Porque considero importante este protesto em defesa dos animais, porque a tourada é um espectáculo bárbaro, uma reminiscência do marialvismo serôdio, a que urge pôr fim numa sociedade democrática e civilizada, passo a transcrever a tomada de posição do Bloco de Esquerda das Caldas da Rainha:
| Bloco de Esquerda repudia tourada organizada pelo CDS-PP
No dia 24 de Julho, sábado, o CDS-PP organiza uma tourada na Praça de Touros das Caldas da Rainha. Ao fazê-lo, o CDS-PP não se limita a apoiar ou a estar presente numa iniciativa deste género. Na história recente da política portuguesa, não há memória que um partido político, incluindo o CDS, se tenha disponibilizado a organizar touradas.
Disse o seu secretário-geral, João Almeida, que o CDS “respeitava quem não gosta de touradas”, mas não é essa a questão. Os manifestantes que mostraram o seu descontentamento em frente à sede do CDS-PP em Lisboa e que este sábado se manifestam em frente à praça de touros agradecem este “respeito”, mas o que exigem é o respeito dos touros e dos cavalos que são violentados na arena contra a sua vontade.
Embora o CDS goste de propagandear o seu blá-blá sobre a protecção dos animais, só os mais distraídos não conhecerão o longo historial de ligações do CDS-PP ao mundo dos negócios tauromáquicos.
Salientamos dois destes momentos. Em 2002, Telmo Correia, destacado dirigente do CDS-PP, foi um dos autores e promotores da iniciativa legislativa que levou à legalização das touradas de morte em Barrancos. No início de 2009, na Assembleia Legislativa Regional dos Açores, o CDS participou na legalização da “sorte de varas”, um alegado divertimento que consiste em picar o touro com lanças que terminam em pontas de ferro, para provocar o sangramento e enfraquecimento do touro.
Ao colocar a sua chancela na tourada deste fim-de-semana, o CDS deixa cair irreversivelmente a sua máscara de proclamadores da não-violência e do respeito pelos animais. Na arena como no hemiciclo, o CDS cede o passo ao populismo desde que na calculadora política, as suas acções lhe pareçam trazer mais votos.
Não é essa a posição do Bloco do Esquerda, que foi o único partido a votar contra as touradas de morte, o único que tem uma política consistente de não subsidiar eventos com animais com dinheiros públicos em todo o país e o único que nas últimas legislativas apresentou propostas pelo respeito e protecção dos animais. Por estas razões, o Bloco de Esquerda considera inaceitável a organização de espectáculos fundamentados na opressão e sofrimento dos touros, em nome da luta por uma sociedade mais justa, moderna e pacífica.
23/07/2010
Comissão Concelhia do Bloco de Esquerda das Caldas da Rainha
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24 Julho 2010
Segundo o “Correio da Manhã”, de Domingo (6-6-2010), “o presidente da Comunidade Intermunicipal do Oeste, Carlos Lourenço, anunciou ter sido informado pela Ministra da Saúde, Ana Jorge, que será ampliado e remodelado o Hospital Distrital das Caldas da Rainha, em vez da construção de um novo Hospital para servir a região”.
Ora aí está uma conclusão extraordinária do Governo e da Ministra da Saúde !
Depois de tanto paleio, despique meio saloio/bairrista, entre autarcas sobre a localização da “nova” unidade Hospitalar, uma esparrela em que particularmente o Presidentes da Câmara de Alcobaça e das Caldas caíram, com a anunciada construção do novo HOSPITAL DO OESTE NORTE e de rios de tinta gastos, com muita conversa na imprensa regional, ficam tudo e todos com as calças na mão, com esta insólita e seca “boa nova” do jornal, que todas as manhãs povoa todos os cafés e tascas do nosso Portugal. E, assim sendo, bem se pode dizer que “a montanha pariu um rato”, um pequeno ratito, que depois de muita fumaça, indiciadora de vulcão, se deu a conhecer ao Oeste, perante o pasmo geral de papalvos e ingénuos.
Uma outra conclusão deste processo poderemos tirar: O Governo (tirem-lhe o chapéu !) enganou bem os tais papalvos e ingénuos e com todo este formidável embuste, do novo Hospital, ganhou tempo, para a sua política economicista, poupando pelo menos em dois Orçamentos de Estado, muito do seu, ou melhor, do nosso dinheirinho, enquanto os autarcas oestinos, entretidos pela treta, quase se batiam em duelo pela localização do novo Hospital.
Ou seja, de uma só cajadada, dois coelhos pelo Governo foram mortos: – O novo Hospital e a velha aspiração da urgente e mais que necessária ampliação do Hospital de Caldas (onde já se chegam a esperar catorze horas na urgência). Durante estes dois ou mais anos tivemos o Oeste entretido com a mestria da política do anúncio, que de anúncio nunca passa, um truque ilusionista, do melhor, desta socrática política, que vamos tendo.
Fernando Rocha
7 Junho 2010
Muito embora eu tenha estabelecido uma relação afectiva com os chamados “13 RESISTENTES” (aqueles, que com a ajuda de um advogado do BE, de Leiria, acabaram por receber as indemnizações de Lei), o caso “SECLA”, para mim, nem em termos de luta, nem em termos de Direito, está encerrado, porque as quase duas centenas de trabalhadores (para além dos “13 resistentes”), daquela cerâmica emblemática, da nossa cidade, das Caldas da Rainha, foram, numa manobra de enorme chantagem e coacção, enganados e esbulhados de cerca de metade das indemnizações, de Lei, a que tinham direito e que se a Lei da República, para quem trabalha e é pobre, não for madrasta, ainda têm direito.
Inequivocamente, houve má fé (jurídica) em prejuízo dos trabalhadores, porque o acordo de cerca de metade das indemnizações foi assinado sob a já referida coacção, com a cumplicidade de um advogado e, pasme-se, de um outro jurista, que é, nem mais nem menos, que o Sr. Presidente da Câmara de Caldas da Rainha, quando este, numa mais que infeliz declaração, por alturas da luta, faz agora perto de dois anos, vem dizer, mais ou menos, que “nos tempos que correm” mais vale aceitar metade da indemnização, do que correr o risco de nada vir a receber.
Daí que só treze, da totalidade dos trabalhadores da SECLA, com o apoio do advogado de Leiria e do BLOCO DE ESQUERDA e de mim próprio, do BE de Caldas, tenham resistido à chantagem, à coacção vil, de quem lhes diz para se estarem “nas tintas” para as Leis do trabalho do nosso Estado !
Haja o que houver, digam-me o que disserem, ameacem-me ou não com os Tribunais (como o fez o Sr. Presidente da Câmara de Caldas), como cidadão, como militante político do Bloco, como ex-sindicalista, jamais me calarei (!); tanto mais que a SECLA não abriu insolvência e a Administração, para além das vendas, que tanto quanto sei continuou a fazer na SECLA velha, já recebeu da Câmara das Caldas 300.000 euros, de peças e moldes de valia artística, para o grande museu da cerâmica, a que querem, também, condenar a generalidade da cerâmica caldense.
Não me calarei e apoiarei os trabalhadores vilmente esbulhados dos seus direitos, pela chantagem , pela coacção. Até ao fim esses homens e mulheres e suas famílias, na medida das minhas forças, poderão contar comigo. A sua revolta será a minha revolta !…
Fernando Rocha – Deputado Municipal do Bloco de Esquerda das Caldas da Rainha
13 Maio 2010
A deputada do Bloco de Esquerda
MARIANA AIVECA estará presente amanhã 5ª. Feira (dia 13 de Maio), pelas 21H30, na sede do Bloco de Caldas (no Centro Comercial Avenida, perto da Estação de CP), integrando um ciclo “
deputados do Bloco prestam contas”, para essencialmente debater
o desemprego e a crise.
Num concelho como o nosso ainda vivendo o flagelo do desemprego, designadamente na nossa indústria cerâmica e, em particular, ainda marcados pelo trauma do encerramento da SECLA, discutir o desemprego, no contexto da crise económica, política e social, que vivemos, faz todo o sentido.
Está prevista, também, a presença do deputado Heitor de Sousa (o nosso deputado do BE, eleito pelo Distrito de Leiria). Heitor de Sousa voltará a Caldas no dia 9 de Junho, para connosco discutir os “TRANSPORTES E ACESSIBILIDADES”
Definitivamente se queremos fazer face a esta crise, que se vai aprofundando, mas para a qual o Governo, acolitado, agora pelo PSD, de Passos Coelho, prescreve (este Governo socrático), no essencial, medidas que afectam quem trabalha e destes os mais pobres e a classe média baixa, importa não virar as costas à política, pois, caso contrário, é esta que nos vira as costas, a nós; e nos transforma, inexoravelmente, nos bodes expiatórios desta mesma crise, escapando tudo o que é rico e poderoso (sobretudo os grandes grupos financeiros bancários, etc.), de um modo geral, ao pagamento desta pesada factura.
À parte disto é revoltante que Sócrates (esse grande mentiroso, que dizia não aumentar os impostos, para além de outras patranhas que nos pregou) ande de cócoras, perante a União Europeia, liderada por Durão Barroso, alargando as medidas do PEC, conforme de Bruxelas lhe impuseram.
Esta é a altura certa para agir, no sentido de emperrar este rolo compressor, que sobre o povo português mais humilde e “remediado” se abate. Cada um de nós, mais informado e consciente, será mais uma pedra na engrenagem, que nos quer “esmifrar”, esmagar, tornando a carga fiscal intolerável e com ela (via sobretudo IVA) a vida mais cara, os nossos salários baixos ou mesmo de miséria, sem aumentos; isto para além do agravamento do desemprego e do crescente trabalho precário, sem direitos, que atinge sobretudo a juventude.
( A entrada é livre, é para ti, cidadão, simpatizante ou não do Bloco que esta reunião é; não te inibas vem mesmo !
- Mobiliza-te para a luta, porque esta luta é, também, tua !
- Apoia e Bloco e vem com ele ouvir os seus representantes e apresentar as tuas ideias, as tuas revoltas !
Fernando Rocha – Deputado Municipal do BE de Caldas da Rainha

12 Maio 2010
Há perto de cinquenta anos vivia-se em todo o mundo a epopeia espacial. A ida à Lua apaixonava multidões, no planeta (e o caso não era para menos; ainda hoje colocar um homem na Lua é um feito notável). A corrida espacial, travada entre americanos e russos, impulsionava a ciência ligada ao espacial, como nunca antes se vira. Mas se a população, de um modo geral, dedicava grande atenção à epopeia (havendo até, por parte dos mais velhos, sobretudo, quem duvidasse da veracidade da ida à Lua, alegando que tudo aquilo não passava de uma montagem cinematográfica) , a juventude, de um modo geral, como é natural, mais idealista, sonhadora, andava frenética com toda aquela grande aventura da Humanidade.
Cá pelo nosso País vivendo debaixo da pata da ditadura e da censura salazarenta, até pela falta de outras notícias aliciantes, que aliviassem aquela farsa “fascistoide”, daquela pressão do regime, do ditador de Santa Comba, o entusiasmo era enorme. E assim sendo naqueles idos anos do início/meados da década de sessenta, do século passado, eu e um grupo de estudantes da Escola Comercial e Industrial Rafael Bordalo Pinheiro, começámos a gravitar em redor do cientista de serviço, o então jovem Carlos Dias, actual ilustre jornalista de um jornal de Beja e correspondente do “Público” naquele “burgo” e do seu circundante Alentejo profundo.
O Dias não parava e dava mais gás o nosso sonho. Sonho de um pequeno grupo de camaradas entre os quais eu me encontrava, conjuntamente com o Rogério Guimarães, penso, também, que com o Mário Lino, o Leitão e outros, de que já não tenho memória. O Dias lia e mostrava-nos tudo o que podia sobre ciência espacial e ficção científica; e, seguindo a tendência que em muitas escolas e liceus, de Portugal, fazia caminho, de proceder a experiências de lançamento de foguetões miniatura, galvanizou-nos para um projecto do mesmo tipo; um projecto caldense, da nossa Escola Comercial e Industrial.
Resolvido um dos problemas essenciais, que era o do combustível da “nave”, que teria de ser importado dos Estados Unidos da América, que o Dias se prontificou a encomendar, convenceram-se uma série de professores, sobretudo mestres das serralharias e o próprio Director, Dr. Leonel Sotto Mayor, para a bondade do projecto. Começou-se, pois, com muito entusiasmo, nas serralharias da Escola, a construção daquele que seria o primeiro e penso que único foguetão caldense. Com ironia e graça, poderei dizer que eu e mais todos aqueles referidos companheiros fomos pioneiros e lançámos as Caldas na corrida espacial.
Tenho ideia que a pioneira nave caldense teria uns sessenta ou setenta centímetros de altura e se constituía por um motor, que funcionava como foguete, um motor a jacto, em duro alumínio, de pequena dimensão, onde se metia o combustível (que eram, se bem me recordo, uns pequenos cilindros vermelhos, como já disse, vindos directamente dos Estados Unidos). Rodeava o motor, que não teria mais de dez centímetros de cumprimento, então, a fuselagem, da dimensão que atrás descrevi, que na parte superior se constituía por um cone, que era uma peça independente do cilindro, que compunha o resto da dita fuselagem. Para maior sofisticação do engenho, estava previsto que lançado o foguetão e atingindo este a sua máxima altitude, o cone cimeiro funcionaria como cápsula, que se separava e que voltaria à terra amparada por um pequeno pára-quedas.
Concluída a construção do aerodinâmico veículo aprazou-se para um sábado à tarde o lançamento. No dia aprazado juntou-se uma pequena multidão expectante, constituída por alguns professores, entre eles o digníssimo Director, mas sobretudo entusiasmados alunos, jovens, como eu. A rampa de lançamento tinha um ar algo primitivo, que, desde logo, me fez temer pelo êxito daquela nossa pioneira, em termos caldenses, experiência espacial.
Ateado o combustível, quase de imediato ouviu-se um enorme estouro, que a todos muito assustou. E o caso não era para menos, pois, muita sorte houve, em que nenhum dos expectadores ou “cientistas”, apanhassem, em cima, com fragmentos do engenho, cuja fuselagem se desfez, em pedaços. Mas nem tudo falhou; a cápsula com a explosão, cumpriu o seu desiderato, separou-se, atingiu alguma altura e aterrou suavemente, tal e qual o previsto, apoiada pelo seu apenso pára-quedas. Recordo-me que o Director, o saudoso Dr. Sotto Mayor, que era ligeiramente corcunda, mais corcunda ficou e pôs-se desde logo a milhas, em profundo silêncio, marcado pela desilusão, daquele nosso fiasco.
Fernando Rocha
P.S. – O meu distinto Amigo e Director do Jornal das Caldas, Jaime Costa, penso que não integrou o grupo de “cientistas”, pois, se bem me lembro, já, na altura, se dedicava mais à “ciência” de conquistar miúdas. O outro ilustre Director da imprensa local caldense, também meu prezado Amigo, o Doutor José Luís de Almeida e Silva, não foi, igualmente, um dos “cientistas”, pois, a sua especialidade era o “marranso”, já perseguindo a ideia de coleccionar diplomas académicos. Era, como agora se diz, algo “Betinho”, com o devido respeito.
11 Maio 2010