Arquivo de Junho, 2008
No meu imaginário, como no imaginário de muitos caldenses, da minha geração (em miúdo, na minha Rua dos Artistas, fazíamos rifas de Santo António, que vendíamos por cinco tostões, em que a grande maioria dos prémios eram objectos cerâmicos, do refugo da Secla), esta fábrica , a Secla, talvez tanto ou mesmo mais que a Bordalo Pinheiro, era uma marca de sucesso das Caldas, da cidade da nossa já distante juventude. Com o seu encerramento morremos todos um bocadinho, como caldenses.
Nas Caldas, como no País o sentimento de impotência, face a esta realidade brutal, de crise económica e social, assusta-nos e deprime-nos. Nas Caldas, como em todo o Portugal, actualmente, vivemos mais, não o sonho de um futuro melhor, mas antes o pesadelo de um futuro negro. Importa, pois, para além dos traumas e dos medos, reflectir e, a partir dessa reflexão, pensar e construir alternativas, que travem este caminho, que nos parece conduzir ao abismo (um regresso ao passado de subdesenvolvimento e de injustiça social).
Na minha opinião, penso que os nossos principais problemas radicam num modelo de sociedade esgotado, assente em falsos paradigmas de sucesso e de felicidade. O modelo civilizacional, de hoje, evoluiu no pior sentido, ao ultrapassar valores e princípios humanistas e de decência e impôs-nos, como exemplo de sucesso e de felicidade, um Poder materialista, sem limites, que se alicerça no grande poderio económico-financeiro, que tudo subjuga (cada vez sem menos regulação do Poder político dos Estados) e que é um Poder, político, cada vez mais refém do económico. A este Poder pouco importa o pequeno e médio tecido empresarial, pois, este, de certo modo, nega-lhe a tendência para o monopólio e o “exército” maltrapilho e subserviente da mão-de-obra barata, que procura trabalho a qualquer preço e quase sem direitos. As deslocalizações de unidades fabris, em muitos casos, não são só feitas por essas unidades deixarem de dar lucro, mas porque, por um lado se procuram libertar de encargos com trabalhadores com direitos, procurando, sobretudo, outras paragens (paraísos capitalistas), onde o trabalho é praticamente escravo (ou, se se mantém no País, montam novas unidades fabris, assentes no trabalho precário) .
A SECLA e muitas outras “Seclas” , deste País, como empresas de pequena e média dimensão são esmagadas por esta lógica. Ao Poder, refém (lacaio) dos grandes interesses, não importam estas pequenas e médias empresas, que produzem alguma riqueza e dão emprego, em muitos casos, ainda com alguns direitos. É certo que o problema envolve a complexidade de não ser só português. É certo que a globalização neo-liberal está em força por toda a parte impondo a ditadura (pura e dura) do mercado, mas também é certo que a Europa (da União Europeia), que se procura fechar aos trabalhadores famintos do terceiro mundo, não faz nada para se proteger da entrada de produtos, produzidos por mão-de-obra escrava, ao arrepio dos mais elementares direitos humanos. E o Governo (o nosso Governo) em vez de só procurar investimento estrangeiro (dando-lhe condições e favorecimentos que muitas vezes, passados tempos, “são pagos” com a deslocalização, para o estrangeiro) era bom que olhasse para as pequenas e médias empresas e as acarinhasse, em vez de as condenar ao ostracismo.
Fernando Rocha
27 Junho 2008

Isto não é o que você está a pensar. Embora já tenha tido aquilo que você está pensando. Verdadeiramente esta imagem significa que estou à espera que se faça luz e acredito piamente que um dia se fará.
27 Junho 2008
NOTA 1 – MANUELA FERREIRA LEITE, OUTRA VEZ (?!…)
Por mais que a pintem com as cores da novidade, MANUELA FERREIRA LEITE FOI, PARA A MAIORIA DOS PORTUGUESES, ALGUÉM QUE, PELA SUA POLÍTICA, NÃO DEIXOU SAUDADE (e isto que, certo é, rima e é verdade !). Que o digam os FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS, no geral e, em particular, os meus ex-colegas (porque, por reformado, de fora estou) dos IMPOSTOS e DAS FINANÇAS, que bem conhecem o susto que a personagem no passado foi. “Dama de ferro” e, por isso, talvez mais “oxidada”, porque algum tempo passou, mas no essencial igual ao que foi e ao que para nós representou, que foi a todos os títulos mau. Pelas várias vezes que passou pelo Governo, desde os tempos “áureos” de Cavaco, muitas sequelas deixou, que ainda hoje com desgraça e juros se pagam.
Sócrates, de algum modo, copiou-lhe o estilo, para pôr a caraça do rigor, aplicada aos mesmos de sempre e, tal como ela, deixando de fora os poderosos, que é como quem fala dos donos do dinheiro, muito dele “sacado”, à má fila, das carteiras de todos nós.
Sócrates e Manuela F. Leite, tal como PS e PSD, foram e são a outra face da mesma moeda; MOEDA QUE NOS EMPOBRECEU E EMPOBRECE !…
Se mais quer saber sobre o que, em mais detalhe, penso da personagem, leiam neste blog o texto intitulado: ”SOBRE MANUELA FERREIRA LEITE”. E já agora não esqueçam que, no seu tempo, a grande injustiça fiscal ainda pior era que hoje é. Esta Senhora, com a fama de rigorosa, cobrava IMPOSTOS, no duro, aos pobres e aos remediados, deixando a maioria dos ricos de fora. Pouco mais do que uma palha mexeu para, desde o tempo de Cavaco, corrigir a “anedota fiscal”, que o sistema no geral era, “anedota da década”, como, salvo erro, Miguel Sousa Tavares lhe bem chamou !
NOTA 2 – CHÁVEZ EM ENTREVISTA A MÁRIO SOARES
A entrevista ou a conversa se quizerem, uma vez que Mário Soares não é jornalista, sob o título “O Caminho faz-se Caminhando”, à RTP, demonstrou, no mínimo, que Chávez é um excelente comunicador, que tem todo um pensamento político bem estruturado e que parece bastante abusivo confundi-lo com um ditador.
Face às cobras e lagartos e de tudo o mais, que deste homem se tem dito, muito sinceramente, não esperava ter, com o discurso deste político, uma identificação tão clara. Mas, mais do que isso, pareceu-me ver em Mário Soares uma também grande identificação com muitos dos pontos de vista que Chávez exprimiu; e, reconheçamos, Soares não é pessoa que se preste a dar cobertura a ditadores e é, seguramente, no mundo, um dos homens políticos mais cultos e exprimentados, no conhecimento da política, das suas artimanhas e armadilhas. Confesso que me pareceu, até, no decorrer da conversa, vê-lo empolgado com o discurso do seu interlocutor.
Depois, numa altura em que a mera formalidade que se imprime à democracia, dá a muitos dirigentes políticos, ditos democratas, um cariz que cheira demasiado a postiço, pareceu-me ser Chávez um homem que tem, no execício da democracia (com uma componente participativa), preocupações genuinamente democráticas; com a vantagem de ter muitíssimas preocupações sociais, que ninguém, seriamente, poderá negar. Terá um estilo que na Europa se rotula de populista (rótulo que lhe é colocado sobretudo pelos políticos Europeus adeptos do neo-liberalismo e seus comparsas). Mas, atenção, por tudo quanto ouvi prefiro aquele discurso e a sua prática, de ligação à maioria da população da Venezuela, mais humilde e explorada, anos e anos a fio, pelas patas de títeres locais, ao serviço do imperialismo Norte Americano, que durante décadas espezinharam os direitos dos mais deserdados, na Venezuela, como em toda a América Latina, do que o discurso do poder que por cá se usa.
NOTA 3 – “CENTENAS DE MILHÕES EM FALTA NO BPN PARA CUMPRIR REGRAS DA BANCA”
É esta a manchete do “Público” de 21 de Junho, primeiro dia de Verão e é de facto um título escaldante, que atesta bem os caminhos ínvios trilhados por uma grande parte das nossas principais empresas financeiras ou não, que vêm sendo apanhadas, sucessivamente, num número impressionante, em ilegalidades e fraudes (ou pelo menos com fortes indícios de assim aparentar ser). De facto o nosso mundo empresarial fede de podridão. Desde a “OPERAÇÃO FURACÃO” (a tal que, noutro texto aqui editado, temo que se se transforme em aragem), passando pelas broncas de gestão fraudulenta no BCP, com mordomias irregulares a gestores, filhos e afilhados, etc., etc. e mais etc., vem agora esta do BPN, que parece já ter ao leme Cadilhe, mas que já teve Oliveira e Costa (ex-Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, pelo PSD, implicado no caso da Cerâmica de Aveiro), Dias Loureiro (ex-Ministro e ex-Homem forte do PSD, tido,também, como o seu testa de ferro financeiro, que do BPN, quando começou, publicamente, a cheirar a esturro, se pôs ao fresco) e Daniel Sanches (tido como um dos crâneos da bronca do Sistema de Comunicações, o chamado SIRESP, em que, segundo o “Público”, de 2/6, o “Estado gastou 485 milhões em rede de comunicações que valia um quinto”).
Segundo o “Público” nos informa, Cadilhe vai ter de resolver, no BPN, “um problema de insuficiência financeira que poderá ascender a várias centenas de milhões de euros, com o grupo a enfrentar um risco potencial de solvência.” Depois, “há níveis elevados de crédito malparado não reconhecido, transferências de perdas do BPN para off-shores e accionistas que adquiriram títulos da holding com financiamento do BPN, via off-shores”. Enfim estamos perante casos que ou são ou estão próximos de serem casos de polícia. E tudo isto com o beneplácito de gente que andou pela alta política, filiada ou próxima do PSD ! E é a esta gente e a gente deste tipo que o País tem estado entregue! Não admira, pois, que COM “GESTORES” DESTES, PORTUGAL, NOS ÚLTIMOS ANOS E AGORA, EM VEZ DE SE APROXIMAR DOS PAÍSES MAIS DESENVOLVIDOS DA EUROPA, ESTEJA A REGREDIR PARA OS NÍVEIS DO TERCEIRO MUNDO !!!…
NOTA 4 – AH GRANDE MIGUEL ! (Portas, claro)
O artigo que escreveste no “SOL”, na tua habitual coluna “SOL DE ESQUERDA”, publicado no primeiro dia de Verão deixa muita desta nossa elite política Portuguesa e Europeia fortemente esturricada.
A Directiva a que aludes, sobre a imigração europeia, em que um não legalizado pode ser detido por 18 meses é, para além de nazi, um nojo. Como é que esta gente da classe política do Poder ou da sua alternância, ao aprovar este escarro de Lei, pode arrogar-se defensora dos direitos humanos ?!…
Mandas-lhes com citações bíblicas de cariz humanista, tu que não és cristão, mas que és um homem de valores e princípios humanistas e fazes bem, para ver se este povo abre os olhos, sobre a moral, a “ética cristã” destes farsantes, que usam máscaras de democratas, mas que, muitas vezes, se comportam como tiranos.
De facto “QUANDO UMA LEI ADMITE A DETENÇÃO DE UM SER HUMANO ATÉ 18 MESES, SEM TER SIDO CONDENADO OU TER COMETIDO QUALQUER CRIME, É PORQUE ALGO DE MUITO GRAVE APODRECEU NESTA EUROPA E NAS NOSSAS CABEÇAS” !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
A forma como tentam “dar a volta” ao NÃO sobre o Tratado Constitucional, por parte dos Irlandeses, é como dizes: “FALTA-LHES EM VERGONHA O QUE LHES SOBRA EM DESCARAMENTO” !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Por tudo o que no Parlamento Europeu, com muita lucidez e dignidade, tens feito, pela forma sem cedências como nos tens representado, honras todos aqueles, como eu, que apelaram e fizeram campanha para te eleger. Oxalá que para o ano consigamos aranjar-te companhia, para dar mais força à razão que te/nos assiste.
F. Rocha
22 Junho 2008
A situação do País está a tornar-se desesperante, como dizia o meu saudoso Amigo Pedrosa “não se vê moita de onde saia coelho”; aliás o único COELHO (o COELHONE), que havia na vida pública e política saíu de cena e foi para a vidinha do bem bom, ganhá-lo à fartazana ou, também, podemos dizer que foi fazer às claras aquilo que já …………. Adiante, que eu sei que você sabe, assim como você sabe que eu sei. Todos mais ou menos sabemos, que dos políticos do “centrão”, ao regabofe, vai o passo de um anão. Corrijo, não são todos mas quase. As poucas excepções são honrosas, mas cada vez mais raras.
Aqui há dias dei comigo a pensar porque é que as Empresas Públicas são desdobradas, como a CP, por exemplo, que deu origem à REFER e não sei que mais. Depois lembrei-me de uma situação que eu vivi, ainda como funcionário das Finanças, em Lisboa, onde quase toda a vida trabalhei e que foi a divisão da Direcção de Finanças em duas Direcções Distritais, enquanto que, paradoxalmente, os Bairros Fiscais que eram 20 (vinte) passaram para 14 (catorze). Ora, o argumento oficial era de que a Direcção de Lisboa era demasiado grande e que deveria de ser dividida, mas, há boca calada, dizia-se que era para arranjar mais lugares de Directores (de 1 para dois, equiparados, em vencimento ao de Subdirector-Geral), Directores Adjuntos (mais uns 6 ou 7) e uma infinidade de lugares de Chefes de Divisão. E, já agora, aproveitavam para correr com o Director Distrital Campaniço, que não lhes deveria de fazer as vontades (em esquemas, claro). Depois a seguir, então, foi o regabofe máximo, com muito dinheirinho de Impostos que foi à vida. Na lª DDF, da (ir) responsabilidade do Director José Maria Pires foram só 3 milhões de contos, do Pão de Açúcar, por exemplo e para simplificar. Na 2ª DDF, da (ir)responsabilidade do Director Raul Castro (agora Vereador repetente da Câmara de Leiria) foram só uns modestos 600.000 contitos, de 1995 e o 1996 foi pelo mesmo caminho, com mais uns milharzitos (tudo trocos), relativos ao célebre caso “BELTRÓNICA” – uma novela que já tem mais processos em julgamento, do que tremoços há numa cervejaria, alguns movidos contra o funcionário, inspector, só porque este tentou cumprir o seu dever de (pasmaram-se alguns poderosos) se meter, onde (face a esquemáticas) não devia. O processo principal contra a caducidade de 1995 (e de 1996, presumo), esse, todavia, está em “banho maria”, à espera de melhor prova, em risco de prescrição ! Mas isto são contas de outro rosário. Estava eu dizendo que fazendo um paralelismo com este exemplo da DDF de Lisboa - que no passado foi desdobrada, talvez para para arranjar mais uns tachitos (será má língua ?) e que passados anos, porque se considerou que a ideia era disparatada e despesista foi reunificada – descobri, talvez, a razão, que a razão desconhece, para que as empresas públicas vão, também, por esse caminho do desdobramento. Verdade ou não, o que não há dúvida é que com os desdobramentos os lugares de topo (Conselhos de Administração, Conselhos Fiscais, Mesa da Assembleia-Geral) se potenciam e alguém (ou bastantes “alguéns”) com isso lucra.
O País está em crise, que cada mês que passa se potencia e mais nos angustia, mas para a casta dos gestores públicos, que a si próprios se aumentam e outras mordomias vão usufruindo e multiplicando, inventando, não há crise. Tenham as empresas lucro ou prejuízo, o deles está sempre garantido (É o maior fartar de vilanagem que o País, na sua História, de Séculos , ostenta !…).
E Sócrates e os seus apaniguados, sobre estas escandaleiras, “aos costumes disseram nada” !…
Mas será que este povo “pachorrento” (pelo menos, demais, para o meu gosto) vai continuar resignado ?
Será que os do costume (os fabricantes do regabofe) vão continuar a merecer-lhe o benefício da dúvida, em termos eleitorais ? Eu sei que o povo português é um pouco masoquista, mas tanto ?
Mas mais do que tudo isto. Será que o Cavaco, Presidente, o tal da cooperação estratégica, com maior ou menor “raça”, nos vai fazer esperar até ao fim de 2009, no arrastar deste desastre governativo, que dá pelo nome de Sócrates ? Será que este suplício, que o povo português está sofrendo, faz parte da “cooperação estratégica” ?!…
Porra ! Um mês é muito tempo; quanto mais, mais de um ano !…
Já agora deixem-me terminar com humor (já que o amor anda, com isto tudo, exaurido). Sabem qual é o CÚMULO DA RESIGNAÇÃO E OU DA PACIÊNCIA ? É CAGAR NUMA GAIOLA E ESPERAR QUE ELE CANTE !
Eu cá por mim, verdade, verdade vos digo, que nem que fosse com a promessa de um trinado sublime, não é de meu feitio ficar à espera.
Fernando Rocha, num dia de alguma paciência.
20 Junho 2008
NOTA 1 – O NÃO IRLANDÊS À CLASSE POLÍTICA EUROPEIA
Aceitando a necessidade e o espírito fundador da União Europeia, acho que o NÃO irlandês foi o justo correctivo que o povo (embora de um único País) aplicou aos tecnocratas políticos europeus, que de trapaça em trapaça, querem fazer da União Europeia, não uma união de Povos irmanados de um ideal comum, mas antes um clube seu, ao serviço dos grandes interesses, revelando um enorme desprezo por uma verdadeira cidadania Europeia (já que tudo fazem para negar às populações, que dizem representar, o elementar direito de se pronunciarem), bem como pelo exercício de políticas que, verdadeiramente, sirvam os interesses da maioria das populações europeias. Depois é inacreditável, em termos elementares democráticos, que as nossas elites políticas europeias, após este chumbo do tratado, por via deste referendo, que tem como consequência, liminar, a sua morte, pensem já, quase a uma só voz, na forma de contornar o NÃO ou seja: na forma de contornar o veredicto popular, na forma de dar a volta à democracia. Para estes “democratas” a democracia só é boa e válida quando vai no sentido da sua vontade.
Tudo isto, todavia, que até aqui disse não significa que ache que não valha a pena apostar numa Europa (da União) melhor estruturada, para que possa ser mais eficaz e melhor servir os seus cidadãos. Só que isso não se conseguirá fazer, certamente, à revelia dos cidadãos e das estruturas democráticas por estes eleitas. Neste sentido partilho a opinião de Miguel Portas (Deputado Europeu pelo Bloco de Esquerda, não se esqueça) que defende, segundo o interessante artigo de Rui Tavares, no “Público” de l6 de Junho, que o Parlamento Europeu se deveria, agora, após este “NÃO”, transformar em Parlamento Constituinte e, tanto quando depreendi da crónica de Rui Tavares, que esse parlamento seja o resultante das próximas eleições, de Junho de 2009. E que a partir do primeiro esboço de texto os Parlamentos naconais o possam emendar, subindo, posteriormente, ao Conselho Europeu (“que funcionaria como um Senado, onde cada país vale o mesmo), sendo o texto daí resultante ratificado pelos parlamentos naconais ou referendado. Como dizia o meu saudoso e velho Amigo Marreiros Mendonça, reproduzindo um velho ditado popular, “CADELAS APRESSADAS PAREM OS CÃES CEGOS” (!…). e ERA BOM PARA A EUROPA E PORTUGAL QUE O IDEAL EUROPEU, DA EUROPA DOS POVOS, DOS CIDADÃOS, NÃO SE PERCA POR CEGUEIRA DOS GOVERNANTES E BUROCRATAS, que tanto mal têm feito à Europa, como aos seus cidadãos.
NOTA 2 – A ASSUSTADORA CRISE QUE SOBRE PORTUGAL SE ABATE
A crise económica que desde há tempos sentimos em crescendo (de mês para mês sobram mais dias ao ordenado ou à reforma, à maioria dos portugueses), mostra à evidência a total falência das políticas que nos têm governado, com grande destaque para a de Sócrates. Mas mais grave do que isso é sentirmos pela parte do Governo, perante o avolumar da crise dos últimos dias, com o aumento dos combustíveis um silêncio ensurdecedor. Definitivamente o Governo de Sócrates está resignado a deixar que a situação se agrave e que cada vez mais portugueses deixem de ter capacidade para suportar esta situação. O aumento das taxas do crédito à habitação, por exemplo, tem consequências devastadoras. Perante esta situação, de que se destaca a crise provocada pela “greve” dos camionistas, o quase silêncio de Sócrates, do Presidente da República (que para não comentar a greve veio, a despropósito, com a história do “dia da raça”) e ainda da líder do PSD, é por demais significativo. Quer dizer: perante uma situação tão grave e que ameaçava tornar-se dramática, estes senhores não tinham nada a dizer?!… Afinal onde está o seu sentido de Estado? Donde poderemos concluir que a crise não é só económica, mas é sobretudo de políticas e de políticos, da área do Poder.
QUANDO FOI PARA PÔR O POVO A PÃO E ÁGUA E NO ATAQUE A TUDO O QUE ERA TRABALHADOR PÚBLICO, SÓCRATES & COMPª. (para além da camarilha dos bajuladores e gestores, mais papistas que o Papa) FALAVAM PELOS COTOVELOS CONTRA OS DIREITOS ADQUIRIDOS (não os deles,claro) E NAS VIRTUDES DA CORRECÇÃO DO DÉFICE, À CONTA DOS PARVOS DO COSTUME (não dos “Constâncios,com salários milionários), AGORA, QUE A COISA ESTÁ A DAR PARA O TORTO, O SILÊNCIO É MAIS QUE MUITO OU ASSOBIAM PARA O LADO !
Nos últimos tempos nem sempre tenho concordado com as soluções do Dr. Medina Carreira, que também chegou a fazer algum coro com o ataque aos previlégios da classe média e sobretudo média-baixa. Todavia, sobre o diagnóstico da crise e do sistema a coisa é um pouco diferente e, gostemos ou não do que dele ouvimos, temos que lhe reconhecer o acerto de muitos dos seus juízos e a frontalidade. Em recente artigo (13/6), no “Público”, diz-nos com a sua habitual crueza o seguinte:
“CERCA DE 2020, SE A NOSSA ECONOMIA E A DOS SEIS OUTROS QUE AGORA NOS SEGUEM SE COMPORTAREM COMO DE 2000 A 2006, SEREMOS O PAÍS MAIS POBRE DOS “25″ “.
Ora aí está a prova bem provada da total incompetência de PSD e PS, que durante este período nos governaram. Para vencer a crise temos que correr com esta gente ou então emigrar.
NOTA 2 – O GOVERNO PS/SOCRÁTICO E A CORRUPÇÃO
Quanto ao combate à corrupção, nestes últimos dias, só não se pode dizer que a “montanha pariu um rato”, depois de muita conversa, porque face ao anúncio recente da criação do “CONSELHO DE PREVENÇÃO DA CORRUPÇÃO” instituído, agora, pelo PS, na órbita do Tribunal de Contas, porque há que lhe dar o necessário benefício da dúvida, como a tudo o que nasce e ainda bem se não conhece ou que apenas se conhece mal, por uma simples notícia de jornal. Refiro-me a uma notícia do “Público”, do passado dia 12 de Junho, “pela pena” da Srª. jornalista Leonete Botelho (de quem guardo a gostosa recordação de, em Fevereiro de 2001, ter elogiado, nas páginas do seu distinto jornal, o meu trabalho de modesto Sub-Chefe de Finanças, dizendo que a minha acção na resolução do problema de atribuição do cartão de Nº de Contibuinte, aos emigrantes, até então impedidos de o ter, constituia uma única “brecha na burocracia”, dos serviços fiscais, do nosso País, ao tempo, naquele caso concreto; elogio que aqui aproveito para agradecer e que me foi mais grato receber, do que um louvor em Diário da República e que só por si, esse elogio, me leva a dizer que valeu a pena ter sofrido, para até ele chegar, tanta dor de cabeça, tanta, tanta, incompreensão). Nessa notícia, de há dias, neste ano da graça de 2008, finalmente, surge algo de concreto (ainda que com a bondade por provar), parido pelo PS, que pode ser destacado no combate à corrupção (esse flagelo-maior, neste país e neste nosso tempo). Repito, embora esteja por avaliar a sua eficácia, é já algo de palpável, num longo parto a ferros, por voluntariosa acção do ex-deputado João Cravinho, já distante, no tempo e em que muita sua sugestão, que tenho por muito acertiva, pelo caminho ficou. Mas mesmo com imensa relutância, o PS de Sócrates, algo tinha de fazer, por força das insistentes recomendações internacionais, proferidas desde 2003; a saber, feitas pela Comissão Europeia e pela Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção ou ainda por um organismo internacional, sobre a temática especializado, designado pela sigla de GRECO. E é caso para dizer que os Socráticos se viram “grecos” (ou melhor gregos) para escapar a este combate e, então, “Eureca!” cá veio esta!… Mas este PS, de quem o nosso saudoso poeta Alexandre O’Neill dizia qualquer coisa como ou parecida com “ele não merece, mas eu voto PS” (eu dessa já há anos me “vacinei” e espero que muitos, muitos, para a próxima “vacinados” estejam), este PS, não se livra de um seu insigne membro, Henrique Neto, diga em entrevista, de ontem (17/6), ao “DIABO”, desassombradamente, que “QUANDO REGEITOU AS PROPOSTAS DO ENGº. CRAVINHO O GOVERNO MOSTROU QUE NÃO ESTAVA INTERESSADO EM CRIAR PROBLEMAS AOS CORRUPTOS”.
Fora deste tema, da corrupção, não resisto em transcrever, dessa mesma entrevista, de Henrique Neto, as seguintes passagens:
- “PARA O GOVERNO A ECONOMIA PORTUGUESA É A EDP, A PT E A GALP”, depreeendendo-se que tudo o resto, em matéria de economia, para o Governo, é desprezível;
- “O PS É HOJE UM PARTIDO DE CONFORMADOS, DE SEGUIDISTAS. ESTAR NO PODER É SINÓNIMO DE MUITAS MORDOMIAS QUE NÃO SE PODEM PERDER”;
- “JORGE COELHO, NÃO ESQUEÇAMOS, FOI DURANTE ANOS MUITO INFLUENTE NAS DECISÕES DE OBRAS PÚBLICAS, ÁREA EM QUE A MOTA-ENGIL ESTÁ FORTEMENTE ENVOLVIDA E ONDE TEM MUITOS INTERESSES”.
F. ROCHA
19 Junho 2008
Artigo Anterior