Desgraçado do País onde a corrupção anda à rédea solta
Que Portugal era uma pátria da impunidade para os crimes dos “colarinhos branco”, como regra, já sabíamos. Ficamos, todavia, agora a saber que a lei para estes ainda se vai tornar mais branda. As alterações aao código penal vão nesse sentido, facilitando a vida aos criminosos de “alto gabarito”. Os comentários de quadros superiores da Judiciária e do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público não deixem margem para quaisquer dúvidas. Dizem estes responsáveis que as investigações complexas terão tendência a morrer antes de começarem. Que a prisão preventiva, para crimes de corrupçãp deixa, na prática, de poder ser aplicada (ou só o poderá ser em casos cuja moldura penal prevista seja superior a cinco anos).
Fala-se, pois, na criação de um paraíso da criinalidade”, em Portugal. Tudo isto acontece pela mão deste P.S.. Tudo isto não é, todavia, inocente!
Casos como o da “SOMAGUE” nunca, na prática, poderão ser merecidamente castigados e, pasme-se, nem sequer devidamente (minimamente) investigados.
No dia 1-9-2007, em que isto veio a público, Daniel Oliveira, na sua coluna habitual do “Expresso”, “põe a boca no trombone”, contra os fraudulentos financiamentos partidários e, tal como a maioria dos portugueses, melhor informados, não sejam, em Portugal, um enorme escândalo; apenas o lamenta, como muitos de nós lamentamos. E tal como alguns, dos tais melhor informados, dá a entender claramente que o “calcanhar de Aquiles” deste Paraíso, para a corrupção, que Portugal é (e mais será), é o financiamento dos partidos (o ilícito, entenda-se).
Diz, também, que nem perante as maiores evidências a classe política, na sua esmagadora maioria e os jornalistas, igualmente, tocam nestes casos. Há um fingimento de que quase nada se passa, que é normal e, como ele diz, a maioria dos elemetos das duas classes, sobre tudo isto, “assobiam para o lado”.
Nada disto é inocente e está tudo ligado numa enorme teia de cumplicidades, em que de facto “manda quem paga”.
As grandes obras em Portugal, em muitos, senão na maioria dos scasos, não são decididas, em grande medida, em função de grandes interesses subrerrâneos ou se assim não é totalmente, as contrapartidas, negociadas por baixo da mesa, ocupam sempre um lugar e um volume significativos.
Portugal é assim, um país que estando na Europa e classificado como estando no clube dos países desenvolvidos, se deix assemelhar, em termos de Estado e governação, a uma qualquer República da Bananas, mesmo que estas pareçam estar em vias de extinção.
2-9-2007
Fernando Rocha
Adicionar comentário 6 Setembro 2007