Arquivo de Abril, 2008

Hoje,4ª.Fª., 30 Abril Assemb.Geral do “COFRE”

Caro Consócio: Não te esqueças, conforme o título indica, da Assemmbleia do COFRE DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS E AGENTES DO ESTADO (Ex-Cofre do Minist. das Finanças) a ter lugar em Lisboa, na Sociedade de Geografia, à R. das Portas de Santo Antão, 100 (perto do Coliseu).

A tua presença é indispensável, porque o “COFRE” não tem donos. O Cofe é teu e de todos os outros sócios. O Cofre não é uma coutada privada da Direcção  de Empina Moscas & Compª.  Mas se assim não é, quase assim parece;  EMPINA MOSCAS &  COMPª., como seus propritários se comportam, fazendo da Assembleia-Geral um pró-forma incomodativo para a sua arrogância e prepotência. Prova inequívoca disto mesmo, daquilo que mais do que defeito é feitio, são as abusivas considerações que a “trupe” se permite fazer da postura maioritária dos sócios presentes nas últimas duas Assembleias-Gerais, não pactuando com os ditames da liderança Empina Moscas. As duas consequtivas derrotas, da proposta de Orçamento da Direcção para 2007, não são fruto do acaso. São antes a negação de uma estratégia ou da sua ausência, enquanto caminho rigoroso, sério, para o  Cofre, devidamente ajustado à vontade, ao querer da maioria dos sócios, neste tempo de mudança e crise económica. Isto seria fácil de publicamente provar se, na revista, a Direcção em vez de fazer publicar remoques e afrontas contra a soberania dos sócios, presentes nas duas últimas Assembleias Gerais, publicasse na revista as actas das mesmas. Ou têm medo de o fazer, “para não descobrir a sua (grande) careca” ou que, como diria o outro, se ver que, nesse cortejo grotesco de pompa e circunstância, onde seguem, “O REI (leia-se liderança Empina Moscas e Compª.) VAI NÚ”, com as “VERGONHAS À MOSTRA” ?!…

    – PUBLIQUEM AS ACTAS DAS ASSEMBLEIAS TAL E QUAL, SEM CENSURA !…

Ou afinal deixam-se por elas e as suas verdades “INTIMIDAR” ?!…

O COFRE NÃO TEM DONOS. O COFRE É DOS SÓCIOS. ESTES QUEREM UM COFRE QUE À SUA MAIORITÁRIA VONTADE SIRVA. NÃO QUEREM UM COFRE FEITO À MEDIDA DE UNS TANTOS, ONDE OS PROBLEMAS DA MAIORIA PASSAM AO LADO.

- QUEREM UMA VERDADEIRA POLÍTICA DE APOIO À HABITAÇÃO, PARA OS ASSOCIADOS.

- QUEREM APOIO EFECTIVO À TERCEIRA IDADE

- QUEREM UMA GESTÃO HONESTA E RIGOROSA DOS CENTROS DE LAZER DO COFRE.

- QUEREM UMAS CONTAS TRANSPARENTES E NÃO UM JOGO DE SOMBRAS.

- QUEREM UM COFRE, EM SUMA, QUE NA VIDA DO DIA A DIA, OS AJUDE A FAZER FACE À CRISE QUE OS CASTIGA.

- NÃO QUEREM UM COFRE DE TRAPAÇA, NEM DE DILETANTES, CONLUIADOS EM INTERESSES QUE À MAIORIA SÃO ESTRANHOS!

Adicionar comentário 30 Abril 2008

O “25 de Abril” 34 anos depois

Hoje não desci a Avenida. Pus apenas um cravo ao peito e fiquei-me pela minha cidade. Ontem à noite, entrando pela madrugada, recordei e bebi por “Abril”; um “Abril” que é cada vez mais uma saudade.

Falando em saudades de “Abril”, reconheço que a essa saudade se adiciona ou melhor, com essa saudade se mistura a saudade do vigor da juventude. Eu tinha 26 anos quando foi o “25 de Abril”. Tinha casado há dois meses, meu filho ainda não tinha nascido e o jovem, que eu era (ainda não há dois anos regressado da Guerra, em Angola) trabalhava, em Lisboa (a minha segunda cidade, onde me canso, mas onde também me entendo), na lendária Repartição Central do Imposto Complementar de Lisboa (um micro-cosmos sócio-laboral, que neste blog também se retrata). Mas se essa nostalgia, pela juventude, nessa minha saudade por “Abril”, algum peso tem, é fundamentalmente da generosidade, da pureza, limpa, verdadeira, daquele tempo, daquela feliz circunstância histórica, que me/nos marcou para sempre, que eu guardo uma enorme saudade. Uma recordação, tão forte, que quanto mais dela vejo quase tudo distanciar-se, mais vontade tenho em recordá-la e a enaltecê-la.

Neste 25 de Abril de 2008, é verdade não desci a Avenida, de seu belo nome, “LIBERDADE”, que embora rime com maldade, rima mais com generosidade e que nunca rimou com repressão ou ditadura.

Neste “Abril” fiquei de facto na minha cidade, onde fiz uma colectiva “passagem do ano anti-fascista”, que inserida numa exposição sobre “AS CORES DA CIDADANIA”, organizada pelo  CONSELHO  DA CIDADE DAS CALDAS DA RAINHA, que se traduziu na exposição de desenhos de crianças de algumas escolas do concelho caldense e de “velhos” (detesto a palavra “sénior”, sobretudo porque esta é usada e abusada por figurões e figuronas, que usam e abusam dos idosos, para fins oportunistas ou de “markting” político-partidário e que deles só se lembram, sobretudo, quando abre a época de “caça  ao voto”), idosos ou pessoas de meia-idade da Universidade Sénior Rainha Dona Leonor, da turma de “cidadania”, que integro (como idoso que começo a ser).

Ora nessa “passagem do ano anti-fascista” ou como no folheto convocatório se disse - «Serão de Abril: “Tecer os cravos de Abril”» – cerca da meia-noite de 24 para 25 de Abril, passado recente, juntámos cerca de vinte pessoas e, tendo-me sido dado o previlégio e a honra de propôr um método de conversa, aos presentes foi sugerido que contassem a história do seu “25 de Abril”, onde, quando ele ocorreu, estavam e o que faziam. De entre variadíssimas histórias, incluindo-se nestas a de um cidadão alemão, residente nas Caldas, para minha grande surpresa e maravilha, um dos presentes, com o ar mais modesto deste mundo, com uma grande generosidade, presenteou-nos com a sua história, que é a lendária história de um militar de “Abril”, não um capitão, mas um não menos significativo e e indispensável Alferes Meliciano, que integrou a heroica coluna do saudoso SALGUEIRO MAIA, o capitão, por generosidade e excelência, mais emblemático dos nossos capitães de “Abril”. Foi, naquela noite, um momento mágico, que a “organização” não previra e muito menos “fabricara”. As histórias dentro a HISTÓRIA DO “25 DE ABRIL”, que da boca daquele “soldado” da nossa revolução ouvi, na minha memória ficarão guardadas, como mais uma memória doce, por demais gostosa.

De entre estas “histórias”, uma sobressai pelo seu pitoresco e como que com um antecipatório significado que bem se pode transpôr para a actualidade. O nosso então jovem Alferes comandava um tanque (um gigante e velho tanque com o peso de bastantes toneladas), que, salvo erro , na Calçada do Carmo, antes de chegar ao histórico Largo do mesmo nome, onde se refugiara o ditador, em exercício, depois de Salazar ter caído da cadeira e ter “subido ao Céu” (dos “filhos da puta”, entenda-se), de seu nome Marcelo Caetano, lhe deu para se avariar. Sim em plena revolução o tanque avariou-se e, naquela rua estreita impedia os outros de passar e punha em risco a revolução de se cumprir (pelo menos com aquela prontidão, o que poderia permitir “manobras” às forças  contra-revolucionárias, que em causa a puzessem).   Com alguma dificuldade o problema resolveu-se, o tanque voltou a andar e o feliz destino da nossa mais bela revolução, cumpriu-se. Mas PARA A HISTÓRIA FICARÁ QUE A NOSSA REVOLUÇÃO, DO “25 DE ABRIL”, CHEGOU A PARAR POR AVARIA.

Com todos estes anos  passados, desde que aquela avaria ocorreu, se reparou e o “25 de Abril” se cumpriu, depara-se-nos um regime, que filho da revolução, de ”avaria” em “avaria”, desta se foi desfazendo (não digo “libertando”, porque isso seria um insulto ao verdadeiro e mais generoso sentido da palavra liberdade).  Para mim, desculpe-me o próprio e todos quantos de alguma maneira o sustentam e apoiam, a última “avaria” dá pelo nome de Sócrates. É o corolário de muitas outras, das quais poderemos destacar a “avaria” CAVACO (já que por exemplo a Durão Barroso e Santana, entre outras, são, por maior insignificância, da estatura das criaturas, ”avarias” menores). Assim sendo, o “25 de Abril” de “avaria” em “avaria”, está hoje quase irreconhecível, qunto a actores, que, em seu nome, o poder exercem. Os “Coelhos”, que de uma forma promíscua, saltam do público para o privado, à conta da carreira que o público lhes deu, que se vendem aos interesses e à fortuna, a corrupção que grassa, são outras “avarias” que emporcalham os “cravos”, que na nossa memória guardamos e que são bem mais perigrosas do que a avaria do tanque do “Nosso” Alferes Clímaco (penso que é este o seu nome, que à postriori daquela noite mágica, perguntei a amigos, para saber e guardar).

Permitam-me que vos diga, ainda que sabendo-o com alguma polémica, que o problema do nosso regime, do nosso “25 de Abril” filho , em curso, para o abismo, não é tanto de direita versus esquerda, é mais de decência. E este poder, aos seus mais variados níveis, é tudo menos decente. Nos serviços do Estado e outros pululam por aí, em grande número, umas criaturas, bem se podem apelidar de tiranetes. São seres, como que “hermafroditas”, não de sexo mas de carácter, um misto de “Chico esperto” e de “pai tirano”. Oportunistas atè dizer chega, quando não corruptos, uma espécie de “Padrinhos” mafiosos à sua escala. Na Direcção-Geral dos Impostos, em que trabalhei, conheci alguns destes desprezíveis espécimes, que faziam, se podiam, a vida negra a quem no seu caminho se atravessava, mas que, cobardes, como eram e são e como que “enguias”, que das mãos nos escapam, se lhes fizéssemos com coragem frente, mais mansos ficavam, quando não, de medo borrados. Tenho notícia que alguns se aposentaram, não digo reformaram, porque um “sacana” da sacaneira, normalmente não se reforma, “andam é menos por aí”, por causa do reumático e por outras causas, ligadas à sua pròpria caducidade, mas sei que deixaram terreno fértil e sementes, ” ovos de serpente”, que já eclodiram e que, na perfídia, sucederam, às vezes ainda mais refinadamente do que os seus “pais” de antanho, que eu bem conheci. E como a minha velha DGCI sempre foi e será um espelho da Administração Pública Portuguesa, acredito que, um pouco por todo ledo “eles andem por aí. Recomendo como antítodos para lhes dar combate não DDT, nem SHELTOX, mais adequados a outro tipo de parasitas, mas a pega de caras ou, se a besta fôr brava, por demais ou investir pouco, a de cernelha, tendo cautela com as farpas, que por vezes dificultam a manobra. A “pega” mais eficaz para estes “bichos” faz-se sempre destapando-se-lhes o disfarce, as máscaras, geralmente largas, que com mais facilidade se descolam. O silêncio sobre as suas tropelias - quando não crimes, nos casos mais graves ao furto comparáveis (saque) - não se recomenda, tanto mais que, como diz o ditado, “um homem quanto mais se abaixa ou agacha, mais o cú mostra).

Dedico este texto ao meu companheiro sindicalista e militante de Esquerda JOAQUIM PEDROSA, PRECOCEMENTE DESAPARECIDO, COM QUEM APRENDI QUE O MEDO (NESTAS COISAS) É UM PAPÃO QUE SE DOMA E SE ESPANTA, COM VERDADE,  DETERMINAÇÃO E, NÃO ESQUECER, COM FIDELIDADE AOS VALORES DE “ABRIL”, SEMPRE !…

Fernando Rocha

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PASSAGEM DO ANO ANTIFASCISTA — ANTIGA PENSÃO PORTUGAL- 24 DE ABRIL, 22H–RUA DAS MONTRAS

CALDAS DA RAINHA VAI TER, NA NOITE DE 24 PARA 25 DE ABRIL UMA “PASSAGEM DO ANO” ANTI-FASCISTA

Convidamos todos os Amigos(as), para quem a revolução de há 34 anos bastante disse, para quem o  cheiro dos “cravos de de abril”, nas mãos dos capitães e soldados, que fizeram a revolução, ainda é um bom cheiro, um perfume breve e raro na História de Portugal, para connosco virem celebrar a madrugada da liberdade.

Assim, integrado na Exposição “AS CORES DA CIDADANIA”, onde serão expostos trabalhos de crianças de vários estabelecimentos de ensino e de alunos da Universidade Sénior, de 25 a 27 de Abril, na antiga PENSÃO PORTUGAL, Rua das Montras, por organização da Comissão executiva do Conselho da Cidade de Caldas da Rainha, vamos ter a referida, bem vinda e inédita PASSAGEM DO ANO ANTI-FASCISTA, NUMA INICIATIVA DE UM GRUPO DE CIDADÃOS E AMIGOS DO CONSELHO DE CIDADE, COM O APOIO, TAMBÉM, DA COMISSÃO EXECUTIVA DO CONS. DE CIDADE.

Será um convívio sob o tema “TECER OS CRAVOS DE ABRIL”, que a partir das 22 h. de dia 24, com os indispensáveis comes e bebes que se arranjarem e trouxeres terá as histórias de “ABRIL” , contadas por ti e pelos outros participantes, talvez música e a procura da descoberta de “ABRIL”, nestes dias, mais para o cinzento, que hoje, em Portugal vivemos. Que é o que de “Abril”, hoje nos falta ou será que de outro “Abril”,hoje, carecemos ?!?!..

VEM CONVIVER, VEM VIVER A DOCE MEMÓRIA DO 25 DE ABRIL 

1 comentário 23 Abril 2008

CONTINUAÇÃO DA HISTÓRIA DA R.C.I.COMPLEMENTAR (VER NO TEXTO)

CONTINUAÇÃO DA HISTÓRIA OU “ESTÓRIAS” DAS MINHAS MEMÓRIAS DA REPARTTIÇÃO CENTRAL DO IMPOSTO COMPLEMENTAR DE LISBOA  (2)

      FALAR DISTO (UM “ISTO” MUITO IMPORTANTE NA MINHA VIDA) NÃO É TÃO FÁCIL COMO À PRIMEIRA VISTA ME PODERIA PARECER. NAQUELE EDIFÍCIO DA BRAANCAMP (até porque lá continuei a trabalhar no Tribunal Tributário, por mais doze anos) fui ainda moço, fiz-me (ou fizeram-me) homem maduro; passei o “25 de Abril”, o PREC, o “25 de Novembro”, de l975 (o desencanto do fim da revolução), construí fortes amizades, defrontei-me com a morte trágica de dois amigos (o meu querido Muscoso e o Simões), casei, donde resultou o meu Pedro (meu filho e da Fátima), enfim tive amores, alegrias e desencantos, me fiz sindicalista, fui amado, estimado e odiado (o que em quase todos deve ter passado, porque me fiz entender).

           EM SUMA, FALAR OU MELHOR, ESCREVER SOBRE O “COMPLEMENTAR” É FALAR DE UMA FORTÍSSIMA VIVÊNCIA, COM A EMOÇÃO E A SAUDADE DE UMA VIDA INEGUALÁVEL QUE LÁ VIVI E PASSOU, MARCANDO-ME, AJUDANDO A DAR-ME OS TRAÇOS DE CARÁCTER DO, HOMEM QUE, BASTANTE MAIS VELHO, HOJE SOU. FALAR DO “COMPLEMENTAR” É TAMBÉM RECORDAR O IRMÃO QUE DE SANGUE NÃO FOI, MAS QUE DE CORAÇÃO, VERDADEIRAMENTE, TIVE : O MEU BOM AMIGO PEDROSA, CUJA FALTA, AUSÊNCIA, JAMAIS DEIXAREI DE SENTIR.

            Retomando o fio às “estórias” regressemos ainda à Praça do Príncipe Real, nº 35, onde voltei a trabalhar em l994, no Posto de Atendimento do Príncipe Real, depois de extinto o Bairro Fiscal, que durante muitos anos lá funcionou, onde ainda conheci o  meu colega, Adjunto de Chefe Bertolino, que Chefe veio a ser e que, com culpas ou sem culpas, recentemente, a nossa (IN)JUSTIÇA, TRANSFORMOU, AINDA QUE LEVEMENTE, NO “BODE EXPIATÓRIO” DE HISTÓRIAS LAMENTÁVEIS (quase obscenas) de “negócios” e de “negociantes” fiscais. De seu nome “CASO LANALGO”. Mais um em que a culpa solteira morreu, se finou, com exéquias a cargo de quem na Administração Fiscal mandou e que, pelo menos num caso, ainda manda e em que o poder Estatal, como já é da praxe, para o lado vai assobiando. HONRA AO ILUSTRE ADVOGADO RICARDO SÁ FERNANDES, AO TEMPO SECRETÁRIO DE ESTADO DOS ASSUNTOS FISCAIS (VEJA-SE SUPLEMENTO DE ECONOMIA DO “PÚBLICO”, de 18-04-08, COM NOTÍCIA DO GRANDE JORNALISTA, SR. JOÃO RAMOS DE ALMEIDA, JÁ QUASE UMA FIGURA LENDÁRIA DO BOM JORNALISMO, DE INVESTIGAÇÃO, A QUE TEMOS DIREITO, PARA UMA CIDADANIA EMPENHADA, RESPONSÁVEL E LIVRE). Reconheçam, colegas dos “IMPOSTOS” e, particularmente, do velho “Complementar”, que isto nada, aparentemente, com o dito tendo, para quem alguns destes figurões conheceu (um em especial, que bem sabe que a ele me refiro, se me ler) travestidos de amantes de “Abril”, no PREC, percorrendo, com estas memórias lugares e situações as coisas ligam-se. Mas eu queria falar ainda do tempo pré-Braancamp, cuja memória os mais antigos como eu reterão. E nele falando (nesse tempo) é impossível não falar de alguns que já partiram e, ao neles falar, com ternura, recordar, episódios engraçados, em que alguns deles estiveram envolvidos, sem procurar denegrir ou amesquinhar a sua memória, muito antes pelo contrário, fazendo aquilo que todos nós, no fundo, queremos, vivos ou mortos e que é sermos recordados; PORQUE A IGNORÂNCIA, O ESQUECIMENTO, RELATIVO OU, SOBRETUDO, ABSOLUTO, É UMA OUTRA ESPÉCIE DE MORTE QUE, À SUA INEVITÁVEL CONDENAÇÃO, SE ADICIONA. QUANDO UM COMPANHEIRO MORTO EVOCAMOS, DAMOS-LHE UMA OUTRA ESPÉCIE DE VIDA, NA NOSSA MEMÓRIA.  

         Assim sendo, uma figura incontornável é a do nosso saudoso amigo JOSÉ FIALHO, um bom homem, muito generoso, muito católico, que sendo Comandante de Lança da Legião Portuguesa, do Salazarismo (não nos esqueçamos que nos tempos do início da carreira deste nosso colega havia uma pressão enorme para os funcionários das finanças serem da União Nacional e muito especialmente da legião), era muito cordial, para connosco, jovens;  julgo,aliás, que o Sr. Fialho nunca  fez mal a ninguém. Era um velho Secretário de Finanças de 3ª Classe, talvez quase da idade de meu pai. Com o seu bigodinho, discreto, bem aparado, bastante careca,  fumando o seu cachimbo e “vendendo-nos”,  as suas convicções, baseadas na moral, para nós, caduca, do Salazarismo. Mas de vez em quando irritava-se, ficava muito vermelho e sustentava com calor as suas “verdades”; facto que a nossa juvenil rebeldia explorava, para “gozar o prato”. Recordo particularmente o nosso colega Covas, que era um especialista em explorar as fraquezas do “velho” Fialho. De uma vez o nosso José Fialho veio fardado, com a farda de oficial da Legião, porque estava de oficial dia, no quartel da Penha de França, salvo erro. Então o Covas (que no convívio do ano passado nos presenteou com a sua presença),  que tinha sido Furriel na guerra, começou a dizer, ao nosso amigo Fialho, que não acreditava que ele soubesse fazer “ordem unida” , nas devidas condições. Gera-se, então, ali, uma disputa verbal , que culmina, para gozo  dos assistentes, com o Covas a pôr uma vassoura nas mãos do José Fialho, que fardado, começa a obedecer às ordens de firme, sentido, apresentar armas, etc.  Foi uma cena de antologia anedótica inesquecível. O nosso amigo José Fialho a princípio hesitava, porque devia ter alguma noção do ridículo da situação, mas por fim, no calor da refrega, não resistiu e serviu-se da vassoura, como se espingarda ou espada fosse. 

         O nosso amigo José Fialho era um homem simples, natural do Cadaval, quando o conheci já era viúvo e vivia sozinho, com um cãozito  (já depois dele se ter aposentado cheguei a encontrá-lo passeando o seu companheiro canino; hoje eu, igualmente aposentado, tenho em minha companhia um cão e uma cadelinha…).

O Sr. Fialho  tinha uma irmã, também nossa colega, muito parecida com ele, faltando-lhe apenas, à semelhança com o irmão, o bigodito. Trabalhava na Direcção-Geral ou melhor nos serviços Centrais da nossa velha DGCI, onde era secretária de um Director; aliás, naquele tempo, era vedado às mulheres pertencerem à carreira técnica tributária; para Salazar e seu regime autoritário, de partido único, que era o seu, a sociedade era patriarcal e, assim, na DGCI, as mullheres só podiam ser administrativas, a não ser que tivessem curso superior e, então, podiam integrar a carreira técnica superior, reservada a licenciado(a)s. A D. Violeta – era assim que se chamava a irmã do nosso José Fialho – era muito boa mulher mas contaram-me que, por mais que com ela insistissem, não lhe arrancavam, num ofício, por ela à máquina batido, uma letra a vermelho. Como se recordarão era norma, nos ofícios, escrever os nomes dos contribuintes a vermelho, para facilitar, a rápida identificação dos contribuintes a que se referiam. Ora, para a D. Violeta, escrever a vermelho era ordinário, ofensivo, pelo que se recusava terminantemente a fazê-lo, o que, com alguns Chefes dava “tourada”. Bem vistas as coisas, ela tinha as suas razões, sabemos bem o que significa mandar a alguém uma carta escrita a vermelho !…

           Mas regressemos ao seu irmão, para recordar que ele, com a sua simplicidade, acalentava a legítima esperança de passar num célebre concurso para Secretário de Finanças de 2ª Classe e quando o concurso abriu atirou-se aos códigos furiosamente, mas com a sua, tanto quanto sei, simples 4ª Classe, reconheçamos, que a coisa não era “pera doce” (todos os que fizeram a sua vida nos “Impostos” sabem bem que os nossos velhos concursos, mesmo para quem se preparava relativamente bem, eram ” um bico de obra” muito sério; hoje penso que as coisas estão mais facilitadas e o próprio sistema de imposto único veio, de certa forma, facilitar mais aquilo que ainda é uma tragédia, pois a matéria é vasta e ninguém sabe tudo; só consegui passar à segunda vez para Perito de Contencioso Tributário de 2ª classe, não me considero burro, passe a imodéstia e sei bem o que passei; primeiro para estudar, com muitas horas roubadas ao descanso e, depois, foi  a nervoseira que apanhei no decorrer dos dois dias de provas, que foi mais que muita). 

           Ora o nosso e saudoso Amigo José Fialho andava, como nós já andámos e andam aqueles que ainda estão ao serviço, “desgraçado de todo”.  Ele era um homem que, para além das suas teimosias, não era parvo e era informado, relativamente. Era muito mais esperto do que muitos pensariam, tinha as suas manias, mas procurava acompanhar a evolução dos tempos e das técnicas (eu para além das traquinices e ataques às suas  ideias ligadas pensamento do regime, em que tomava as devidas precauções, na forma como o contrariava, gostava de falar com ele e ele, também demonstrava que gostava de falar comigo). Então,ele, aflito como andava, sabia por estudos, penso que ao tempo recentes, que havia uma técnica muito eficaz para a aprendizagem de matérias que uma pessoa queria reter na memória e que consistia (e consite)  em, depois da pessoa estar a domir ou seja durante o sono, meter um pequeno altifalante debaixo da almofada, que, ligado a uma aparelhagem, “debitava” o que se pretendia na memória reter. Ora, conhecedor da técnica, não foi tarde nem cedo, o nosso homem apetrechou-se o melhor que pôde e, rapidamente, começou a tratar de pôr em prática, aplicado ao seu caso, o processo.  Depois não resistiu em contar ao pessoal a sua descoberta, acrescentando que sentia que a técnica estava a resultar. A malta nova, bem como alguns mais velhos, que também apreciavam histórias pícaras, começaram a “puxar” por ele, pois desconfiavam que, certamente, algo de mais engraçado ali haveria, que só se poderia “apanhar”  se o nosso José Fialho touxesse as gravações e diziam-lhe:     - ”Oh Sr. Fialho traga lá isso para a gente ver e ouvir e se calhar experimentar!”

             Já não me recordo como foi exactamente, mas penso que ele trouxe o material e então descobriu-se que ele gravava os códigos inteiros, tal e qual, mas com a novidade de, por não ter uma leitura completamente escorreita, provavelmente, ler também, por “extenso”, a pontuação. O que, na prática, surtia um  efeito desastroso, pois o nosso amigo, para além dos números dos artigos, alíneas e parágrafos, em vez de fazer a devida pontuação, com a leitura, dizia ao gravador: Artigo Primeiro ”tal tal tal vírgula ….tal….tal…… ponto e vírgula ……. tal tal …….. ponto final ……..tal tal tal………….. ponto final parágrafo, etc. (isto da primeira folha à última folha de um determinado Código) .

             Seja a morte o fim definitivo ou apenas “uma passagem para a outra margem”, muito francamente, gostava de o saber, mas não o sei (?!), acredito que, para além do que anteriormente sobre isto escrevi (que o facto de recordar  os nossos companheiros, que partiram,  é como que uma forma de, pelo menos, os manter vivos, nem que seja só na nossa memória) não belisquei a memória do colega Sr. Fialho, nem o farei relativamente a outros em idênticas circunstâncias e muito menos foi essa, mesmo que ligeira, a minha intenção. Que isto fique bem claro. É certo que procurei recordar episódios, sobre ele, que nos farão no mínimo sorrir, mas fi-lo com imensa ternura, recordando, para além do colega, a sua figura humana, de quem tenho  saudade, não só pela sua, por vezes, meia ingénua graça, mas  também da sua imensa generosidade. Tanto quanto me recordo ele fazia voluntariato caritativo em obras ligadas à Igreja, designadamente na Conferência S. Vicente de Palo, visitando doentes, nos hospitais, presos, nas cadeias, obra em que nos meus tempos de juventude, ainda estudante, também participei.

           Parece-me que, por ora, este segundo texto de memórias, já vai demasiado longo, resolvo pois editá-lo, renovando a promessa que no primeiro fiz de voltar às histórias e vivências do desaparecido, mas demasiado presente, na  boa  memória dos seus ex-funcionários – O VELHINHO “COMPLEMENTAR”,que, concordarão comigo, não foi só um Serviço de Finanças, foi, autenticamente, uma escola de vida, de copanheirimo e de solidariedade.             

FERNANDO ROCHA

            NOTA:  ERRADAMENTE, NA CONVOCATÓRIA, COLOCOU-SE O NOME E O TELEM. DO COLEGA MOREIRA GOMES PARA CONTACTOS, DEVENDO POR RAZÃO DE DESLOCAÇÃO DESTE, EM VERANEIO, AO ESTRANGEIRO, DEIXAR DE SER CONSIDERADO.

1 comentário 22 Abril 2008

ALMOÇO DE CONFRATERNIZAÇÃO DE EX-FUNCIONÁRIOS DA EXTINTA REPARTIÇ.C. IMPOSTO COMPLEMENTAR DE LISBOA

VAI REALIZAR-SE NO PRÓXIMO DIA 7 DE JUNHO UM ALMOÇO DE CONVÍVIO E CONFRATERNIZAÇÃO DE EX-TRABALHADORES DA EXTINTA REPARTIÇÃO CENTRAL DO IMPOSTO COMPLEMENTAR DE LISBOA, NO RESTAURANTE “A LAREIRA”,  SITO NA RUA DA LAREIRA – ALTO DO NOBRE, NAS CALDAS DA RAINHA  ( TEL. 262823432) .  HAVERÁ, PARA QUEM O DESEJAR UMA CONCENTRAÇÃO INICIAL NO CAFÉ PÓPULOS (ESPLANADA DO PARQUE), ENTRE AS 11,30 E AS 12,15, NA CIDADE DAS CALDAS, DONDE NOS DIRIGIREMOS, DEPOIS, PELA R. VITORINO FROIS (que tem início no Largo da Rainha, onde está a estátua e termina na antiga Estrada da Foz do Arelho, estando a cerca de 3/4 Kms da cidade indicado, do lado direito, o restaurante A Lareira) PARA O ALMOÇO.

ESTE CONVÍVIO ESTÁ ABERTO A COLEGAS DOS IMPOSTOS QUE CONNOSCO PRIVARAM, PELO QUE, PARA ALÉM DA LIBERDADE NAS INSCRIÇÕES A COMISSÃO ORGANIZADORA DO CONVÍVIO DESTE ANO FORMULARÁ TAMBÉM CONVITES A COLEGAS QUE GOSTARÍAMOS DE TER ESTE ANO CONNOSCO.

ACEITAM-SE INSCRIÇÕES ATÉ DIA 3 DE JUNHO PARA OS COLEGAS DELGADO – Telem. 966778699, FERNANDO ROCHA Telm. 961068673 ou MOREIRA GOMES Telem. 919072779. Seria, todavia, muito conveniente que, se possível, por razões logísticas, se procedesse a um depósito de inscrição para a conta da Caixa Geral de Depósitos nº 0184 006492800, servindo o talão de depósito de confirmativo. quaisquer esclarecimentos devem ser pedidos para os colegas acima referenciados. O PREÇO DO ALMOÇO E OUTOS COMES QUE DURANTE A TARDE O COMPLEMENTAM É DE 22 EUROS (incluindo-se nestes os custos de uma animação).

                     MINHA VERSÃO HISTÓRICA DA RCIComplementar

Em primeiro lugar coloquem a palavra “histórica”, exactamente assim, entre aspas. Não sou historiador, nem coisa que se pareça e a história desta antiga Repartição de Finanças não a conheço pessoalmente desde o seu início. Até ao ano de 1973, ano em que lá fui colocado, depois do meu regresso de Angola, na altura da guerra (para a qual o tirano Salazar me “convidou”). Sei ou penso que sei, sem engano, que esta Repartição, que começou por ser dirigida por um Director e que se situou, primeiramente, no lugar e na dependência dos Serviços Centrais, então localizados no Terreiro do Paço, “nasceu” nos primeiros anos da década de SETENTA, do século passado, sendo depois transferida para a famosa Praça do Príncipe Real, nº 35, na capital do Império. 

Foi aí que eu, em Fevereiro, do ano de 1973, fui colocado, como escriturário provisório, ainda que após  ter passado no concurso, para o quadro, que para garantir essa colocação interina fui obrigado a fazer e a passar (não obstante ter sido já provisório antes de ir para a guerra e a Lei, ao tempo, dizer que a prestação do Serviço Militar não podia prejudicar ninguém, mas no meu caso haver um prejuízo de quase um ano de serviço, em que esperei que o concurso se realizasse e o apuramento do seu resultado se esclarecesse); mas adiante, “essas são contas de outro rosário”, que foi o meu e que não deve entrar nesta história. Ora, por essa altura, era Chefe o nosso saudoso amigo Sr. Fausto Salvado Pereira e, depois, salvo erro, foi nomeado como sub-chefe o Sr. Farinha. E, facto que é bom de desde já recordar, o “25 de Abril”, no ovo ainda estava. Por esse tempo, embora bastante agitação  já houvesse e Salazar, da cadeira, caído tivesse e mesmo finado  fosse, o regime (de Marcelo) “pera doce” não era. Não obstante este facto,  o clima entre os funcionários era muito cordial, bem como o era  nas relações das chefias com os funcionários, tirando pequenas tricas (conflitos menores que fazem sempre parte da convivência entre pessoas). Pessoalmente, eu que, embora com cuidado já demonstrava animosidade, discordância absoluta, com a falta de liberdade (pelos jornais que de baixo do braço trazia) e que antes de entrar naquele serviço ninguém conhecia, tirando um caso, de que falar não quero, por agora, fui bem recebido, tratado com dignidade, a ponto de afirmar, que, independentemente do “25 de Abril” (mesmo que esse se atrazasse e na minha estada na R.C.I.Complememtar ocorrido não tivesse), continuaria a ser aquele, de entre todos os muitos serviços em que trabalhei, o que mais saudade me deixaria. Aliás a realização destes convívios, ao fim de tantos anos de extinto o Serviço (inícios dos anos oitenta do passado século), daquela finada Repartição Central do Imposto Complementar de Lisboa, com tanta gente, dão que pensar sobre qual, foi, é, o “cimento” que, por tão forte,   ainda nos une?!…

Permanecemos no Príncipe Real (vendo das janelas da Repartição o seu bonito jardim) num edifício, ainda que velho muito belo, até, penso, que Fevereiro de 1974, a partir de quando fomos obrigados a “fazer a trouxa” (pessoal e do serviço) e a ocuparmos o famoso nº 5 da Rua Braancamp que, ao tempo, para um serviço das finanças era um edifício de luxo asiático, numa zona nobre da cidade, quase paredes meias com o “Expresso”, um jornal, que há pouco nascera e que foi uma golfada de ar fresco na imprensa portuguesa e que, honra lhe seja feita, como que anunciava um novo tempo que aí vinha; tempo, que nesse mesmo ano de l974, no dia 25, desse já distante Abril, para a maioria, finalmente, chegou.

Jamais esquecerei o facto, por demais insólito e de certo modo misterioso, que determinou, dias antes da mudança,  para as novas intalações da Braancamp, uma mudança, com aquela já anunciada, no interior das velhas instalações e com o velho mobliário do Príncipe Real; com secretárias, ainda de madeira, algumas enormes e bem pesadas, escada a baixo, escada a cima, por ordem do chefe, que todos diziam muito boa pessoa ser, mas que dentro e fora da nossa Repartição, era conhecido como o CHEFE DAS MUDANÇAS, o que recaía, geralmente, sobre os costados do pessoal mais jovem, de que eu, naquela época, era parte. Eu gostava muito do Chefe Fausto (um verdadeiro Chefe, mas tambèm um amigo, de quem várias provas tive), mas aquela mudança (?!…) para além de não entender cheirou-me a castigo (que não sendo, certamente para mim, sobre as minhas fracas costas, também, caíu). Mas ainda pior do que o meu desagrado, foi o de um colega (não me recordo bem quem), que, no decorrer da dita cuja mudança, me gritou e quase me empurrou, dizendo-me: “larga”; e, assim, uma secretária, pelos seus próprios meios, rapidamente, desceu um lanço de escada, com grande e natural estardalhaço, que pôs todo o serviço em mudança ou não, em autêntico alvoroço e que, apesar de alguma natural desconfiança, foi tido e justificado, oficialmente, como um acidente.  Ao que, posteriormente, passado o primeiro impacto do ”acidente”, a secretária, um pouco combalida e até coxa, tomou o seu lugar, ainda com o nosso esforço, na sala que lhe foi destinada.

      (DADO O TEXTO JÁ IR LONGO E PARA NÃO CANSAR A VISTA E O CÉREBRO, DE QUEM, COMO EU, EMBORA CONTRARIADO, ENVELHECE, ESTE TEXTO, AINDA NÃO COMPLETO, É JÁ  EDITADO, COM A PROMESSA DE SEQUENTES EPISÓDIOS, SE A SAÚDE, A VIDA E O ENGENHO ME NÃO FALTAREM, JÁ QUE A ARTE, VERDADEIRAMENTE, RECONHECIDAMENTE, NÃO ABUNDA E, QUE, PARA MEU DESGOSTO,  ME FALTA)    

          FERNANDO ROCHA, NUMA MADRUGADA, EM QUE A INSÓNIA, VENCIDA, LUGAR AO SONO DÁ.

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