista a tempo e horas, para os sócios, a convocar a Assembleia-Geral e a divulgar a sua “obra prima” de Orçamento – um documento de “contas certinhas”, como de costume, inserido em papel de luxo, mas que, bem vistas as coisas, pouco mais é que lixo, porque ignora, quase por completo, as legítimas aspirações e interesses da esmagadora maioria dos associados, passando ao lado, também, desta crise, que a humildes e à classe média, afecta, transformando a centenária instituição numa não barata colónia de férias e de lazer, para os mais indinheirados, a que se adiciona “uma política de apoio à velhice”, que não sendo de asilo, é para alguns uma perspectiva de exílio, porque no Alentejo profundo, terra do Sr. Presidente (Vila Fernando, de sua graça, o que para mim, confesso, por ermo, a caminho de Castela, seria uma desgraça).

Em traços largos e já que o “patronato” do nosso Cofre me acusa de longas intervenções, mas na acta da última Assembleia “me fez o favor” de me resumir ao osso, por alegada avaria da aparelhagem de gravação, para a acta, que só para mim se “avariou”, à acta, a “parir”, deste novo ”areópago”, me antecipo, transcrevendo para todo o “auditório” cibernético, nacos de prosa da minha intervenção, que, um pouco às apalpadelas (porque documento orçamental só ali vi), Orçamento zurziu;    e assim, no caminho, vindo de Caldas (a capital do barro) coligi umas frases, que depois completei com outros comentários, a uma apressada leitura, da dita cuja “obra prima”, da equipa Empina Moscas, avisando a “navegação” e muito em particular o timoneiro, que se tratava de uma prosa acutilante, mas não malcriada, donde quem atigido se sentir, que através da acta me processe, mas primeiro têm de me ouvir, em nome da liberdade”.

“Como de costume, este Orçamento de contas “certinhas” (entre comas, não se esqueça), como, também, as contas que lá para Março serão “paridas”, devem esconder muita trapaça”.

“Este é mais um número (para além dos números no folheto impressos), um número de um ilusionismo (meio aldrabão), feito para encobrir vergonhas de uma estratégia, que, a existir, existe para servir quem aqui “manda”, bem como parte de um aparelho, que se agacha a esse mando ou rasteja, aos pés da chantagem e dos chantagistas”.

“Em boa verdade não devíamos estar a discutir um Orçamento, mas antes o despedimento de quem, de regabofe em regabofe, gere esta instituição, como se quinta sua fosse”.

Depois “brindei”, também, o avaro Conselho Fiscal, em palavras escritas e ditas, “regozijando-me” com o seu redondo e parco, no verbo, parecer, que apenas um pouco mais que nada é.

Passando-se ao ponto das “INFORMAÇÕES”, informei que mandei todo o vasto e grave  ”material” que o jornal “Diabo” me pediu para comentar, para o Sr. Procurador-Geral da República, para os fins que se acharem por convenientes, chegados a esse jornal por mãos anónimas, de onde constam escrituras públicas e perguntas muito oportunas e que, melhor que eu, o meu ilustre  amigo, advogado Dr. Rolando Teixeira, muito bem comentou, inquirindo, também, a Direcção sobre escrituras com clausulas e valores rectificados, por adicionais escrituras, com aparência de “manobras”  (sobre esses documentos e perplexidades tenho neste blog muita informação).

Escusado será dizer que a mando de quem manda (alguns figurões) empurraram, para a Assembleia, um séquito vassalo, que, em grande parte, feita a votação “orçamentista”, “em retirada bateu”, cumprido que estava o frete.  Facto que comentado foi e que, numa desculpa esfarrapada, uma personagem da figuração, alegou ser apenas ida aos lavabos (presumindo-se, pelo não regresso, desse exército, para “braço no ar pôr”, que de maleita intestinal se trataria).

E, assim, presumindo “soltura”, com muita liberalidade, encerro este relato, que, também, em solta prosa escrevi, mas que, retrata, embora ironicamente, com alguma fidelidade, um arremedo de democracia, que pelo nosso malfadado “Cofre” se gasta e usa;   e que, em termos de seriedade, está, como a diarreia está para a dita dura.

                                                              Fernando A. C. Rocha (sócio 526555)

1 comentário 17 Dezembro 2008

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