Arquivo de Junho, 2006

Afinal o Sindicato dos trabalhadores de imposto ainda existe!….

  Tive a certeza da afirmação que faço, no título, porque (revelação das revelações!) vi o Manuel Alberto sorrir, apenas em meia cara, porque o Bettencourt Picanço lhe tapava uma parte da face; como bem o conheço, vi que era ele o meu velho amigo, actual presidente de STI, que apesar de nada dizer, sendo fotogénico, como figurante, serve para dar um melhor enquadramento ao verdadeiro actor.

  Sou sócio do STI, quase desde o tempo em que os animais falavam (desde 1981/82), fui seu dirigente por diversas vezes, sempre acompanhei o STI e o sindicalismo, em geral e não me ocorre (para meu espanto, perplexidade, porque fazia outra ideia do Manuel Alberto, como Presidente da Distrital de Viana) uma liderança tão baça e estrategicamente tão frouxa.

  Sou amigo de há muitos anos do Manuel Alberto, com provas dadas (não só de boca), mas acima de tudo coloco o STI e o sindicalismo. Verdadeiramente a amizade só é possível manter, na sua maior solidez, quando nos podemos orgulhar dos nossos amigos. Com o Manuel Alberto, tem, progressivamente, vindo a crescer a desilusão, não pessoal, mas político-sindical, que (como é óbvio) afecta a amizade, no global.

  Parece-me que para além dos defeitos que sobre esta liderança explanei, já, nestas curtas linhas, há algo de desonestidade, puramente intelectual, na postura político-sindical do Manuel Alberto e, bem entendido, no núcleo duro da direcção, que o acompanha; uma vez que já devem ter consciência de que se a avançada do governo for forte, como tudo indica, quanto à “mobilidade” (leia-se meio caminho andado para o despedimento) na DGCI e nas Tesourarias, esta Direcção não tem capacidade para defender os trabalhadores, minimamente. É duro (muito duro) dizer isto, mas é a verdade, que os fortes indícios, de uma prática de já anos, de inércia, indiciam.

  Tenho acompanhado a actividade do STI por teimosia e carolice, uma vez que estando desligado do serviço há mais de dois anos, só me chegam papéis do seguro, porque de actividade sindical, propriamente dita, nem cheiro. Os comunicados, são para esta direcção, um privilégio de cibernautas [1]. Como Publicamente o STI da Comunicação Social, também desertou, quase, uma vez que nem sequer à Administração tem críticas e muito poucas sugestões relevantes a fazer, a actividade do STI tornou-se, para nós (mesmo para os que procuram algo saber) e, sobretudo, para os trabalhadores, menos atentos, algo de semi-clandestino.

  Hoje dia 8 de Junho (depois de um longo interregno) o STI (soem trombetas e clarins!) saiu da clandestinidade!…

  A DN disse-nos no último Cons. Geral que estava a “negociar” uma reestruturação, se o está ainda ou não, tal facto para nós é uma incógnita; uma vez que por escrito (em comunicado), via CTT, estamos impedidos de o saber.

  Seja uma reestruturação ou lá o que seja suspeita-se, que com esta conjuntura (com este governo neo-liberal, por alcunha de esquerda) ou virá no dia de “S. Nunca, à tarde”, ou se vier é mais uma “lixadela” a acrescentar às que, por toda a função pública, têm sido dadas, como presente, aos trabalhadores.

  Mas no último Conselho Geral, a que fui, a DN estava confiante, esperançada, tinha fé (“fia-te na Virgem e não corras”!) que tal reestruturação viesse e resumia a isso a sua estratégia.

  Oxalá que esteja enganado, mas cheira-me a borrasca da forte (!…); e esta DN nem sequer um chapéu-de-chuva de 2,5 € (“500 paus”), daqueles que os vendedores de ocasião, vendem no Metro de Lisboa, tem!…..

                                                                      Fernando Rocha

P.S. – No “Fórum”, da TSF, disse que, mais do que outra coisa, este ataque à função pública (e aos reformados, também vai chegar, dêem-lhes algum tempo) é, para sindicalistas e outros activistas, mais do que um tempo de lamúria (sindical e outra) é um tempo de resistência activa. O desemprego ou no mínimo o corte nos salários e outros direitos prossegue (na cabeça deste governo “socialóide”).

  Este governo, sem uma estratégia, para o desenvolvimento do país, de modo pior, que a “padroeira dos falidos”, a Manuela Azeda o Leite, só sabe olhar para a Função Pública não como serviço público, mas como despesa supérflua ou passível de privatização.

  O Cavaco era mais humano, no seu tempo de governante, dizendo que para o Funcionalismo, a solução era “deixá-los morrer” (!….).  Este filósofo, da escola socrática, tem uma posição mais activa (não deixa as coisas ao acaso), procura matá-los, nem que seja de susto ou de fome, como com a “licença de longa duração” em que o salário, perde a validade!….

  Viva o socialismo socrático (socialóide) !

 

Caldas da Rainha, 8 de Junho de 2006


[1] Embora tenha um blog ou um site, o “Mistura Grossa”, não “computo” ainda. Tenho almas pacientes (mediante alguma retribuição) que me batem (com o devido respeito) textos e os “enfiam” no dito cujo, repito, com o devido respeito. Por isso se você “computa”, logo é um ilustríssimo cibernauta e se na “net” me leu, não estranhe que eu me insurja contra os comunicados só pela “net”; que embora possam chegar às ilhas Fiji ou ao Alasca, na prática não chegam a muitos trabalhadores dos impostos e a muitas repartições de Finanças (por falta de tempo, por causa da “lufa, lufa” do trabalho diário ou por mero comodismo ou falta de delegado sindical ou, ainda, do seu empenhamento).  Aliás os comunicados chegar chegam, mas “ficam no tinteiro”, do computador, o que na prática equivale a ficar no outro e velho tinteiro de tinta, para “molhar a pena”, o que não sei se é uma pena ou uma vantagem (?!….); sempre se poupa a cabeça de chatices.    

  Tenho, todavia, uma suspeita: como a DN nada ou apenas 0,001 de importante tenha a dizer, o comunicado pela “net” fica com uma ilusória aparência de modernidade, que desculpa a falta de conteúdo, como, também, por chegar a muitos menos trabalhadores, não os leva a criticar a óbvia falta de capacidade estratégica e táctica desta Direcção.

3 comentários 28 Junho 2006

Numa Contributo para a trágico-comédia nacional (contra a maré)

Posologia

Leitura especialmente recomendada a “doentes” com bílis e fígados enjoados de receituário “milagroso” (neo-liberal), para a crise do país e do povo, causadores de náuseas e, basta vezes, vomitório. Em muitos casos, após a leitura, deste, como de outros textos idênticos, os pacientes registam consideráveis melhoras, por se sentirem mais acompanhados, no asco, ao pensamento, de sentido único, para a penúria e o abismo.

 

Contra-indicações

Por razões inversas esta leitura não é recomendável a políticos de plástico, caciques, carreiristas e outros “intrujas”, que poluem a democracia, o regime do “25 de Abril”, com esterco ou nódoas, que nem o velho “Benzovaque”, mais forte, por maior que seja a esfrega, tira.

 

Advertência prévia

O texto que se segue não é meu, mas o autor não o assina. Nas trágicas circunstâncias presentes, aceita-se que as pessoas, no activo, para não serem persecutoriamente “imoladas” não se queiram expor. Como ex-sindicalista sei o que é essa expiação.

 

Assim, um grande, grande amigo, de há muitos, muitos anos, por demais cansado e revoltado, sacou da sua natural e talentosa criatividade, para esconjurar “fantasmas” e outras criaturas, que sem nos pedirem licença invadem o nosso quotidiano e que, sobretudo à noite, quando o corpo e a mente pedem sossego, nos assaltam a tranquilidade solitária ou familiar, através da janela televisiva, de sua responsabilidade, cada vez mais transformada num postigo ou numa fresta de falácias e lixo.

 

Intrusas, por natureza, essas criaturas medonhas, que se transvestiram de vermelho e rosa, a quando de “caça ao voto”, agora, debitam loas, ameaças e medos, que nos toldam a lucidez e a paciência, tirando-nos, invariavelmente o apetite e o sono. O seu óleo de fígado de bacalhau, ideológico, só abre o apetite à especulação e à intrujice.

Num “tempo” como este, cinzento, feio e triste e em que a “borrasca” regeneradora tarda, as linhas que se seguem são uma “réstia de azul”, que fazem da palavra a arma certeira, último reduto da resistência. E, assim, a revolta e a saudade, o desejo, de um “Abril” passado e futuro, poderá ganhar corpo, assas, para de novo voar, por cima de oportunistas, esbirros, vampiros e abutres.

 

Vamos, pois, ler as pertinentes palavras, seguintes, com a sofreguidão da fome e da secura, na esperança que contribuam para varrer, para os arquivos mais esconsos e bolorentos da História, as tão bem caracterizadas criaturas, que nos infernizam o presente e nos querem “roubar” o sonho, um aceitável Futuro

Clique aqui para descarregar o documento.

 

Caldas da Rainha, 29 de Maio de 2006

Adicionar comentário 22 Junho 2006

Carta

Escrevo-te
Este Poema carta,
Após quatro longos meses
De saudade
De tudo,
Da minha verdadeira comunidade,
Da minha passada juventude,
Que em comum vivemos
Na terra que amamos,
Nesse berço soalheiro,
Nesse Portugal
Lusitano,
Tão recordado,
Tão querido!Aqui,
Algures na guerra

Adicionar comentário 5 Junho 2006


Calendário

Junho 2006
S T Q Q S S D
« Mai   Jul »
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
2627282930  

Artigo por Mês

Artigo por Categoria