Arquivo de Outubro, 2008

POEMA PUBLICITÁRIO DO MISTURAGROSSA

No blog da grossa mistura
Há quase tudo como na botica
Com ou sem jogo de cintura
bastante diz e indica.
 
Há desde a crítica azeda
A coisas do coração
Quando algo me desperta
O sentimento ou a razão.
 
Há por aqui mistura grossa
Com mais ou menos eficácia
Mas eu puxo pela carroça
De tudo como na farmácia.
 
Tudo é maneira de dizer
Porque o tudo é infinito
Mas faço os possíveis por ser
Polivalente no grito.
 
Grito de revolta,
Grito de amor,
Há poesia solta
Com ou sem dor.
 
Leiam pois esta mistura
Que tem amor e humor
Desejo-vos boa leitura
Com muito, muito, amor.
 
O amor da fraternidade
Com que vos quero abraçar
Com muita solidariedade
Para podermos sonhar !…
      
      Caldas, 23/9/2008              Fernando Rocha
 

2 comentários 25 Outubro 2008

Exposição ao Procurador-Geral da República com nota de envio ao Presidente da AR

EXMº. SENHOR

PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA

 

Junto envio a V. Exª. Todo um conjunto de documentos, recortes de imprensa e um    texto do meu blog pessoal, relativos a fortes indícios de actos de gestão menos lícitos, no Cofre de Previdência dos Funcionários e Agentes do Estado, de que sou sócio e de que fui candidato a Presidente da Direcção, no último acto eleitoral, realizado em finais do ano passado.

Procurando, em síntese, historiar o meu activismo e toda esta problemática do “Cofre”, direi que sou há muito (mais de dez anos) um activista empenhado no combate, pela correcção de processos e transparência nesta instituição, a par com uma acção também empenhada no combate à corrupção, sobretudo na Administração Fiscal, de onde me reformei há cerca de 4 anos, como Chefe Adjunto, designadamente no 8º. Bairro Fiscal de Lisboa – onde, por ironia do destino, a corrupção, ao mais alto nível, se cruzou comigo, no célebre caso “Beltrónica”, tendo sido constituído arguido, como costumo dizer por inocência empenhada, conforme bem descrevo numa carta aberta que dirigi ao seu antecessor, no importante cargo que V. EXª ocupa, datada de 29 de Julho de 2005; fui constituído arguido em 10 de Dezembro de 2003, NUIPC:12989/02.0TDCSB – Secção/Brigada:Sciac/lª Brigª – Inspector: António Parada, que actualmente está em instrução no Ministério Público, provavelmente a caminho do arquivamento e consequente prescrição, para mal dos meus pecados (não deste tipo), pois, queria ser inocentado na barra do Tribunal e contribuir, não por vingança ou rancor, mas por justiça e saúde da democracia, para que os corruptos fossem punidos, por estes graves crimes; mas isso, já sei, é como que pedir o impossível, não por culpa de V. Exª., mas de todo um “sistema”, que favorece e, por vezes, é mesmo cúmplice com a corrupção.

 

Mas voltando ao objecto desta minha denúncia, que espero que tenha consequências e deixando de lado a DGCI, que como o comprova um recente trabalho, no “Público”, de autoria do Sr. Jornalista João Ramos de Almeida, no passado dia 21 de Outubro sob o título “DGCI dá nota muito negativa às direcções de finanças na operação RESGATE FISCAL”, que dá fortes indícios de ser, ainda (como no passado recente foi), um “CASO DE POLÍCIA, ao nível de muitos dos seus quadros superiores/médios de direcção, regressemos ao “Cofre”:

 

Como V. Exª., certamente, saberá, o “Cofre” é uma mútua centenária, que teve o seu berço no Ministério das Finanças, para, posteriormente se alargar a todo o funcionalismo público, que tem uma espécie de tutela do Ministério das Finanças (conforme vários juristas e outros estudiosos do assunto julgam, tanto mais que os seus Estatutos e as alterações destes, têm a dignidade de serem aprovados por Decreto-Lei), muito embora tenha Corpos Gerentes, de onde se destaca a Assembleia-Geral, onde reside, como é óbvio, a máxima soberania da instituição.

A seguir ao “25 de Abril” o “Cofre” foi objecto de uma autêntica tomada do poder, no seu seio (em que me orgulho de ter participado), por parte dos trabalhadores da função pública, nele associados, de acordo com a ordem democrática então estabelecida, destituindo-se os Corpos Gerentes vindos do “tempo da outra senhora”. Até princípios/meados dos anos noventa, do século passado, esta mútua, foi, na generalidade, gerida com rigor e transparência;   todavia, a partir dessa altura, com a entrada em cena do ex-Director de Finanças Guerreiro Lourenço (um no mínimo, polémico quadro superior da Administração Fiscal indiciado em vários casos, sendo o mais célebre o “caso Lanalgo”), tudo, a pouco e pouco, se foi modificando, para pior (para não dizer péssimo), conforme V. Exª saberá, pelos imensos escândalos que a Comunicação Social foi revelando, com destaque para o jornal “O DIABO”, mas não ignorando que a questão”teve honras”, conjuntamente com a corrupção no fisco, pois, havia (e provavelmente ainda haverá) uma ligação, de grande destaque nos Telejornais das TVs

.

Depois de ter integrado, como Secretário da Mesa da Assembleia.Geral, os primeiros Corpos Gerentes da “Era Guerreiro Lourenço”, que bem me enganou, também por força das minhas funções de dirigente sindical, não integrei uma lista para um segundo mandato, no “Cofre”; e nesses primeiros anos, dessa “Era”, nada de suspeito vislumbrei. Até que por finais dos anos noventa, princípios deste século, comecei a ter ecos e sinais de que algo de muito grave se passava na gestão da instituição. Desde logo me coloquei de sobreaviso e, conforme o meu forte empenhamento no Sindicato dos Trab. dos Impostos (STI) permitia, procurava acompanhar os desenvolvimentos, cada vez mais negativos e deploráveis da vida directiva da mútua, procurando comparecer e intervir activamente nas suas AGs.

 A partir de certa altura, por inícios de 2000, senti que era minha obrigação como activista cívico-político-sindical, passar a um outro patamar de intervenção e fui mandatário de uma lista oponente ao sitacionismo “lourencista”, por demais escandaloso, servindo, também, de porta-voz, de facto, na Comunicação Social, para a falta de transparência de Estatutos e regulamentos, modificados ao jeito do oportunismo anti-democrático e corrupto, do “dono” do “Cofre”, de então,  seus títeres e apaniguados.

 Travei, na altura, fortes combates com outra figura a um tempo “bufa” (semelhante a personagens das óperas desse tipo), mas quiçá tenebrosa, por autoritária e  parda, para a transparência, de seu nome António da Silva Duque, que sendo meu conhecido de há muito e com quem cheguei a travar relações de amizade, muito me surpreendeu pela negativa (que sendo Director de Finanças e Presidente da Mesa da Assembleia do Cofre, começou a ser um “cromo”, “vedeta” de primeira grandeza, no “jornal de caserna”, “BORDA D’ÁGUA” DAS FINANÇAS, pelas bem conhecidas práticas de amanhanço, à conta do dinheiro dos contribuintes, tudo isto perante a “vista grossa” do Director Distrital de Finanças de Lisboa, de então e de quase toda a hierarquia superior, com

Governo incluído).

Estando os Estatutos, totalmente “blindados”, como, de certo modo, ainda estão, a minha lista não conseguiu ganhar (nem ir às urnas, porque foi impugnada pela máfia dirigente) as eleições, mas o Guerreiro Lourenço tinha-se (também por força das nossas denúncias) feito substituir por uma outra “equipa”,  a quem, em minha opinião, confiara a missão, de embora se afastando, evitar que os actos “polémicos” da sua gestão fossem devidamente investigados. E, assim, se chegou à “Era Empina Moscas”, que malgrado, para o “Cofre”, já dura, dura, na “gestão”, quase como duram as pilhas “duracel”, permita-me V. Exª. a graça da comparação e que bem cumpriu a missão, que o Guerreiro Lourenço lhe confiara (de procurar abafar todo o regabofe e escandaleiras).

 

Um pouco ingenuamente, apesar de tudo aquilo que é uma gestão interesseira e oportunista, cheguei a pensar que actos mais graves não constituiriam o timbre desta “nova” equipa, mas, a pouco e pouco, tive que me desfazer dessa minha ingenuidade, o que culmina com os fortes indícios que levo ao conhecimento de V. Exª, que chegaram à minha posse e que já foram denunciados, por denunciante ou denunciantes anónimos, que os fizeram chegar à redacção de “O DIABO” e que para além da sua gravidade, indiciam que, quem os fez chegar, ao referido semanário, terá de ser, com grandes probabilidades, alguém muito bem colocado no interior da estrutura directiva ou da sua “máquina” administrativa, com acesso privilegiado a este tipo de documentação e informações, já que pessoas da minha equipa candidata aos Corpos gerentes, faz agora um ano, invocando mesmo os Estatutos, a nenhuma documentação, que solicitaram, tiveram acesso, à revelia da mais elementar transparência.

 

Junto, pois, todo o conjunto da documentação referida, bem como um artigo do meu blog “misturagrossa” (onde, aliás, há abundante informação sobre as tropelias no “cofre”), e duas notícias do “DIABO”, com tudo isto relacionadas

 

.

Desejava, finalmente, chamar, ainda, a atenção especial de V. Exª, para possíveis envolvimentos políticos ou administrativos nas Câmaras de Elvas e Vila Nova de Gaia.

Na primeira com o envolvimento directo do seu Presidente – Rondão de Almeida;  

na segunda pelo curioso facto de a razão invocada para a venda divulgada, na última Ass. Geral, pelo Presidente Empina Moscas, alegar, contraditoriamente, que a Câmara de Vila Nova de Gaia, dado todo aquele ex-património do”cofre” estar numa zona nobre da cidade, não devia estar em ruínas, como estava (tratava-se, salvo erro de um antigo hotel, tendo o Cofre, depois, adquirido, ao que parece, junto, um outro imóvel) e que a nossa instituição ou dava ao estado de ruína uma solução ou alienava. Ora bem a Direcção, surpreendentemente, optou por alienar, com um “suspeito” prejuízo de cerca de 50.000 Euros, passados meia dúzia de anos ou mais, sobre a primeira aquisição; prejuízo que “casa” muito mal com a alegação de zona nobre (e que tendo ocorrido antes desta crise mais recente do imobiliário) não se compreende, a ponto do Guerreiro Lourenço ter comparecido nessa Assembleia a questionar a Direcção, por aquela ruinosa venda de património do “cofre”.

 

Permita-me, ainda, V. Exª. Uma nota final:

Como todos os factos aqui divulgados, são do domínio público, através da Comunicação Social, não sendo, pois, na minha modesta opinião, sujeitos a segredo de justiça, porque penso que só a sua denúncia pública permite um mais eficaz combate a estes reprováveis, quiçá, criminosos comportamentos e como nos Corpos gerentes do “Cofre” estão altos quadros da Administração Pública (Finanças, sobretudo, em que se destaca o Director Distrital de Finanças do Porto e, como Presidente do Conselho Fiscal um Magistrado do Ministério Público, suponho), todos cúmplices neste “lamaçal”, não me coibirei de tornar pública esta denúncia.

 A maior inimiga da democracia é a opacidade, como democrata, recuso-me, terminantemente, a praticá-la.

 

Faço, pois, votos e  acredito, que me dirigi à pessoa e Instituição certa para agir, para que, finalmente, se apure, através das instâncias competentes a verdade e justiça se faça, para bem do “Cofre”, dos seus mais de 55000 associados (de que sou parte) e para bem da Democracia, que sem uma Justiça eficaz, justa, não o é.

                                Agradecendo desde já a atenção dispensada, respeitosamente,

 

Caldas da Rainha, 23 de Outubro de 2008-10-23

 

                                      ___________________________________________________

                                                (Fernando António da Costa Rocha – BI 180783)

 

 

 

 

 

 

         EXMº.  SENHOR

        

         PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA

 

 

 

         Pela grande importância que esta questão merece, vinha por este meio solicitar a V. Exª. a divulgação por todos os Grupos Parlamentares representados nesse parlamento da denúncia/exposição, feita ao Exmº. Senhor Procurador-Geral da República, a propósito de situações e práticas muito suspeitas de poderem envolver crimes de tráfico de influências e corrupção, ocorridas no Cofre de Previdência dos Funcionários e Agentes do Estado (antigo Cofre de Previdência do Ministério das Finanças), em que está, ainda, envolvida, claramente, uma Câmara Municipal – a de Elvas, na pessoa do seu Presidente – e em que uma outra – a de Vila Nova de Gaia é “acusada” ou melhor indicada, como tendo pressionado a Direcção do Cofre, para a alienação de património imobiliário propriedade do “Cofre”, que acabou por ocorrer com prejuízo para a instituição.

          Aproveitava a oportunidade para chamar a atenção de V. Exª. (e consequentemente dessa digna Assembleia da República, principal baluarte da nossa democracia, filha da gesta generosa e heróica dos capitães de Abril) para toda a situação vingente naquela mútua centenária, de onde a democracia anda há muito arredada, pela mão de altos quadros da nossa Administração Pública, designadamente da Direcção Geral dos Impostos (um Sub-Director-Geral e Directores Distritais de Finanças), para além de outros, isto para além da transparência financeira. Por estas razões sugeria, pedia, também, a V. Exª, os seus bons ofícios, para que a Comissão de Direitos Liberdades e Garantias, apreciasse a situação que se vive no “Cofre”, em termos de transparência democrática, que na minha óptica ofende os mais elementares princípios democráticos e, consequentemente, constitucionais. Para este efeito, para além de estar à disposição dessa ilustríssima Comissão Parlamentar bastante informação constante em secção própria, do meu blog pessoal – www.misturagrossa.net – coloco-me à inteira disposição para quaisquer esclarecimentos, que, para o efeito, entendam por necessários.

 

             Caldas da Rainha, 25 de Outubro de 2008

 

 

 

                                        _____________________________________________

                                             (Fernando António da Costa Rocha – BI 180783)

1 comentário 25 Outubro 2008

DUAS NOTAS EM TEMPO DE CRISE(S): 1 – o “COFRE” do nosso desencanto; 2 – OPERAÇÃO “RESGATE FISCAL” e outros “RESGATES”, “made in” Administração Fiscal.

1 – O “COFRE” DO NOSSO DESENCANTO

Neste blog tenho abundante informação sobre o que é o “COFRE DO MINISTÉRIO DAS FINANÇAS” e sobre o escândalo da sua gestão que se arrasta há anos, tendo o(s) Governo(s) e a Justiça (que neste, como em muitos outros casos, deve ser precedida do prefixo “IN”, quando referenciada) imensas responsabilidades na falácia em que esta Mútua centenária se transformou.

O(s) Governo(s) porque, independentemente  da Mútua em causa depender de eleições para os Corpos Gerentes, que democráticas deviam ser e de uma Assembleia Geral, onde têm assento os sócios (cerca de 55.000), tem, através do Ministério das Finanças, uma tutela da instituição.  Aliás o único membro do Governo que reconheceu ou admitiu a importância de uma intervenção governamental no “Cofre”, por queda do seu Governo ( salvo erro o último do Engº. Guterres), não teve tempo para a empreender. Falo do actual Presidente do Tribunal de Contas, Dr. Oliveira Martins, Ministro das Finanças ao tempo e unanimemente reconhecido como uma personalidade da vida pública portuguesa de grande prestígio, pela sua competência, isenção e, por conseguinte, credibilidade e seriedade.

A Justiça, por manifesta omissão, ao longo de mais de dez anos, amplamente denunciados na Comunicação Social e pelo arquivamento de pelo menos uma queixa, por alegadas falta de provas, que não quiz ou não teve condições  (ao tempo) para investigar, por falta de condições políticas e logísticas, que cabe ao(s) Governo(s), lhe dar.

Numa altura de gravíssima crise, que me escuso de caracterizar, por ser desnecessário e repetitivo, o “Cofre” que agora se denomina Cofre de Previdência dos Funcionários e Agentes do Estado, que no passado, gerido com muito maior rigor e seriedade, contribuiu, decisivamente, para a resolução de bastantes problemas habitacionais dos seus associados, com critérios de grande justiça e isenção, na década posterior ao “25 de Abri”, mais coisa menos coisa, mercê de Corpos Gerentes dotados de genuínos ideais mutualistas e, consequentemente, de solidariedade social, passou a ser gerido (como na actualidade o é) quase completamente divorciado desses ideais e quiçá (com gravíssimos indícios de certamente o ser) gerido de uma forma oportunista, com actos provados de gestão ruinosa, para não dizer danosa (assumo com toda a frontalidade o ónus destas acusações, por que me prontifico a bater-me, se necessário em Tribunal).

Ora bem, nesta dificílima hora de grande aperto financeiro, para muitos sócios do “Cofre” e muitos outros trabalhadores da Administração Pública, que sócios não são porque não descortinam na instituição vantagens palpáveis, designadamento num acesso mais barato ao crédito para custear a habitação ou para transferir da Banca empréstimos, com juros insuportáveis, o “COFRE”, como mútua que é, deveria ter um importante papel; mas, que, na verdade e inexplicavelmente,  não tem; não obstante, no panorama português, pela sua (ainda e não mais por desastrada gestão) saudável situação financeira e patrimonial, possuir todas as condições para ter esse papel (em muitos casos de quase socorro, para um crescente número de situações de grande aflição e, consequentemente, por demais dramáticas).   

Para sustentar melhor todas estas minhas afirmações chamo a atenção, novamente, para uma secção onde trato especificamente, com o título “cofre……”, neste blog toda esta temática e polémica e, sobre os últimos desenvolvimentos da gestão do “Cofre” que, no mínimo reputo de ruinosa, veja-se o artigo que, na referida secção este antecede.

INFELIZMENTE, NO “COFRE”, COMO EM MUITAS SITUAÇÕES NO PRÓPRIO PAÍS, SOMOS POR DEMAIS PERDULÁRIOS, POR INCÚRIA, POR NEGLIGENCIARMOS UMA CIDADANIA MAIS AFIRMATIVA E SÉRIA OU MESMO POR PACTUARMOS (NÃO QUERENDO VER E ASSOBIANDO PARA O LADO) COM CASOS DE FLAGRANTE OPORTUNISMO OU DE MESMO CRIMINOSA CORRUPÇÃO.

 

2 – OPERAÇÃO “RESGATE FISCAL” E OUTROS “RESGATES”, “made in” ADMINISTRAÇÃO FISCAL

A notícia sobre o fiasco da “Operação Resgate Fiscal” publicada no “Público” de 21 de Outubro tem algo de surpreendente, por um lado (sobretudo para quem não conhece a chamada máquina fiscal), mas para mim, que bem a conheci, até há anos, não o tem de todo.   E não se culpe deste fiasco os funcionários comuns, sem responsabilidades de Direcção, porque esta culpa, de acordo com o artigo de autoria do sr. jornalista João Ramos de Almeida, é claramente assacada aos Directores Distritais, com base em fontes oficiais e oficiosas, que nos merecem grande credibilidade (chegando o jornalista a referir um despacho do Director-Geral dos Impostos e um email, que, fortemente, tal indiciam).

Para além disso da notícia, em referência, consta, preto no branco, que um relatório preliminar, sobre a referida operação, que “apenas quatro direcções distritais … decidiram instaurar processos-crime aos contribuintes, tendo todas inúmeros casos à espera de decisão”. Um “panorama dificilmente compreensível”, no dizer do relatório preliminar, “até porque quinze contribuintes possuem dívidas superiores a cinco milhões de euros” (no dizer da notícia) “e um outro grupo de 300 … acima do milhão…”.   E mais adiante a notícia esclarece-nos que das 4727 notificações efectuadas, a estes tipificados crimes fiscais, “somente 296 casos redundaram em processo crime”. De notar, ainda, que a notícia refere o conhecimento  que disto tudo foi dado à Direcção de Auditoria Interna, poder “indicar SUSPEITAS DE CUMPLICIDADE ENTRE AS DIRECÇÕES DISTRITAIS DE FINANÇAS E OS CONTRIBUINTES DEVEDORES”, o que a provar-se é um facto gravíssimo, numa única Direcção Distrital que fosse e, muito mais, com esta gigantesca dimensão.

Escuso-me quase de comentar uma “caixa” junta à notícia que tem o fantástico título de que a”Operação de resgate fiscal (estará) emperigo ?”, respondendo o título em apreço que a “proposta de Orçamento suaviza penalizações” aos contribuintes faltosos.

Tudo isto leva-me a concluir que, com algumas cumplicidades, ao mais alto nível, esta Administração Fiscal, como quase sempre e com honrosas excepções, “TEM MÃO PESADA PARA OS CONTRIBUINTES COMUNS, A QUEM QUASE NADA PERDOA, MESMO QUE HAJA ALGUMA JUSTIFICAÇÃO PARA TAL E MÃO LEVE (LEVÍSSIMA) PARA OS INTERESSES, GERALMENTE TÃO MAIS LEVE,  QUANTO MAIORES ELES FOREM, exceptuando-se, neste caso, o actual Director-Geral, o que é justo reconhecer e pelo menos uma Direcção de Serviços, que pelas siglas não consigo identificar.

Mais uma vez, com o aproximar do final do ano, faço um aviso à navegação de quem quer uma Administração Fiscal eficaz, isenta e, consequentemente, justa.   Cuidado com as caducidades, que dão para alguns corruptos “resgates fiscais”, por conta própria e que, desde há muito (pelo menos enquanto ao serviço estive) ocorriam sistematicamente, sendo os grandes processos destas passíveis, superiormente controlados pelas respectivas Direcções Distritais;  sendo, também,  inexplicavel, que em muitos desses, sem consequências, muitas dessas caducidades se verificassem.

Mas isto não deixa de ser algo que este, como outros Governos, que apesar de tudo precisam de  receitas, merecem, por laxismo, para com o tráfico de influências e a corrupção. Que o diga o ex-Deputado João Cravinho – uma espécie de D. Quixote PS que, quase sozinho, travou uma luta contra a corrupção, sem sucesso, neste PS socrático, que tão severo foi, para os chamados “direitos adquiridos” do funcionalismo, médio e mais humilde e tão laxista no combate a este tipo de crimes, que até geram receitas para custear o défice. 

Curioso, ainda, é verificar a quase impunidade dos altos quadros, no passado relativamente recente, que foram indiciados em gravíssimos crimes de corrupção fiscal, como é sabido e neste blog, também, refiro e que lesaram o erário público em muitos milhares, se não (nalguns casos) milhões de contos. Que o diga a Procuradora Maria José Morgado, que por isso, se afastou ou foi afastada da Direcção, por isso responsável, na Polícia Judiciária.

 Fernando Rocha

Adicionar comentário 22 Outubro 2008

DIRECÇÃO DE FINANÇAS (ou DGCI de LISBOA) em “BOCAS”, que por lá circulam

A Lisboa das Finanças foi uma das minhas vidas. Por lá andei (gozei, penei e sofri). Hoje vejo esse já distante tempo com outro olhar. Olhar da dupla distância,  temporal e  geográfica. Acontece que por esses 3O anos ou mais de vida, ainda lhe não sou competamente indiferente – a esse mundo tão especial e que foi e é um bom espelho deste Portugal que um amigo há pouco me definiu, com um provável exagero, como sendo “um país de bananas, governado por ‘sacanas’ “; acho que isto não está certo dizer-se e que face aos últimos desenvolvimentos da crise mundial, será mais apropriado e justo dizer, que “este é um Mundo de bananas, governado/administrado por ‘sacanas’ (“sacanas”, com o devido respeito).

Mas deixemos a conversa enrolada e vamos às “bocas”:

Dizia-se, há tempos, que havia um Director que levava os processos (só alguns) a despachar no escritório de um conhecido advogado ex-político. Parece que o motorista ou ex-motorista andou por aí a desabafar o assunto. Sinceramente não quero acreditar !…

Diz-se, agora, que esse Director foi convidado a aposentar-se e que vai ser substitído por um outro Director de uma cidade, também, banhada pelo Tejo.    Não sei se acredite (?!…), lembro-me que quando foi da substituição do Director Campaniço e da absurda divisão da DDF de Lisboa em duas (um tratado de Tordesilhas na Administração Fiscal, para arranjar mais “tachos”) a maioria das previsões saíram furadas. Lembro-me até de um Director que andava em campanha (até no gabinete do Secretário de Estado), mas como “tinha uma boca muito grande”, por bom senso, ficou pelo caminho e acabou por ficar em Director Ajudante, de uma das tais Direcções, de um Director que, ao que se dizia, tinha uma “boca” normal.  Mais tarde, esse da “grande boca”, chegou a estar detido (um dos muitos prováveis “enganos” da Justiça) indiciado de Corrú…, corrú… (como fazem os pombos) !…

A propósito: Corrupção de altas figuras do fisco ? Não! Eram tudo atoardas e bocas a que a Procuradora Maria José Morgado deu ouvidos!  Corruptos eram só o Canas e o Lima.   Directores (?), nem um. Definitivamente era tudo gente séria !

Algures, neste blog, tenho um artigo em que mostrava a minha estranheza por não haverem, no passado, mais Tesourarias assaltadas ?  Agora parece que a gatunagem (ainda que pouca, felizmente para os meus ex-colegas) já descobriu, de algum modo, o filão (veja-se o caso de Sacavém). Será que já (quem de direito) tomou providências ?  Parece-me que não. Constou-me que há Repartições que funcionam como Postos que chegam a estar abertos uma parte do dia (ainda que pequena) só com um funcinário)   !!!!!!!!!!!!!!!!……….

Lá por dizer estas, não se repita (nalguns lugares) que era eu o autor do famoso “Borda d’Água”, da casa. Digo-vos que não, nem sei quem seria o autor ou autores daquele periódico, tão célebre na nossa  praça. Mas tenho quase a certeza que a PJ sabe. E se não sabe foi porque não quiz, porque, como boa polícia que é, lá chegaria.

    Fernando Rocha

PS – Parece, por um lado, que o tal Director não se aposentou e parece, também, segundo zuns zuns, que aos meus ouvidos chegaram, que o advogado e ex-político seria o Dr. Dias Loureiro, o homem dos “Lusos Negócios”, lá para os aposentos do BPN, o “tal do gostinho especial”, para “aviar” vigarices e empréstimos de milhões, para alguns figurões!…

Será que será ?  Se o é a “minha alma fica parva” (!…), quase não quero acreditar, como nas bruxas !…

             (nota parida em 10 de Março, do ano da graça ou da desgraça, de 2009)

1 comentário 18 Outubro 2008

E a CORRUPÇÃO ? – “ESTÁ BEM” E RECOMENDA-SE !…

Quem mais ou menos isto disse foi João Cravinho, em recente entrevista ao Mário Crespo, no Jornal das Nove, no seu imperdível noticiário, da SIC NOTÍCIAS. E disse mais  que isto do melhor dos mundos, para os corruptos, taficantes de influências e outros figurões, armados em inocentes, “devotos” da causa pública (acrescento eu), só acaba quando o sistema estiver como esteve e de outra maneira está a Itália. Cravinho, se bem o ouvi disse que só quando altas figuras estiverem desmascaradas e a braços com grandes escandaleiras (será que algumas não estão já (?), só não estão é desmascaradas) é que talvez o problema se resolva. 

Esta foi, também, a semana em que Maria José Morgado e Cândida Almeida (ambas figuras cimeiras da Procuradoria-Geral da República) pregaram no aparente deserto sobre o tema (aparente deserto, porque quem as devia ouvir, o Governo, parece completamente surdo; ou então estas ondas, negativas, não são captáveis, lá pelas bandas socráticas, por qualquer diferente comprimento de onda, mais virado para o escandaloso eleitoralismo propagandístico; ora mais sofisticado, ora pura “banha da cobra”).

Ontem mesmo (será que ouvi bem?) Manuela Moura Guedes, na sua conversa das 6ªs. Feiras, com Vasco Pulido Valente, disse que a Caixa Geral de Depósitos, emprestou ao próximo de falido BPN, agora do Cadilhe, mas que já foi do Oliveira e Costa e do Dias Loureiro (que foi ou ainda será (?) o homem dos dinheiros do PSD), qualquer coisa como uns cerca de 200 milhões, dele!…        (Não perca, neste blog, “mais 4 notas de actualidade”, sobre BPN, num artigo editado a 22 de Junho) 

Mas vamos por partes: Faria de Oliveira, gestor chefe da CGD, foi Ministro do Cavaco; Todos os outros nomes acima referidos, foram, também membros de Governos do nosso respeitável inquilino actual de Belém (que seguramente nada deverá ter com os actuais negócios, esclareçamos). Todos estes senhores têm, talvez por coincidência, um fraquinho pelos tons alaranjados ou não ?

Pergunta: E se este negócio der para o torto, como tem acontecido um pouco por todo o lado, com Bancos a falir?  Quem fica a arder?  Será que não é o nosso Banco público e, consequentemente (duplamente), o dinheirinho, do Estado e indirectamente dos contibuintes ?!…

No “Sol” ,o tal que, como num outro artigo disse, não é o astro rei, mas o semanário, diz-se, hoje mesmo, que o processo dos financiamentos brasileiros do PS, de que foi mandatário José Lello, que responsabilizou os candidatos (os tais brasucas/Lusos), caminha, alegremente, para o arquivamento. Este escândalo ficou, também, conhecido (no Brasil e por cá) pela “Máfia dos Bingos”, como refere o nosso citado semanário. 

Mudando de fonte informativa, pode ler-se no “Público” de hoje, que “o PSD avançou com um pedido de apreciação parlamentar do decreto-lei que concede o prolongamento da concessão do terminal portuário de Alcântara à Liscont, do grupo Mota-Engil, para além dos 30 anos inicialmente previstos no actual contrato e sem concurso público.”

Ontem mesmo, Helena Roseta trouxe o tema a debate na SIC Notícias, no Frente a Frente, moderado, também, pelo Mário Crespo e disse das boas. Que para além disto ser um crime contra Lisboa e a sua frente ribeirinha, é um contrato cheio de inadmissíveis facilitismos para uma empresa do Grupo, agora liderado pelo Jorge Coelho (será apenas mais uma coincidência ?!…).

Com todas estas “pérolas”, vindas do alto, razão tem o Engº Cravinho, para dizer que a dita cuja, “navega pelas melhores águas” ou como ele diz: está bem e recomenda-se, com beijinhos e abraços à política e à justiça (digo eu) !…

   Fernando Rocha

2 comentários 18 Outubro 2008

Artigo Anterior


Calendário

Outubro 2008
S T Q Q S S D
« Set   Nov »
 12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031  

Artigo por Mês

Artigo por Categoria