Arquivo de Abril, 2006

IMOBILISMO E DESASTRAMENTO MUNICIPAL

Queria ou gostaria que, com este título, tivesse força ou folgo para, em vários textos, dizer de minha justiça sobre esta tragédia caldense, justificando-os com exemplos bem visíveis, para que se não diga que critico por criticar. Assim tenha “pedalada”, pois os exemplos são “mais do que muitos, quase não chegando a paciência e o espaço (jornalístico e mental) para, com alguma exigência, os ilustrar. De resto este título é (falando de “Imobilismo” e “Desastramento”) lisonjeiro, porque há muito mais grave do que isso, que se traduz na persistência em erros e gestão (no mínimo ruinosa), em diversos aspectos, bem identificados (como é o caso do mais recente exemplo dado pelo Deputado do PS, Arnaldo Rocha, sobre os prejuízos para o Município e os cidadãos, em muitos e muitos euros, da falta da celebração de um protocolo de acordo com a EDP; que S. Exª. o nosso Autarca/”Soba” vem há anos arrastando ou adiando para as “calendas”).

Ao cuidado da Justiça e das Autoridades deste País – que cada vez considero mais, por muitas e boas razões nacionais e concelhias, um “lugar muito mal frequentado”; veja-se o Estado de Justiça (uma grande injustiça para o humilde cidadão, quase inacessível por cara e morosa) – lanço o seguinte repto:

Devia ser obrigatória em casos suspeitos de desleixo ou outras razões gravosas ou de gestão pública danosa, devidamente comprovadas, o Ministério Público instaurar um inquérito, para levantamento de processo judicial, quando, após este, se verificasse a existência de matéria acusatória. Mas como somos a “Pátria” da irresponsabilidade e da impunidade, nas infracções e nos crimes dos cavalheiros de colarinho branco, os desleixados e os criminosos corruptos (gestores estatais, sejam autarcas ou outros) lá vão “cantando e rindo” … (e, infelizmente, riem-se muito)!…

Fazendo uma sintética e breve resenha de actos que cabem bem no título deste texto, sendo disso bem exemplificativos, temos:

· O PDM “parido à força”, tarde e a más horas, que tantos prejuízos causou, com os diversos impedimento de acesso a fundos comunitários e outros;

· O Plano de Pormenor do Centro Histórico (penso que é assim que se designa), que pouco mais é que “Letra Morta”, em variadas circunstâncias, com prejuízos, várias vezes denunciados, na Assembleia Municipal;

· O Pavilhão Multi-Usos (que é e haverá de continuar a ser uma “obra de Santa Engrácia”, na sua versão caldense), com peripécias e incidentes (para muitos gostos e paladares), que se torna fastidioso descrever;

· Os tardiamente prometidos Transportes Públicos, que caso não sejam, como o PDM, retirados da responsabilidade e da pouca vontade política do nosso “Mayor”, serão por muitos e bons anos uma promessa adiada (se me enganar será fantástico, porque eu, como alguns cidadãos, magros já por constituição e querendo ganhar mais peso, passando a andar menos a pé, melhoraríamos a silhueta e a saúde, porque andar “de castigo”, como em Caldas se anda, para além de cansar, pode matar).

· A falta de um Plano Estratégico para a Cidade que cresce ao sabor dos ímpetos dos construtores, com um planeamento de merceeiro, de 3ª Categoria, onde os espaços comerciais e infra estruturas básicas, em muitos casos, escasseiam ou são mesmo inexistentes;

· A quase Morte das Indústrias Tradicionais, do Termalismo, do Turismo, bem como (ainda em menor escala) a crise do Comércio, perante a passividade da Câmara, corrói as nossas raízes, as mais preciosas mais-valias da Cidade; assim, descaracterizada, Caldas perde qualidade e riqueza, “ganhando” falências e mais pobreza, com o Desemprego; dizer-se que nada sobre isto se pode fazer, como o Sr. Presidente, há tempos, a uma interpelação minha disse, na Assembleia Municipal, é, para além de uma “não verdade”, uma boa maneira de justificar a inércia habitual, o “deixa andar”, desleixado, de quem por todos nós é pago (e não tão mal como isso, antes pelo contrário) para gerir correctamente o Município. Disso mesmo são exemplares a ausência de obras, há muito reclamadas, pelos comerciantes e outros cidadãos, no Centro Histórico, bem como a falta de organização de Certames, Feiras ou outros eventos, destinados a promover a Indústria Cerâmica e, o Artesanato, Caldenses.

O “Cardápio” exemplificativo poderia ser bem mais longo, mas o espaço jornalístico de uma crónica e o mental dos leitores (em termos de paciência) deve ser usado com parcimónia.

Caldas da Rainha, 10 de Março de 2006

Fernando Rocha

2 comentários 29 Abril 2006

A Hipocrisia dos “Figurões”

Os 2 (dois) textos que seguem tendo já mais de 1 ano (e nunca tendo sido publicados) estão desactualizados quanto à motivação próxima que levou a que fossem escritos. Todavia, na minha opinião, quanto aos objectos das críticas, infelizmente, não perderam a oportunidade. O mundo dos “Figurões” e “Figuronas” não mudou. Apenas mudou o facto do PS, de Sócrates, os ter escutado e seguido, esquecendo-se do povo comum, que com conselhos destes adoptados, se tornou, com o passar de um ano, mais sofrido.

Seguem-se, pois, os 2 textos.

Adicionar comentário 28 Abril 2006

MACRO ECONOMISTAS OU COVEIROS DA ESPERANÇA? – A Hipocrisia dos Figurões!

Sempre que há Legislativas, da há uns tempos a esta parte, os dois grandes Partidos, do nosso rotativismo político, que agora começa a abrir brechas, organizam iniciativas que procuram atrair personagens destacadas de vários quadrantes técnicos e intelectuais, com grande acentuação nos gurus da Economia. Muitos destes, aliás, no seu afã de subirem à ribalta (ou para se posicionarem na rampa de lançamento para cargos Governamentais ou por simples vaidade ou vontade de aparecer) colocam-se mesmo em bicos de pés, para serem escolhidos, nessa nova feira de aparências e vaidades do nosso pequeno mundo político. Reconheça-se que o PS está mais especializado nestas andanças do que o actualmente estafado PSD. Foram os “Estados Gerais” de Guterres e agora são as “novas fronteiras” de Sócrates. Os nomes mudam mas a “música” é a mesma.

Estes Homens e Mulheres, catalogados de Independentes, lá debitam as suas sentenças, que os aparelhos Políticos peneiram para uns programas políticos, geralmente bastante vagos, destinados a encher o olho a papalvos. Da parte dos Macro-Economistas a receita, com maior ou menor variante, neste tempo de crise (sobretudo de confiança dos cidadãos, na Economia e na Política) fala-se, invariavelmente, em rigor e austeridade, que bem vistas as coisas toca aos mesmos de sempre (os descendentes do “Zé Povinho”, que o Bordalo, em desenhos e peças de cerâmica geniais, pelas bandas das nossas Caldas, imortalizou).

Os Senhores Doutores que debitam (para não dizer algo de mais mal cheiroso) estas sentenças, como classe média alta que são, lá continuam com os seus chorudos vencimentos e mordomias, falando da crise que lhes passa ao lado. E o “Zé Pagode”, cada vez mais desesperado e descrente, quando os vê aparecer no pequeno ecrã, ou não os ouve ou faz “zaping” com o comando do receptor de TV, para uma qualquer “Quinta das Celebridades”, que lhes faz esquecer a sua condição de único pagante fiscal ou de sobra de mês para o salário.

Se alguns destes Senhores e os aparelhos partidários que lhes dão palco tivessem um mínimo de decoro e seriedade diriam que, embora os tempos não sejam de abastança e de despesismo fútil, é urgente distribuir de forma justa, socialmente, os sacrifícios e que medidas como por exemplo a subida dos impostos sobre o rendimento, sem um sério combate à evasão e à fraude fiscal (e mesmo à corrupção no fisco) ou a subida do IVA (o imposto mais injusto do nosso Sistema Fiscal, já que taxa o consumo e quem mais o sente, são os mais desfavorecidos), constituem um flagrante aumento da Injustiça Fiscal e, consequentemente, Social. Saberiam, também, que pedir mais sacrifícios ao Funcionalismo Público (uma grande maioria com salários baixos e sistema de aposentação revisto, para não dizer parcialmente roubado, pelas malfeitorias de Manuela Ferreira Leite, que, na prática, também aumentou a idade para ter acesso à Reforma) constitui uma receita fácil, para à conta dos pobres se equilibrarem as contas públicas.

Ao contrário desta receita era de facto necessária uma grande reforma na Administração Pública, que acabasse de vez com a política dos cortes cegos, que paralisam serviços essenciais, de que o País carece, seja na Saúde, seja na Educação, seja na Ciência e na Investigação, para combater o nosso endémico atraso.

Saberiam, igualmente, que mais do que vender património e até mesmo cobranças fiscais (ao “homem das Arábias”, um tirano à boa maneira medieval, mas podre de rico), como fez esta Direita sem vergonha, era urgente pôr a máquina fiscal a funcionar capazmente, começando por combater, sobretudo nas camadas Dirigentes Superiores, o compadrio e a corrupção. Os Serviços Fiscais necessitam de ser redimensionados, de acordo com as novas realidades económicas e demográficas do País; como também o Sistema Fiscal carece de uma enorme simplificação, para que seja mais justo e melhor compreendido.

A retoma de que o País precisa é sobretudo uma retoma de confiança dos cidadãos na Política democrática e transparente de um Estado, que para ser autenticamente democrático, tem de ser colocado ao serviço dos cidadãos, sobretudo os mais desprotegidos e humildes, que nunca o deixaram de sentir como um Estado opressor e não libertador, como prescreve a letra e o espírito da Constituição da República.

Muito mais extenso poderia ser nos exemplos de uma outra visão da política e da gestão do Estado, mas por economia não macro, mas de espaço, por aqui me fico.

Caldas da Rainha, 19 de Janeiro de 2005

Fernando Rocha*

*Candidato pelo Círculo de Leiria, à Assembleia da República, pelo Bloco de Esquerda

Adicionar comentário 28 Abril 2006

“BONIFACIAMENTE” – A Hipocrisia dos Figurões!

O País está em crise e o discurso da crise e como sair da crise, domina todos os “palcos”, todas as conversas. Dos “palcos” da Política aos “palcos” dos Media, com destaque para as Tvs. O que está a dar é falar da crise. É a crise do Défice Orçamental, é a crise da Balança de Pagamentos, é a crise de Competitividade; em suma o País é um somatório de crises e quanto mais se fala da crise mais a crise se instala, já não como crise Orçamental ou outra mais específica, mas como crise de Confiança no próprio País, começando a questionar-se (ainda que baixinho) a sua própria viabilidade. E vai daí, com o discurso da crise instalado sucedem-se a subir à “boca de cena”, das várias televisões, figurões ou figuronas, armados em terapeutas da crise, com receitas para todos os males de que o País padece.

Descontados uns poucos que de uma forma honesta e com argumentos sérios, abordam a crise do lado dos que mais a sentem e sofrem – o povo trabalhador e todo o conjunto dos humildes e deserdados – todos os outros, figurões e figuronas, que ou sentados à “Mesa do Orçamento”, deglotindo banquetes ou encaixados nas empresas públicas ou de capitais públicos, sacando vencimentos milionários, sistematicamente, dizem que o povo gasta demais e vive acima das suas possibilidades e que a solução para a crise é levar mais crise ao orçamento dos portugueses e das suas famílias.

Ainda recentemente, num bom programa de tv que escapa à desgraça das várias “Quintas das Celebridades”, que tomaram conta do espaço televisivo, alguns figurões, economistas ou quejandos encartados, de que, de alguma maneira escapou o Prof. Campos e Cunha, debitaram loas e receitas para os nossos males nacionais e procuraram anestesiar-nos para sermos forçados a eleger um Governo que nos imponha mais sacrifícios.

Quanto aos economistas, salvo raras e honrosas excepções, estamos conversados. Já sabemos que “quando os “Contabilistas” (sem desprimor para esta classe) entram pela porta a humanidade sai pela janela”!…

Mas nesse “Prós e Contras” da RTP, moderado pela excelente jornalista, Fátima Campos Ferreira, para além de um tal Paulo Rangel, na defesa impossível da política do Governo, de que faz parte e de um tal Nogueira Leite, por demais inchado da sua convencida sapiência, surgiu-nos uma “estrela”, que depois de debitar discursos do demasiado óbvio, resolveu encerrar a sua “lição”, já que é catedrática de História, apelando ao novo Poder, que sairá das Eleições de 20 de Fevereiro, para acabar com os privilégios dos Funcionários Públicos. E foi assim que essa nova estrela, dos nossos ecrãs televisivos, que dá pelo nome de Fátima Bonifácio, “Bonifaciamente, nos brindou com a sua receita para sairmos da crise, passando por cima ou ao lado, das muitas malfeitorias que Manuela Ferreira Leite fez, recentemente, aos trabalhadores da Administração Pública, das quais avultam os roubos nas Pensões de Aposentação!…

Talvez a Srª Catedrática que descansa, certamente (como é hábito dos “Lentes”), dos seus deveres profissionais, nos seus Assistentes Universitários, usufrua de bastantes privilégios, que possa dispensar. A esse descarte estaremos atentos, mas a grande maioria dos Funcionários, Baixos e Médios (que vivem com os tostões contados e com sobra de mês para o salário), não aceitam passar do sofrível ou do mal ao péssimo, que V. Exª., “Bonifaciamente” preconiza!…

Reconheço que a Função Pública é um mundo e que nela cabem muitas benesses e privilégios, mas mesmo, assim, a esmagadora maioria dos Funcionários Públicos, incluindo-se nestes os camarários, ganha pouco, vive mal.

Esta Senhora ainda poderia ter alguma razão se falasse dos imensos “tachos” existentes à sombra do Gabinetes Governamentais, onde avultam os “Boys”. Mas sua Exª. esqueceu-se e misturou na sua gamela, discursiva, o enorme número de trabalhadores auxiliares e administrativos das escolas, que no seu próprio Ministério auferem salários de miséria.

O mundo da Drª. Fátima Bonifácio e de outros figurões e figuronas não é o mundo da maioria dos portugueses, onde o privilégio e a abastança (como no dela é norma) não figuram!…

Em 20 de Fevereiro muitos portugueses, cansados de demagogia e hipocrisia, saberão responder, tenho a certeza, aos figurões, que de barriga cheia, falam de cátedra!…

Caldas da Rainha, 4 de Janeiro de 2005

Fernando Rocha*

*Candidato pelo Círculo de Leiria à Assembleia da República, pelo Bloco de Esquerda

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Paludismo

Meus olhos febris,
Parados,
Meus dedos finos,
Amarelos,
Minha carne fria,
Avelhada
E num turbilhão de pesadelos
Me agito,
Numa frenética irrealidade,
Meu corpo se contorce.
- África!……
- Ainda me não venceste!……

7 de Junho de 1972

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