Arquivo de Maio, 2008
Este pântano político que cresce, cresce, quase nos mata “Abril” e sem “Abril” vai-se o sonho, vai-se a esperança.
Quem pela primeira vez falou no “pântano” foi Guterres, no dia em que bateu a porta, dizendo que era para o suster. Mas o “pântano” aí está com Sócrates e os seus fieis seguidores e bajuladores, impante de podridão, trazendo-nos às narinas, da mente, um cheiro nauseabundo. Eis que, se não quando, se pode, finalmente, vislumbrar, no horizonte, uma luzinha de esperança, com os diálogos à esquerda que, para já, culminam na FESTA COMÍCIO DE 3 DE JUNHO, para celebrar “Abril” e “Maio”, no velho Teatro Trindade !
Esperemos que esta luzinha, este astro, que se assoma no nosso firmamento político, não seja um astro errante, um cometa, que só volte a passar qundo todos (mesmo os mais novos) mortos estivermos.
O ”pântano” tem como ingredientes de podridão, detestáveis (e pelo poder, que assobia para o lado, ignorados) as desigualdades sociais, em crescendo, a fome, a pobreza e a corrupção dos poderes (os vários poderes, que do económico migram para o político e vice-versa). Este “pântano” que cresce tem de ser seco , sob pena de, não o sendo, secar a democracia ou, na melhor das hipóteses, transformá-la, como hoje já começa a ser, numa mera formalidade, sistematicamente traída e violada.
E é miopia política pensar que este problema do “pântano” é especificamente de esquerda. O E(e)stado a que chegámos que de Direito não é (porque a Justiça está como está), de democracia tem cada vez menos, porque é o “pântano” quem mais ordena, neste “jardim florido à beira mar plantado” (e até o “Jardim” está cada vez mais estragado, com betão e alcatrão em muito ex-bonito lugar prantado, com critérios de muita duvidosa justeza e qualidade).
É, pois, urgente que esta ESQUERDA (a genuína, porque progressista e não dogmática) que dia 3 de Junho, deste ano da graça de 2008, vai estar no Trindade, saiba começar a construir (com bons caboucos) sólidas pontes, que consigam começar, também, a secar, com passos certos, o “pântano”, reduzindo-o à expressão que deve ter: UMA CADA VEZ MENOR LIXEIRA, QUE, POUCO A POUCO, MAS PROGRESSIVAMENTE, SE CONSIGA METER NUM BAÚ DA NOSSA MÁ HISTÓRIA, para guardar, apenas como memória, no sótão ou na arrecadação da cave, da nossa democracia.
Fernando Rocha
31 Maio 2008
Os dois últimos textos são antigos, mas, infelizmente, têm em ainda bastantes aspectos alguma actualidade, que advem de as situações no nosso País terem endemias crónicas e razões para essas mesmas endemias que, em muitos casos porque aos interesses não convem, não são atacadas.
O primeiro artigo é o “PENSAR O FUTURO DA CIDADE” (refere-se a Caldas da Rainha, mas há ali questões comuns a outras urbes) e se nalgumas questões está ultrapassado, como seja o caso dos transportes públicos urbanos, noutras, para mal das Caldas e dos caldenses, mantem toda a actualidade. Como questão principal, que determina todas as outras, está a ausência de uma estratégia para uma cidade de qualidade ou a considerar-se que há uma estratégia, esta resulta de um amontoado de medidas avulsas, decididas geralmente, em função dos grandes interesses locais, designada e muito especialmente, dos da construção civil, onde há um “eleito construtor do regime”, que escuso indicar o nome, porque, os mais atentos sabem bem quem é. Às polémicas antigas estão-se acrescentando polémicas novas, algumas das quais ainda de maior dimensão (veja-se aquilo a que chamo “uma espécie de Manhattan caldense”, que vai da ESAD ao Lisbonense, com construção massificada e em cima de uma linha de água e, por consequência, em leito de cheia, tendo eu dito e mantendo, numa sessão da Assembleia Municipal, que tudo aquilo cheira a corrupção). Depois os novos Bairros continuam a ser dormitórios, sem infraestuturas e com a quase ausência de zonas verdes; Os belos Pavilhões do Parque ameaçam a qualquer momento começar a ruir parcialmente, sem se ver no horizonte uma solução ou a havê-la, subordinada também a grandes interesses, fazendo-nos temer pela sua descaracterização; Em suma quase “tudo como dantes no quartel de Abrantes”!… (O Centro Cultural e de Congressos é a novidade, esperando-se para ver o seu bom uso e que se não transforme no “elefante branco caldense”, sorvedouro de energias e recursos, de mérito duvidoso).
O outro artigo, bastante mais antigo (1999, ano em que saí do PS e aderi ao BE) mantem, na sua generalidade bastante actualidade, sendo como já referi, novidade, novidade (não as novidades do “Continente”), mas o facto de ter saído do PS e em boa hora ter aderido ao Bloco de Esquerda. Infelizmente “A HORA DOS LAMBE BOTAS E DOS OPORTUNITAS” continua, nalguns casos com maior refinamento, como sejam na vida político-partidária (quando esta é no partido do poder), na Administração Pública, etc., etc.. Se outros artigos antigos voltar a editar é, pois, por estas razões. A História e as histórias não se repetem exactamente do mesmo modo, mas, como a massa humana muda menos do que a técnica, há na História e nas histórias muitas lamentáveis semelhanças com maleitas antigas. F. Rocha 28/5/2008
28 Maio 2008
Gazeta das Caldas, 8 de Outubro de 2004
OPINIÃO / CORREIO DOS LEITORES
Pensar o futuro da cidade
O acentuado crescimento, nos últimos anos, da cidade das Caldas da Rainha que, na actualidade, em acelerado ritmo se mantém, exigiria desde há muito uma cuidada atenção, havendo já erros urbanísticos irreparáveis ou muito difíceis de remediar.
Toda esta situação é uma resultante directa da ausência quase completa de um plano estratégico para a cidade, que durante anos e anos sem Plano Director Municipal (PDM), recente e tardiamente aprovado, cresceu ao capricho dos interesses económicos (por natureza especulativos), quase se demitindo a Câmara Municipal de intervir estratégica e racionalmente nesse crescimento ou, no mínimo, não explicando ou explicando mal as razões que conduziram às mais diversas opções que, pontualmente, se foram tomando. Infelizmente este não é só um problema caldense, sendo antes um problema que atinge, sobretudo, o litoral português sujeito, como se sabe, a uma grande pressão demográfica, em prejuízo das zonas do interior do país, a caminho da desertificação, por manifesta falta de planificação estratégica do território nacional.
Esta construção desenfreada, quase sem preocupações de planificação estratégica, em termos de qualidade, resulta, também, de uma lei das finanças locais que permeia em termos financeiros com tanto maiores receitas (contribuição predial autárquica, fundamentalmente) os municípios com maior volume de área imobiliária edificada. Isto para não falar de autarcas, que devendo muito pouco aos princípios da ética, do serviço público e da seriedade se deixam, mais ou menos, corromper semi-legal ou mesmo ilegalmente pelos grandes e médios interesses que na ávida gula por mais chorudos lucros, não hesitam em oferecer “beneces” aos “favores” desses autarcas. Negar isto é negar uma evidência que, um pouco por todo o lado, se manifesta, infelizmente, com gravíssimos prejuízos para um correcto desenvolvimento do país.
Caldas da Rainha padece de alguns (ou mesmo muitos) desses males, sendo a falta de planeamento em termos de qualidade do tecido urbano manifesta. A autarquia, na sua visão autista da política da cidade, permanece surda a toda a espécie de críticas, fazendo finca-pé do seu autismo e surdez; se não vejamos:
- a cidade não tem em muitos dos novos bairros que os construtores civis vão construindo, um mínimo de infra-estruturas necessárias, para as populações que neles residem, obrigando estas a penosas deslocações para adquirir muitos dos produtos que no seu dia-a-dia carecem;
- os transportes públicos são pràticamente inexistentes, não manifestando os responsáveis municipais um mínimo de sensibilidade para o problema, não obstante o galopaste crescimento da cidade e as muitas críticas que, em relação a esta quase ausência, se fazem ouvir;
- o trânsito no centro da cidade, como consequência directa, entre outras razões, dos dois problemas atrás enunciados, torna-se cada vez mais caótico, pouco fluido e, por mais lugares e parques de estacionamento, que se procurem criar, estacionar na zona central da cidade é cada vez mais problemático;
- as grandes e médias superfícies comerciais vão sendo licenciadas sem uma preocupação de geograficamente cobrirem todas as zonas da cidade, para servirem de forma correcta e racionalmente as suas populações;
- não se vislumbra haver uma salutar preocupação de criação de novos espaços verdes correctamente disseminados no novo ou projectado tecido urbano, cabendo ao betão e ao alcatrão todo o espaço, satisfazendo-se, ao invés disso, a gula infinita dos especuladores imobiliários.
Enfim, a cidade do futuro corre o risco de ser um espaço soturno e penoso sem um mínimo de qualidade de vida, em tudo semelhante aos piores subúrbios lisboetas, onde apenas se vai dormir, porque sendo uma “floresta” imensa de betão e alcatrão nada mais há.
Sobrará de Caldas uma memória de qualidade que, na sua parte central, permanecerá, porque os nossos avós a nós a legaram, onde pontificam o Parque (essa jóia que os responsáveis deixam degradar, com os seus belos pavilhões, a caminho da ruína, como é já o Hotel Lisbonense) e a Mata ou o que dela sobrará, se se mantiver tanta insensibilidade dos responsáveis do presente e se não for contida a tal infinita gula dos especuladores imobiliários sempre ávidos em “comer” o verde e a floresta, como acontece um pouco por todo o Portugal.
Será que nós, caldenses e amantes de Caldas da Rainha, vamos permitir a continuação desta política que nos hipoteca o presente e, sobretudo o futuro, ou, antes pelo contrário, vamos exigir que se ponha termo à insensibilidade e ao autismo camarário, obrigando a edilidade a discutir connosco o futuro da ainda bela cidade de Caldas da Rainha?!…
Fernando Rocha
25 Maio 2008
Gazeta das Caldas, 19 de Fevereiro de 1999
OPINIÃO
A Hora dos “Lambe Botas” e dos Oportunistas
Vivemos num tempo em que o valor das pessoas não se mede pela sua honestidade, coerência, ou pela entrega à defesa de causas justas, mas antes pela sua capacidade de, pondo de lado estas maneiras de estar, ser capaz de impressionar os outros com espertezas, fingimentos ou “golpes” e, pisando este ou aquele, subir, subir, no emprego ou na organização (política, sindical, etc.) em que se milita, já não por razões de idealismo, mas sobretudo por outras. Outras razões que pouco têm a ver com a grandeza dos sonhos que outrora eram, em grande parte, o verdadeiro motor de fulgurantes carreiras profissionais ou políticas, de grande sucesso. (Peço que não me “colem” conotações, por amor de Deus, com outros que, no passado recente, nos martelaram os ouvidos com a “Democracia de Sucesso” e que, agora, na ausência de verdadeira capacidade crítica, de propostas e propósitos sérios, se preparam para “vender” a alguns incautos uma outra patranha qualquer.)
O que “está a dar” hoje em dia não é em caso quase nenhum o trabalho sistemático, meticuloso e sério, mas antes essa capacidade de, com um mínimo de esforço, “dar a volta” aqueles que efectiva e seriamente trabalham (criam) e, borrifando-se para o esforço, desses, copiando aqui e acolá, esforços alheios, quando não roubando-lhes, na íntegra, a patente, para depois a utilizarem em proveito próprio, não só porque aquela ideia é correcta, mas, muito principalmente, porque dá “massa” ou prestígio. Hoje em dia, também, “vendem-se” ideias rápidas, que, bem vistas as coisas, verdadeiramente não são nada (“morfologicamente” são de plástico ordinário) altisonantemente proclamadas, nos médias, para melhor tudo e todos tentar enganar. Todos os outros fazem papel de verdadeiros idiotas, embora sejam os que têm um autêntico mérito. Claro que há excepções, há o Saramago (e outros “Saramagos”), mas são muito poucos, comparativamente e só confirmam a regra.
Vivemos o tempo em que as palavras ditas e escritas (nunca houve tantas) mascaram muitas vezes a verdade e a seriedade numa floresta de embustes e enganos.
O que é preciso é ser “yes man”, acrítico e cúmplice
É o tempo de sucesso dos farsantes, oportunistas e “lambe botas”, que à custa de “espertezas quejandas”, na velocidade das palavras ditas e escritas vão “sacando” tudo o que podem “sacar” (dinheiro, carreira, cortes de bajuladores e parasitas, etc, etc.,) ao ritmo e à velocidade da imagem e do som, ao ritmo da “net”.
E o poder (os vários poderes) fingindo não entender as artimanhas, astúcias baratas e “teias”, vai-lhes garantindo o sucesso, fechando quando não os olhos a “mordomias” e muitos “pilins” conquistados por esses processos menos limpos, quando não mesmo porcos (com o devido respeito do dito animal que inocentemente apenas engorda para encher “panças” e alimentar gulas, vitima de cruel morte, antecedida, geralmente, de muitos maus tratos).
“Lamber a bota” do chefe, do patrão, ou do líder é o que também “está a dar”. É vê-los, depois, subir, subir…
Ser crítico, sendo nisso sério, só dá “chatices” e cansaços. O que é preciso é ser “yes man”, acrítico e cúmplice, nem que seja com crimes.
E o que é curioso e dramático é que quanto maior é o progresso tecnológico, com especial enfoque nos meios de comunicação social, mais difícil se torna, seriamente, combater “lambe botas”, oportunistas e “intrujas”.
P.S. – Hoje de madrugada, tendo regressado ontem do Porto (indo e vindo no mesmo dia, depois de quase oito horas de “intercidades”) para participar numa reunião sindical em que um grupo de “Quixotes” (no bom sentido, pois lutam por valores sérios, em que profundamente acreditam), face a uma reestruturação de carreiras que, para a maioria dos trabalhadores dos impostos, só faz renascer revoltas e, procurando nós (alguns sindicalistas), vencer os desencantos subsequentes; dizia eu, regressado do Porto para Lisboa, apeteceu-me pegar num megafone, ainda mal dormido e terrivelmente cansado, e, ir por esses serviços de finanças fora denunciar que, sobretudo para os trabalhadores comuns da D.G.I., se prepara um embuste aos mais variados níveis, matando esperanças e sonhos, numa administração fiscal mais justa, que venha a encaixar numa reforma fiscal muito prometida, mas inexplicável e sistematicamente adiada, igualmente justa.
Reflectindo, pensando melhor, travei tais ímpetos, quase tão arrebatadores como o desejo do pensamento criativo, pois, (já não querendo ser propriamente um herói mártir) concluí que se não fizesse correria o sério risco de dar a alguns, aqui de certo modo retratados, a alegria de irem “chorar” ao meu provável funeral, entre cínicos e hipócritos elogios.
Fernando Costa Rocha
Militante PS e sindicalista
24 Maio 2008
Nasci numa época em que o sexo era um tabu. Hoje ainda o é, mas incomparavelmente menos. Eu como quase (ou mesmo todos) os homens e mulheres da minha geração, por maior abertura que tentemos ter à aceitação do sexo sem tabus, ainda o não vemos com a total assumpção do direito de escolha que cada um tem em o assumir da forma que desejar. Por mais que nos esforcemos a educação judaico-cristã marcou-nos e formatou-nos preconceitos de que temos dificuldade em nos libertar. Assim, de um ponto de vista raccional, nada tenho contra a homosexualidade e os homosexuais, em particular; mas isso tem para mim alguns limites e respostas diferentes, conforme o sujeito, gramaticalmente falando. A este propósito nada como fazer perguntas a nós próprios e, honestamente, dar-lhes a resposta. Aproveite a boleia e faça o teste a si mesmo. Pergunto-me eu então:
– SE ME VIESSEM DIZER QUE O MEU FILHO É GAY, EU COM TODA A ABERTURA QUE , NESTES TEMPOS, PARA ESTAS COISAS HÁ E EM CONFORMIDADE COM A MINHA POSTURA IDEOLÓGICA, DEVIA ACEITAR A QUESTÃO COM A MAIOR DAS NATURALIDADES, MAS SEI QUE NÃO É ASSIM QUE O ACEITARIA. O MEU FILHO GAY ?!…
E A RESPOSTA DEVIA SER, BEM VISTAS AS COISAS, IDÊNTICA À RESPOSTA QUE DARIA SE ME VIESSEM DIZER QUE O MEU GATO OU O MEU CÃO É GAY; À QUAL COM A MAIOR DAS NATURALIDADES RESPONDERIA:
- O QUÊ (?), O MEU CÃO É GAY ?! … CAGUEI !
A PROPÓSITO DO MEU CÃO; DESCOBRI QUE O DIABO DO CÃO GOSTA MUITO DE BIFE DO LOMBO; E QUE O BICHO, TAMBÉM, NÃO DESGOSTA DE ENTREMEADA. COM ESTA ÚLTIMA TENHO, TODAVIA, DE TER CUIDADO, PARA LHE NÃO AUMENTAR O COLESTROL.
23 Maio 2008
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