Arquivo de Setembro, 2008

CHAMADA DE ATENÇÃO PARA ARTIGOS, QUE JÁ NÃO ESTÃO NA PRIMEIRA PÁGINA DO BLOG E QUE GOSTARIA QUE OS MEUS AMIGOS LESSEM

-2ª E 3ª “HISTÓRIAS DO COMPLEMENTAR;

-DE CORAÇÃO ABERTO;

-PRECISAMOS DE M… SR. SOUSA PORQUE NUNCA PRECISÁMOS DE OUTRA COUSA;

-ALGUMAS POESIAS, NÃO DEIXANDO DE LER “A ÁRVORE DA NÊSPERA”

-QUASE TUDO O RELACIoNADO COM O CASO “BELTRÓNICA”;

-OS TEXTOS “POLVO(s) DA ADMINISTRAÇÃO FISCAL”;

-e TODA A SECÇÃO DE “HUMOR”, que combate a acidez do estômago e mais me humaniza.

                          Boas leituras, no blog e não só, porque ler (boa leitura) “induca” e alerta !…

       O Amigo (conhecido) ou não nos conhecendo, que desejava conhecer todos “os que vierem por bem”, como dizia o saudoso Zeca Afonso (uma lenda e uma saudade que não morre) !

           Fernando Rocha

Adicionar comentário 30 Setembro 2008

CRISE NA AMÉRICA; E NÓS POR CÁ (?!…), TODOS BEM ?

Em primeiro quero chamar a atenção para uma crónica do “Público” de hoje (30/9/2008), de autoria do filósofo Desidério Murcho, que nos fala das meias verdades e meias mentiras da nossa sociedade, na política e um pouco por todos os sectores da nossa vida pública e mesmo mais comum. O autor de uma forma muito bem exemplificada diz-nos, por exemplo, que os meios de comunicação que consumimos (os jornais e a TV, só para citar dois), que pagamos mais baratos, do que é o seu custo real, estão cheios de publicidade, que nos “vende” as tais meias verdades ou  meias mentiras e o autor pergunta porque é que não dispensamos a publicidade (meia enganosa) e pagamos o preço justo, porque só esse pode ser o preço mais próximo da verdade; e termina, lançando-nos o repto, para que passemos a apostar mais na verdade. Mas procurem ler o artigo, porque eu posso não ter dado dele a imagem que o mesmo pretende. E perguntarão, agora,  os meus pacientes leitores:

- O que é que esta conversa tem a ver com o título deste texto, do “misturagrossa” ?

- Para mim tem muito. Tem muito porque esta história da crise financeira da América e das suas repercussões na Europa e em Portugal é, a vários níveis, uma história mal contada. Desde logo porque muita gente desconhece o porquê do agudizar da crise, no dia de ontem, com a negação do Congresso ao plano acordado entre estados-maiores republicano e democrata, para minorar os efeitos desta autêntica catástrofe financeira.  O plano falhou, sobretudo, porque os congressistas ou a maioria deles, também, vão a votos e não querem assumir perante o seu eleitorado um plano que é (ou pode ser) muito impopular perante os seus eleitorados, nos vários Estados da União. Em muitos casos, estes congressistas, agem, não em função da sua própria opinião, mas antes em função do seu calculismo eleitoral; ou seja no seu interesse carreirista político próprio. Sendo, assim, a sua consciência, a sua verdade, é algo que, à partida hipotecam (posso não estar totalmente certo, mas aguardo que me corrijam, se errado de todo ou parcialmente o estiver).

E na Europa ? E sobretudo em Portugal, com três actos eleitorais para o ano, será que nos vão contar toda a verdade sobre as repercussões, por cá, da crise?  Será que as medidas a tomar pelos políticos, do  Poder (e as propostas da oposição) serão as correctas, para minorar o sofrimento, que, um pouco por todo lado, esta crise vai ocasionar?  Ou será que, acima de tudo, estará presente o calculismo eleitoralista ou a subjugação a interesses estranhos aos da maioria do Povo Português?

Que a crise é muito grave e nos vai afectar muito seriamente, não tenhamos dúvidas. Ou não será que é pelo lado de uma economia débil, como a nossa, que “a porca mais torce o rabo” ?

Depois, estes dias até às eleições, no “Império”, vão ser um autêntico inferno, recheado de incertezas, de demagogia e um paraíso para espuculadores, sem escrúpulos. Quem porá ordem e sensatez, em tudo isto?

Claro que muitos dir-me-ão que isto é uma crise do capitalismo ou do grande capitalismo, que precisa de levar uma lição. Mas será que são esses “tratantes” que a vão pagar (sobretudo) ou não seremos, afinal, nós classe média e pobres (estes mais do que todos), a pagá-la, com mais miséria e mesmo mais fome (num sentido literal e mais figurado) ?

Será que, como povo resignado (que de certa maneira somos), vamos permitir que Sócrates e os seus “muchachos”, continuem a “assobiar para o lado” ou a “sacudir a água do capote”, passando todas as culpas (até dos seus próprios erros) para o que vem de fora?

Não seria tempo de, na Europa e, sobretudo, em Portugal, procurarmos a verdade e as verdadeiras soluções, para este (muito grave) problema e outros, que nos empobrecem e nos causam imenso sofrimento e infelicidade?

Não seria tempo de, olhos nos olhos, nos confrontarmos com a(s) verdade(s) e procurarmos as justas soluções e, depois disso, lutarmos por todos esses valores e razões, na União  Europeia ? Ou vamos deixar que burocratas mais ou menos oportunistas ou “manhosos” (na Europa e em Portugal) decidam por nós ou “nos comam as papas na cabeça” ?

E, sobretudo, não é só a política e os políticos que se divorciam dos cidadãos.  Os cidadãos, também, têm as suas culpas, por amorfismo militante e por individualismo, que tem um lado egoísta, que à colecividade, no seu todo, prejudica.

Precisamos, como poucas vezes, de muita verdade, uns com os outros e até para dentro de nós próprios!…

Caldas/Portugal/Europa,          FERNANDO ROCHA

1 comentário 30 Setembro 2008

DEFINITIVAMENTE ISTO NÃO É (só e sobretudo) UM PAÍS, MAS MUITO MAIS “UM LUGAR MAL FREQUENTADO”

(A PROPÓSITO, ESSENCIALMENTE, DAS CASAS ATRIBUÍDAS, PELA CÂMARA DE LISBOA, SEM CRITÉRIO OU COM CRITÉRIOS, QUE VÃO DESDE O AMIGUISMO POLÍTICO (e não só, o sem esse rótulo também é verdade) AO JEITO OU JEITINHO, ESPERANDO EM TROCA UM OUTRO FAVOR OU POR OUTRAS RAZÕES, QUE A NOSSA RAZÃO DESCONHECE;  UM “FARTAR DE VILANAGEM” (!…), À CONTA DOS URSOS – OS CAUSTICADOS CONTIBUINTES, “QUE PAGAM E NÃO BUFAM” OU SE “BUFAM”, “BUFAM” POUCO, PARA TAMANHO REGABOFE!…)

Como diria o outro “já nada me espanta, desde que vi um porco a andar de mota no circo”. E a propósito de circo, neste “circo” em que se transformou grande parte da política nacional, começamos a estar, com cada vez com maior frequência, à espera que o triste “espectáculo” prossiga dentro de momentos, COM “PALHAÇADAS” OU TRUQUES DE ILUSIONISMO, geralmente, de má qualidade.

Que a política, em Portugal, como um pouco por todo o mundo, se começou a transformar num espectáculo que os políticos conscientemente fabricam (Sócrates e o seu PS/socrático nisso são exímios), já o sabíamos. O que ainda não tínhamos dado conta é que, salvo honrosas excepções, o espectáculo que dão está-se a tornar demasiado deprimente, até da parte de figuras porque, concordando ou não com as suas ideias políticas, nos mereciam algum respeito. E ver figuras por quem tínhamos alguma estima e consideração no papel de “faz-tudos”, ou a dar cobertura a “palhaçadas” desse calibre, é que é para mim alguma novidade (isto sem desprimor para a nobre arte circense e para “faz-tudos”, como o saudoso palhaço Luciano, que era um excelente artista, de algum modo genial e com muita criatividade).

Na Câmara de Lisboa o espectáculo seguirá, certamente, dentro de momentos, com mais “tesourinhos deprimentes”, infelizmente e de quase todas as bandas, com as tais honrosas excepções que confirmam a regra. E a regra era dar casas pela côr dos olhos ou outros “critérios”, que em termos de critério nem éticos, nem verdadeiramente simples critérios são. Mas cuidado se pensamos que só em Lisboa é que havia este autêntico regabofe estaremos, muito provavelmente, bastante enganados. Ontem no “eixo do mal”, o programa telivisivo da Sic Notícias, dizia-se que isto se devia, quase ou mesmo praticamente, multiplicar pelos 307 municípios, que “este lugar mal frequentado tem”.   Já agora, como caldense, interveniente, se tiver ocasião e me der na bolha (porque às vezes já falta a pachorra) irei investigar o que pela cidade termal ou capital do “pirilau” (que diga-se também atravessa uma crise de fabrico) se passa.

Pensávamos, pelas notícias de até há dias, que essa prática das “casinhas” a preços módicos, era mais uma das muitas “habilidades” da direita (Santana, Carmona e Compª.), mas eis que, surpreendentemente, nos é dito que essa era uma coisa corrente, praticada desde sempre, em todas as “latitudes” e quadrantes.

A este propósito, permitam-me uma devassa, exemplar, a que ao vivo e a cores assisti:  Jamais me esquecerei de algo que me deixou perplexo e estarrecido, quando fui do PS (na década de noventa do século passado, com a ilusão de que o Jorge Sampaio ia tornar o Ps de facto e de direito, verdadeiramente socialista). Estava eu num plenário de militantes da então maior Secção de Lisboa e do País, quando um tipo que eu conhecia mal (foi das primeiras reuniões a que fui) questiona a mesa, a propósito de desalojar o aparelho de direita, na Câmara de Lisboa (era esse o ponto da conversa), depois de acabar a Era do falecido Abecacis (do CDS), que Jorge Sampaio com a coligação de esquerda  destronou (com a Assembleia Municipal presidida pelo agora NOBEL Seramago), mais ou menos, nos seguintes termos:

- “Então  quando é que há empregos para a família Socialista ?” 

Ao princípio ainda pensei que a personagem interrogante se estava a referir à “FAMÍLIA SOCIALISTA” no sentido que se usava para englobar os quadros mais capazes do partido, para gerirem melhor a edilidade, mas por um certo embaraço que notei nos presentes, acabei, para meu espanto e desgosto, por concluir que ele se referia não ao uso figurado, mas ao estrito, que era nem mais, nem menos que arranjar emprego para os familiares dos militantes ou para os próprios, sem qualquer critério, para além do da velha “instituição nacional” que é a “cunha” (o favor que quem tem poder oferece a quem lhe é simpático ou a quem lhe dá jeito).  Cá “para os meus botões” pensei, afinal onde é que eu estou metido ?!    Mais tarde disseram-me que estivesse tranquilo que o tipo em questão era um bocado tonto. Bastante mais tarde, ainda, tive a certeza que não e que tonto era eu, por não ter percebido, que, à sorrelfa ou mais às claras essa era, para muitos “socialistas” a prática.      Por essas e por outras, um belo dia (por 1999), ainda com Guterres no comando, “dei corda aos sapatos” e mandei o lugar que tinha na Comissão Política Concelhia de Lisboa e a militância dita “socialista” às urtigas.

Mas, voltando ao caso das “casinhas”, há nestes profissionais da política algum amadorismo. Senão vejamos:

Estas denúncias surgiram, ao que parece, para queimar Santana Lopes, que se começou “a chegar à frente”, para mais uma corrida Presidencial ao município dos corvos (essa bela Lisboa, também tão mal frequentada) e eis que, senão quando, zás; A principal denunciante a ANA SARA BRITO, do PS, que conheço e com quem politicamente me relacinei, por diversas vezes, também teve uma casita, com “renda económica”. Então não é que quem a mandou efectuar o “serviço”  ou ela própria, se foi  sua a iniciativa, de atacar a Helena Lopes da Costa, do PSD e por tabela o Santana, não deviam, no mínimo, “ter posto as barbas de molho” (?!…).  Mas que “amadorismo” é este. Ou será que tudo não passa de um equívoco, que deve ser esclarecido. Cá por mim gostaria que  fosse. Mas se não o fôr “dura lex, sed lex” (aqui não é Lei, porque, como já vimos não a havia, mas, em termos éticos, o seu lugar estará em causa, acreditando eu, que a própria tomará essa decisão).

Enfim, para não dilatar mais esta escrita, nada melhor do que antes de pôr um ponto parágrafo definitivo, nesta conversa, encerrar com umas interessantes citações de um que é, talvez, o actual cronista-mor do Reino, Vasco Pulido Valente (VQP), que hoje no “Público” (um caso raro, de alguma qualidade, na imprensa portuguesa) nos diz:

“Amigos da vida ou do partido, artistas, jornalistas, família, família da família, protegidos desta ou daquela personagem política, que não convinha ofender ou era conveniente afagar, iam à Câmara e a Câmara dava.  Dava com generosidade património público. Não havia regras. Quem apanhava, apanhava e quem não apanhava, que fosse bater a outra porta.”   (claro que VQP se refere às “casinhas” em “saldo” na Câmara de Lisboa).

E, finalmente, esta citação, mais genérica, ao ”QUE A CASA GASTA”, que como ex-funcionário do Estado e das Finanças bem conheço e que política e sindicalmente combati ou tentei combater:

“Os portugueses sempre se trataram assim: com um “jeitinho” aqui em troca de um “jeitinho” ali.  E a Administração do Estado fervilha de grupinhos de influência e de pressão que promovem, despromovem, transferem e demitem – e vão muito respeitosamente, ganhando o seu dinheirinho por fora, com uma assinatura e um carimbo.  Ética de serviço?         QUEM OUVIU FALAR DISSO?”

    FERNANDO ROCHA 

                                                                                        

        

Adicionar comentário 28 Setembro 2008

O CASAMENTO HOMOSSEXUAL E OUTROS MAIS

(CASAMENTO GAY:   TEMA  POLITICAMENTE INCORRECTO RELATIVAMENTE AO ESCRIBA)

Em Portugal está na ordem do dia (no Parlamento e não só) o casamento dos homossexuais. Embora, por razões de alinhamento partidário os devesse defender, confesso (“eu pecador me confesso”) ter as minhas dúvidas tanto por oportunidade do debate, relativamente a outras matérias, em Portugal e na actualidade, muito mais pertinentes, como pensar que a instituição casamento é demasiado conservadora, para quem se reivindica marginal (no bom sentido), tanto mais que se me afigura que o regime da união de facto, para estes cidadãos, prevista, cumpre, pelo menos de algum modo, essa função.

Há dias no “fórum” da TSF (programa de antena aberta à opinião dos ouvintes, em que por vezes participo) achei muito curiosa e, também, hilariante a intervenção de um ouvinte que, dizendo que achava que o casamento era para acasalar e procriar e que não via como seres do mesmo sexo poderiam atingir esse desiderato, defendia como mais lógica ou paralelamente a poligamia.  Face a isto ri-me a bom rir não só pelo insólito da proposta do ouvinte, mas também por começar a pensar que a legalização da poligamia constituiria a destruição da nossa sociedade, assente na família a dois (e eu que tenho uma certa costela de radical revolucinário “secretamente”, de certo modo, desejo-o). Depois falei com uma amiga, que depois de se rir e de ouvir as minhas “razões”, no seu  feminista desejo de igualdade (legítimo), defendeu a poliandria ( o mesmo que a poligamia, que deixa que o homem tenha várias mulheres, mas relativamente à mulher poder ter vários maridos). Disse-lhe resoluta e convictamente que nada contra tinha. Mas pelo caminho ri-me ainda mais e agora já sei. Vou defender a legalização da poligamia e da poliandria em simultâneo.

Mas caro leitor a história não se fica por aqui. Como por acaso dos acasos e coincidência das coincidências, também há dias foi-me dado assistir a um curioso debate, nesta minha cidade das Caldas da Rainha, realizado pela Associação Forense do Oeste, superiormente animado pela Srª. Juíza Isabel Batista, numa periódica iniciativa que se denomina o “Café das Quintas” (porque é sempre há 5ª. Feira, no tradicional e antigo Café Central, que me deve alguma coisa por estar aberto e não se ter travestido em loja chinesa ou em casa de óculos, ficando, nesse caso, os caldenses “a ver o “Central” por um canudo”).    Ora este debate, subordinado ao tema “o pecado”, teve por animador o ilustre especialista em questões religiosas o Professor Moisés Espirito Santo, que eu já ouvira na TV e de quem gostara. Todavia, na 5ª. Feira passada,  o debate pela eloquência e desassombro do ilustre animador, superou todas as minhas expectativas e trouxe-me importantes novidades sobre o antigo testamento e mesmo sobre o novo.   A saber: a sociedade judaica antes e no tempo de Cristo era poligâmica e este não condenou a poligamia.  O debate teve outros aspectos interessantes, em que o conferencista tentou demonstrar que o Cristianismo e o Catolicismo são uma construção do Poder, da Igreja ou das Igrejas. Mas voltando a Cristo, este não condenou a poligamia, tendo condenado antes a escravização da mulher pelo homem, que, naquele tempo, fazia desta quase um objecto ou como um animal de que fosse proprietário. Afinal se já sabíamos que a “SANTA MADRE IGREJA”, pouco ou nada de santidade tinha, porque assentou em muitas mistificações e até “crimes”, separadas as épocas, semelhantes aos do nazismo, como a “SANTA INQUSIÇÃO”, ficamos (fiquei eu) a saber que em aspectos essenciais adulterou a palavra do seu principal profeta e Deus.

Mas voltando ao assunto e concluindo, NADA TENHO CONTRA O CASAMENTO DOS HOMOSSEXUAIS, COMO, SE TAL FÔR APROVADO, TALVEZ ME DÊ PARA (PORQUE NÃO) DEFENDER E ATÉ ENCABEÇAR UM MOVIMENTO NA DEFESA DA LEGALIZAÇÃO DA POLIGAMIA E DA POLIANDRIA, EM SIMULTÂNEO, tanto mais que é inconstitucional prejudicar um cidadão português, por razões de orientação sexual.  Tenho dito e “amen”.

   Caldas, 28 de Setembbro de 2OO8        -   Fernando Rocha

4 comentários 28 Setembro 2008

IMPRESSÕES SOBRE A HECATOMBE IMOBILIÁRIA/FINANCEIRA “made in USA”

Para começar disto também por cá (Portugal) se “usa”. Há por cá muitos partidários destas teses, que não são “tesos”  (para leitor estrangeiro “teso” significa não ter dinheiro para “mandar cantar um cego”). Estou falando das teses neo-liberais da chamada “democracia económica” ou do mercado, como queiram, que produzem estes lindos resultados, pagos não propriamente pelas chamadas “vítimas”, mas por todos nós (acho graça chamarem “vítimas” aos grupos financeiros que faliram ou que o contribuinte americano ajudou a que não falissem).  Acho, também, muita graça, recheadada de um misto de ironia e quase raiva, quando oiço comentadores dizerem que isto destas falências, que pôem os pobres mais pobres, são boas, porque “limpam” o sistema de tecidos doentes e, tal como na selva, sobrevive o mais forte. Esta teoria até poderia estar certa se fosse só um jogo entre os donos da economia de casino, mas não é assim, porque, pelo meio disto, há um número quase infinito de “mexilhão” (o povão) que se trama. E, infelizmente, tal como no ditado que diz que “quando o mar bate na rocha (rocha pedra, não eu) quem se lixa é o mexilhão”, aqui, nesta roleta de banqueiros, também é o pequenino investidor ou aforrador, que sai tosquiado e nalguns casos quase nú, como Nosso Senhor o mandou vir ao Mundo.   Esses “teóricos”, defensores destas “purgas”, no sistema financeiro, devem achar que perante estas hecatombes, que acabam por nos cair em cima, devíamos estar gratos e, então, diríamos (numa voz quase cantada a pedir harpa celestial) :

    - MUITO GRATOS (!); VENERANDAMENTE AGRADECIDOS E OBRIGADOS, A V. EXªs., POR ESTARMOS MAIS POBRES !… 

A este propósito, recomendo a leitura do que já é quase o meu cronista favorito, de seu nome Rui Tavares,  que escreve, no “Público”, de hoje 22 de Setembro, do ano da (des)graça de 2008, na sua “crónica sem dor”, com o título “Gestor Pangloss”, coisas como esta:

   – “Houve gente que perdeu casas, seguros de saúde, pensões de reforma ?   Wunderbar!  Tudo vai pelo melhor no melhor dos mundos possíveis”

Ou esta:

   – “A ideia é que as falências sucessivas são uma purga “natural” e que a seguir à desregulação temos de desregular mais ainda.  Esta gente era capaz de viver na Idade Média e não só dizer que a peste negra era uma coisa óptima como defender que a cura era esfregar os abcessos bubónicos uns nos outros.” 

        Nota: Queria aproveitar este artigo para demonstrar a minha gratidão (e também admiração) por ter menos de 50% de leitores cibernéticos, em Portugal, e os restantes, essa ligeira maioria de cerca 53% , por esse mundo além. Nos EUA, no Brasil, no Panamá, na França, na Bélgica, na Espanha (de nuestros hermanos), na Polónia, na Suécia, etc..     Para todos vai um abraço cibernético, mas muito à antiga, solidário, bem como para os meus compatriotas, deste Portugal pequenino, mas de povo com alma grande.

Fernando António da Costa Rocha,       também conhecido pelo “Fanan”, interventor, de mérito mediano, ora triste, ora mais Alegre, radical na crítica, mas tolerante com quem “erra”, porque se recusa ao amorfismo ou à quietude “conveniente”.

Adicionar comentário 22 Setembro 2008

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