MIGUEL A FALTA QUE NOS FAZES

Sentir a morte de um Amigo é sempre um sentimento doloroso.  Eu não era amigo intimo de Miguel Portas, mas, para além de nos conhecer-mos bem,  eu nutria por ele uma grande simpatia, na relação de camaradagem política, a que penso ele também corresponder, em relação à minha pessoa.  Fiz com ele diversas campanhas (uma primeira ainda em Lisboa e a última das quais para a sua última  eleição para o Parlamento Europeu, em que o acompanhei em parte do Distrito de Leiria. Um dia recordo-me encontra-mo-nos os dois sozinhos num café, já me não recordo onde, para com outros camaradas,  partirmos para uma acção de campanha, em que conversámos sobre o momento político que então vivíamos. Participei com ele, também, em reuniões da Mesa Nacional, por volta de 2004/2005.  Sobre o Miguel já quase tudo foi dito. Era para além de muito lúcido e culto, uma pessoa muito afável, com quem dava gosto estar.

Numa altura em que Portugal, mais dependente do que nunca da Europa ( e a que se  espera   ser aliciante a vitória de ontem, em França, de Hollande), numa altura em que  se procura uma luta mais consequente por uma Europa de mais solidariedade, o Miguel faz-nos muita falta (a Portugal e à Europa, sobre a qual ele tinha convicções muito firmes alicerçadas na Europa dos Povos).   Em Portugal, com esta direita, no Poder, e onde se avizinha, por força dessa direita e das suas políticas,  a tragédia Grega o Miguel teria ainda um papel mais importante.   A sua voz e a sua sabedoria era única. Todas as sextas-feiras o lia com atenção no jornal “SOL”.

Conto brevemente defender no meu Sindicato e no sindicalismo, em geral (se a saúde me não trair), a táctica da “GUERRILHA SINDICAL”. Muito gostava de discutir isso contigo.

O vazio da tua prematura partida, foi uma partida da má sorte, de Portugal, para o Portugal dos mais pobres,  humildes e para uma classe média baixa que eles  -  a corja dos algozes da direita – querem extinguir.  Ai Miguel, Miguel, a falta que tu fazes ao debate e à acção políticas !…

Fernando Rocha

Adicionar comentário 6 Maio 2012

O “25 de Abril” está de luto

Fernando Rocha
COM O DESAPARECIMENTO DO MIGUEL O BLOCO E O “25 DE ABRIL” FICARAM MAIS POBRES !

‎”Fui sempre mais de jogar fora do baralho” – Miguel PortasPerdemos todos um m…ilitantes invulgar. Os que tiveram esse privilégio, perderam um grande amigo. Adorava viver e fê-lo sem tréguas até ao fim.Ver mais

Palavras de dor

Sinto uma dor que não consigo explicar
Uma dor de amargura intensa
Que as palavras não conseguem definir.
É um vazio por preencher
Um vazio de não aguentar.

Partiste e à medida que passa o tempo
Maior e mais intenso é o meu lamento.
Uma dor em angústia fina
Que me dilacera o peito
Que quase rasa a loucura

É como se algo de mim me escapasse,
É como se algo de mim me fugisse.
É um vão, um vazio, dilacerante.

Rogo às divinas transcendências
Um retorno, um remedeio
A um tempo passado e cheio.

Cheio de calor
Na ternura
E no amor!

Fernando Rocha / 19-4-2012

Adicionar comentário 19 Abril 2012

UM PERCURSO

Bem vistas as coisas nada teria que justificar. Fui o que fui com a mesma coerência (possível) do que hoje sou o que sou. Escrevo com uma envelhecida esferográfica, quase peça de museu. De uma velha campanha socialista, do tempo em que Cavaco era o que hoje é Passos.  Escrevo com ela com e sem desconforto, numa ambivalência  que tentarei explicar. Escrevo com ela sem desconforto, sem mágoa, porque nesse tempo o combate a Cavaco era para mim essencial.  O desconforto veio anos depois, quando o PS, PS deixou de ser.

Escrevo estas coisas que alguns não entenderão, mas que reputo (no meu íntimo) ser um caminho de uma certa coerência. Ter sido do PS, que combatia Cavaco com Sampaio, foi para mim (também) uma rebeldia.  Ser hoje do Bloco é a continuação dessa rebeldia, já que o PS, PS continua a não ser.

Abril foi para mim um sonho bonito, uma realidade de sonho.  Ter sido tudo o que fui, desde a velha UDP a Bloquista, passando antes pelo PS pintassilguista (Mª. L. Pintassilgo continua sendo uma minha referência política) foi um percurso de coerência (estive também na luta com Isabel do Carmo pela libertação de Otelo).

Hoje luto pela unidade da esquerda, contra esta direita que nos tenta esmagar a coragem e roubar-nos a sã rebeldia e a esperança num mundo diferente.

Sou um social-democrata radical de esquerda (nada tendo contra as outras tendências de esquerda incluindo a comunista, bem antes pelo contrário, neste tempo radical de neo-liberalismo capitalista).

De Abril recordo, com muita saudade, a máxima liberdade. Lembro esse tempo já distante como um tempo da minha máxima felicidade.  Hoje luto pela unidade da esquerda (a esquerda dos valores e dos princípios), contra esta direita que nos tenta esmagar a coragem, a rebeldia e a esperança de um mundo bem diferente (onde more sempre a solidariedade).

Sou de “Abril”, desse sonho bonito e generoso, que precocemente se interrompeu.  Sou contra este Lixo político que hoje somos.  Por isso entendo Otelo, no seu último discurso, neste tempo cinzento carregado, que passem todas as suas contradições, é uma voz rebelde que persiste.

Fernando Rocha

PS- Escrevo estas linhas a  16 de Março (dia da revolta das Caldas, a minha terra, dia de anos do meu neto).

 

Adicionar comentário 16 Março 2012

O SR. SILVA (Cavaco Silva)

Começámos a habituar-mo-nos a um Presidente que fala a destempo, que mais do que exercer a sua função moderadora exacerba a vida política portuguesa e é essa a avaliação que mais se faz sentir. A avaliação que se faz do seu mandato é. assim a pior possível.  Num momento em que  o País precisava de uma palavra de responsabilidade e de serenidade, Cavaco, torna-se o principal responsável pela triste situação que vivemos. A sua dita “magistratura de influência” torna-se numa magistratura de má influência.

Foi ele o grande responsável pela situação a que o país chegou, enquanto Primeiro Ministro. fazendo-se agora passar por virgem pura., de alguém que está para além da política, quando esteve bem sempre no seu centro. Foi ele que conduziu o País à gestão desastrosa dos fundos comunitários, que hoje pagamos com língua de palmo, através do conhecido despesismo e falcatruas.  Para além disso o seu primeiro ano de mandato tem sido um autêntico desastre.

A sua influência tem sido extremamente negativa, permitindo que o Governo actual transforme a vida dos portugueses num autêntico inferno, embora hipocriticamente critique algumas das medidas do actual Governo. Não se pode vir dizer que os portugueses estão à beira dos sacrifícios máximos e , posteriormente,  sanciona-los

Os seus poderes institucionais (como os de qualquer outro presidente) são os correctos. Só que Cavaco não os sabe exercer.

É velho o ditado que zangam-se as comadres e descobrem-se as verdades e a verdade é que o PEC 4 teria sido muito menos doloroso para os portugueses, do que as medidas do actual Governo.

No caso vertente destas críticas a Sócrates por causa do PEC 4, elas são de um terrível mau gosto, para além do seu impróprio tempo e Pedro Silva Pereira tem toda a razão quando fala do outro lado da moeda que foram as falsas escutas a Belém, a quando da visita à Madeira.  O  regime está certo na sua distribuição de poderes Cavaco é que está errado.  A sua demissão, como Presidente de “todos os Portugueses (23% dos votos)” era a medida certa para um Presidente que é um erro e uma causa de conflitos na sociedade portuguesa.

Fernando Rocha

Adicionar comentário 10 Março 2012

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