Arquivo de Novembro, 2008

O caso “Beltrónica” e o BANCO EFISA (uma das possíveis “fábricas” de dinheiro sujo e de esquemas para a corrupção)

Há tempos um amigo, também, alvo de patifarias provenientes do “CASO BELTRÓNICA”, chamou-me a atenção para estar muito atento aos desenvolvimentos do escândalo BPN e, particularmente, a tudo o que se relacionasse com o BANCO EFISA, que tem como principal gestor um tal senhor, de origem oriental, mas tão português como eu (até aí tudo bem), que antecedeu Miguel Cadilhe na gestão do BPN  (depois da saída do detido Oliveira e Costa, cavaquista e ex-Secret. de Estado dos Assuntos Fiscais, especialista em perdões “à la carte”). Para que tudo bem claro fique, o tal senhor ex-administrador do BPN e principal rosto do BANCO EFISA chama-se ABDOOL VAKIL.

Ora nestes últimos dias as Televisões e os jornais tem dado particular atenção e divulgado investigações que envolvem o Banco Efisa numa imensidade de “esquemas”, que vão desde empréstimos ao Governo Regional da Madeira, de Jardim, a alegadas “operações” para “facilitar” concursos públicos estatais, em que, ao que parece, com a célebre Sociedade Lusa de Negócios (a tal que é mãe ou pai do pouco recomendável BPN e onde Dias Loureiro se enfiou até ao pescoço) “ajudou” na grande bronca do “SIRESP”, programa de “segurança”, que Daniel Sanches, como Ministro da Adm. Interna, quase de saída, pela queda do Governo de Santana Lopes, adquiriu, bem mais caro que outros programas da concorrência e aquisição que António Costa, como novo M.A.I., agora autarca de Lisboa, depois de muitas dúvidas, ratificou (vá lá saber-se porquê ?).

Alertado por toda esta esquemática indiciada de “pouco católica”, para não dizer fraudulenta, do Banco Efisa resolvi ir ao “baú” da papelada, que conservo, desde tempos de antanho e que se salvou de purgas “inquisitoriais” das mulheres que tenho tido e das empregadas, a dias e “zaca”, e cá está a redescoberta, “EUREKA” (!), para reavivar memórias e “dar os nomes aos bois” (ou às “bestas, se preferirem).

Assim, salvo erro, na segunda edição do célebre “BORDA D’ÁGUA (BDA) – O VERDADEIRO ALMANAQUE DAS FINANÇAS (o tal jornal “de caserna” da Dgci de 2000/2001, a que já por diversas vezes tenho feito referência) descobri, sobre a sua visão do caso “Beltrónica” o seguinte, que aliás consta, em anexo, na íntegra (cópia do original) num artigo, aqui publicado, em 26 de Março de 2006, intitulado, simplesmente, “O CASO ‘BELTRÓNICA’”. Dessa preciosa relíquia, já histórica, dos princípios do milénio, com relatos  de aventuras de alguns “mãozinhas leves” das finanças, extraio, com a devida vénea e respeito, o seguinte naco de prosa, que se segue:

- “Por falar em Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais – Dr. Rogério Fernandes Ferreira JR., BDA acabou por descobrir de onde é que vem a grande amizade que este membro do governo nutre pelo Director de Finanças da 2ª. Direcção de Finanças de Lisboa (Raul Castro).                                                                            Então, não é que o Secretário de Estado, mais conhecido desde os tempos da Católica, pelo “Gerinho do papazinho”, foi advogado e consultor da célebre empresa Beltrónica, até à data da nomeação para o governo. Até aqui, não há mal nenhum!

Porém, a bronca dá-se quando BDA, por escuta de RDIS, apurou que a Beltónica deixou de pagar milhões ao fisco nos últimos exercícios e sabem porquê ?                                                                                              Simplesmente, porque o Director de Finanças (Raul Castro) consultou o Tarot e antevendo a nomeação do “Rogérito J.R.” para o governo, permitiu com a colaboração do chefe de repartição do 8º bairro fiscal, que as respectivas liquidações caducassem. Mais uma vez, o erário público ficou a arder com milhões e os intervenientes com os alforges cheios !

Rogério Fernandes Ferreira J.R., presenteado com tal repasto, está disposto a satisfazer todos os caprichos do seu grande amigo, Raul Castro, tais como:  

            Renovar a Comissão de serviço desta “sumidade” por mais três anos, a partir do próximo ano, permitindo-lhe tachos e piqueniques à margem das suas funções de Director de Finanças.     

            Tráfego de influências com o sector do betão, turismo e bola e promessas de depuração dos seus rivais…  Enfim, o exemplo da promiscuidade que há entre dirigentes da Administração Pública e governantes!

Por falar em Beltrónica? BDA, constatou que esta empresa é cliente preferencial do afamado BANCO EFISA.  O que é perfeitamente normal!  No entanto, sabe-se à boca cheia que o Banco Efisa tem servido de plataforma para lavagens e transferências chorudas, quer para Londres, quer para “off-shores”, por parte de alguns Directores de Finanças e não só … António Silva Duque (Alibábá), ex-Director adjunto de Raul Castro que o diga !

Sabe-se que o Banco Efisa, para além de ter como accionista simbólico, um afamado político rosa já aposentado, tem como principais accionistas pessoas ligadas ao Islão, nomeadamente ao grande império Aga Kham, cuja fundação foi reconhecida à “socapa” pelo actual governo (Decreto-Lei 27/96, de 30.3 ) e goza escandalosamente de todas as isenções e benefícios fiscais previstos para as pessoas colectivas de utilidade pública (Decreto-Lei 337/97, de 24/12). Por isso não é inocente a operação de charme e candura que o Presidente do Efisa tem feito nos “media”.

Falando baixinho, que ninguém nos ouve!  A generosa Fundação Aga Khan, para além de financiamentos beneméritos que atribui a “grupelhos pacifistas” no Médio Oriente, também protege e alberga “good boys” que constam do cardápio de “amigos” do Tio Sam e do Sião.                                                                                           Sabe-se que esta “rapaziada pacífica”, no âmbito do projecto “Portugal for Lover’s”, vem retemperar forças em Vila Moura – a princesa encantada do Algarve. Chegam a residir no máximo 182 dias, coincidente com o período das amendoeiras em flor…                                                                                                                  Trata-se de um pequeno alerta que é feito ao Dr. Guilherme de Oliveira Martins e D. Judite, porque se isto chega aos ouvidos do “cowboy” Bush e da U.E., ainda vamos ter problemas da grossa!  Sabe-se da rebaldaria que existe nesta “Babilónia” e custa muito a crer que só haja quatro contas suspeitas na C.G.D. e de pequena monta. ”

Gostaram deste naco de prosa extraído do baú ?  Repararam que quase apetece chamar, verdadeiramente, sem jocosidade, ao “Borda D´Água”, este “VERDADEIRO ALMANAQUE DAS FINANÇAS”, um Órgão de Comunicação  Social, ainda que informal, adiantado mental, também sem sentido jocoso !  Isto é ou não estar em 2000 ou 2001, antecipadamente em relação ao caso (geral) BPN muito bem informado ?!…               Então não é que parece que tudo se liga e tudo, também, se vê mais claro?!  Beltrónica, Banco Efisa, BPN, lavagem de dinheiro, transferências chorudas, quer para Londres, quer para “off-shores”, também de Directores de Finanças (?!), Fundação Aga khan, insinuações muito claras de ligações ao terrorismo islâmico. Será que li e compreendi tudo bem ?!

                Fiquemos por aqui, com recomendações ao Ministério Público (à Justiça) e à Judiciária (a tal D. Judite) para reler esta papelada e quer para o caso BPN, quer para o caso Beltrónica e outros de corrupção nas Finanças, aguardando melhor prova, para irem, com cuidado, mas depressa, aos seus “baús”, porque as coisas mais claras se vão vendo e melhor tudo se liga.

                                Fernando Rocha                                        

                                                             

2 comentários 30 Novembro 2008

CAVACO E O BPN

Cavaco Silva é Presidente da República, mas esse facto não nos impede de o criticar, pelo que, como Presidente, faz ou não faz, bem como pelo que fez, quando Primeiro Ministro foi.  Em democracia não há (ou não devem haver) “rolhas” censórias, nem cidadãos acima e isentos de crítica.

Cavaco pode não ter nada a ver com o caso BPN organicamente.  Não é nem foi accionista; não tem nem teve empréstimos nesse Banco; é apenas depositante; e de todos estes factos sentiu obrigação de nos esclarecer. Acontece, todavia, que se Cavaco não tem nada, organicamente, a ver com o BPN, o mesmo não se pode dizer, relativa e categoricamente, com as principais figuras do BPN, ao longo da história desta instituição financeira.  Dessas principais figuras, que têm vindo a lume, de algum modo, ligadas a práticas escandalosas do BPN, é inequívoco que, em grande parte, devem a sua ascenção política e pública ao facto de terem integrado governos presididos por Cavaco.  Há, para além disso, um outro naipe de notáveis que, depois da Era governamental cavaquista, sendo governantes ou figuras proeminentes do PSD, estão, de alguma maneira ligados ao escândalo BPN ou em actos suspeitos de poderem ser criminalizáveis ou, simples e eticamente, condenáveis.  DAÍ QUE SE POSSA AFIRMAR QUE O BPN É UM BANCO MUITO LIGADO AO PSD (quase diria “made in” PSD) E, PARTICULARMENTE AO “CAVAQUISMO”.

Permito-me dizer (e explicarei porquê) que o “MONSTRO” FRAUDULENTO QUE DÁ PELO NOME DE BPN é um pouco filho de um CALDO DE CULTURA “CAVAQUISTA”.   Sendo para mim “cavaquismo” não uma doutrina política, ideológica ou academicamente sustentada, mas algo que tem a ver com aquilo a que chamou o “Estado laranja”, que consistia na preocupação da ocupação dos mais importantes lugares da Administração do Estado e mesmo da sociedade (em grande parte conseguida), por figuras, de uma maneira geral, com um cartão dessa cor no bolso  (o facto de, agora, o cartão ou as fidelidades, se prenderem com a cor rosa, cada vez mais desmaiada, porque “socrática”, não obsta à conclusão anterior).

Por mais que Cavaco se queira desprender da lama provocada pelo escândalo BPN não o conseguirá. O caso persegui-lo-á até ao fim do seu mandato e, de algum modo, será uma mancha (uma nódua, ainda que com uma culpa que a si  não pode ser, directamente, atirada).    Definitivamente o ”MONSTRO” BPN, não sendo filho seu, foi, de alguma maneira, pela sua teoria da “democracia de sucesso” (que muitos dos seus apaniguados leram como sucesso facilitista, sem grandes escrúpulos), pela “doutrina cavaquista”, também, de algum modo, alimentado.  E não me devo enganar ao dizer, que este caso BPN, a par com o caso ALVES DOS REIS, do princípio do século passado, é o maior escândalo e rombo na nossa economia, fraudulento, que vai ser pago pelos contribuintes. E Alves dos Reis era uma figura bem mais simpática e agradável que Oliveira e Costa, já conhecido pelos seus “perdões fiscais”, com motivações políticas (de financiamentos partidários ilícitos) ou não, servidos “à la carte”, a quando da sua passagem pela Secretaria de Estado dos Assuntos Fiscais. 

Já a questão da manutenção de Dias Loureiro como CONSELHEIRO DE ESTADO, indicado na sua quota, portanto de sua responsabilidade, é um outro escândalo, dentro do escândalo-maior, que o caso BPN é.

                                             ———————————–

PS – Permitam-me que sobre o grande envolvimento do ex-Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais OLIVEIRA E COSTA, vos diga que me senti muito mal, num Conselho Geral do STI, quando fazia parte da primeira Direcção Nacional, liderada por Severo de Almeida ( com quem sindical e pessoalmente pouco depois me vim a incompatibilizar) daquele meu sindicato, quando Oliveira e Costa lá apareceu, a convite da maioria da Direcção, salvo erro, em Aveiro. Tenho uma vaga ideia que aquela então personagem governamental, para além  de outras conversas, fez a rábula de homem que tinha vindo do nada.

E se digo que me senti mal foi porque nunca gostei daquela personagem política/tecnocrática, muito filha de uma certa  “claustrofobia democrática”, que então na sociedade portuguesa se sentia e vivia, com histórias como a da teoria do “oásis” de Braga de Macedo, ao leme das finanças ou da “democracia de sucesso”, montada pelo Estado Laranja, à conta dos muitos milhões que “choviam” da UE, que, em grande parte, iam sendo malbaratados por oportunistas e trafulhas (muitas das dificuldades que hoje vivemos, com um País economicamente quase inviável, deve-se a muito laxismo na aplicação desses fundos comunitários e outros que  se seguiram já com Guterres no Poder).

Finalmente, ainda que possa ter algo que pode ser considerado especulativo, não posso deixar de dizer que, na sequência do “25 de Abril” ( não tendo, como é óbvio, em conta o período da ditadura), foi com a ascensão do cavaquismo que eu, como profissional dos “Impostos”, em Lisboa, onde trabalhava, senti que a currupção ganhava um novo “élan” , uma outra face e até um certo descaramento. Não me esquecerei de ficar perplexo quando, numa acção de formação profissinal, ouvi pela primeira vez a substituição da palavra  “contribuintes” pela de “clientes”. Pode parecer inócuo, mas, em minha opinião, não o é e fazia parte de um caldo de cultura, onde, ainda que subrepticiamente, a corrupção estava presente.  Porque ao considerar um  cidadão pagador de impostos como um “cliente”, tal se fazia, sobretudo, para os grandes contribuintes e não para o contribuinte mais humilde (era aliás essa a prática de alguns figurões que, como dirigentes, recebiam os grandes contribuintes no gabinete  e não no lugar normal de atendimento); e porque o pretexto era um novo tipo de relacionamento com os contribuintes ( um “novo”,  pseudo markting” , disfarçado de relações públicas).  Outra coisa que jamais me esquecerei, enquanto dirigente sindical, foi ouvir da boca, de um deputado do PSD (não me recordando concretamente quem) que era preciso tirar as reclamações das fixações dos redimentos de IRC (antiga Contrib. Industrial) da esfera da competência dos Chefes de Repartição, para a dos Directores de Finanças.  Mais tarde percebi bem, na prática,  porquê:  Porque para alguns directores esssas fixações e a sua discussão, com algumas eventuais cumplicidades políticas, eram fontes de financiamento próprio  (e não quero discutir onde devem ser decididas as reclamações).  Concluindo:  a corrupção sempre existiu, mas foi  (pode ser coincidência) no tempo do “cavaquismo” que ela deu o salto em montantes e com a subida de patamar, na escala hierárquica de competência.  Os “perdões” de Oliveira e Costa fizeram escola, na “casa dos Impostos” e casos como o “Lanalgo”, o “Béltrónica”  ou o do ”Pão de Açúcar” aí estão para o atestar.  Talvez volte a desenvolver este tema, mas por ora fiquemos por aqui.

                                                                   Fernando Rocha

Adicionar comentário 25 Novembro 2008

A PROPÓSITO DO BPN (3): O BPN AFIGURA-SE CADA VEZ MAIS UM NINHO DE VIGARICES (DE CARTOLA) E QUIÇÁ DE VIGARISTAS

NESTE BLOG JÁ HÁ ALGUM TEMPO QUE TINHA ESTE BANCO DEBAIXO DE OLHO, EM ARTIGOS QUE SOBRE A OPERAÇÃO “FURACÃO” FUI ESCREVENDO. ASSIM QUE O ESCÂNDALO DA POSSÍVEL FALÊNCIA E CONSEQUENTE NACIONALIZAÇÃO ECLODIU, ESCREVI DOIS ARTIGOS, PARA QUE CHAMO A VOSSA PARTICULAR ATENÇÃO:
  – A PROPÓSITO DO BPN: ISTO ESTÁ DANDO O PEIDO MESTRE; (*)
  – A PROPÓSITO DO BPN (2): O CAVAQUISMO SOB SUSPEITA.
  (*) Eu sei que este título é brejeiro, mas destina-se a “dar no olho ao cibernauta.

Mas indo aos últimos desenvolvimentos do caso, para além de reafirmar, como V.P.Valente que este caso É UMA QUESTÃO DE ESTADO, como quase toda a gente já viu, penso que há UM SILÊNCIO QUE COMEÇA A FICAR ENSURDECEDOR E QUE É O DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA, não como tal, propriamente (embora não lhe ficasse mal que falasse, outro que fosse), mas como político, que teve toda esta gente, muito pouco recomendável, em Governos seus, com a agravante de manter Dias Loureiro como Conselheiro de Estado, calar-se é grave.

Por outro lado o PS com todas as cautelas em querer ver o caso não tratado politicamente, na Assembleia da República, nas Comissões, para audição de responsáveis e a sua cumplicidade com o “polícia” VITOR CONSTÂNCIO, que aparenta, de alguma maneira, ter fechado os olhos ao caso, para não dizer estar feito com os bandidos, é muito preocupante, afigurando-se que esta é apenas UMA DAS FÁBRICAS DE DINHEIRO SUJO DA POLÍTICA, CONLUIADA COM OS INTERESSES.  OUTRAS POR AÍ HAVERÃO e quem “telhados de vidro” tem…

Todos os dias os jornais vão trazendo mais pormenores escabrosos sobre altas figuras do CAVAQUISMO e do PSD, em negócios com esta vigarice debanco, negócios bastante suspeitos. Muita desta gente, sem vergonha que chegou à política “com uma mão à frente e outra atrás” e agora tem fortunas demonstra mesmo que ISTO ESTÁ MESMO “DANDO O PEIDO MESTRE” (FALANDO BEM E DEPRESSA, PERMITAM-ME).

UMA COISA PARECE CERTA: ESTA GRANDE VIGARICE VAI SER PAGA PELO CONTRIBUINTE.   OUTRA É QUE QUE NÃO PODEMOS CONSENTIR QUE OLIVEIRA E COSTA (O VÍGARO-CHEFE DA REDE MAFIOSA) NÃO SEJA O BIBI DO CASO “CASA PIA”.

      ESTÁ NA HORA DESTES POLÍTICOS DO CENTRÃO NOS DEMONSTRAREM QUE TÊM UM MÍNIMO DE DECÊNCIA !…

                                                   Fernando Rocha

2 comentários 23 Novembro 2008

COLEGAS DOS IMPOSTOS NÃO TENHAM MEDO !

  O MEDO É UM PAPÃO QUE ASSUSTA OS MENINOS.   SOBRETUDO AQUELES, CONTEMPORÂNEOS DA MINHA MENINICE, QUANDO NÃO COMIAM A SOPA!   OS HOMENS TAMBÉM O TÊM, MAS NUNCA O MEDO DELES SE DEVE APODERAR, QUANDO PELA VERDADE E PELA JUSTIÇA LUTAM ! 

Vem isto a propósito da devassa que o PODER POLÍTICO, a mando do Paulo de Macedo, do BCP, a quando da sua estada pela DGCI (quase à maneira de mercenário, especialmente pelo seu fabuloso “salário”), procurou fazer (e ainda fez) aos emails dos funcionários, quase à boa maneira pidesca.   Felizmente que a Justiça, embora com todos os defeitos que lhe reconhecemos, por vezes ainda funciona e acima de toda a espécie de tiranetes se coloca, remetendo-os à sua expressão mais simples, que por vezes com a de simples esbirros se confunde. Felizmente foi esse o caso. 

Infelizmente esta democracia, que de filha de “Abril” cada vez menos tem, pois, foi, também, quase capturada por muitos mercenários da política;  arrogando-se “dona” do aparelho de Estado e lá instalando as suas clientelas e comissários políticos, procura transformar os vários departamentos estatais em simples coutadas dos seus interesses, na maior parte dos casos, à revelia do interesse público e fazendo, também, do verdadeiro sentido do serviço público, uma caricatura do que, em democracia devia ser.  Disto, infelizmente, também, a DGCI não tem sido excepção.

Já agora, que falei no anterior Director-Geral,  reconheço, que não obstante as críticas que lhe fiz, Paulo Macedo teve algum mérito ao leme da DGCI, quanto mais não fosse para dar algum espírito de equipa a uma “máquina”, que dividida em muitas quintas, durante demasiado tempo, de uma forma geral, permitiu que alguns dirigentes, à boa maneira de capatazes, mais do que trabalhar para a equipa, abraçando um colectivo projecto,  trabalhassem mais para o seu próprio interesse (de carreira e etc. …).   Acontece, todavia, que se esse mérito teve, quanto à eficácia da cobrança (em que fama ganhou), oleou, a máquina sobretudo para “caçar” o “peixe miúdo” empresarial e o Zé pagode, que paga muito mais do que pode e deve, deixando muito do “peixe graúdo”, como sempre esteve, sem o fisco à perna, para o apanhar nas suas evasões e aldrabices. Mas como o escândalo dos seus honorários foi mais que muito, habituado como estava ao regabofe do BCP (uma mina à conta dos accionistas, a que, valha-nos isso, o Comendador Berardo fez frente, descobrindo a careca a muita “gestão” trafulha), para lá voltou, porque só com o vencimento de Director-Geral se não contentou. E, assim, (relativamente à DGCI) como Director-Geral foi à vida.

Neste blog, para além da denúncia de muitos “esquemas” do passado recente da DGCI, em que muitos grandes figurões da casa dos Impostos se envolveram e de cuja impunidade, ainda, se podem gabar, tenho um recente artigo sobre a OPERAÇÂO RESGATE FISCAL, em que se faz eco do escandaloso comportamento da maioria dos nossos Directores Distritais de Finanças, havendo fortes indícios de serem cúmplices com o branqueamento de crimes fiscais. Não deixem de ler, porque funcionário informado, contra alguns malandrins, fica melhor prevenido.

E façam como eu, enquanto pela DGCI andei (e nisso, modéstia à parte, tenho muito orgulho); não se calem perante a prepotência, o oportunismo e alguma superior trafulhice, que pela casa ainda abunda. E não se esqueçam do velho ditado português (permitam-me alguma brejeirice) que diz:

       QUE UM HOMEM  (OU MULHER) QUANTO MAIS SE ABAIXA OU AGACHA, MAIS O CÚ SE LHE VÊ !

TAMBÉM AQUI PODEM LER UMAS BEM APLICADAS “FARPAS” À GESTÃO DO TÃO MASSACRADO E VELHINHO , COFRE DE PREVIDÊNCIA DO MINISTÉRIO DAS FINANÇAS,  QUE JÁ DÁ POR OUTRO NOME  (E AINDA BEM), MAS QUE MUITO DAS FINANÇAS E DOS “IMPOSTOS”, EM PARTICULAR CONTINUA A SER.   POR LÁ TARDA A CHEGADA DA TRANSPARÊNCIA, DA VERDADEIRA DEMOCRACIA E DO FIM DO ARRANJISMO E DO OPORTUNISMO, MAS NÃO SE ESQUEÇAM QUE ESTÁ NAS NOSSAS MÃOS MUDAR AS COISAS E DAR-LHE JUSTA UTILIDADE PARA TODOS, SOBRETUDO, OS MAIS NOVOS E HUMILDES FUNCIONÁRIOS, QUE DELE SÃO ASSOCIADOS. TENHO PROCURADO FAZER, A ESSE PROPÓSITO A MINHA PARTE.   MAS ESTOU VELHO E MUITO GOSTARIA, COMO NA ESTAFETA, PASSAR O TESTEMUNHO AOS MAIS NOVOS.  AÍ, TAMBÉM, VALE A MÁXIMA SUPRA INDICADA (do cú ao alto, resguardado, permitam-me, mais uma vez).

E NÃO TENHAM MEDO, LUTEM POR AQUILO, QUE COMO SÓCIOS, LHES TEM SIDO USURPADO (e é muito, casas com juros bastante mais acessíveis, complementos de reforma, agora que os Bancos, para tal, de confiança deixaram de ser, ajuda na doença, protecção na velhice, etc., etc.).  O COFRE, EMBORA MUITO “ESMIFRADO” POR GESTÕES RUINOSAS, TEM MUITOS MEIOS, DESDE QUE CORRECTA E HONESTAMENTE DIRIGIDO (o que dá fortes indícios de não ser o caso, como tenho procurado demonstrar).

Para terminar uma palavra sobre o sindicalismo nos Impostos e na Função Pública, em Geral.

Por mais que o tentem denegrir o sindicalismo é a maior arma de defesa ao dispôr do trabalhador, se bem usada. Numa hora em que o Governo coloca grande parte dos seus recursos ao dispôr dos banqueiros, duma forma em que, mais do que fazer frente à crise financeira, favorece o infractor, como, de alguma maneira, se está vendo com o caso BPN , se nega aos trabalhadores do Estado um justo aumento; a nossa única barricada são os SINDICATOS e um participativo sindicalismo, que mais do que estar refugiado nas paredes das sedes sindicais, deve residir/existir nos locais de trabalho.

Para todos aqueles que dizem ser o sindicalismo participativo, que se faz com o envolvimento e a acção directa dos trabalhadores, um sindicalismo arcaico (algo dos tempos áureos da revolução, do PREC), a luta já vitoriosa dos professores aí está para provar o contrário.

ELEIÇÕES NO STI:
Havendo eleições no próximo dia 24 de Novembro, no STI, marcadas para a Mesa Coordenadora e para algumas Direcções Distritais é muito importante apelar à participação de todos nelas e num voto o mais esclarecido possível.
Como antigo Presidente da Distrital de Lisboa, queria daqui saudar todos os associados de Lisboa e manifestar o meu apoio e solidariedade ao Amandio Alves, que tem sabido liderar esta importante Distrital. Em muitas ocasiões dramáticas no sindicalismo nos impostos e nas suas lutas, Lisboa soube fazer a diferença, com uma postura empenhada e independente. E é necessário que assim seja, se necessário fôr, embora o desejável seja a congregação de todo o Sindicato para a defesa dos direitos e luta pelas legítimos aspirações dos trabalhadores dos Impostos (sem quaisquer descriminações de carreiras ou categorias).
Relativamente às eleições para a Mesa Coordenadora do Congresso e do Conselho Geral, esse importante órgão do STI, garante da democraticidade interna, participativa e conforme os Estatutos e Regulamentos, penso que temos duas listas capazes de garantir esse desiderato. Acontece, todavia, que muito embora conheça há muitos anos o Leite Pires, a quem me ligam relações de estima e amizade, penso que o seu afastamento por bastantes anos das lides sindicais, pesa em seu desfavor. Por outro lado, para além de ter com o Medeiros uma sólida amizade, cúmplice em muitos entendimentos sobre o modelo e a acção sindical, penso que é inquestionável a sua competência, rigor e isenção com que tem assumido a condução dos trabalhos dos Conselhos Gerais e do Congresso, liderando uma equipa de colegas muito devotados ao STI e às suas causas. Por isso para eles vai/foi o meu voto.
Mas, como disse, ganhe quem ganhe, estou convencido que o STI ficará bem servido. Não podia, contudo, ser hipócrita e não dizer o que penso, embora a todos saúde, pelo empenhamento na generosa causa do sindicalismo.
O QUE É, TODAVIA, NECESSÁRIO É QUE SAIA DESTAS ELEIÇÕES UM STI MAIS FORTE, ESCLARECIDO E EMPENHADO, TANTO NAS SUAS CAUSAS ESPECÍFICAS, COMO NAS MAIS GERAIS DA FUNÇÃO PÚBLICA, NÃO IGNORANDO ESSA NOSSA CONDIÇÃO, NEM A SOLIDARIEDADE QUE A TODOS OS TRABALHADORES NESTA HORA, BEM DIFÍCIL, É DEVIDA.

E COMO O MEDO É DE FACTO UM PAPÃO, PARA MENINO ASSUSTAR, SEM MEDOS E COM
DETERMINAÇÃO LUTEMOS PELO QUE NOS É DEVIDO E JUSTO (não esquecendo os APOSENTADOS, a que, este governo, impõe os INJUSTOS E DISCRIMINATÓRIOS 14 meses de descontos, o que pode parecer pouco, mas muito é como afronta e perfídia ?!?!?!)
Fernando Rocha

Adicionar comentário 21 Novembro 2008

O LARGO DO BURLÃO

Quando eu era menino e moço o BURLÃO era campo; uma quase quinta próxima do centro da cidade, que se começava a urbanizar. Mas foi lá, que, por bastantes anos, ainda, foram as principais feiras, que eram as feiras de diversão, que, por esses idos anos “cinquenta”, do século passado, eram, talvez, os maiores acontecimentos festivos da cidade.  O “15 de Maio”, embora fosse, como hoje ainda é, por excelência a festa da cidade de Caldas, não tinha esse lado de grande festa, mas sim um ar mais solene, em que a cidade a si própria se celebra, evocando, sobretudo, a rainha fundadora, Leonor, de seu nome.   Festa, festa, sobretudo, para a petizada e rapaziada, eram as feiras de S. João e do 15 Agosto, ali no Burlão ou Borlão, não sei bem, o que pouco importa, porque com “u” se pronuncia.

Para se ajuizar do que era o BURLÃO, nesse tempo, eu que morava, com meus pais, na R. António Lopes Júnior, via a Igreja Nova, recém construída por iniciativa do Padre Teodoro, da varanda daquele primeiro andar, que era a minha casa, onde, também, quando o Verão chegava, os olhos se arregalavam, para a chegada dos feirantes (uma gente de mistério e sedução), que com as suas tendas de venda e, sobretudo, com as suas diversões como  o carrocel(o célebre Selva), os carrinhos de choque, os espelhos do riso, etc., mas, acima de tudo com o circo, que, fundamentalmente, com os palhaços, me fascinava.

Claro que nesse tempo o BURLÃO, a quando das ditas feiras, fazia jus ao seu nome não no singular, mas no plural, porque era por essa altura que para cá (Caldas da Rainha) ”imigravam”, temporariamente,  muitos carteiristas, porque tinham, na ocasião, desses grandes aglomerados de gente e de confusão, excelentes condições para o exercício da sua actividade “liberal”.

Depois o BURLÃO foi-se enchendo de prédios e para além da primeira edificação de Poder (o divino), foi para lá o Palácio da Justiça. De campo ora enlameado, ora poeirento, o BURLÃO foi-se transformando no bairro mais chique da cidade. Depois veio o Café Maratona, que, porque de elite, rivalizava com a Zaira (um emblemático café/pastelaria, que, com o advento da democracia, permitiu às classes populares tomá-lo, bem como com a sua pouco cuidada remodelação, perdeu a categoria de café da sociedade “bem” caldense e, reconheçamos, grande parte do seu encanto).  

Bastantes anos mais tarde o nosso velho Largo do Burlão, que de feira já foi, sem carteiristas, da  ralé,  adquiriu a sua maior dignidade, em termos de Poder, abergando a Câmara e o seu insigne “inquilino” principal, o Presidente da Edilidade, o Poder caldense, por excelência.  

 Eis, pois, como se chegou ao moderno BURLÃO, hoje rebaptizado por Praça ”25 de Abril”, que evoca a heroica e saudosa efeméride, que  com o BURLÃO (“lato sensu”) se não pode confundir.

                     Fernando Rocha

1 comentário 20 Novembro 2008

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