Arquivo de Agosto, 2008
Numa iniciativa do Conselho de Cidade das Caldas da Rainha e de um seu Grupo de Trabalho, especialmente criado para o efeito, vai-se realizar nesta “cidade termal”, que cada vez menos o é (porque as suas termas estão numa tal crise que já se ameaça com a sua venda aos interesses) um DEBATE SOBRE O DESEMPREGO na região. Poderão alguns perguntar se está no estrito âmbito do Conselho de Cidade a realização de um tal debate, uma vez que esta organização está especialmente vocacinada para as questões da cidadania ?
Procurando responder a esta questão direi que sim, uma vez que o problema do desemprego, em Portugal e muito particularmente na cidade de Caldas, está atingindo uma tal dimensão que se está tornando uma das ameaças mais sérias à própria cidadania. Como poderemos exercer, nas Caldas da Rainha, como no País, uma cidadania saudável (que só pode ser entendida se envolver a totalidade dos membros de uma comunidade) se um cada vez maior número de cidadãos perde o direito ao trabalho, que é, na esmagadora maioria das vezes, o seu único meio de subsistência ?
E note-se que, na pergunta anterior, não estou a entrar, de uma forma explicitamente clara, com esse outro flagelo social que nos vem atingindo de forma particularmente violenta e que dá pelo nome de PRECARIEDADE LABORAL, que, sobretudo, atenta contra as mais genuínas e legítimas expectativas do direito ao trabalho com dignidade e direitos, essencialmente, da juventude portuguesa. É que por mais que as estatísticas tentem mistificar a questão (nem de perto nem de longe) é a mesma coisa ter um trabalho estável, com todos os direitos, a ele inerentes, ou ter apenas um emprego precário, no geral pessimamente pago e quase sem direitos. Dirão alguns, partidários ou ludribriados pela globalização neo-liberal, que assim tem de ser e que no futuro, certamente, será. Desde já lhes respondo que recuso resolutamente essa sua conclusão. Primeiramente porque considero que essa “evolução” nada tem de modernidade, como alguns nos tentam convencer, mas antes faz regressar a Humanidade e, particularmente, a dita civilização europeia e ocidental, a um estádio muito menos humanista, em que a mais rude, brutal, exploração do Homem era aceite, como uma inevitabilidade. E em segundo lugar porque mesmo para o desenvolvimento, que todos dizem pretender, não é possível esse mesmo desenvolvimento, enquanto progresso colectivo, se uma parte substancial da força do trabalho está, por força de uma grande ausência de direitos, desmotivada. Ou será que se motiva alguém com um emprego precário, sem direitos ?
Mas se como tentei demonstrar, em termos genéricos, o direito ao trabalho é, também, um direito de cidadania, na actualidade caldense o problema tem uma outra, não menos grave, dimensão. É que a crise porque passa a nossa principal e mais característica indústria – a da cerâmica – põe em causa um dos principais suportes da identidade caldense. E isto que é, só por si, uma enorme perda para a nossa comunidade, também o é para a sanidade do exercício da cidadania, nas Caldas da Rainha; que vem assistindo, quase impotente, à crise ou mesmo ao encerramento de importantes unidades de indústria cerâmica. Com a “Secla” encerrada e com a “Bordalo Pinheiro” em profunda crise, esta cidade fica mais pobre, triste e com a sua cidadania diminuída. Estas duas fábricas foram, no passado, um viveiro formidável de artistas, de criativos. Menos artistas significa menos criatividade; e com menos criatividade é mais pobre a cidadania e, com o definhamento desta, definha, também, a própria democracia.
Por tudo isto considero oportuníssima a realização deste debate sobre o desemprego a ter lugar no próximo dia 20 de Setembro, no Auditório dos Paços do Concelho. Será estultícia considerar-se que a sua simples efectivação resolverá o problema com que nos debatemos; mas se o considerarmos um primeiro passo para colocar um outro olhar, mais reflectido, sobre esta problemática do desemprego, tendo em vista objectivos para a sua superação, acredito que estaremos no caminho certo; ainda que longo, muito longo, o possamos considerar, para a assumpção desse ideal supremo civilizacinal e, consequentemente, de cidadania, que são: - O inquestionável direito ao trabalho e ao pleno emprego.
Fernando Rocha
26 Agosto 2008
O “25 DE ABRIL PASSOU POR LÁ”, por essa R.C. do I. COMPLEMENTAR DE LISBOA e marcou-a, com essa carga de sonho e rebeldia. Foi-lhe posta a alcunha de “5ª. DIVISÃO”, que era um departamento das Forças Armadas do tempo da Revolução, onde pontificava o lendário e felizmente ainda vivo Coronel VARELA GOMES – este departamento/repartição militar estava encarregado, tanto quanto a memória me permite recordar, de manter acções que garantissem a genuinidade revolucionária; era uma espécie de “Guarda avançada” do MFA ( Movimento das Forças Armadas ).
Com a transferência das instalações do Príncipe Real para a Rua Brancamp (ao Marquês, paredes quase meias com o então jovem jornal “Expresso” do então, também ainda jovem Francisco Pinto Balsemão) a Repartição C.I. Complementar ganhou outro élan. Entrou para a Repartição ainda mais juventude. Tinha um Chefe (um Secretário de Finanças de 1ª classe), 7 Sub-chefes (Secretários de Finanças de 2ª.) e ainda Chefes de Sala, que eram, geralmente, Secretários de Finanças de 3ª classe. Isto dá uma boa ideia da dimensão da Repartição. O sistema de funcionamento da Repartição parecia uma fábrica. Muita da malta nova limitava-se a fazer tarefas auxiliares e repetitivas como fossem alfabetar elementos destinados a instruir os processos, fazer a passagem dos dados para os verbetes, tirar conhecimentos, alfabetar processos e declarações, tirar 32-B (impressos onde se solicitavam às repartições os rendimentos dos vários Impostos que entavam para o cálculo do Imposto Complementar) e mesmo ir aos Bairros Fiscais com esses 32-B, colher os dados neles solicitados, por os Bairros, de uma maneira geral, não terem condições para o fazer, etc., etc..
Por outro lado, os funcionários mais categorizados instruiam, liquidavam os processos (operação que consistia em fazer as contas e apurar o imposto a pagar) e procediam ao seu débito à Tesouraria, que funcionava no rés-do-chão do edifício.
Eu, por esta altura, para além das quase intermináveis tarefas de alfabetar elementos dos contribuintes, era destacado muitas vezes para ir colher elementos aos Bairros Fiscais. Esta tarefa tinha, para mim, a vantagem de quebrar a rotina e de conhecer outras “gentes”, o que eu sempre gostei. Na altura imediatamente posterior ao “25 de Abril”, essas deslocações aos Bairros, tinham, para além disso, a vantagem suplementar de proceder a muitos contactos, que me ajudavam imenso nas minhas lides sindicais, em que, desde o primeiro dia do sindicalismo na DGCI, me envolvi (desnecessário se torna dizer que só a partir do “25 de Abril” foi possível o exercício da actividade sindical, na Função Pública e, consequentemente, na DGCI).
Ora foi precisamente nessa tarefa de ir recolher elementos aos Bairros Fiscais que, imediatamente a seguir ao “25 de Abril”, fui destacado para fazer uma recolha de elementos no 6º. Bairro Fiscal de Lisboa que por essa altura ocupava conjuntamente com o 5º. Bairro um prédio na Av. 5 de Outubro, muito próximo do Saldanha. O Chefe do 6º. Bairro era um Chefe de Finanças à antiga, o Sr. Matos e o Sub-Chefe era do mesmo estilo, o Sr. Vargas, ambos por sinal pessoas muito afáveis e simpáticas. Recordo-me, antes de ir à história que quero contar, que o Sr. Matos tinha, fisionomicamente, a rara particularidade de ter os olhos de cores diferentes, mas o assunto, por respeito, não era tema de observações. Então um dia uma funcionária, com alguma pompa e circunstância (que os Chefes eram homens a quem era devido muito respeitinho), foi mostrar o seu petiz, um rebento de tenra idade, ao Chefe e, na altura do beijinho, a criança, depois de oscular o grande Chefe, virou-se para a mãe e, na frente de meia Repartição, proclamou, alto e bom som, na sua santa ingenuidade de criança:
– Mãe, olha, o Chefe tem um olho de cada cor !
Escusado será dizer que no meio do embaraço da mãe, nem a malta, nem o próprio sr. Matos resistiram a uma forte gargalhada geral.
Mas vamos, então, à história, em minha opinião ainda mais hilariante, que vos prometi contar:
O edifício da 5 de Outubro era um velho edifício de habitação que o Estado adquiriu e que adaptou para lá funcionarem os dois Bairros Fiscais. Essa era a política do tempo da ditadura, em que a esmagadora maioria dos edifícios das Finanças, como muitos outros do Estado, em geral, não eram edifícios construídos de raíz para os fins a que se destinavam. Esse facto originava uma grande falta de funcionalidade em muitas dessas instalações, facto que, no caso das Repartições de Finanças, veio a ser corrigido em grande parte no decorrer do “25 de Abril”, com a edificação de raíz de muitas Repartições e respectivas Tesourarias da Fazenda Pública. Penso, aliás, que a gatunagem só não assaltou muitas Tesourarias, por não se aperceber das precárias condições em que funcionavam. Fosse hoje e acredito que era sem dúvida “um ver se te avias” … Nestas condições, ocupando cada Bairro um piso, cada um destes dispunha de umas 4 ou 5 casas da banho (não me recordo do número exacto). Quando eu fui fazer essa recolha de elementos para instruir os processos de Imposto Complementar o “25 de Abril”, se a memória não me atraiçoa, tinha ocorrido ainda não havia 1 mês. Vivíamos assim a euforia dos primeiros tempos da democracia ou melhor do PREC (Processo Revolucionário em Curso). Ao deparar-se-me uma casa de banho por demais imunda para a efectivação das necessidades, do pessoal menos qualificado (aspirantes e escriturários), sabendo da existência de bastantes mais, fiquei “possesso”, mas contive-me e comecei a congeminar uma forma de dar a volta à questão, tanto mais que eu não era propriamente funcionário daquele Bairro Fiscal. A coisa era vexatória e ridícula, uma vez que haviam casas de banho (retretes) privativas para todos os géneros e classes. O Chefe tinha uma o sub-Chefe outra, o Sr. Queimada, que era um autêntico “gentleman”, embora fosse apenas Secretário de Finanças de 3ª. classe, outra e ainda havia pelo menos mais uma ou duas para as Senhoras do Fundo de Desemprego; para o pessoal , todavia, estava destinada aquela coisa imunda, onde se acumulava, para além de puro e simples lixo, matrizes, caducas, de mil e novecentos e poucos, que se não podiam deitar fora, porque, por vezes, eram precisas para consulta, geralmente para a passagem de certidões.
Resultado, antes da efectivação da necessidade, tínhamos de fazer quase um rali entre toda aquela barafunda, fedorenta, autêntico paraíso para aranhas, baratas e ratos. Ora bem, eu era um funcionário da Rep. Central do Imposto Complementar, destacado no 6º Bairro, para aquela específica função, mas cada vez que necessitava de ir àquela coisa, de grau abaixo de retrete, para além da indignação, lá recomeçava a dar voltas ao miolo sobre a forma, por um lado, de resolver o problema, em concreto e, por outro, de dar uma lição a todos aqueles meus colegas, incluindo os Chefes. Como me caracteriza um certo sentido de humor, tive, então, a “genial ideia” de fazer uma simbiose entre o protesto reivindicativo e a anedota. Resolvi, pois, pôr a funcionar entre os funcionários “vítimas da discriminação” um ABAIXO-ASSINADO DENUNCIANDO QUE HAVIA NO BAIRRO FISCAL CUS PRIVILEGIADOS e, por outro lado, outros, os da ralé, condenados à maior enxovia, erigida em casa de banho.
O abaixo-assinado (que era muito popular, como forma reivindicativa, naqueles tempos imediatamente sequentes ao “25 de Abril”) começou a correr pelos funcionários dos cús discriminados, provocando um misto de sorrisos e temores, na aposição da assinatura, receando alguns represálias do “poder”, dos detentores dos ditos cujos cús privilegiados. De concreto o abaixo-assinado acabou por não ser entregue , mas, como não podia deixar de ser , chegou ao conhecimento do Chefe, o Sr. Matos e do Sub-Chefe, que sabendo ser eu o seu autor, puseram à minha disposição as suas casas de banho privativas. Com elegância, expliquei-lhes que não era por isso que eu tinha posto em acção o protesto. Dei-lhes a entender que não eram só as minhas “partes gagas” que estavam em causa, mas as de todos os funcionários e, assim, para meu gozo pessoal, o problema resolveu-se, aplicando-se a todos os cus uma “ordem mais democrática”.
Moral da história: Embora seja verdade que quem tem cu tem medo, até aqui se prova que mesmo os cus explorados, se unidos, jamais serão vencidos!…
E embora esta história não seja propriamente do “Complementar”, por mim e pela minha função, àquele saudoso serviço inerente, naquela circunstância, aqui fica registada, ciberneticamente. Por ora, interrompo mais uma vez estas “estórias”, que, com pachorra, muita pachorra, talvez continuidade tenham, como nas novelas da TV ou nos fohetins radiofónicos, de antigamente, em que havia sempre lugar para mais um…
Fernando Rocha
23 Agosto 2008
Como é do conhecimento geral a empresa Secla, que já foi a maior fábrica de cerâmica da Europa encerrou, propondo aos trabalhadores indemnizações por cerca de metade (menos mesmo) do que a Lei nestes casos estipula. Ora acontece que treze dos trabalhadores resolveram, como é de direito e de seu direito, não aceitar e exigir que a Administração cumpra a Lei. Em minha opinião fizeram bem, não só porque é um direito que lhes assiste, como, também, não se afigura que a empresa e os empresários que a gerem, não tenham condições económicas para cumprir com a sua obrigação ética de pagar o que aos trabalhadores é devido.
Ora acontece que hoje dia 14 de Agosto o patronato sem ter decretado a falência da empresa (o que indicia que a situação não é tão má, financeiramente, quanto a Administração apregoa) tendo, desde o encerramento, os salários por pagar a estes treze trabalhadores e procurando forçá-los a assinar o tal “acordo” que lhes paga uma indemnização aquém, por cerca de metade, da legítima, tentou retirar do interior de uma das instalações fabris da empresa (junto ao Cemitério velho de Caldas e próximo do Largo da Rainha) ao que parece um forno e outro material, “manobra” a que, como é lógico, os trabalhadores se opuseram.
Face a esta situação, como cidadão solidário com os mais desprotegidos e que lutam pelos seus legítimos direitos, contra as prepotências de um patronato que os procura enganar e esbulhar dos seus direitos, lanço, atavés deste meu blog o APELO À SOLIDARIEDADE DE TODOS QUANTOS ACHAM QUE QUEM TRABALHA TEM DIREITOS, QUE A LEI DA NOSSA REPÚBLICA FIXA E DE QUE NÃO PODEMOS ABDICAR, SOB PENA DE NOS TRANSFORMARMOS NUMA QUALQUER REPÚBLICA DAS BANANAS, ONDE VALE QUASE TUDO…
Em especial penso que a população da cidade das Caldas da Rainha deve demonstrar a sua solidariedade para com estes operários que procuraram (e procuram) até à última, defender os seus direitos e mesmo os postos de trabalho, de uma empresa de enorme prestígio nesta cidade de Caldas, que a ter ainda alguma viabilidade (como muitos pensam que tem e entre estes os trabalhadores), é um crime ser encerrada.
Manifestemos pois solidariamente o nosso apoio aos trabalhadores da Secla e o repúdio por esta “manobra suja” quiçá ilegal, para não dizer fraudulenta, da Administração, que ficará na história como a “coveira” da que já foi a mais próspera e prestigiada empresa caldense.
F. Rocha 14-8-2008
14 Agosto 2008
As provas aí estão, comprovando que se no passado a gestão do conhecido por COFRE DE PREVIDÊNCIA DO MINISTÉRIO DAS FINANÇAS, mas que na actualidade se designa por Cofre de Previdência dos Funcinários e Agentes do Estado, havia escândalos e mais escândalos com a gestão do Cofre, não foi a mudança de “Liderança” que fez cessar essas práticas de gestão ruinosa ou mesmo danosa (se alguns indícios mais gritantes e graves se vierem a comprovar).
O recente trabalho jornalístico publicado pelo semanário “O Diabo”, na sua edição de 5 de Agosto, documenta e completa informações que alguns dos que acompanhamos a actividade do Cofre e a comprovada falta de transparência, destes Corpos Gerentes, com especial destaque para a Direcção, liderada pelo Ex-Director de Finanças Manuel Empina Moscas, de todo não nos surpreendem. Há algum tempo que temos vindo a denunciar práticas irregulares e uma completa falta de transparência na gestão do Cofre. Denunciámos e continuamos a denunciar como viciadas as eleições para os Corpos Gerentes, que se realizaram no final do ano passado (uma prática que se tem vindo ao longo da última década a repetir e que constitui uma das mais gritantes burlas eleitorais do pós-25 de Abril). Não vamos, agora, repetir o imenso rol de burlas e irregularidades das últimas eleições, pois, as mais gritantes estão neste mesmo blog já denunciadas. Vamos, todavia, enfatizar e comentar os indícios suspeitos na gestão (que sem qualquer dúvida acusamos de ruinosa), que sob a liderança de Empina Moscas governa o Cofre desde 2001, repetindo algumas perguntas que um grupo de associados não identificado formula e às quais a Direcção tem de responder.
“1 – É verdade que a Direcção do Cofre construiu um Lar de 3ª idade em Vila Fernando, no Concelho de Elvas, para o oferecer à Associação dos Amigos de Vila Fernando e que custou cerca de 500.000 Euros ? “
A esta pergunta podemos adicionar outras:
Para quê e quem um Lar nos confins do Alentejo? Para beneficiar que sócios? Quantos sócios ou familiares de sócios tem o Cofre nesse Lar ? Quantos outros internados são da Associação acima referida ?
“2 – É verdade que o protocolo celebrado com a Câmara de Elvas (através do qual o Cofre construiu o lar que ofereceu à referida Associação e a Câmara “doou” um terreno de 3.000m2 para a construção do Lar do Cofre) impõe que os funcionários do Cofre que pretendam trabalhar no seu Lar de Vila Fernando, são admitidos pela Câmara Municipal de Elvas ?”
Sobre este ponto nº. 2 impõe-se o seu esclarecimento e, a verificarem-se a veracidade das acusações, por análise minuciosa e tecnico-jurídica das escrituras que estabelecem o protocolo citado, verificar a legitimidade da Direcção do Cofre e dos seus membros, para estabelecer contratos tão pouco ortodoxos, quanto este. Indepedentemente das conclusões apuradas, delimitar para futuro a capacidade da Direcção para celebrar contratos, sem a prévia autorização da Assembleia Geral do Cofre (onde esta deve solicitar, com toda a clareza autorização para, em nome do Cofre, celebrar determinados contratos, ainda que esta nova disposição implique uma revisão dos Estatutos e Regulamentos). O que não pode é continuar a admitirem-se, sem o conhecimento completamente transparente dos sócios (representados pela Assembleia Geral), situações contratuais passíveis de envolver alguma promiscuidade, que possam lesar a instituição.
“3 – Foi cincidência o Sr. Presidente da Direcção, Dr. Manuel Moscas ter sido candidato à Junta de Freguesia de Queijas, pelo PS, logo após este acordo com a Câmara Municipal, cujo Presidente é um destacado militante do PS ? ”
Apesar desta pergunta envolver uma insinuação, convém tê-la presente.
“4 – É verdade que o Cofre comprou um terreno em Vila Nova de Gaia por 268.000 Euros que, no mesmo dia, tinha sido comprado pela vendedora por 224.000 Euros ?
É verdade que não foi feita, aquando da aquisição, a avaliação desse terreno ?”
Se mais questões não houvessem, esta, só por si, é de uma enorme gravidade, indiciando negócios, feitos em nome do Cofre, pela Direcção que indiciam “esquemas” ou no mínimo (quanto à segunda questão) uma grande falta de rigor (irresponsabilidade). Quanto à primeira questão a Direcção tem que a esclarecer, sob pena de não o fazendo ou fazendo-o de forma não satisfatória, estar sujeita a processo judicial ou sindicância por entidade competente, para o apuramento de possíveis responsabilidades.
“5 – É verdade que a empresa que está a implementar o sistema informático do Cofre há 5 (cinco !!) anos, foi uma escolha pessoal do Presidente da Direcção que não fez qualquer consulta de mercado e lhe adjudicou o serviço por cerca de 400.000 Euros ?”
Ora aí está mais uma questão de enorme gravidade que, a provar-se, como outras, significam que o Presidente da Direcção e a própria Direcção, com a cumplicidade dos restantes Corpos Gerentes, FAZEM DO COFRE UMA COUTADA SUA EM QUE TUDO É PERMITIDO (!!). Significa que estes senhores regem o Cofre numa lógica de mais que suspeito AMIGUISMO interesseiro, que pode configurar vantagens pessoais (!!…) .
“6 – É verdade que o projecto de construção de um lar em Queluz está parado há 6 anos na Câmara, beneficiando da passividade da Direcção ?”
Este sim seria um Lar com uma excelente localização, mas neste caso, por razões que a razão desconhece, a Direcção permanece queda esperando que ocorra o DIA DE S. NUNCA À TARDE !…
“7 – Constatando-se que a Direcção do Cofre está a aumentar a capacidade do Lar de Loures de 37 para 50 associados, para minimizar os prejuízos, que rondam os 10.000 Euros mensais, porque é que fez um lar só para 30 utentes em Vila Fernando ?”
Ora bem, esta é uma dúvida que não é nova, mas que bem vistas as coisas significa: Primeiro que a Direcção não sabe gerir porque gere com um tão elevado prejuízo ou dito por outras palavras, pratica uma gestão ruinosa e incompetente; Segundo que houveram, certamente, outras razões que a nossa razão desconhece que presidiram ao critério da Direcção para a construção do Lar de Vila Fernando, lá nessa “terra de ninguém”, que por acaso é a terra do Sr. Presidente da Direcção, nesse Alentejo profundo, em que um utente internado vai como quem, em termos políticos, vai para o exílio ou desterro !…
Aberto que está este precedente eu que sou das Caldas, se alguma vez chegar a Presidente da Direcção do Cofre, poderei querer um lar nas Caldas, independentemente das vantagens que daí possam resultar para a instituição Cofre e para o conjunto dos associados. Será isto justo e correcto, até de um ponto de vista ético ?!…
“8 – Um grupo de associados acusou-os, na última Assembleia Geral, de não lhes terem sido facultadas as actas das reuniões de Direcção. Sabendo que os assuntos, regra geral, não são sigilosos, o que têm a esconder ?”
Sobre esta pergunta a resposta será, certamente, muito clara: Têm a esconder muita coisa, porque estas denúncias talvez sejam apenas uma pequena amostra das muitas irregularidades que, quotidianamente, na gestão do Cofre, vêm, ao longo de já bastantes anos, praticando. Aliás estes senhores praticam uma apresentação de contas que não é nada transparente, para não dizer completamente cifrada, em que se torna quase impossível decifrar o desdobramento das rubricas. Como diz o outro quem olhar para aqueles RELATÓRIOS E CONTAS, regra geral, pouco tem a apontar como menos correcto; mas sabemos bem (os que de perto acompanham o activismo do Cofre, que são assíduos nas Assembleias Gerais) que por trás daqueles números, alinhados em grandes capítulos (rubricas contabilísticas) há muita manhoseira, que se procura esconder (!…)
“9 – Como se defendem dos sócios que os acusam de gestão danosa ?”
De concreto e com eficácia, a Direcção, não se pode defender destas acusações. Esta é a única resposta possível a dar a esta questão, porque a gestão praticada é tudo menos transparente. Para esta Direcção o Cofre é uma espécie de quinta sua, que administra a seu belo prazer, sem um mínimo de rigor e competência (vejam-se os prejuízos dos Lares e a que percentagem de asssociados beneficiam) !…
Para lá destas perguntas formuladas por um grupo de associados (que se refugia no anonimato) seria também bom que a Direcção esclarecesse em que termos é utiliza o benefício pessoal da SENHA DE PRESENÇA DE CERCA DE 60 Euros, que é utilizada para custear a presença nas reuniões de Direcção, que se realizam, ao que consta pelo menos duas vezes por semana, no horário normal de expediente e em que funcionários do Cofre que são, simultaneamente, membros da Direcção, parece que recebem “a dois carrinhos”: os tais 60 Euros de senha de presença e o normal vencimento, como trabalhadores do Cofre (?!…)
Isto para além de a filosofia da atribuição das senhas de presença ter sido para custear o jantar e sendo as reuniões à hora de serviço … E já agora digam lá que não há aqui falta de ética e mesmo oportunismo ? Convençam-nos lá que estão a trabalhar no Cofre só ao serviço dos associados, por amor à instituição e à camisola (do ideal mutualista) !…
Tudo isto, caramba, não pode continuar a passar-se com tanta impunidade e com a complacência do Poder político, da Administração Pública e do Poder Judicial. O Cofre é uma instituição de utilidade pública, com mais de 50.000 associados que, a verificarem-se estas práticas (como tudo leva a crer que sim, pelos documentos que agora vêm a público e outras suspeitas praticamente provadas) não pode continuar a ser uma coutada privada destes senhores – qualquer coisa muito parecido com UMA FEIRA DE VAIDADES E MORDOMIAS. O Cofre é património dos associados e é, simultaneamente, uma instituição sujeita a tutela Estatal. O Governo e as outras instituições da República Portuguesa, designadamente o Poder Judicial, não podem continuar “asssobiar para o lado”, esperando que as coisas por si se resolvam e que o imenso património imobiliário e financeiro, desta centenária Mútua, continue a ser gerido desta forma incompetente, oportunista e quiçá interesseira. Pela minha parte, pelas responsabilidades éticas, que há muito assumi, tudo farei, na medida das minhas possibilidades, para, para além da denúncia, que por baixo se assina (o que já não é pouco), para que estas culpas, dolosas e incompetentes, não morram solteiras, como vem acontecendo, com cada vez maior frequência neste “jardim florido à beira mar plantado”, que já foi de “Abril”, mas que hoje, infelizmente, está cada vez mais próximo de uma manjedoura de oportunistas e corruptos !…
Fernando Rocha
9 Agosto 2008