Arquivo de Julho, 2008

PORQUÊ A COMPLACÊNCIA DO PODER PARA COM A CORRUPÇÃO ?

Comecemos, ainda, este texto, que reconheço não estar isento de polémica com outra pergunta:

Será este título exagerado ou mesmo provocatório e por si só injusto para quem tem a grande responsabilidade de combater a corrupção, em Portugal ?

Infelizmente, para todos nós, portugueses, com toda a honestidade e convicção a resposta que dou é um rotundo não.    Não, a pergunta em título faz todo o sentido ser formulada, cabendo-nos apenas  discorrer sobre quais as razões dessa complacência.

Ninguém hoje tem condições para, negando as evidências, não aceitar que a corrupção é, seguramente, um dos maiores problemas nacionais, sendo talvez aquele que mais entrava o nosso desenvolvimento.   E, infelizmente, também tenho poucas reservas em afirmar que o Estado Português é, actualmente, uma presa demasiado fácil nas mãos de corruptos e traficantes de influências.

As recentes declarações do ex-dirigente, Ministro e Deputado Socialista  Engº. João Cravinho bastam para sustentar tudo o que anteriormente afirmo. Mas se alguns ainda ousam duvidar que elas não bastam, juntemos-lhe as públicas e também recentes preocupações do Procurador-Geral da República quanto à acção altamente nefasta do poder legislativo, que ao reduzir a aplicação do segredo de justiça em processos, que investigam crimes de corrupção, deixa o poder judicial  praticamente desarmado para combater esse tipo de criminalidade.

 Recordemos que João Cravinho, no programa Televisivo “Diga lá Excelência”, fazendo mais um balanço sobre o destino das Leis contra a Corrupção que, quando deputado propôs, reconheceu (isto há escassos dias) que foi pelo seu próprio partido, dito “Socialista” (digo eu) completamente derrotado. Se isto para muitos (dos que mais atentos estamos a estas questões)  não é novidade, não é demais que seja afirmado e reafirmado por quem o foi (João Cravinho), para que a ninguém  restem dúvidas sobre a manifesta falta de vontade política, do poder político, em Portugal, a um eficaz combate ao flagelo da corrupção.

Num outro texto neste blog digo que temo que a “OPERAÇÃO FURACÃO” (nome interessante que foi dado ao já enorne “novelo”, com meadas e mais meadas, que se atam e entrelaçam, em escândalos de corrupção, que atingem em cheio o nosso sistema financeiro), por este caminho, de cada vez maior subserviência do poder político aos grandes interesses, não se transforme numa simples e inofensiva aragem. É que, infelizmente, na actualidade, no nosso País, a corrupção (sobretudo a grande) dá sinais de que veio para ficar e que o poder político com ela, progressivamente, é cada vez mais cúmplice, por força de muitos dos agentes, deste nosso poder político, procurarem, a todo o custo, ter um pé na política e outro na gestão privada;  um novo “el dourado”, para quem vai mandando a ética às urtigas. Tenho, aliás, a desagradável sensação de que a princepescamente remunerada gestão privada, está para a maioria dos nossos políticos, como uma vela, em noite escura, está para borboletas, traças e melgas (uma atracção fatal a que não conseguem resistir). 

Outro assunto que anda na ribalta e que de facto é um escândalo a que este Poder não tem coragem de pôr cobro, são os ordenados e outras mordomias dessa nova casta de previlegiados, que são os gestores públicos. Muitos destes cavalheiros, com vencimentos milionários, são os mesmos tratantes que quando este Governo, demagogicamente, moveu, no primeiro ano de mandato, a campanha contra professores e toda a Função Pública, em geral, com ataque aos ditos e aludidos “previlégios” de todo funcionalismo, no geral, com uma enorme desfaçatez, com o Governo fizeram coro. SE O PRIMEIRO DIZIA MATA OS DITOS CAVALHEIROS (DE CARTEIRA BEM RECHEADA À CONTA DO ERÁRIO pÚBLICO) DIZIAM ESFOLA.

Tudo começou  com o oportunismo do primeiro Ministro das Finanças, da ERA SÓCRATES, que nos impunha o aperto de cinto mas que por uma Reforma de 6 anos de trabalho, no Banco de Portugal, sacou, à conta dos ursos, uma pensão de cerca ou perto de 10.000 Euros (dois mil contos).   O dito Prof., de seu nome Campos e Cunha, de ministro lá se demitiu, porque o escândalo era muito, mas, ao que parece, a “modesta reforma” lá continua a ir todos os meses para a engorda da sua conta bancária.

Sócrates, o tal com a fama de justiceiro corajoso, só com os pequeninos implica (cortando nos aumentos e robando nas reformas, que minguam em vez de aumentarem) porque para com os verdadeiros privilegiados (gestores, classe política e Cia.) para o lado assobia.  A crise, essa, vai doendo aos mesmos de sempre e a “DONA CORRUPÇÃO” segue no seu normal curso, de CHAPÉU ALTO E DE COLARINHO BRANCO ! …

       Fernando Rocha

Adicionar comentário 30 Julho 2008

O ESTADO DA NAÇÃO: VERDADEIRAMENTE CALAMITOSO !

Estamos em tempo de DEBATE DO ESTADO DA NAÇÃO, trazido à agenda política pelo partido do poder (este PS eleiçoeiro e meio trapalhão, porque não é socialista e nem sequer social-democrata).  Estes políticos do poder propõem-nos a discussão do estado do País para, a seguir, seguirem para banhos. Bom seria que por lá ficassem e não voltassem, pois, o País ficar-lhes ia, certamente, muito agradecido. Poupar-nos-iam o doloroso esforço de os ouvir e de os ver nesse quotidiano e indecoroso espectáculo de (des)governar Portugal.  É, todavia, preciso que, desde já, nos entendamos. Portugal não precisa de mais políticas neo-liberais, porque têm sido essas as políticas, praticadas por este Governo dito “Socialista”, com estes bem visíveis desastrosos resultados.

Um bom retrato do ESTADO DA NAÇÃO foi feito (hoje dia 9 de Julho, em que estas linhas escrevo) com uma grande coragem e desassombro, na SIC, por Henrique Medina Carreira, tratando os bois pelos nomes, sem recorrer aos habituais subterfúgios, para adoçar a pílula, sem poupar os responsáveis às suas gravíssimas responsabilidades pelo e(E)stado a que chegámos.

Assim, como diz Medina Carreira, o País está endividado a níveis astronómicos; as obras públicas multiplicam por dois, três ou mais os custos orçamentados. Veja-se o caso do Tribunal de Contas que em quase todos os seus relatórios denuncia imensas irregularidades dos agentes políticos e administrativos. Os dinheiros que vieram da União Europeia foram, de uma maneira geral, malbaratados, distribuídos, em muitos casos, por “amigos políticos”, em vez de o serem criterosamente aplicados onde deviam. Agora que esses imensos fluxos financeiros, vindos de Bruxelas, afrouxaram verificamos a sua péssima aplicação. Se em vez de termos tantas auto-estradas tivéssemos um melhor caminho de ferro nacional, uma melhor política de Educação, uma melhor agricultura, um sector das pescas mais forte (aproveitando a nossa imensa área exclusiva,  do “território” marítimo, digamos), uma melhor indústria, etc., não estaríamos no grande sufoco em que nos encontramos. Mas, mais grave do que tudo isto, o Governo actual persiste numa política desajustada de grandes obras públicas, não devidamente justificadas; contrariamente a este despesismo, em tempo de profunda crise, pouco ou nada se faz  para remediar os problemas (os nossos maiores défices) atrás focados, bem como outros, onde avultam os problemas do desemprego, da pobreza, da desigualdade, da enorme injustiça social (somos o País mais desigual da Europa, onde o fosse entre ricos e pobres cresce sistematicamente, ao arrepio dos mais elementares princípios éticos e mesmo constitucionais). 

O ESTADO DA NAÇÃO é de facto calamitoso, no geral, menos para os actores do partido do Poder, que desde há muito transformaram a política num espectáculo, na pior forma circense (sem desprimor para o circo e os seus artistas, que não têm culpa que da sua arte se façam decalques desajustados). De uma forma geral a política deste Governo traduz-se num jogo de aparências (quase truques de ilusionismo) para iludir o pagode. É evidente que a difícil conjuntura internacional, com uma crise profundíssima do neo-liberalismo capitalista, não ajuda o Governo, mas também é óbvio que o estado da Justiça (que nega a existência do Estado de Direito), o estado da Educação (que não prepara minimamente os nossos jovens), a corrupção (o maior cancro nacional desta dita democracia), entre muitos outros exemplos, atrás já focados, não são culpa da conjuntura difícil internacional. A este Governo, de certo modo, a crise internacional até deu jeito, para justificar a sua ineficácia e desacerto. 

O ESTADO DA MAORIA DOS MEMBROS DESTA NAÇÃO É DE DESESPERANÇA, para não dizer desespero. Acontece, todavia, que para meia dúzia (digamos assim) de privilegiados a saber: gestores, classe política e outros quadros ligados aos partidos do centrão, que partilham e dividem lugares e beneces, não há crise. Há abastança, subsídios de reintegração, reformas milionárias (por menos anos  das dos cidadãos comuns), etc., etc..   Enquanto isto de mordomias, de vida bem à larga, para meia dúzia de tachistas floresce o povo sofre a maior das crises, no seu bolso, na sua vida do dia a dia. O País das pessoas comuns está deprimido. O estado da Nação da maioria esmagadora da população é uma desgraça, para a qual não se vê saída. E não se vê saída porque seja do PS, seja do PSD (que são as duas faces da mesma moeda, o centrão político do Poder, com a sua receita neo-liberal) a solução está sempre do lado dos poderosos contra o povo remediado ou pobre e eles, com este sistema político, continuarão  a tender para se alternarem no Poder, até ao dia em que o País bata no fundo ou esta Europa (também neo-liberal) estoire. Eu e muitos dos que nesta análise me acompanham, não desejamos uma hecatombe social, que se torne redentora de um novo estado de mais progresso e justiça social; porque até lá será o povo a pagar e a sofrer; e de sofrimento já temos que baste. Prefiro apelar à mudança de voto à Esquerda e no seu mais coerente Bloco, para que, gradualmente, com mais democracia, o desenvolvimento cresça e as desigualdadees diminuam, dando lugar a  mais justiça e humanismo.

           F. Rocha

Adicionar comentário 10 Julho 2008

A ENTREVISTA DE SÓCRATES À RTP (DECEPCIONANTE)

De facto a entrevista de José Sócrates à RTP foi uma decepção. Revelou que a política deste Governo, numa altura de tão grave crise nacional (ainda que em parte motivada por uma crise mais geral do capitalismo neo-liberal mundial) É UMA POLÍTICA DE PENSOS RÁPIDOS E DE ASPIRINAS, que dão ao doente alguns sinais de melhoras aparentes, mas que não atacam nem as feridas mais profundas, nem os vírus.

Aqui, nesta minha cidade de Caldas da Rainha, o encerramento ou a redução de postos de trabalho (como foi o recente caso do encerramento da Fábrica de cerâmica SECLA, a maior fábrica do género nacional) sucedem-se.  Estas tristes situações de empresas a fechar ou a reduzir pessoal trazem ao País menos riqueza e mais desemprego. Sobre isto o Primeiro Ministro e o seu Governo pouco ou nada dizem ( ignoram) e  de concreto nada fazem. O País está carente de políticas de apoio às pequenas e médias empresas e, consequentemente, ao emprego, pois são as pequenas e médias empresas o maior empregador nacional, ainda. Todavia, o Governo “esqueceu-se” disso e, ao invés, só pensa nos grandes investimentos estrangeiros, a quem dá facilidades, benefícios, que se constituem como subsídios e, na volta, passados tempos, depois de se terem governado com esses benefícios, os capitalistas deslocalizam essas empresas para os “paraísos” da mão-de-obra quase escrava. Mas sobre isto nem uma palavra de Sócrates.

De facto, em termos de política estratégica, o País está entregue a si próprio, governado por contabilistas (Manuela Ferreira Leite, que nos tentam “vender”, como alternativa, é outra contabilista), que apenas sabem gerir melhor ou pior o défice orçamental e cobrar impostos, sobretudo aos mesmos de sempre, os pobres e os remediados, como se dizia nos tempos do Salazar, que os ricos, esses, sabem bem como deles se evadir. Que o digam os que sabem da ”OPERAÇÃO FURACÃO”, que, para variar, neste “jardim florido, à beira-mar plantado”, há-de dar numa aragem (como noutro texto já vaticino, neste blog), morrendo a culpa solteira, com os “vígaros” de colarinhos brancos rindo-se, nas nossas barbas ou mesmo sendo arvorados em comendadores, num próximo “10 de JUNHO”, o dia da “RAÇA”, não canina, mas cavaquiana!…

Já agora, a propósito se furacão sabem o que é uma BUFA ?  Ai não (?), não encontram uma categórica definição ?     Então tomem lá esta:

- UMA BUFA É UMA BRISA QUE DESLIZA DESDE O CÚ À FRALDA DA CAMISA !…

                 Fernando Rocha

Adicionar comentário 3 Julho 2008


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